Equipamentos em si e para si: DIY?

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Mensagem  holbein menezes em 9/2/2010, 14:13

Iniciarei este tópico com um texto do Professor Roque Rhrhardt de Campos, em o qual ele descreve e ilustra as modificações que teve a coragem de fazer nas caixas Dahlquist...

Em seguida, alguns dias após, também divulgarei aqui as modificações que tive a ousadia de fazer na famosa (e queridinha do JVH) "Clarity" da Martin Logan.

São tentativas quase desesperadas de transformar equipamento em si em equipamentos para nós. Que é o que importa, em primeira e última instância. "Griffes" não fazem a festa; ainda que gerem bons lucros; e o meu revolucionarismo recalcado vez em quando insubordina-se e faz questão de afirmar alto e bom som: Presente!

Este tópico é a expressão das vozes dos experimentados experimentadores... que não querem calar; e não se calarão nem com a prática do antidemocrático bloqueio que se abate sobre mim e outros brasileiros.

Leiam o texto do Roque e aguardem o meu.

Redesenhando a Dahlquist DQ10

Essa caixa acústica possui justificada fama de excelentes agudos e médios, associada com um padrão sonoro excepcional.
Por outro lado, é unânime a crença de que precisa de potências elevadas para produzir grave uniforme com seus médios e agudos; e o formato
tipo painel a torna difícil de ajustar-se com qualquer ambiente.
Desde 1983 tenho um par das DQ10, mas nunca tive coragem de alimentá-lo com os necessários 200 watts mencionados no manual, principalmente
porque ali não se informa se se trata de potência rms, uma vez que com 100 watts rms do meu McIntosh 4100, simplesmente não o excita.
Isso, se não bastassem as entrelinhas do manual de instruções que advertem sobre o perigo de queimar os “tweeters”, especialmente o par que
tem um fusível separado; aliás, basta olhar pela tela transparente e perceber que aquilo não agüenta 200 watts rms; será nó na certa.
Outra coisa estranha, para não dizer intrigante, ou até suspeitosa, sustentada no manual, seria analisar à luz da técnica eletrônica a
assertiva que trata das “técnicas acústicas patenteadas”, que dariam seriedade à reprodução, minimizando “efeitos indesejáveis de
difração”... numa formulação difícil de entender pois afirma que cada falante foi montado numa caixa a menor possível. Ora, olhando-se
percebe-se que apenas o falante de 10” tem uma caixa, os outros falantes estão em placas de duratex superpostas, com os cones em diferentes
planos; seria o caso de ler na “patente” como é justificada a incorporação de retardo de tempo, levando em conta que o som viaja a 330 m por
segundo e que a diferença nos planos é de um ou dois centímetros para os “drivers” médios e de uns 3 centímetros para o de alta frequência.

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Sempre me senti frustrado com essas caixas e por isso construí uma estante tipo biblioteca em torno delas.

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Por infelicidade não tenho, ou não localizei foto antiga completa da prateleira, mas atualmente, após a retirada das Dahlquist e a colocação
de um telão, minha sala ficou assim:

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A Dahlquist da direita ficava onde está o telão.
Portanto, decidi fazer algo que já pensara fazer há anos: corrigir o desenho, “queimando” de vez os graves e privilegiando o que a Dahlquist
tem de bom, que são os médios e agudos.

Ficou assim:

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Os graves sumiram de vez, conforme previra, mas eu compensei com um conjunto de “subwoofers” alimentado por um Sony TAN77S, “subwoofers” que
são caracterizados por 300 watts por canal, mas que suportam picos de 500 watts facilmente em face das características construtivas da
fonte, que claramente é dimensionada para muito mais que os 600 watts “rated”. Isto é, declarados.

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Para quem se animar a fazer o mesmo, vai o detalhe da colocação do divisor de frequências e dos “drivers” dentro da coluna:

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Resultado:

Ficou excelente!
Fiquei surpreso de encontrar, apenas agora, o que eu esperava há quase 30 anos!
Mas é importante observar que uso um Yamaha RXV457, que entrega 50Watts rms por canal e separa o sub, que é amplificado pelo Sony.
Ou seja, o problema original da caixa tem que ter um divisor adicional para separar os graves e amplificá-los separadamente, como fiz.
Outro efeito interessante é que como o Sony e os sub woofers que usei (Bass reflex infinito, 500 litros, 15 polegadas), são de alto
rendimento e, quando as Dahlquist aparecem, os graves estão bastante fortes, e se a pessoa gostar, como eu, de graves, fica uma relação
imbatível.

Alguns pontos adicionais:

• Solte apenas o subwoofer e identifique os fios por escrito, o que está pendurado, e procure manter tudo pendurado, soltando e prendendo um de cada vez para evitar a confusão infernal de religar. (Soltei tudo na primeira caixa e demorou umas 4 horas para religar com os falantes no lugar.)
• Cuidado com a ligação da membrana do supertweeter quadrado grande que parece que vai quebrar só de olhar.
• Usei quatro parafusos Allen de aço inoxidável com excelente resultado para prender o woofer.

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Vai ai, para os mais entendidos, o esquema de ligação, e, cuidado! pois as cores não batem 100%

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Reconheço que é difícil de entender a “filosofia” por trás destas duas resistências de 4 Ohms pois a caixa é para funcionar a 4 Ohms...
sendo que o falante de é 8... Ou o porquê destas duas “paredes” impedindo o som de se comunicar por todo o espaço...

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Enfim, não se mexe com vacas sagradas... não é?

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Mensagem  Paulo André em 9/2/2010, 14:20

Caro Holbein, vou ficar ansiosamente à espera Equipamentos em si e para si: DIY? 346205

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Cumprimentos
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Mensagem  Convidad em 9/2/2010, 19:15

holbein menezes escreveu:

Leiam o texto do Roque e aguardem o meu.

Holbein.

cá esperamos o texto do mestre Equipamentos em si e para si: DIY? Icon_bounce

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Equipamentos em si e para si: DIY? Empty Transformadores-isoladores toroidais para filtro de setor.

Mensagem  holbein menezes em 4/4/2010, 08:55

Custaram-me nove mil reais, pagamento adiantado; eram dois elefantes brancos de 150 quilos cada; portava cada unidade dita inteligente, trinta e tantas baterias automotivas de 17 Ah as quais me davam autonomia de muitas horas; compunha-se cada “no-break” de conversor AC para DC, filtro RC contra espúrios da rede pública, inversor de DC para AC 110 V, e carregador de baterias; portanto, aparelho da categoria profissional e grau de “hospital grade”.

Faziam tanto barulho eles próprios que fui obrigado a instalá-los em ambiente distante da sala de música; desse ambiente, estendera fiação de grosso calibre até a sala de música, em configuração bifásica, cada fase para alimentar um canal do sistema estéreo. Há razão experimental para isso.

Mas até o ambiente onde instalara os “no-break” em Florianópolis, puxei fiação especial desde o relógio de medição que ficava a 50 metros de distância, no muro frontal da casa, por sinal, logo abaixo do transformador-rebaixador da alta tensão da rede pública. Quando da ligação elétrica - do medidor para o ambiente dos “no-break”, ambiente contíguo à sala de música -, fiz os fios passarem por conduite de cobre aterrado em ponto a meio caminho (igualdade de resistência ôhmica entre as duas metades do conduite) em “terra” própria e especial, em forma de triângulo equilátero, por sugestão, aliás, do mais bem informado Engenheiro audiófilo brasileiro, o velho e quase sábio Nestor Natividade.

Foram esses cuidados elétricos que tomei na “sand-filled”, em Florianópolis; dos quais já falei em outras oportunidades.

Agora, a oportunidade é para falar sobre uma recente “descoberta” de minha lavra, a utilização de transformadores-isoladores toroidais para a purificação da eletricidade na “gesso-filled", a salinha daqui de Fortaleza. Ora, se eu não pudera transportar os “elefantes brancos” da Ilha da Magia para a Terra da Luz – pois dera um de presente ao Engenheiro Rui Fernando – e o outro, troquei-o com a empresa que os fabrica, toquei-o por dois “no-break” de menor potência (modelo Sinus Power), menor autonomia, menor peso e nenhuma inteligência etc. e tal. Com cuja não-inteligência não me dei bem; até andei a “trabalhar” para fazê-los aos Sinus Power mais úteis, adicionando em cada unidade cinco baterias extras em paralelo com a única que o Sinus Power porta, o que me deu maior autonomia, é verdade, mas, em compensação, enchia meu saco com a operação de recarregá-las; porque o carregador interno do Sinus Power fora dimensionado para recarregar uma bateria apenas. Por outro lado, os “no-break” Sinus Power, que precisavam ficar dentro do ambiente diminuto da “gesso-filled” uma vez que eu não dispunha de outro ambiente contíguo, as ventoinhas deles produziam um zumbido incompatível para uma sala que tencionava tocar, em especial, Johann Sebastian Bach.

A “descoberta” do transformador-isolador do tipo toroidal – para purificar a eletricidade da “gesso-filled” – deveu-se a dois fatores: em primeiro lugar, a experiência positiva anterior que eu tivera com a Toroid do Brasil, Indústria e Comércio de Transformadores, de São José dos Pinhais, Estado do Paraná; e, em segundo lugar, ao fato de eu ter sabido que esse tipo de transformador-isolador é bem mais próprio para uma sala dedicada ao som musical devido a que isola da rede doméstica a rede pública com seus espúrios, e não introduz de si zumbidos maiores, como outros tipos de transformadores.

A escolha da potência de 2K5 watts mínimos para cada unidade, tantos watts que a primeira vista podem ser considerados excessivos se se estar a usar amplificadores de apenas 15 watts, como é o meu caso, tal escolha deve-se ao respeito que nutro pela competência do Engenheiro Cláudio Lameira, que foi quem chamou minha atenção para esse detalhe importante.

E estão na “gesso-filled” os dois toroidais – um para cada fase e para cada canal – sem zumbidos de harmônicos próprios.

Quem duvidar, que experimente.

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Equipamentos em si e para si: DIY? Empty Como tirar partido do simples...

Mensagem  holbein menezes em 19/7/2010, 18:16

ou como tirar partido de uma sala doméstica
de tamanho reduzido e de um equipamento modesto.
Por Holbein Menerzes.

Ora, se sua sala doméstica é pequena e, quando muito, é o cômodo que sua cara-metade concordou você utilizar como sala de música, não se lamente, Colega, porque você terá sido sortudo o bastante para ter uma sala dedicada; e nessa venturosa condição, poderá abrigar a sua vontade , e com engenho e arte – se lograr tê-los – sua modesta mas ainda assim parafernália eletrônica para a reprodução do som musical em conserva.

Mui intrigante: em um ambiente grande, em redor das medidas do Segmento Áureo para pé-direito de 3 m (comprimento: 7,50 m; largura: 4,80 m; altura: 3,00m), nesse ambiente quimérico tão desejado quão raro, nele você terá o mesmo e principal problema de qualquer outro ambiente destinado à reprodução do som musical, seja ele ambiente pequeno, médio ou grande; isto é, você terá que fazer chegar aos seus e aos ouvidos de seus convidados, 89% de som musical refletido e 11% de som musical direto; isso se estiverem corretas as constatações práticas do Dr. Amar Bose; e parece que estão!

Ora, numa sala grande a conjuntura para atingir esses percentuais é geometricamente ampla, muitíssimo mais do que numa sala pequena; e ainda, com a DESVANTAGEM DE A RECÍPROCA NÃO SER VERDADEIRA porque numa sala pequena temos que nos preocupar tão-só com a dispersão do som uma vez que as medidas de uma sala pequena não favorecem a geração, ou melhor, não reforçam ondas estacionárias de baixa freqüência, a conhecida desgraceira da ressonância batizada de “boom”; ressonâncias que se situam, em geral, na região em torno dos 60 Hz; e uma onda sonora de sessenta Hertz possui o comprimento de 18 pés ou 5 m e 48 cm; e uma sala com esse comprimento já não é uma sala pequena. Por isso que os tons de 60 Hz ou abaixo que se podem perceber, e percebem-se! numa sala pequena é mais pela força da intensidade eletrônica do que produto natural da maldita lei da formação das ondas sonoras.

Assim, pois, numa sala pequena a preocupação com o problema da absorção é nula ou insignificante; e, em conseqüência, o uso de material absorvente é nenhum, se alguma coisa. O centro da preocupação numa sala pequena é o fenômeno da reverberação que é, aliás, muito sério. Mas não é nada que um bem elaborado sistema de dispersão não resolva por inteiro. A experiência há-me ensinado que são teto e parede frontal que carecem de maiores cuidados. Para o teto o remédio, e remédio eficaz! é a construção (ou reconstrução) em gesso grosso de um teto dentado e enviesado. Quanto à parede frontal, alguns painéis disciplinadores de reflexão resolvem cabalmente; há-os de diversas marcas e tipos no mercado de áudio; os meus, fi-los eu! Até divulguei num texto a matemática que preside essa geringonça.

Solucionado esses dois problemas, o ponto a seguir de suma importância é a instalação do sistema eletrônico na sala pequena: em “rack” ou sobre uma mesa de madeira. De suma importância porque na sala, no “rack” ou na mesa de madeira NADA PODE VIBRAR ou estar sujeito a vibrações por mínimas que sejam. Porque qualquer vibração, e com mais facilidade mínimas vibrações quase imperceptíveis entram na corrente de áudio, segundo o Doutor Polmann, por meio dos capacitores eletrolíticos das fontes de eletricidade dos aparelhos, entram na corrente alternada que se transforma em corrente contínua para alimentar o circuito eletrônico dos aparelhos, de todos os aparelhos eletrônicos. Entram sub-repticiamente e lá na frente, ao longo do circuito de áudio, transformam-se em um tipo qualquer de sinal de distorção, contaminando os sinais de áudio musicais, a tornar destarte a reprodução pobre de definição e rica em nasalidade e estridências.

Vôte! Longe de mim esse cálice!

A boa mas não única solução é usar e abusar do mármore como suporte, mármore é material acusticamente neutro; e ser pródigo com massa de modelagem (“modeling clay”); adquirir muitas caixas, muitas! e pô-las com caixa e tudo (para não sujar o mármore), pôr embaixo das placas de mármore (ou da placa única, como é o meu caso), a fazer as caixas às vezes de pés. E, além disso, pôr “spikes” em cada aparelho eletrônico pesado mesmo que ele esteja sobre placa de mármore já tratadas como dito acima.

Com os aparelhos leves, gosto muito do método de pendurá-los com fio de náilon. Aproveito os parafusos das tampas, que em geral ficam nas laterais dos chassi, desaperto-os, faço um laço nas pontas de quatro fios de náilon e envolvo o laço na cabeça dos parafusos, e volto a apertá-los; as outras extremidades, amarro-as em parafusos postos em qualquer ponto do escaninho, se o escaninho é de madeira, ou colo-os com expox, se o escaninho é de um “rack”. A boa “ciência” está em encontrar a bitola certa do fio de náilon para a massa dada do dado aparelho, e a mlhor indicação é que os fios de náilon, com o peso do aparelho, distenda algum tanto, inda que pouco. (Fiz tal experiência com aparelhos de elevada massa, e a consequência sônica não foi proveitosa.) Com cujos cuidados – assim dita minha experiência pessoal –, com tais cuidados nada vibrará na sala pequena senão as ondas sonoras do som gravado, que chegarão aos nossos ouvidos tal como foram conservadas: definidas e musicais!

E tirem da cabeça de que tais indicações são exageradas; em matéria de contra vibração em sala de música doméstica, nada é exagerado. O Mestre português que concebeu e construiu na Ilha de Florianópolis o médio e acusticamente perfeito Teatro Álvaro de Carvalho, alguns séculos já lá se foram, construiu embaixo do tablado um tanque para água do tamanho exato do tablado; de tal forma que o tanque seria enchido com água até um certo ponto, a depender do tipo do conjunto musical que se exibisse; em havendo instrumentos com registros em tons abaixo de 100 Hz, o tanque era cheio quase até a borda; pequenos conjuntos de cordas,apenas até o meio.

[A título de explicação: as ondas sonoras geradas pelos instrumentos situados sobre o tablado atravessavam a madeira fazendo-na vibrar; ondas sonoras acrescidas do som da ressonância da madeira em vibração refletiam no piso de cimento abaixo do palco e voltavam à face interna da madeira do tablado, a produzir ondas estacionárias que se transformavam em som ressonante. A água interrompia esse ciclo de ondas sonoras espúrias.]

De mais a mais, a acústica não é uma ciência exata e nem mesmo uma técnica de precisão: “Remember Lincoln Center! dos Rockefeller; os melhores Acústicos do mundo trataram o ambiente do Lincoln Center nos conformes da Matemática e o resultado é que ficou fechado por nove anos após o dia da inauguração; tais foram os problemas de acústica que se exibiram em “parceria” com a “Missa” de Leonard Bernstein em homenagem à memória de John Fitzgeral Kenedy...

Vôte! Que os deuses se apiedem das almas desses Engenheiros Acústicos!

Aliás, para meu uso próprio inconoclasta costumo designar uma sala de música destinada à reprodução musical por via eletrônica, para mim mesmo designo-a como Sala de Música Association”; porque não há craques de destaque nessa singular “Association”, não há vedetes nem prima-donas; as peças, todas as peças inclusive os assentos dos ouvintes, e a quantidade destes têm que estar associados. Isoladamente, cada peça de per se tem pouca importância, e só se faz Música eufônica que nos agrada aos sentidos quando suas peculiaridades conjuminam-se com as peculiaridades das outras peças. Na contramão das minhas sapiências dialéticas talvez esteja a escandalizar quando afirmo que em reprodução eletrônica do som musical não existe o “elo essencial”. Uma vez que tudo é essencial se tudo estiver no seu lugar próprio e devido.

A partir da convicção de que a rede pública no Brasil é contaminada com harmônicos bastardos gerados por motores e lâmpadas e o escambau, atenção especial deve ser devotada à questão da eletricidade. Das dezenas de tentativas que fiz com “filtros de setor”, “condicionadores de energia”, “no-breaks”, blindagem do conduíte, aterramento do conduíte blindado em terra tecnicamente perfeita etc., das dezenas de tentativas que fiz a providência mais simples e mais efetiva foi o uso do transformador-isolador do tipo toroidal. Transformador-isolador comum não se mostrou adequado porque produz ele próprio harmônicos bastardos. Os toroidais, não; isolam a rede pública do sistema eletrônico sem acrescentar nada de si. Entretanto, minha experiência indicou-me que a potência do transformador é crítica; dou preferência para transformadores-isoladores toroidais de 2,5 HP, se o sistema de amplificação for de dois monoblocos, e 5 HP, se for amplificador estéreo. (Não construí teoria para explicar essa diferença; a la Chicó, “só sei que é assim.”

Em resumo: em audiofilia para o som musical não cabe o hábito dos novos-ricos de comprarem livros por metro para preencher suas luxuosas estantes de jacarandá com ornatos em ouro... Por isso que não são as grifes nem os dourados que fazem a Música, nem os circuitos eletrônicos projetados por PhDs saídos de Harvard. Não é por aí. Aliás, a última mas não a derradeira crise cíclica do capitalismo prova isto: os bambambãs do FMI, quase todos PhDs formados em Harvard não foram capazes de “tornar imune” a economia dos Estados Unidos, muito pelo contrário... fizeram-na geradora!

Quer dizer – a deixar de lado a incômoda ilustração – na Sala de Música “Association” não é a marca do ledor de compactos, nem pré-amplificador e muito menos amplificadores- qualquer-classe, e caixas e cabos que fazem a boa Música doméstica; é o bom e sábio arranjo dessas peças na sala doméstica. Querem os audiotas esnobes uma prova disso?

Pois fiquem a saber. Já fui nesses últimos anos o “rico” e “(des)infeliz” possuidor das afamadas e caras colunas “Clarity”, do Martin Logan.( Aliás, desde 1960 até quase 1970 fui sócio do Professor Veiga, representante para todo o Brasil das QUAD eletrostáticas.) Dessa técnica, possui também as marcas B & W DM 70 (mistas), QUAD (full electrostatic) e Acoustat X (também full). E agora, já aqui em Fortaleza, as “Clarity”, cujos chassi ainda habitam minha pequena sala de música.

As “Clarity” são lindas de se ver! Parecem uma esguia águia de asas fechadas a planar em céu de brigadeiro. Sensuais tal uma Brigite Bardot de linhas retas, se as tivessem. Mas só experimentei desprazer com elas; a começar pela incompatibilidade entre esses painéis eletrostáticos mistos, cujos falantes de bobina móvel nelas instalados, para frequências abaixo de 400 Hz, possuem baixo fluxo magnético e meus amplificadores monobloco 300B, diabo! baixo fator de amortecimento. E mole com mole não dão bom... som.

Pois. Nessas semelhantes condições de funcionamento residiam as dessemelhanças de resultado. O freio elétrico que o musical amplificador devia oferecer ao vaivém do cone do alto-falante MG, devido a seu baixo fator de amortecimento desgraçadamente era semelhante ao não freio que o baixo fluxo magnético do imã do falante também oferecia... E nessa raro e dispare casamento... mole com mole não faziam bom som.

Pois não pensei duas vezes: deixei o esguio perfil das “Clarity” dominar minha pequena sala – são lindas de se ver! – e no lugar dos falantes de bobina móvel originais de fábrica botei, em substituição, os extraordinários KB-6, AKRON, de 6 polegadas, falante de bobina móvel concebido pelo “áudio designer” Paulo Ramos; e mais, segui as instruções do Paulo quanto à instalação de um filtro Zoebel em paralelo com os KB-6, para dar a eles maior linearidade. O par custou-me, posto cá em Fortaleza, R$376,00, com frete e tudo. E adicionei um par dos soberbos “tweeter” húngaros, retirados da ETALON ONE que haviam me custado mil dólares.

O último dos visitantes que ouviu meu modesto sistema eletrônico instalado na minha pequena sala – homem e doutor no ramo do áudio para a reprodução do som musical – ficou pasmo com o resultado.

Um desbunde de musicalidade, definição e clareza! NUMA PEQUENA SALA DE 12 m2...


Em tempo: tenho subgrave nessa minha salinha pequena de 12m2! De 100 Hz abaixo, corte de 24 dB/oitava, bobinas de núcleo de ar enroladas EM TORNO MECÂNICO, TENSÃO MÁXIMA TOLERÁVEL PELA RESISTÊNCIA DO FIO bitola 12! Para eliminar as miníssimas vibrações das espiras do fio entre si. Os falantes são de alto fluxo de densidade, o FOSTEX 206, e instalados em caixas de ferro, com tampo de mármore! posicionadas nos cantos da sala (reforço quádruplo). Os amplificadores de alto fator de amortecimento são alimentados por bateria automotivas de 12 V, 17 Ah, quatro baterias ligadas em paralelo. Produz um grave profundo, limpo, articulado e sem um pingo de ressonância. Porque nada vibra senão o vaivém do cone de fibra de bananeira!

Mais um mito que cai: que sala pequena, devido à lei do comprimento das ondas sonoras, não permite a criação de ondas de longo comprimento; ora, e como nos fones de ouvido (auriculares)... formam-se!?! hem?

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