Cronicas longinquas...

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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  fm&stereo em 14/1/2010, 18:03

Mais uma vez ficou aqui a impressão de que as realidades são sempre diferentes. E mesmo que os nossos ouvidos também o sejam, é possivel chegar a um consenso. Mas o mais importante é, como já disse, mesmo sabendo que não se consegue a perfeição neste mundo, procurar sempre a melhor forma de obter a experiência desejada - que no caso, é a audição audiófila. Digo pois que, quando as coisas estão bem a experiência é compensadora e se podermos melhorar...
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A conserva de Atum é tao boa quanto o fresco...

Mensagem  td124 em 16/1/2010, 12:45



A conserva de Atum é tao boa quanto o fresco…

Nao, pelo momento, nao estou ainda complétamente maluco !, e esta afirmaçao tém verdadeiramente uma relaçao com a alta fidelidade, e vou tentar explicar porquê. Jà faz mais de vinte anos que leio e ouço, audiofilos e ou jornalistas, comparar a musica, reproduzida por um sistema audio, com a musica ao vivo. Pior, essas pessoas deixam muitas vezes em filigrana, que isto é uma condiçao absoluta « sine qua non », para que a analise seja justa. Ora com o risco de decepcionar alguns, saibam que eu sou, o maior inimigo desta teoria, e um dos primeiros aqui em França (e talvez no mundo) a contestar com muito desempenho esta teoria… Hà vàrias razoes que explicam esta minha atitude, vamos là entao tentar (me) compreender…

Comparar a musica ao vivo com a musica gravada, é como comparar o sumo de uva de casta Cabernet Sauvignon, com um Médoc de Bordéus feito com a mesma casta, ou seja um acto interessante,mas limitado quanto aos resultados. O vinho pelo acto da fermentaçao e vinificaçao, sobe ume alteraçao molécular, que faz que ao final jà nao é sumo de uva, mas vinho. Os aromas ditos primàrios, téem em efeito, uma relaçao com a casta, mas tudo o resto é diferente. Para analisar o vinho, nao chega de conheçer o gosto da uva, é preciso conheçer bem o gosto dos vinhos em geral. Em audio o fenomeno é exactamente o mesmo, pois a musica ao vivo, quando gravada, sobe uma série de alteraçoes, que vao falsear « quase » todos os parametros de comparaçao com a musica ao vivo. O disco é musica em conserva, e isto jà começa a ser uma resposta à abertura desta cronica.

Vamos ver um exemplo concreto do que digo. Uma orquestra sinfonica ao complèto é capaz de uma dinamica de 128 dB nos « tutti », ou seja ao limite da dor que é fixada a 129 - 130 dB, e um piano Steinway de concerto (modelo D de Hamburgo), é capaz de uma dinamica fulgurante de 125 dB. No melhor dos casos, quando da gravaçao, à saida dos microfones (do tipo Bruël&Kjaer de medida) a dinamica é de 120 dB, mas visto que a entrada de um préamplificador de microfone moderno aceita ao maximo 100 dB (120 dB para o Studer C35 dos anos setenta) sém distorçao, vamos atenuar de 20 dB, e uma vez stockado o sinal possui de 60 a 70 dB em analogico (com um Studer C35, mais um pouco…) e, de 80 a 90 dB mais ou menos, em digital. Apos a masterizaçao e criaçao da maquette de copia 10 dB de menos… Ao final, o disco que temos nas maos possede à volta de 40 dB para um vinilo (50 dB em prensagem directa) e 60 dB utilizaveis em digital, pois é preciso retirar os 30 a 40 dB de barulho de quantificaçao do leitor.

Se considerar-mos que a dinamica é a base fundamental da vida e do movimento na musica, estao a ver como ela perde « gosto » quando é gravada e reproduzida. Da mesma maneira que isto aconteçe com a dinamica, a fase, a linearidade e a banda vao ser muito torturadas durante a fase de gravaçao. Comparar os dois é como comparar o Atum fresco dos Açores com o Atum em conserva, acham que é a mesma coisa !!! Estao a ver o sentido da minha primeira frase… Como véem o pior elo de um sistema, ao contrario do que muitos pensao, nao é nem a sala nem o material de escuta, mas « talvez » os discos que enchem as nossas discotecas. Se digo « talvez » nao é por acaso, pois o disco tém muitas coisas boas, como a conserva. No dia, que espero que nunca virà, em que nao haja mais Atuns no mar, estaremos contentes de fazer provar aos nossos netos ou bisnetos, o gosto que esse peixe tinha, abrindo uma lata. A musica é a mesma coisa pois, o disco imortalisa um momento unico, mas mais do que isso, ele permete-nos de viajar no tempo e de ouvir a Callas, Coltrane e outros Jeff Buckley, que jà nao sao do nosso mundo, e que nunca veremos ao vivo.

A comparaçao entre a musica ao vivo e a musica gravada, posséde ainda um outro aspecto que me toca directamente. Sou designer audio e o meu trabalho é desenhar, criar e produzir aparelhos. Transformo os componentes em aparelhos audio, como um cozinheiro transforma os alimentos em prato. Quando alguém escuta um dos meus aparelhos e me pede para obter resultados mais proximos da realidade do concerto, é como ir ver um cozinheiro com uma lata de Atum, e pedir-lhe para que ele a cozinhe de maneira a ser tao bom quanto o fresco… O pedido é humanamente compreensivel, mas a logica escondida é complétamente insensata !!!

Estao a ver como a partir de uma ideia razoàvel, ou seja, a copia deve ser comparada ao original para saber se é boa, caimos num abismo sem fundo. O original em audio nao é a musica, mas o disco original, quero dizer por isto o Master. E preciso compreender que o processo audio implica duas fases, e dois tipos de intervençao técnica e humana. A musica ao vivo é gravada e stockada pelos ingenheiros de som. Apos duplicaçao o disco vai ser reproduzido pelos sistemas Hifi. Os unicos que devem fazer apelo à musica ao vivo sao os engenheiros do som, pois tal é a sua tarefa, pois sao eles que fazem a conserva !!! Os designeres so tém uma obrigaçao, que é, reproduzir o mais fielmente possivel o disco, e se a comparaçao deve existir, ela deve ser feita em relaçao ao Master. A partir dai, se a gravaçao original for de mà qualidade, a sua reproduçao deve ser idêntica. Pedir a que a reproduçao seja melhor do que devia, é em termos de integridade e de honestidade, pedir à Alta-fidelidade de mentir, o que aconteçe regularmente…

Atençao apesar de tudo, pois o conhecimento da musica ao vivo é também necessaria, para analisar e compreender um sistema de audio. Como reconheçer e diferenciar o timbre de um Steinway, Bösendorfer ou Faziolli, se nao os conheçemos na realidade. Como diferenciar o som de um saxofone « Selmer » (como o do Coltrane) de um « Buffet et Crampon » (como o do Coleman Hopkins), pois se nunca os ouvimos na realidade, o exercicio dessa analise é « quase » impossivel. Mas o timbre (em geral, ou seja, a voz, a sala ou o instrumento,…) é praticamente o unico detalho objectivo que liga o audiofilo à musica ao vivo, quando se faz uma analise no mundo do audio. O resto é da ordem da sensibilidade e do gosto pessoal…

O disco, como a fotografia, é uma reduçao mais ou menos fiel da realidade. Admitir isto é começar a progredir a passo de gigante. Da mesma maneira que um fotografo nao volta à paisagem que vém de fotografar com a fotografia nas maos para comparar, ném tenta engrandecer como na realidade, o audiofilo deve-se concentrar na reproduçao em guardando o respeito da escala. Ele deve analisar o audio em funçao do audio ou seja, pela experiência de material e tecnologias diferentes, e na base do principio da adiçao e substraçao dos resultados, como no vinho. Isto explica (em grande parte), que hoje a maioria dos audiofilos experimentados (ou jornalistas) que conheço, tém como sistema, um Singlé-ended, ou outro tipo de amplificador de alguns Watts, com colunas de qualidade, mas de tamanho médio. Nao, nao é estranho, pois eles compreenderam que é melhor (e mais justo sobretudo…), consumir a musica em tamanho mais pequeno mas bem, do que em grande tamanho e mal, e que ainda por cima, o efeito da sala torna-se muito fraco ou inaudivel, em tais condiçoes…

Nao quero dizer por isto que a reproduçao em tamanho (nivel acustico) proximo do real de alta qualidade nao exista… Mas na minha experiência, apenas os grandes sistemas audiofilos japoneses a corneta, do tipo Onken, Sato ou Goto ou derivados, sao capazes desta proeza, sem destruir as qualidades proprias da gravaçao…

Pois é meus caros amigos, em audio um « comboio esconde sempre um outro… », por isso continuem a ir ao concerto, e a ouvir os vossos discos, sém fazer uma relaçao de causa a efeito. Simplesmente porque o Atum em conserva NUNCA terà o mesmo gosto que o Atum fresco, mas um outro, preferivel ou nao, mas isso a cada um…

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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  lore em 16/1/2010, 14:29

bom ponto de vista . isto da audiofilia e mais complicado do que a partida parece .
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Re: A conserva de Atum é tao boa quanto o fresco…

Mensagem  ricardo onga-ku em 16/1/2010, 15:43

Caro td124,

A sua intervenção é muito pertinente e estimulante, e espelha a profundidade com que aborda o tema e que em muitos aspectos coincide com o meu ponto de vista.
Permita-me, portanto, que levante algumas questões que me parecem importantes de clarificar:

--

1. Como é que define Alta Fidelidade (fidelidade a quê?) e qual é a relação desta com o Audio?

Será que o Audio de autor (ou chef de cuisine), digamos que "temperado", se pode classificar como fiel?

--

2. Se um disco é "música em conserva", interessa-lhe saborear a conserva ou criar uma terceira natureza a partir da posta já cozida e mergulhada em óleo (uma questão de gosto, naturalmente, e não de fidelidade)?

Ou seja, prefere que o sistema reproduza com fidelidade o registo ou, perdido por um perdido por mil, opta por alterar a linearidade da reprodução para melhor satisfazer o seu gosto?

--

3. Se opta por cozinhar o atum de conserva, que já não sabe ao mesmo que o atum natural, qual é a direcção que toma: tenta que o atum transformado se pareça mais com o atum natural ou parte para algo que "não é carne nem é peixe"?

Quais são as características (do sinal) que opta por manipular e com que objectivos?

Como é que avalia essas manipulações, qual é a referência?

--

"Os designeres so tém uma obrigaçao, que é, reproduzir o mais fielmente possivel o disco,
e se a comparaçao deve existir, ela deve ser feita em relaçao ao Master."

"Mas na minha experiência, apenas os grandes sistemas audiofilos japoneses a corneta,
do tipo Onken, Sato ou Goto ou derivados, sao capazes desta proeza, sem destruir
as qualidades proprias da gravaçao…"


4. Quais são, para si, as "qualidades proprias da gravação" e qual é a sua posição no que toca à distorção eufónica?

Muitos dos sistemas que refere, pelo menos aqueles cujas fotografias circulam na internet, utilizam cornetas exponenciais de secção rectangular, muito menos lineares do que as de secção circular de perfil Tractrix ou Le Cleac'h e não respeitam o alinhamento temporal dos altifalantes.
Outros utilizam colunas com uma unidade de banda larga, tecnicamente muito limitadas.

E na sua opinião, a superior qualidade de reprodução desses sistemas deve-se à amplificação ou às colunas, ou a ambas?

Será (técnicamente) possível obter os mesmo resultados com S.E. de maior potência e sistemas acústicos de radiação frontal (cones)?

--

"Isto explica (em grande parte), que hoje a maioria dos audiofilos experimentados
(ou jornalistas) que conheço, tém como sistema, um Singlé-ended, ou outro tipo
de amplificador de alguns Watts, com colunas de qualidade, mas de tamanho médio
Nao, nao é estranho, pois eles compreenderam que é melhor (e mais justo sobretudo…),
consumir a musica em tamanho mais pequeno mas bem, do que em grande tamanho e mal,
e que ainda por cima, o efeito da sala torna-se muito fraco ou inaudivel,
em tais condições…"


5. Será que o tamanho das colunas apenas influência a escala ou também tem (ou pode ter) alguma influência na extensão da gama de frequências e na redução de distorção de intermodulação?

Aceito que se opte por um par de colunas cuja dimensão seja adequada à dimensão da sala mas daí a afirmar que as colunas médias são mais fiéis vai um longo caminho.

Hoje em dia, com os cones de longa excursão é de facto possível obter-se uma resposta de baixas frequência com colunas de menores dimensões mas estes altifalantes são pouco eficientes e desadequados à alimentação S.E., excepto em configuração de line array, mas isso aumenta e muito as dimensões.

Talvez seja devido a esta dificuldade técnica que os sistemas com amplificação S.E. recorram a colunas médias, ou a solução em que a unidade de graves é amplificada por um power de diferentes características (como as Avantgarde, por exemplo).

--

Estou de acordo que um registo de som (ou de imagem) é uma representação (limitada em diversos aspectos) da realidade pelo que a sua comparação com a realidade não faz sentido.
O que defendo é que a avaliação da qualidade de reprodução desse registo requer o conhecimento da realidade, conforme referi anteriormente com este exemplo:

"Imagine que lhe dão a comparar dois refrigerantes de laranja: um trinaranjus e um oranjina.
Não lhe parece necessário conhecer o sabor da laranja para se poder determinar qual deles
tem o sabor mais fiel ao sumo natural, qual deles melhor "representa" a realidade?"

Infelizmente muitos críticos e audiofilos apenas conhecem a realidade do som reproduzido, comprando artificialidades com artificialidades sem qualquer referência, e nesse caso tudo se resume a uma questão de gosto.
O resultado é a famosa piada do audiofilo que vai pela primeira vez a um concerto ao de música não amplificada e diz "é pá, o meu som é muito melhor do que isto"...

Saudações,
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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  td124 em 16/1/2010, 17:01

Caro onga-ku,

tantas questoes, que dariam tantas respostas (ou ao menos um fim de semana completo de conversa em viva voz), isto é um verdadeiro saco de nos, como dizem os françeses...
Mas, as suas perguntas sao pertinentes e merecem uma resposta, mesmo se uma parte das respostas sao jà induzidas na cronica. Vou entao esta noite começar o trabalho...
Obrigado pela resposta , e pelas perguntas
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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  td124 em 16/1/2010, 22:27

Caro onga-ku,
aqui vao as respostas em versao curta...

onga-ku escreveu:Caro td124,

A sua intervenção é muito pertinente e estimulante, e espelha a profundidade com que aborda o tema e que em muitos aspectos coincide com o meu ponto de vista.
Permita-me, portanto, que levante algumas questões que me parecem importantes de clarificar:

--

1. Como é que define Alta Fidelidade (fidelidade a quê?) e qual é a relação desta com o Audio?
A Alta fidelidade é um ramo do Audio que é um ramo da electronica. Tém como responsabilidade a reproduçao artificial em meio privado ou publico de uma gravaçao sonica, em preservando ao maximo a qualidade desta ultima. A Alta fidelidade (verdadeira, ou seja, de nivel audiofilo) deve preservar as caracteristicas originais da gravaçao no momento da reproduçao...
Será que o Audio de autor (ou chef de cuisine), digamos que "temperado", se pode classificar como fiel?
Teoricamente e objectivamente nao!!! Mas admito que possa depender do nivel de tempero, mas como fixar os limites a partir dos quais temperar é falsear, é dificil e muito, muito subjectivo...
2. Se um disco é "música em conserva", interessa-lhe saborear a conserva ou criar uma terceira natureza a partir da posta já cozida e mergulhada em óleo (uma questão de gosto, naturalmente, e não de fidelidade)?
Se tenho direito a uma escolha so, prefiro saborear a conserva como ela é, sem manipulaçao. Se tenho direito a varias escolhas, entao quero saborear todas as possibilidades afim de matar a curiosidade e de aprender mais, cada vez mais...
Ou seja, prefere que o sistema reproduza com fidelidade o registo ou, perdido por um perdido por mil, opta por alterar a linearidade da reprodução para melhor satisfazer o seu gosto?
Nao a Alta fidelidade deve ser fiel à gravaçao, senao é do audio sem interesse. O gosto pessoal é muitas vezes, o motor do consumidor e o anzol do fabricante. Mas apesar dos meus gostos pessoais, prefiro escolher a objectividade e a neutralidade...
3. Se opta por cozinhar o atum de conserva, que já não sabe ao mesmo que o atum natural, qual é a direcção que toma: tenta que o atum transformado se pareça mais com o atum natural ou parte para algo que "não é carne nem é peixe"?
As caracteristicas originais stockadas no disco, nao devem ser manipuladas, este é o meu ponto de vista...
Quais são as características (do sinal) que opta por manipular e com que objectivos?
A riqueza harmonica num aparelho barato, pois se nao pode ser nem justo nem neutro, entao que seja belo à escuta...
Como é que avalia essas manipulações, qual é a referência?
O conhecimento profundo e objectivo do meu "disco de referência"...
"Os designeres so tém uma obrigaçao, que é, reproduzir o mais fielmente possivel o disco,
e se a comparaçao deve existir, ela deve ser feita em relaçao ao Master."

"Mas na minha experiência, apenas os grandes sistemas audiofilos japoneses a corneta,
do tipo Onken, Sato ou Goto ou derivados, sao capazes desta proeza, sem destruir
as qualidades proprias da gravaçao…"


4. Quais são, para si, as "qualidades proprias da gravação" e qual é a sua posição no que toca à distorção eufónica?
Aqui à erro da minha parte. Por qualidades proprias eu queria dizer caracteristicas proprias. Nao vejo o que é a distorçao eufonica, em Françês deve se dizer de outra maneira, vou me informar e respondo quando visualisar o fenomeno...
Muitos dos sistemas que refere, pelo menos aqueles cujas fotografias circulam na internet, utilizam cornetas exponenciais de secção rectangular, muito menos lineares do que as de secção circular de perfil Tractrix ou Le Cleac'h e não respeitam o alinhamento temporal dos altifalantes.
Outros utilizam colunas com uma unidade de banda larga, tecnicamente muito limitadas.
E na sua opinião, a superior qualidade de reprodução desses sistemas deve-se à amplificação ou às colunas, ou a ambas?
Ambas, mas deve sobretudo à maestria das pessoas que sabem "afinar" esses sistemas, e que sao muito raras...
Será (técnicamente) possível obter os mesmo resultados com S.E. de maior potência e sistemas acústicos de radiação frontal (cones)?
Ao nivel da pressao sonora sem stress, da rapidez, e da energia imediata nao creio, mas tudo é possivel...
"Isto explica (em grande parte), que hoje a maioria dos audiofilos experimentados
(ou jornalistas) que conheço, tém como sistema, um Singlé-ended, ou outro tipo
de amplificador de alguns Watts, com colunas de qualidade, mas de tamanho médio
Nao, nao é estranho, pois eles compreenderam que é melhor (e mais justo sobretudo…),
consumir a musica em tamanho mais pequeno mas bem, do que em grande tamanho e mal,
e que ainda por cima, o efeito da sala torna-se muito fraco ou inaudivel,
em tais condições…"


5. Será que o tamanho das colunas apenas influência a escala ou também tem (ou pode ter) alguma influência na extensão da gama de frequências e na redução de distorção de intermodulação?
O tamanho das colunas influencia muitos parametros, mas as grandes colunas classicas geralmente sao mais lentas, confusas e influenciam mais as resonâncias da sala, que os modelos mais pequenos. Mas a banda das grandes colunas é superior...
Aceito que se opte por um par de colunas cuja dimensão seja adequada à dimensão da sala mas daí a afirmar que as colunas médias são mais fiéis vai um longo caminho.
E o problema de generalisar um discurso, e as suas perguntas nao sao feitas para arranjar o problema...
Hoje em dia, com os cones de longa excursão é de facto possível obter-se uma resposta de baixas frequência com colunas de menores dimensões mas estes altifalantes são pouco eficientes e desadequados à alimentação S.E., excepto em configuração de line array, mas isso aumenta e muito as dimensões.

Talvez seja devido a esta dificuldade técnica que os sistemas com amplificação S.E. recorram a colunas médias, ou a solução em que a unidade de graves é amplificada por um power de diferentes características (como as Avantgarde, por exemplo).

--

Estou de acordo que um registo de som (ou de imagem) é uma representação (limitada em diversos aspectos) da realidade pelo que a sua comparação com a realidade não faz sentido.
O que defendo é que a avaliação da qualidade de reprodução desse registo requer o conhecimento da realidade, conforme referi anteriormente com este exemplo:
A realidade em audio é o disco, a realidade do engenheiro do som é a musica...
"Imagine que lhe dão a comparar dois refrigerantes de laranja: um trinaranjus e um oranjina.
Não lhe parece necessário conhecer o sabor da laranja para se poder determinar qual deles
tem o sabor mais fiel ao sumo natural, qual deles melhor "representa" a realidade?"
Mau exemplo, pois na realidade hà o puro sumo de laranja, depois faz-se o sumo concentrado de laranja a partir do qual vamos fazer a oranjina. A oranjina deve se aproximar do sumo concentrado que a compoe, e nao do puro sumo...

Infelizmente muitos críticos e audiofilos apenas conhecem a realidade do som reproduzido, comprando artificialidades com artificialidades sem qualquer referência, e nesse caso tudo se resume a uma questão de gosto.
O resultado é a famosa piada do audiofilo que vai pela primeira vez a um concerto ao de música não amplificada e diz "é pá, o meu som é muito melhor do que isto"...
Se um critico so conheçe o som reproduzido, aqui em França vai passar a vida no desemprego, mas sem um tostao...

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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  fm&stereo em 16/1/2010, 23:26

Maravilha! Não tenho palavras!... Very Happy Diria: faço destas as minhas palavras.
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Distorção eufónica

Mensagem  ricardo onga-ku em 17/1/2010, 15:22

Caro td124,


Para uma "versão curta" não está nada mal.


Deixo-lhe alguns endereços onde poderá pesquisar o tema da distorção eufónica:

Euphonic Distortion: Naughty but Nice?

Harmonie et distorsion


Boas leituras!

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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  td124 em 22/1/2010, 16:00

onga-ku escreveu:

4. Quais são, para si, as "qualidades proprias da gravação" e qual é a sua posição no que toca à distorção eufónica?
Aqui à erro da minha parte. Por qualidades proprias eu queria dizer caracteristicas proprias. Nao vejo o que é a distorçao eufonica, em Françês deve se dizer de outra maneira, vou me informar e respondo quando visualisar o fenomeno...
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Caro onga-ku,
Graças aos seus documentos pude compreender o que se chama a distorsao eufonica. Nome bonito para uma teoria Françesa, que nao possui um nome particular aqui, e que é chamada simplesmente « A teoria das harmonicas pares ». Ora esta teoria lançada nos anos setenta pelo meu mestre e amigo Jean Hiraga, é uma das bases que deram origem, ao interesse actual pelos aparelhos Single-ended. A minha posiçao é simples :
A teoria é valida no conceito global, mas nao na utilizaçao e induçao que foi feita dela. Quero dizer com isto que, se a questao é de saber se num aparelho aonde predominam de uma maneira équitàvel as harmonicas pares no seu espectro de distorsao, o som é mais agradàvel, estou de acordo. Se se trata de utilizar a teoria para dizer que as vàlvulas soam melhor que os transistores, aqui nao estou de acordo…
Ràpidamente é o melhor que posso dizer…
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Distorção eufónica

Mensagem  ricardo onga-ku em 25/1/2010, 12:51

Caro td124,


Ainda dentro do tema da distorção eufónica, lembrei-me de um velho artigo do Eduardo de Lima (Audiopax) intitulado:

Medidas e especificações vs. avaliações subjectivas: o caso dos amplificadores a válvulas "single ended"

http://www.cpdee.ufmg.br/~semea/anais/artigos/EduardoLima.pdf


Cumprimentos,
onga-ku


Última edição por onga-ku em 25/1/2010, 21:33, editado 1 vez(es) (Razão : Erro)
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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  Convidad em 31/3/2010, 22:26

Boas
Caro Onga-ku sendo eu um leiguissimo nestas matérias gostaria de perguntar o seguinte:

O meu caro gosta de ouvir música ??
Qual o seu sistema de reprodução sonora habitual ??
Que tipo de música costuma escutar, se é que escuta alguma ??

Abraço

Convidad
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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  Racional em 31/3/2010, 23:32

Vodoo escreveu: Boas
Caro Onga-ku sendo eu um leiguissimo nestas matérias gostaria de perguntar o seguinte:

O meu caro gosta de ouvir música ??
Qual o seu sistema de reprodução sonora habitual ??
Que tipo de música costuma escutar, se é que escuta alguma ??

Abraço

Olá vodoo não desanime por servir de teste de post na audioPt.
Estou a praticar pela primeira vez a citar os outros foristas.
Será que este tema armônicas, não é "areia de mais para a sua camioneta"?

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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  Convidad em 31/3/2010, 23:49

Racional escreveu:
Vodoo escreveu: Boas
Caro Onga-ku sendo eu um leiguissimo nestas matérias gostaria de perguntar o seguinte:

O meu caro gosta de ouvir música ??
Qual o seu sistema de reprodução sonora habitual ??
Que tipo de música costuma escutar, se é que escuta alguma ??

Abraço

Olá vodoo não desanime por servir de teste de post na audioPt.
Estou a praticar pela primeira vez a citar os outros foristas.
Será que este tema armônicas, não é "areia de mais para a sua camioneta"?

?? Armónicas ?? Só gosto das tocam Blues é certo, pois eu tambêm ás vezes toco e já dou uns toques e que tambêm me serve para comparar com o som do meu sistema !!!

Peço Desculpa mas realmente tanta filosofia é areia de mais para mim

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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  Racional em 31/3/2010, 23:55

Vodoo escreveu:
Racional escreveu:
Vodoo escreveu: Boas
Caro Onga-ku sendo eu um leiguissimo nestas matérias gostaria de perguntar o seguinte:

O meu caro gosta de ouvir música ??
Qual o seu sistema de reprodução sonora habitual ??
Que tipo de música costuma escutar, se é que escuta alguma ??

Abraço

Olá vodoo não desanime por servir de teste de post na audioPt.
Estou a praticar pela primeira vez a citar os outros foristas.
Será que este tema armônicas, não é "areia de mais para a sua camioneta"?

?? Armónicas ?? Só gosto das tocam Blues é certo, pois eu tambêm ás vezes toco e já dou uns toques e que tambêm me serve para comparar com o som do meu sistema !!!

Peço Desculpa mas realmente tanta filosofia é areia de mais para mim




Caro vodoo convido-o então para tomar-mos uma bica ..... bica não carago ,cimbalino no bar do DIY.

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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  ricardo onga-ku em 1/4/2010, 00:00

Vodoo escreveu: Boas
Caro Onga-ku sendo eu um leiguissimo nestas matérias gostaria de perguntar o seguinte:

O meu caro gosta de ouvir música ??
Qual o seu sistema de reprodução sonora habitual ??
Que tipo de música costuma escutar, se é que escuta alguma ??

Abraço

Caro Vodoo,

Desculpe a pergunta mas a que matérias se refere? (edição: já percebi..."tanta filosofia" Embarassed )

Em respostas às suas questões:
1-Adoro ouvir música.
2-O meu sistema está documentado aqui -> http://www.audiopt.net/o-meu-sistema-f21/o-sistema-e-a-sala-t9124.htm#105317
3-Costumo escutar música acústica, actualmente muita sinfónica ainda que por vezes ouça um pouco de jazz ou tradicional, (quase) todas as noites durante uma ou uma hora e meia, depois de deitar os miúdos (que felizmente ferram bem no sono), e ao vivo tanto quanto as finanças permitem e as avós se dispõem ao babysitting.

E o meu caro?

Cumprimentos,
onga-ku
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ricardo onga-ku
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Re: Cronicas longinquas...

Mensagem  Convidad em 1/4/2010, 02:17

onga-ku escreveu:
Vodoo escreveu: Boas
Caro Onga-ku sendo eu um leiguissimo nestas matérias gostaria de perguntar o seguinte:

O meu caro gosta de ouvir música ??
Qual o seu sistema de reprodução sonora habitual ??
Que tipo de música costuma escutar, se é que escuta alguma ??

Abraço

Caro Vodoo,

Desculpe a pergunta mas a que matérias se refere? (edição: já percebi..."tanta filosofia" Embarassed )

Em respostas às suas questões:
1-Adoro ouvir música.
2-O meu sistema está documentado aqui -> http://www.audiopt.net/o-meu-sistema-f21/o-sistema-e-a-sala-t9124.htm#105317
3-Costumo escutar música acústica, actualmente muita sinfónica ainda que por vezes ouça um pouco de jazz ou tradicional, (quase) todas as noites durante uma ou uma hora e meia, depois de deitar os miúdos (que felizmente ferram bem no sono), e ao vivo tanto quanto as finanças permitem e as avós se dispõem ao babysitting.

E o meu caro?

Cumprimentos,
onga-ku

Olhe eu música não oiço só escuto e a maioria das vezes numas PolkAudio RT7, DPA renaissence,Teac VRDS10se, sistema esse na minha sala da babunça onde vou rodando por vezes mais de 3 dezenas de CDP´s que possuo entre diversas outras coizitas


Grande Abraço

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Re: Cronicas longinquas...

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