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Ludwig van Beethoven (1770–1827)

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Mensagem  ricardo onga-ku 16/1/2011, 10:42

Ludwig van Beethoven (1770–1827) 270px-Beethoven

Ludwig van Beethoven (1770–1827)

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"O homem, uma vez abdicando da razão,
não tem defesa contra o absurdo, a monstruosidade,
e tal como um navio sem leme fica à mercê dos ventos.
A esses, a credulidade toma o leme da mão da razão
e a mente converte-se num naufrágio."

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Ludwig van Beethoven (1770–1827) Empty Re: Ludwig van Beethoven (1770–1827)

Mensagem  ricardo onga-ku 16/1/2011, 10:49

Estando eu longe de ser um musicólogo dificilmente conseguirei tecer profundas opiniões históricas, estéticas ou outras, pelo que a minha contribuição não irá passa por mais do que a enumeração de algumas obras que aprecio e julgo fundamentais, ilustrando-as com duas ou três interpretações.
Talvez o Holbein me dê uma mãozinha.



Começo por Beethoven por me parecer que este compositor é indiscutível e universalmente aceite como o "maior" que alguma vez viveu entre nós.
Existem a meu ver duas grandes obras sinfónicas que devem ser obrigatórias em qualquer discografia que se preze: a 5ª Sinfonia (1808) e a 9ª Sinfonia "Coral" (1824) que inclui o famoso "Hino à Alegria":

(Barítono)
Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais agradável
E cheio de alegria!


(Barítonos, quarteto e coro)
Alegria, mais belo fulgor divino,
Filha de Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Teus encantos unem novamente
O que o rigor da moda separou.
Todos os homens se irmanam
Onde pairar teu vôo suave.
A quem a boa sorte tenha favorecido
De ser amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma doce companheira
Rejubile-se connosco!
Sim, também aquele que apenas uma alma,
possa chamar de sua sobre a Terra.
Mas quem nunca o tenha podido
Livre de seu pranto esta Aliança!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos dá beijos e as vinhas
Um amigo provado até a morte;
A volúpia foi concedida ao verme
E o Querubim está diante de Deus!


(Tenor solo e coro)
Alegres, como voam seus sóis
Através da esplêndida abóboda celeste
Sigam irmãos sua rota
Gozosos como o herói para a vitória.


(Coro)
Abracem-se milhões de seres!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos! Sobre a abóboda estrelada
Deve morar o Pai Amado.
Vos prosternais, Multidões?
Mundo, pressentes ao Criador?
Buscais além da abóboda estrelada!
Sobre as estrelas Ele deve morar.


Última edição por onga-ku em 16/1/2011, 11:35, editado 1 vez(es)

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Mensagem  ricardo onga-ku 16/1/2011, 11:12

Existem no mercado centenas de gravações destas duas obras, várias delas excelentes interpretações.
Estas são as minhas sugestões:

Ludwig van Beethoven (1770–1827) 51kGDOtViJL._SL500_AA300_

Ludwig van Beethoven (1770–1827): Sinfonia nº 5
Carlos Kleiber, Wiener Philharmoniker
DG

--

Ludwig van Beethoven (1770–1827) 4636262

Ludwig van Beethoven (1770–1827): Sinfonia nº 9 "Coral"
Ferenc Fricsay, Berliner Philharmoniker
DG

ou para os que prefiram uma gravação mais recente

Ludwig van Beethoven (1770–1827) 51yrb3oX%2BbL._SL500_AA300_

Ludwig van Beethoven (1770–1827): Sinfonia nº 9 "Coral"
Günter Wand, Sinfonieorchester des Norddeutschen Rundfunks
RCA



Se alguém estiver interessado numa colectânea sugiro esta versão económica da Brilliant, uma reedição das famosas gravações audiófilas da Denon:

Ludwig van Beethoven (1770–1827) 51E5QVQF39L._SL500_AA300_

Ludwig van Beethoven (1770–1827): Sinfonias
Herbert Blomstedt, Staatskapelle Dresden
Brilliant Classics

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Mensagem  Orion 16/1/2011, 13:51

Excelente tópico Ricardo Wink

De imenso trabalho certamente, mas muito util para todos aqueles que queiram conhecer mais da vida e obra destes grandes compositores clássicos.

E algo inovador que também é de louvar são as tuas sugestões de gravações/álbuns a comprar, dado ser algo que a maioria de nós tem sempre grande dificuldade em saber escolher Wink .

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Mensagem  ricardo onga-ku 16/1/2011, 15:42

Espero que o Holbein também dê a sua contribuição com as suas histórias da música. Wink
Além disso a minha convivência com a música erudita ocidental está limitada ao período que aprecio, o Romantismo.

Abraço,
Ricardo

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Mensagem  Orion 16/1/2011, 16:09

Sim, o Holbein ou qualquer outro forista com conhecimento na matéria que queira ajudar, pode e deve faze-lo.

Vamos a dinamizar este (e outros) belo tópico de grande utilidade.

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Mensagem  ricardo onga-ku 16/1/2011, 16:30



Ludwig van Beethoven: Sinfonia nº 5

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Mensagem  ricardo onga-ku 16/1/2011, 16:34



Ludwig van Beethoven: Sinfonia nº 9 "Coral"

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Mensagem  nole 17/1/2011, 00:19

Posso sugerir esta interpretação 1984 Berlin Philharmonic Orchestra Herbert von Karajan

Ludwig van Beethoven (1770–1827) S5beethoven

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Mensagem  ricardo onga-ku 23/1/2011, 13:28

.
.
.
Leonard Bernstein sobre a 5ª Sinfonia de Beethoven ("O Mundo da Música" - Livros do Brasil)
.

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Mensagem  ricardo onga-ku 23/1/2011, 13:29

Ludwig van Beethoven (1770–1827) Lvb51

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Mensagem  ricardo onga-ku 23/1/2011, 13:30

Ludwig van Beethoven (1770–1827) Lvb52

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Mensagem  ricardo onga-ku 23/1/2011, 13:31

Ludwig van Beethoven (1770–1827) Lvb53

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Mensagem  ricardo onga-ku 23/1/2011, 13:31

Ludwig van Beethoven (1770–1827) Lvb54

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Mensagem  ricardo onga-ku 23/1/2011, 13:31

Ludwig van Beethoven (1770–1827) Lvb55

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Mensagem  ricardo onga-ku 23/1/2011, 13:32

Ludwig van Beethoven (1770–1827) Lvb56

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Mensagem  ricardo onga-ku 23/1/2011, 13:32

Ludwig van Beethoven (1770–1827) Lvb57

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Mensagem  ricardo onga-ku 25/1/2011, 10:48

Dentro das obras orquestrais temos ainda três peças que julgo obrigatórias: o Concerto para Piano e Orquestra nº 5, o Concerto para Violino e Orquestra e o Triplo Concerto para Violino, Violoncelo, Piano e Orquestra.

Ludwig van Beethoven (1770–1827) 61C83DK0KKL._SL500_AA300_

Ludwig van Beethoven (1770–1827): Concerto para Piano e Orquestra nº 5
Claudio Arrau
Colin Davis, Staatskapelle Dresden
Philips

--

Ludwig van Beethoven (1770–1827) 51oJmAy1JfL._SL500_AA300_

Ludwig van Beethoven (1770–1827): Concerto para Violino e Orquestra
Jascha Heifetz
Charles Munch, Boston Symphony Orchestra
RCA

--

Ludwig van Beethoven (1770–1827) 513YJjLIL1L._SL500_AA300_

Ludwig van Beethoven (1770–1827): Triplo Concerto para Violino, Violoncelo, Piano e Orquestra
David Oistrakh, Mstislav Rostropovich, Sviatoslav Richter
Herbert von Karajan, Berliner Philharmoniker
EMI

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Mensagem  ricardo onga-ku 25/1/2011, 17:07

Ricardo (Onga-ku).

Não considero Beethoven um músico inovador senão subversivo; subverteu a dolce far niente vida da nobreza preguiçosa e fútil com barulho ensurdecedor musicado; são assim as suas Sonatas para piano e suas sinfonias que mais traduzem um espírito conturbado e raivoso do que um músico consciente.
Diferente de Bach para quem a música era um problema matemático a resolver – e resolveu-os todos com extrema competência sem utilizar-se da enganação da melodia.
Compôs Bach música pura sem se importar com os leitmotiv, ou seja, com os temas, com os dramas, com uma personagem em particular, uma situação, um sentimento, um objeto. Compôs Matemática.

Igual e diametralmente oposto a Mozart, que compôs sonatas, concertos e sinfonias, comédias bufas, dramas densos e missas insossas, tudo isso independente de seu estado de espírito, suas desgraças pessoais, suas dúvidas filosóficas, suas alegrias fugazes e suas tristezas constantes.
Compôs Música.

Beethoveen criou o barulho musical para incomodar o dolce far niente da nobreza ociosa.
Seus tímpanos mais parecem o troar dos índios a ecoar mata a dentro para anunciar aos inimigos a guerra.

Ora, enquanto Bach era um “homem sério”, um cientista sereno a pesquisar a natureza e os mistérios dos sons cujos laboratórios foram as igrejas pela quais contratado, mas a mais-valia do que produzia não estava a serviço da catequese das almas ímpias mas a favor da correta solução das equações matemáticas; enquanto Mozart, garroteado pela tirania do pai, pressionado pelas exigência da mulher, sofrido e endividado e às vezes embebedado, isso nada obstante compôs música pura em que a beleza não está ligada à situações externas ou internas mas ao bom encadeamento e a eufonia dos sons e fraseados musicais; enquanto Beethoven bombardeava com acordes fortes e tempestuosos seus inimigos que eram todos que lhe cercavam, apostrofava contra a Natureza que lhe houvera sido mesquinha a roubar-lhe o prazer de ouvir e rugia contra a burguesia bem-sucedida que se banqueteava em convescote enquanto ele, a um canto, solitário e desprezado, tocava sua música para sobreviver.

Ora, meu caro Ricardo, o que ouvimos hoje em nossos sistemas de reprodução do som não são as músicas desses gênios e sim o gosto exibicionista dos maestros.
Veja, ainda ontem ouvi a Sinfonia nº 38 de Mozart, conhecida com “Praga”, ouvia-a em três gravações diferentes e em cada uma o maestro se exibia diferente.
A interpretação do KV 504 (sinfonia nº 38) que mais apreciei foi do maestro Christopher Hogwood, com a “The Acatemy of Ancient Music”; seguida da interpretação do condutor Jaap Ter Linbden, com a orquestra “Mozart Akademie Amsterdam”, da coleção das Obras Complestas” editadas pela Brilliant Classic.
A pior das interpretações inda que a mais “espetacular” foi a do DVD “A Mozart Gala”, com a Filarmônia de Viena conduzida pelo impetuoso e jovem maestro Daniel Harding.

É, Onga-ku, teve razão o grande regente Bruno Walter que, quando completou quarenta anos de regência exclamou, satisfeito: “Agora posso tocar Mozart”!.

Holbein Menezes

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Mensagem  francisco chaves 25/1/2011, 18:06

L.V.Beethoven foi um compositor muito importante na sua época a par de tantos outros. 9 Sinfonias, qual delas a mais importante, qual delas a mais intrínseca, todas escritas com aquilo com que hoje o homem não tem, nem faz: Paixão.
Todos os compositores quer na era barroca, quer no ''barroco-tardio'', quer no clássico, e quer no romantismo, todos eles deram um preciso contributo á humanidade, todos eles criaram o que de mais belo existe: A Música.

Antes de J.S.Bach, houve tantos compositores de elevada singularidade, relembro Jean Baptiste Lully, Marain Marais, Mouret estes no barroco francês, no Italiano estaria aqui a escrever horas.

As sinfonias de Beethoven, foram escritas de acordo com o tempo vivido nas mais variadas fases do compositor. Retrocedendo uns pouco anos atrás, temos as sinfonias que espelham a alegria e vontade de viver, as 40 ou 42 de Mozart. A par destas temos as de Haydn, qual a mais bonita, venha o diabo e escolha. Então e Haendel, era algum festivaleiro? Música séria era com ele.

Bach, musico sério, compunha música séria, sem dúvida. Os concertos para violino, as cantatas que não têem fim, os concertos de Bradenbourgo, tudo demasiado bonito e de origem divina, não há dúvida.

Mas então e Beethoven? Era algum tiririca? Ouçam profundamente as 9 sinfonias. O triplo concerto, os 5 concertos para piano, o concerto para violino, querem mais sério do que isto? e o homem estava''quase a entrar'' no romantismo.

Mozart, e contrariando o que se diz, de louco tinha muito pouco, Milos Forman fez demasiado mal o retrato. Louco? Palhaço? Não, génio sim. Requiem a obra mais eloquente de sempre, a obra tão ou mais séria como qualquer outra obra de Bach, também de origem divina. Don Giovanni, a ópera de todas as óperas, concertos para piano, só foram 27, a Flauta Mágica a mostrar já evidentes sinais do fim do barroco com a entrada já no classico, com a abolição de alguns instrumentos típicos da era barroca, como o cravo, missas nada fastidiantes, muito pelo contrário meus senhores, isto é música séria meus senhores, ou não é?

Com Mozart e Bach, ficou provada a existência de Deus, pois se este criou o homem, que mais e melhores exemplos.

E muitos mais exemplos daria eu.

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Mensagem  nole 3/2/2011, 04:06

onga-ku escreveu:Ricardo (Onga-ku).

Não considero Beethoven um músico inovador senão subversivo; subverteu a dolce far niente vida da nobreza preguiçosa e fútil com barulho ensurdecedor musicado; são assim as suas Sonatas para piano e suas sinfonias que mais traduzem um espírito conturbado e raivoso do que um músico consciente.

Holbein Menezes

Essa é boa!

Como pode um ser como Beethoven que aos 15 anos de idade já sabia o verdadeiro significado da palavra “morrer” ter um espírito conturbado e compor com sentimentos de raiva e rancor para entreter os outros?

Beethoven compôs para elevar…

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Mensagem  paulo_m 3/2/2011, 04:55

onga-ku escreveu:Diferente de Bach para quem a música era um problema matemático a resolver – e resolveu-os todos com extrema competência sem utilizar-se da enganação da melodia.
Compôs Bach música pura sem se importar com os leitmotiv, ou seja, com os temas, com os dramas, com uma personagem em particular, uma situação, um sentimento, um objeto. Compôs Matemática.

Holbein Menezes

Infelizmente as frases acima citadas demonstram algum preconceito e estão longe da verdade. Bach era um exímio improvisador, no cravo, no orgão e no violino. Muita da música que compôs vem de sessões intermináveis de improviso, ao longo das quais experimentou, descobriu e refinou aquelas que viriam a ser as suas composições musicais. Uma audição a obras como as Variações de Goldberg, as sonatas e partitas para violino, ou mesmo a Arte da Fuga mostrará como o material, fluido, em "débito" constante é um "anotar" de algo que surgiu da ponta dos dedos e não de um impulso cerebral de aplicar estruturas abstractas ou matemáticas. Poderia argumentar-se que a fuga é uma das construções mais matemáticas da música, mas uma tal afirmação confunde ideia e inspiração com processo e técnica.

Quanto à melodia, temas, leitmotivs e dramas... Relembro humildemente que tal não existia na música de então, não sob a forma a que nos viríamos habituar com Haydn, Mozart e Beethoven. Bach e o barroco nunca foram a propósito da frase melódica, do desenvolvimento do tema e muito menos do leitmotiv. O tema repetido, como unidade estilística de uma obra musical surge grosso modo com os clássicos (os 3 citados), que evoluem a música para além das formas binárias, ternárias e de dança para formas onde a modulação deixa de ser um passo no percurso para passar a ser um eixo em torno do qual o drama se desenrola. O allegro de sonata, a pedra basilar de todo o drama na música e que conseguimos encontrar na vasta maioria dos primeiros andamentos das sinfonias, concertos e música de câmara desses 3 compositores simplesmente não existia no barroco--apesar de se poder traçar sua a linha genealógica por esse período.

E sem o impulso para o drama, sem a vontade de exprimir a interiorização das emoções, é absolutamente natural que a "situação, um personagem em particular ou um objecto" não façam parte da visão e objectivos estéticos do Bach.
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Ludwig van Beethoven (1770–1827) Empty Re: Ludwig van Beethoven (1770–1827)

Mensagem  francisco chaves 3/2/2011, 12:40

O que interessa aqui neste tópico segundo minha óptica é a criatividade musical que após 200/300 faz encher salas de concerto e teatros de ópera pelo mundo fora. O que interessa aqui é a genialidade do homem de então, o poder de criação como disse em escrever harmonia sobre a forma de música, esta é a questão principal.

Fazer perdurar música com 200/300/400 anos é que fez com que o homem de então tivesse tido a capacidade ímpar de tal feito. Em pleno séc.XXI, continua-se em longas filas de espera para as bilheteiras, ou agora já existe a possibilidade de comprar ingressos pela net, para poder assistir á arte músical, seja ela Bach, Mozart, Haydn, Haendel, Beethoven, Wagner, Jean Baptiste Lully, Charpentier, Marain Marais, entre muitos outros.

Pergunto, e mudando radicalmente a expressão musical, mas é só para estabelecer um pequeno paralelo, mas alguém daqui por alguns bons anos se vai lembrar quem foi Eminem, Lady Gaga, Beonce, e seus derivados, ninguém, se alguém se lembrar será só pelos atributos das meninas, encharcadas em plásticas, e botox, e dos gritos do Eminem, enfim, não sei se estão a ver a coisa. Portanto hoje a criatividade musical é quase toda chapa 5, o que muda são as pessoas que a interpretam, só isso e nada mais, e o argumento do filme é sempre o mesmo.

Atenção, atendendo a uma deficitária cultura por parte de uma franja bem grande das camadas mais jovens, se se lhes perguntar quem foi Bach, ou Mozart, ainda teremos como resposta, se foi algum actor dos morangos ou algum cantor dos ídolos, estamos um pouco assim. E depois existe uma outra franja da camadas mais jovens por ter algum acesso à cultura, e por ter algum desafogo financeiro que lhe permite ir a uns concertos quer de Jazz ou Clássica, mas ainda é uma larga minoria, tal como o actual governo.

Para terminar, a criação do homem está definitavamente obstruída me termos de criação músical de forma sustentada. O que é ainda mais caricato é que com os meios que o homem dispôe faz muito do mesmo e quase sempre mau. Enquanto os compositores dos Séc. XVII, XVII, e XIX, com os parcos meios criaram obras intemporais e para todo o sempre, esta é uma das diferenças.


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Ludwig van Beethoven (1770–1827) Empty Re: Ludwig van Beethoven (1770–1827)

Mensagem  paulo_m 3/2/2011, 15:04

francisco chaves escreveu:Para terminar, a criação do homem está definitavamente obstruída me termos de criação músical de forma sustentada. O que é ainda mais caricato é que com os meios que o homem dispôe faz muito do mesmo e quase sempre mau. Enquanto os compositores dos Séc. XVII, XVII, e XIX, com os parcos meios criaram obras intemporais e para todo o sempre, esta é uma das diferenças.

A criação musical nos sécs. XX e XXI está de boa saúde. Está a sofrer uma adaptação forçada a um mundo em mudança vertiginosa, mas a herança do passado está entregue e em boas mãos e obras intemporais foram criadas e continuam a sê-lo. Desde o séc. XII que há um sem-número de compositores e de obras que não resistiram à passagem do tempo e que foram (pratica ou completamente) esquecidos. Este fenómeno não é exclusivo do sécs. XX e XXI e nem dos variadíssimos géneros musicais que surgiram nesse período.

Também há a questão da cultura, da tradição de fazer música, de como a arte se desenvolve. O séc. XX trouxe-nos a globalização, a comunicação e o acesso à tecnologia e elevação do nível geral de educação permitem que muito mais gente se possa exprimir artisticamente, ao mesmo tempo que o fruto da criação é facilmente acessível. Os compositores de outrora viviam em geral dos patrocínios da aristocracia ou da Igreja e a música só se tornou um acto público no princípio do séc. XIX. Antes disso, estava confinada a salas e audiências selectas.

É natural que por nos encontrarmos contemporâneos da música feita hoje seja bem mais difícil isolar e identificar aquelas obras que ficarão na história. Mas relembro que a "importância histórica" é um conceito volúvel; uma consulta à História da Música mostra que há compositores e obras ridicularizadas na sua época e que depois obtiveram reconhecimento--e vice-versa.

Afirmar que estamos a caminho da perdição na arte diz mais sobre as expectativas e preconceitos de quem faz a afirmação do que sobre a arte em si.
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Mensagem  ricardo onga-ku 3/2/2011, 15:29

Para um artista a expressão artística depende, tal como o audio Wink para o audiófilo, das suas motivações.

Se olharmos a arte como uma forma de expressão, existe a meu ver um crescente distanciamento entre emissor e receptor, talvez devido à(s) linguagem(s) (?) contemporânea(s) cada vez mais herméticas...mas como diz o Paulo são reflexo dos nossos tempos.
Não acho que isso possa levar à "perdição" da arte mas sinto alguma tristeza pelo facto de por um lado se emular a "pimbice" em vez da "elevação" e por outro se optar por um certo "autismo" clubista quando não é individual.

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Ludwig van Beethoven (1770–1827) Empty Re: Ludwig van Beethoven (1770–1827)

Mensagem  francisco chaves 3/2/2011, 16:03

paulo_m escreveu:
Os compositores de outrora viviam em geral dos patrocínios da aristocracia ou da Igreja e a música só se tornou um acto público no princípio do séc. XIX. Antes disso, estava confinada a salas e audiências selectas.

E hoje? Quem é que vai a São Carlos? Quem é que vai á FCG? Que tipo de audiência no compto geral está sentada nessas salas? Talvez não saiba, está muito longe em termos geográficos e da realidade social portuguesa.
As elites predominam em todos os sectores do tecido social português. Elites económicas que fazem parte das audiências dessas salas, e a maior parte delas não faz o trabalho de casa, pois nem sabe o que está a ver, e muito menos a ouvir.

Essas audiências que fala ditas selectas, são as que menos raízes culturais ostentam, são selectas porque vão para autênticos desfiles fashion de alta costura de costureiros da alta ou da baixa. Até lhe digo, essas audiências ditas selectas não são o melhor exemplo, talvez o pior, não são essas que dignificam e propagam a cultura, essas sectarizam a cultura, e não nos podemos esquecer que a cultura deveria ser um bem ao alcance de todos, e em Portugal não, é só para as elites económicas, deveria saber disso, ocultar esta realidade social e negar tudo o resto.

Mais ainda, essas audiências e plateias que fala representam o pior do que existe na cultura portuguesa. Pergunto, qual o significado de filas e filas de cadeiras vazias em plena plateia com lotações esgotadas? O recital não presta? A obra também não? Eu explico e digo-lhe: São as audiências selectas que fala, que recebem convites mas que não se dão ao trabalho de ir para se cultivar, e as as poucas que vão preencher o lugar e adormecem a meio da obra, pois estas são as audiências selectas. deixando á porta as verdadeiras audiências, que amam e sentem a música,mas com parcos recursos financeiros. Não sei como é na China, só falo da realidade que conheço infelizmente.

Isto é sectarismo puro e duro, numa área tão crucial num povo como a é da Cultura. É a cultura que faz um povo, e não compartimentos estanques em termos sociais numa qualquer dita sociedade evoluía e aberta.

Para se ir a uma sala de concerto não é a indumentária que faz ser mais ou menos conhecedor da coisa, é em primeiro lugar o sentir a música vindo das entranhas, esta é a diferença, e essas audiências selectas no geral estão profundamente cheias de coisa alguma, salvo seja, a carteira desses é que anda bem cheia, sorte a deles azar o meu e de muitos nós.

Pois é os músicos de então do Séc XVIII e Sec. XIX eram escorraçados da sua própria terra natal, o que obrigava a terem uma condição nómada para se sustentaram. Constantes deslocações à vários países da europa para actuações várias das suas obras. Mozart, Beethoven, Chopin, e tantos outros foram grandes exemplos dessa descriminação social, era hábito alguns tornarem-se Kappelmeister vulgo chefe de capela, a convite de várias entidades eclesiásticas de então para receberem receberem um salário que era para pagar a viagem, para sobreviverem e outros era esbanjar, mas não é por acaso que muitos compositores morriam na mais completa miséria.

Haveria muito a dizer sobre o assunto.

Quanto à arte, sim senhor, está em constante evolução, acompanha a globalização e evolução das sociedades. Hoje não se pintam Rembrandt's, nem Renoir's , nem van Gogh's, nem Monet's, nem Fridha Kahlo's, nem Caravaggio's, nem Vermeer's, Jeronymo's Bosch, nem coisíssima nenhuma do género, porquê? Não sou especialista em história da arte para responder, mas lá está a coisa a dar sempre ao mesmo, não se pintam arte desta grandiosidade, nem se pinta arte com fundo preto e rosto a descoberto, mas estas perduram em qualquer museu do mundo, certo ou errado? Eu respondo, certo.

Andy Wharol, Basquiat, Paula Rego e tantos outros também fazem parte da arte , toda esta arte está bem viva, muitos de nós daríamos se o tivessemos, dinheiro para ter uma tela numa das nossas paredes, mas lá está, quem é que tem acesso a esses ''adornos''? Eu respondo utilizando uma afirmação sua no seu texto anterior: São as tais audiências selectas. Acho que está tudo mais ou menos dito.

Para terminar, e talvez a minha falta de sensibilidade para a coisa, não consigo perceber certas expressões musicais de hoje, bem como certas expressões corporais inerentes a essa criação musical. Talvez um sociólogo seria a pessoa mais indicada e habilitada para explicar tal fenómeno social.

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Mensagem  ricardo onga-ku 3/2/2011, 16:10

francisco chaves escreveu:E hoje? Quem é que vai á FCG?

Eu vou amanhã. cheers Razz

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Mensagem  francisco chaves 3/2/2011, 16:22

onga-ku escreveu:
francisco chaves escreveu:E hoje? Quem é que vai á FCG?

Eu vou amanhã. cheers Razz

Eh pá, então quando chegares escreve, não, melhor envia SMS, mas não te esqueças de pôr a coisa em modo vibratório, senão és corrido da sala Rir

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Mensagem  paulo_m 4/2/2011, 01:37

francisco chaves escreveu:E hoje? Quem é que vai a São Carlos? Quem é que vai á FCG? Que tipo de audiência no compto geral está sentada nessas salas? Talvez não saiba, está muito longe em termos geográficos e da realidade social portuguesa.

A culpa não é da arte nem dos artistas. Num mundo capitalista e mercantilista é muito difícil justificar o investimento em imponderáveis e de retorno nebuloso. Mas essa é uma reacção, não é uma acção. A acção está, em grande parte, do lado das audiências, que preferem o fácil e o curto e grosso. Se as audiências enchessem as salas, haveria menos hesitação em fazer uma programação decente e arrojada; como tal não acontece, o risco mantém-se minimizado programando aquilo que tem mais hipóteses de arrancar o público do "conforto" e marasmo cultural da televisão.

francisco chaves escreveu:Essas audiências que fala ditas selectas, são as que menos raízes culturais ostentam, são selectas porque vão para autênticos desfiles fashion de alta costura de costureiros da alta ou da baixa.

As audiências selectas de hoje não são as mesmas do passado. As que referi, as do passado, são aquelas a quem as artes inegavelmente devem o seu desenvolvimento e a sua propagação. Hoje em dia, substituem-se os patrocínios da aristocracia e da Igreja pelos patrocínios das empresas e dos bancos. Mas não são patrocínios nenhuns; apenas encaixam essas despesas nas suas contas e o Estado de bom grado aguenta com os incentivos fiscais, enquanto a empresa põe o seu nome na praça como apoiante da cultura.

As audiências selectas de hoje não são apenas constituídas pela gente que vai para o desfile. Em Portugal como nos outros países, há uma fracção significativa da audiência que vai pelo gosto pela arte. Quando fui ao Prometeo em Londres, ou ao Répons no Carnegie Hall ou ao Xenakis na Gulbenkian, por acaso com as salas completamente cheias, pelo menos uma terça parte da audiência era de jovens, sem pretensões de estar num fashion show e ali apenas pela música. E música que não passa na MTV nem na Rádio Comercial...

francisco chaves escreveu:Quanto à arte, sim senhor, está em constante evolução, acompanha a globalização e evolução das sociedades. Hoje não se pintam Rembrandt's, nem Renoir's , nem van Gogh's, nem Monet's, nem Fridha Kahlo's, nem Caravaggio's, nem Vermeer's, Jeronymo's Bosch, nem coisíssima nenhuma do género, porquê? Não sou especialista em história da arte para responder, mas lá está a coisa a dar sempre ao mesmo, não se pintam arte desta grandiosidade

Espero bem que não se continue a fazer nada do género. Essa arte existe e foi produzida pelos seus autores no seu contexto, na sua realidade e no seu tempo. Hoje a arte é diferente, evoluiu e está aí para quem a quiser ver, porque... (continua no próximo parágrafo)

francisco chaves escreveu:Andy Wharol, Basquiat, Paula Rego e tantos outros também fazem parte da arte , toda esta arte está bem viva, muitos de nós daríamos se o tivessemos, dinheiro para ter uma tela numa das nossas paredes, mas lá está, quem é que tem acesso a esses ''adornos''? Eu respondo utilizando uma afirmação sua no seu texto anterior: São as tais audiências selectas. Acho que está tudo mais ou menos dito.

...está completamente disponível para quem a quiser apreciar no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, na Tate Modern em Londres, no Musée d'Orsay em Paris, na Neue Staatsgallerie em Stuttgart, no MoMA e no Metropolitan em NYC, no Museum of Fine Arts em Boston, só para enumerar alguns dos museus por onde passei. A maior parte desses museus tem entrada gratuita. Só não vai quem não quer ou tem preguiça.

francisco chaves escreveu:Para terminar, e talvez a minha falta de sensibilidade para a coisa, não consigo perceber certas expressões musicais de hoje, bem como certas expressões corporais inerentes a essa criação musical. Talvez um sociólogo seria a pessoa mais indicada e habilitada para explicar tal fenómeno social.

Há-que fazer o "trabalho de casa" (para citar as suas palavras). A arte de hoje engloba muitos outros conceitos, expressões e problemáticas que não faziam parte do horizonte dos artistas há 200 anos. É um trabalho árduo entrar na coisa, mas é um percurso pedagógico e, acima de tudo, extremamente recompensador.
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Mensagem  ricardo onga-ku 4/2/2011, 10:18

paulo_m escreveu:Espero bem que não se continue a fazer nada do género. Essa arte existe e foi produzida pelos seus autores no seu contexto, na sua realidade e no seu tempo. Hoje a arte é diferente, evoluiu e está aí para quem a quiser ver, porque está completamente disponível para quem a quiser apreciar no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, na Tate Modern em Londres, no Musée d'Orsay em Paris, na Neue Staatsgallerie em Stuttgart, no MoMA e no Metropolitan em NYC, no Museum of Fine Arts em Boston, só para enumerar alguns dos museus por onde passei. A maior parte desses museus tem entrada gratuita. Só não vai quem não quer ou tem preguiça.

Ou quem não gosta.
Sim, porque se por um lado aceito o ponto de vista dos artistas que fazem o que lhes dá na real gana também percebo o "público" que pode não ter vontade, paciência ou cultura para apreciar essa contextualidade contemporânea.
O CCB tenta o meio termo, que é a divulgação de formas de arte não excessivamente conceptuais e/ou herméticas, e sempre vai cumprindo o seu papel de serviço público para um público que não se esforça muito com o "trabalho de casa"...embora muitas vezes, na minha opinião, essa "arte" não valha o esforço.

Arte não é entretenimento.

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