Tese Fïsica e Música - Debate
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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
M Fernandes escreveu:Voltando a geologia, do Limite K-T não entendo nada. Nem sei se é KT66 ou KT88.
Isso fez-me lembrar que um piano tem 88 teclas. Coincidência? Acho que não...

paulo_m- utilizador dedicado

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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
Citando,
»O 3 é também uma consequência natural do uso de apenas duas unidades de medida, a breve e a longa, em que esta última é tida como tendo o dobro da duração da primeira; nos modos mais simples temos uma de cada e assim resulta uma duração total correspondendo a 3 breves.«
Estamos a falar de que unidades de medida?
Nem todos os pianos têm 88 teclas. O meu, por exemplo, nos últimos 50 anos nunca teve mais do que 85 a funcionar perfeita, e simultâneamente.
Cumprimentos,
Mário
»O 3 é também uma consequência natural do uso de apenas duas unidades de medida, a breve e a longa, em que esta última é tida como tendo o dobro da duração da primeira; nos modos mais simples temos uma de cada e assim resulta uma duração total correspondendo a 3 breves.«
Estamos a falar de que unidades de medida?
Nem todos os pianos têm 88 teclas. O meu, por exemplo, nos últimos 50 anos nunca teve mais do que 85 a funcionar perfeita, e simultâneamente.
Cumprimentos,
Mário
Convidad- Convidado
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
M Fernandes escreveu:Citando,
»O 3 é também uma consequência natural do uso de apenas duas unidades de medida, a breve e a longa, em que esta última é tida como tendo o dobro da duração da primeira; nos modos mais simples temos uma de cada e assim resulta uma duração total correspondendo a 3 breves.«
Estamos a falar de que unidades de medida?
Duração.

paulo_m- utilizador dedicado

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Alto nível de qualidade.
Po! este subtópico está com grau universitário, Paulo_m e Mário Fernandes estão a nos dar aulas! Obrigado, amigos.
Holbein.
Holbein.
holbein menezes- utilizador dedicado

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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
Eu a dar aulas? Talvez a fazer as cábulas...
Paulo, peço desculpa por insistir, estamos a falar de duração das notas musicais?
Cumprimentos,
Mário
Paulo, peço desculpa por insistir, estamos a falar de duração das notas musicais?
Cumprimentos,
Mário
Convidad- Convidado
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
M Fernandes escreveu:Eu a dar aulas? Talvez a fazer as cábulas...
Paulo, peço desculpa por insistir, estamos a falar de duração das notas musicais?
Cumprimentos,
Mário
Sim, duração das notas.

paulo_m- utilizador dedicado

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O Som e a Fúria - William Faulkner.
“Dou-lhe este relógio não para que se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo. Porque jamais se ganha batalha alguma. Nenhuma batalha sequer é lutada. O campo revela ao homem apenas sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão de filósofos e néscios.”
holbein menezes- utilizador dedicado

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Ainda Bach. Prelúdios e fugas.
O DVD contempla três prelúdios & fugas, de Bach, uma suíte e duas sonatas, uma das quais da autoria de Carl Philipp Emanuel, um dos filhos de Bach. De Bach há também três adágios e uma suíte. Sonata é uma composição escrita para um ou dois instrumentos; prelúdio é uma composição livre, quase um improviso, e fuga é a exposição de um tema, que se repete em outra tonalidade ou com outros instrumentos, numa ordem determinada. Bach é considerado o Mestre dos mestres da fuga. Como em outro texto informei sobre suíte, explico agora sobre adágio. Adágio quer sempre dizer andamento lento, em geral entre os ritmos largo (pausado) e andante (moderado). São os momentos mais comoventes de uma composição.
O instrumento inicial deste concerto em DVD é o cravo, membro venerando da família do piano. Hoje em dia, o que conhecemos é o grand piano das salas de concerto, também chamado de piano de cauda. No tempo de Mozart (1756-1791) conhecia-se apenas o piano forte, o qual, apesar do nome "forte" era mais "fraco" e menor que o grand piano de hoje. O cravo é pai daquele, e descende da espineta e do virginal. O cravo difere do piano no modo de produzir o som: enquanto no cravo as cordas são feridas por meio de uma palheta denominada de plectro, em geral feita da parte dura das penas do ganso, no piano as cordas são marteladas. Ainda também, no cravo há duas ordens de teclados, uma superior e outra inferior, enquanto que no piano só há uma.
Em certo momento do DVD o cravo se faz acompanhar pela viola da gamba, os dois instrumentistas executando uma sonata de Bach e outra de seu filho Emanuel. O instrumento viola da gamba é parente próximo do violoncelo, diferindo deste no tamanho e no detalhe de não ter o pé central (espigão). Mas ambos são sustentados entre as pernas dos músicos. Na Sonata para viola da gamba e contínuo, de Carl Philipp Emanuel, o contínuo é feito pelo cravo, coisa curiosa quando se sabe que o contínuo é o antecessor do contrabaixo.
A peculiaridade maior da viola da gamba deste DVD, entretanto, é que as cordas são feitas de tripa de animal, numa trança especial, redundando numa espécie de revestimento das cordas de metal. Por artes deste revestimento (trança), o som torna-se soturno, plangente, gemedor, sem o brilho do metal puro, som que lembra, ainda que de longe, o som lastimoso do carro de boi.
Dados sumários sobre o filho de Bach, Carl Philipp Emanuel: nasceu em Weimar, na Alemanha, em 8 de março de 1714, e morreu em Hamburgo, também na Alemanha, em 14 de dezembro de 1788. Foi afilhado do compositor Telemann (Georg Philipp Telemann, 1681-1767), sucedendo-o como diretor de música em Hamburgo. Costumava dizer: "Um músico só consegue emocionar se ele mesmo estiver emocionado."
A gravação aconteceu na Maison de Chateaubriand, na França.
Nota aos leitores deste subtópico: não declino o nome da gravadora nem a referência numérica do disco porque não tenciono fazer propaganda, e, de mais a mais, as gravadoras não merecem. Para comentar sobre música tenho que comprar os discos, e a bom dinheiro se são importados. Não é preciosismo meu, são princípios.
O instrumento inicial deste concerto em DVD é o cravo, membro venerando da família do piano. Hoje em dia, o que conhecemos é o grand piano das salas de concerto, também chamado de piano de cauda. No tempo de Mozart (1756-1791) conhecia-se apenas o piano forte, o qual, apesar do nome "forte" era mais "fraco" e menor que o grand piano de hoje. O cravo é pai daquele, e descende da espineta e do virginal. O cravo difere do piano no modo de produzir o som: enquanto no cravo as cordas são feridas por meio de uma palheta denominada de plectro, em geral feita da parte dura das penas do ganso, no piano as cordas são marteladas. Ainda também, no cravo há duas ordens de teclados, uma superior e outra inferior, enquanto que no piano só há uma.
Em certo momento do DVD o cravo se faz acompanhar pela viola da gamba, os dois instrumentistas executando uma sonata de Bach e outra de seu filho Emanuel. O instrumento viola da gamba é parente próximo do violoncelo, diferindo deste no tamanho e no detalhe de não ter o pé central (espigão). Mas ambos são sustentados entre as pernas dos músicos. Na Sonata para viola da gamba e contínuo, de Carl Philipp Emanuel, o contínuo é feito pelo cravo, coisa curiosa quando se sabe que o contínuo é o antecessor do contrabaixo.
A peculiaridade maior da viola da gamba deste DVD, entretanto, é que as cordas são feitas de tripa de animal, numa trança especial, redundando numa espécie de revestimento das cordas de metal. Por artes deste revestimento (trança), o som torna-se soturno, plangente, gemedor, sem o brilho do metal puro, som que lembra, ainda que de longe, o som lastimoso do carro de boi.
Dados sumários sobre o filho de Bach, Carl Philipp Emanuel: nasceu em Weimar, na Alemanha, em 8 de março de 1714, e morreu em Hamburgo, também na Alemanha, em 14 de dezembro de 1788. Foi afilhado do compositor Telemann (Georg Philipp Telemann, 1681-1767), sucedendo-o como diretor de música em Hamburgo. Costumava dizer: "Um músico só consegue emocionar se ele mesmo estiver emocionado."
A gravação aconteceu na Maison de Chateaubriand, na França.
Nota aos leitores deste subtópico: não declino o nome da gravadora nem a referência numérica do disco porque não tenciono fazer propaganda, e, de mais a mais, as gravadoras não merecem. Para comentar sobre música tenho que comprar os discos, e a bom dinheiro se são importados. Não é preciosismo meu, são princípios.
holbein menezes- utilizador dedicado

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Bach, o pianista Glenn Gould, e as
“Variações” é uma das mais importantes formas de composição. [Forma ”... é o elemento de organização de uma peça musical. É de Arnold Schöenberg a seguinte definição: “Forma significa que uma peça está organizada: isto é, que consiste em elementos funcionando como os de um organismo vivo”.] “Variações” são, pois, repetições ou reformulações de um tema. Tema é a idéia musical de uma composição e faz parte da sua estrutura.
As “Variações de Goldberg”, composição de Johann Sebastian Bach, foram encomendadas pelo conde Hermann Carl von Kayserling e são assim chamadas em homenagem ao cravista do conde, Johann Goldeberg. O conde sofria de insônia e para passar suas horas indormidas usava o cravista da corte para mantê-lo sossegado. E para ter peças novas no repertório do cravista, o conde encomendou a Bach, a quem admirava, as “Variações”. Bach ganhou com a encomenda 100 louis d´or (cem luíses de ouro correspondiam a 2.000 francos franceses do ano de 1600, uma boa nota para a pobreza de Bach). As “Variações” foram compostas para ser tocadas no cravo e pelo cravista Goldeberg. Todavia, fazem parte de uma obra maior de Bach, Klavierübung, composta de quatro partes e destinada a qualquer instrumento de teclado, e não apenas ao cravo. A parte 1 do Klavierübung [seis partitas] foi composta em 1731; a parte 2 [incluindo o “Concerto Italiano”] foi composta em 1735; a parte 4 foi escrita em 1742. Mas a parte 3, composta de duetos, corais e fugas, desta não consegui saber a data. Aprendi, entretanto, que as partes 1, 2 e 4 foram escritas especialmente para cravo, mas a 3, para órgão.
(Algumas palavras sobre a estrutura básica do instrumento cravo: é composto de 6 partes principais: a caixa de ressonância, uma abertura circular chamada “abertura no someiro”, 2 cavaletes de sustentação, os jaques, as cordas e o teclado. Funciona do seguinte modo: ao calcar-se uma tecla do teclado é levantado um jaque [os jaques são de madeira e apoiados nas extremidades da caixa de ressonância]; um plectro de cálamo [uma espécie de palheta de bambu) preso ao topo de um jaque belisca a corda, produzindo o som. O som do cravo é, pois, beliscado enquanto o som do piano, percutido.]
Por essa razão diferente da forma de produzir o som muitos pianistas modernos levam as “Variações de Goldeberg” com as cordas do piano afrouxadas para produzir um som próximo do de cordas beliscadas. A meu ver, conseguem quando muito uma caricatura do som do cravo e perdem por completo a característica do agradável som do piano. Não gosto. Glenn Gould nunca fez isso.
Era uma cara genial o Glenn, ao mesmo tempo que esquisito. A primeira de suas esquisitices é que não dava récitas públicas. Limitava-se a fazer gravações, ou em sua casa ou nos estúdios da Columbia, e apresentar-se em programas de rádio e televisão. Viveu pouco, apenas 50 anos [1932-1982]. Nasceu canadense, na cidade de Toronto, no dia 25 de setembro de 1932. De família de músicos, seu pai foi violinista amador e sua mãe tocava piano e órgão. Seu mais ilustre ancestre foi Grieg [Edvard], que era primo legítimo de seu avô. O aprendizado básico de Glenn deveu-se à sua mãe, que o ensinou até a idade de 10 anos. Mas aos 5 anos de idade já compunha e tocava ao piano, para a família, suas singelas composições. Aos 6, foi levado para uma apresentação pública ao lado do pianista americano Josef Holfmann, e esta é sua última apresentação em Toronto. Holfmann, que foi aluno de Anton Rubinstein, pianista e compositor russo, ficou impressionado com o talento de Glenn. Mas não fez nada por ele. Foi um seu vizinho, Robert Fulford, um bem-sucedido escritor canadense, que primeiro escreveu sobre Glenn Gould. Disse: “Porque ainda um menino Glenn foi isolado para trabalhar numa espécie de inferno, para ser um grande homem. Ele possui um tremendo amor e sentimento para música...”. Palavras proféticas.
Porque Glenn viria a se tornar o maior pianista de todos os tempos, na minha opinião. Para chegar a tal patamar entrou aos 10 anos de idade no Royal Conservatory of Music, de Toronto; aos 12 ganhou seu primeiro e único prêmio numa competição internacional para garotos músicos [Glenn tornar-se-ia mais tarde contrário a competições do gênero, entre meninos]. Ganhou seu diploma de pianista em 1945, aos 14 anos, pelo Conservatório de Música de Toronto, no Canadá. Continuou seus estudos de teoria musical e foi diplomado com louvor. Mas até 1952 continuou a estudar piano com Alberto Guerrero, que eu não sei quem foi. Em 1946, fez sua estréia como solista de piano, tocando o Concerto para piano Nº 4, de Beethoven. Poucos anos mais tarde, tornou a tocar no Conservatório o mesmo concerto de Beethoven, e por essa ocasião recebeu de um crítico as seguintes palavras elogiosas: “Glenn sentou-se ao piano como um garoto-aluno diante de seus professores, mas falou com eles com autoridade”. Sua primeira apresentação numa rede de estações de rádio, a CBC [Columbia Broadcasting Company], ocorreu em 1950, e daí em diante estreitaram-se os laços entre Gould e a Columbia, sua única gravadora.
Era considerado um eremita solitário, um homem que não gostava de ser o espetáculo, mas tão-só continuar espectador. A esse propósito ele próprio confessou: “... nos concertos ao vivo me sinto sem significação tal um ator de vaudeville”. Morreu em Toronto, no dia 4 de outubro de 1982, vítima de um desastre. Em sua curta vida angariou um sem número de amigos e admiradores, entre os quais me incluo. Vejam-no neste magnífico devedê distribuído pela SONY, reparem com que sentimento ele toca, o mundo em redor parece não existir, só a música conta, a música e sua mais perfeita execução. Porque Glenn antes de tudo foi um perfeccionista no mais exato significado da palavra.
As “Variações de Goldberg”, composição de Johann Sebastian Bach, foram encomendadas pelo conde Hermann Carl von Kayserling e são assim chamadas em homenagem ao cravista do conde, Johann Goldeberg. O conde sofria de insônia e para passar suas horas indormidas usava o cravista da corte para mantê-lo sossegado. E para ter peças novas no repertório do cravista, o conde encomendou a Bach, a quem admirava, as “Variações”. Bach ganhou com a encomenda 100 louis d´or (cem luíses de ouro correspondiam a 2.000 francos franceses do ano de 1600, uma boa nota para a pobreza de Bach). As “Variações” foram compostas para ser tocadas no cravo e pelo cravista Goldeberg. Todavia, fazem parte de uma obra maior de Bach, Klavierübung, composta de quatro partes e destinada a qualquer instrumento de teclado, e não apenas ao cravo. A parte 1 do Klavierübung [seis partitas] foi composta em 1731; a parte 2 [incluindo o “Concerto Italiano”] foi composta em 1735; a parte 4 foi escrita em 1742. Mas a parte 3, composta de duetos, corais e fugas, desta não consegui saber a data. Aprendi, entretanto, que as partes 1, 2 e 4 foram escritas especialmente para cravo, mas a 3, para órgão.
(Algumas palavras sobre a estrutura básica do instrumento cravo: é composto de 6 partes principais: a caixa de ressonância, uma abertura circular chamada “abertura no someiro”, 2 cavaletes de sustentação, os jaques, as cordas e o teclado. Funciona do seguinte modo: ao calcar-se uma tecla do teclado é levantado um jaque [os jaques são de madeira e apoiados nas extremidades da caixa de ressonância]; um plectro de cálamo [uma espécie de palheta de bambu) preso ao topo de um jaque belisca a corda, produzindo o som. O som do cravo é, pois, beliscado enquanto o som do piano, percutido.]
Por essa razão diferente da forma de produzir o som muitos pianistas modernos levam as “Variações de Goldeberg” com as cordas do piano afrouxadas para produzir um som próximo do de cordas beliscadas. A meu ver, conseguem quando muito uma caricatura do som do cravo e perdem por completo a característica do agradável som do piano. Não gosto. Glenn Gould nunca fez isso.
Era uma cara genial o Glenn, ao mesmo tempo que esquisito. A primeira de suas esquisitices é que não dava récitas públicas. Limitava-se a fazer gravações, ou em sua casa ou nos estúdios da Columbia, e apresentar-se em programas de rádio e televisão. Viveu pouco, apenas 50 anos [1932-1982]. Nasceu canadense, na cidade de Toronto, no dia 25 de setembro de 1932. De família de músicos, seu pai foi violinista amador e sua mãe tocava piano e órgão. Seu mais ilustre ancestre foi Grieg [Edvard], que era primo legítimo de seu avô. O aprendizado básico de Glenn deveu-se à sua mãe, que o ensinou até a idade de 10 anos. Mas aos 5 anos de idade já compunha e tocava ao piano, para a família, suas singelas composições. Aos 6, foi levado para uma apresentação pública ao lado do pianista americano Josef Holfmann, e esta é sua última apresentação em Toronto. Holfmann, que foi aluno de Anton Rubinstein, pianista e compositor russo, ficou impressionado com o talento de Glenn. Mas não fez nada por ele. Foi um seu vizinho, Robert Fulford, um bem-sucedido escritor canadense, que primeiro escreveu sobre Glenn Gould. Disse: “Porque ainda um menino Glenn foi isolado para trabalhar numa espécie de inferno, para ser um grande homem. Ele possui um tremendo amor e sentimento para música...”. Palavras proféticas.
Porque Glenn viria a se tornar o maior pianista de todos os tempos, na minha opinião. Para chegar a tal patamar entrou aos 10 anos de idade no Royal Conservatory of Music, de Toronto; aos 12 ganhou seu primeiro e único prêmio numa competição internacional para garotos músicos [Glenn tornar-se-ia mais tarde contrário a competições do gênero, entre meninos]. Ganhou seu diploma de pianista em 1945, aos 14 anos, pelo Conservatório de Música de Toronto, no Canadá. Continuou seus estudos de teoria musical e foi diplomado com louvor. Mas até 1952 continuou a estudar piano com Alberto Guerrero, que eu não sei quem foi. Em 1946, fez sua estréia como solista de piano, tocando o Concerto para piano Nº 4, de Beethoven. Poucos anos mais tarde, tornou a tocar no Conservatório o mesmo concerto de Beethoven, e por essa ocasião recebeu de um crítico as seguintes palavras elogiosas: “Glenn sentou-se ao piano como um garoto-aluno diante de seus professores, mas falou com eles com autoridade”. Sua primeira apresentação numa rede de estações de rádio, a CBC [Columbia Broadcasting Company], ocorreu em 1950, e daí em diante estreitaram-se os laços entre Gould e a Columbia, sua única gravadora.
Era considerado um eremita solitário, um homem que não gostava de ser o espetáculo, mas tão-só continuar espectador. A esse propósito ele próprio confessou: “... nos concertos ao vivo me sinto sem significação tal um ator de vaudeville”. Morreu em Toronto, no dia 4 de outubro de 1982, vítima de um desastre. Em sua curta vida angariou um sem número de amigos e admiradores, entre os quais me incluo. Vejam-no neste magnífico devedê distribuído pela SONY, reparem com que sentimento ele toca, o mundo em redor parece não existir, só a música conta, a música e sua mais perfeita execução. Porque Glenn antes de tudo foi um perfeccionista no mais exato significado da palavra.
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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
Tratando-se este de um tópico que visa debater a relação entre a Fïsica e Música, tomei a liberdade de alargar um pouco o tema (e a polémica) para falarmos de reprodução musical doméstica de alta fidelidade e animar um pouco o espaço do mestre Holbein.
Comecemos então por estabelecer um paralelismo entre o registo e reprodução doméstica de uma peça musical e o registo e reprodução fotográfica de uma pintura.
Em ambos os casos o objecto é uma obra de arte e a reprodução quer de um quer de outro será mais realista quanto mais fiel for a reprodução do seu registo (registo esse que nem sempre é muito fiel, mas isso é outra história).
Claro que existem limitações óbvias: uma sonata para violoncelo e piano nunca soará nas nossas casas como soaria numa sala dedica por razões de acústica e de escala, mas também por limitações técnicas inerentes ao equipamento de captura e reprodução, o mesmo se passando com a impressão de uma pintura de um grande mestre num poster de papel acetinado.
Vejamos o exemplo da fotografia.
Em primeiro lugar, é necessário que a pintura esteja adequadamente iluminada e a sua superfície esteja paralela ao plano do sensor digital ou do filme, caso sejam amantes do analógico.

"Blow-Up" - Michelangelo Antonioni, 1966
Em seguida importa que seja escolhida uma lente que produza contraste e saturação naturais, e que não introduza distorções geométricas ou aberrações cromáticas.

Distorção geométrica tipo barril

Aberração cromática
Agora o fotógrafo responsável deverá colocar a máquina sobre um tripé e usar o temporizador ou um comando de obturador por forma a evitar vibrações e escolher uma abertura adequada que permita captar uma resolução uniforme sobre toda a superfície da fotografia.

Nitidez no canto do enquadramento a diferentes aberturas f
E o ISO mais baixo para evitar o aparecimento de ruído digital ou de grão.

Ruído digital
A partir deste momento a imagem pode ser registada em formato digital ou suporte analógico para posterior manuseamento e impressão.
Em seguida a imagem é aberta no Photoshop onde são efectuadas algumas correcções e depois enviada para a impressora, ou o filme cuidadosamente revelado é levado para o ampliador onde são efectuadas impressões de teste e afinação da imagem final, recorrendo eventualmente a máscaras caso seja necessário.
No caso do workflow digital é extremamente importante que a imagem tenha sido capturada no formato RAW, com o maior gamut de cores possível (p.ex. ProPhoto RGB) e com a máxima resolução (megapixels) e profundidade de cores (bits) e que o monitor e a impressora/papel estejam adequadamente calibrados.
A lente do ampliador deverá ter as características anteriormente referidas e a abertura deverá ser a adequada, sendo ainda importante que os líquidos de revelação tenham sido misturados nas proporções exactas e estejam à temperatura ideal.
Em ambos os casos deverá ser escolhido um papel neutro por forma a não alterar em nada a qualidade do registo.

"Nighthawks" - Edward Hopper, 1942
Agora troquem a câmara e o sensor ou filme pelo microfone, o amplificador e o disco rígido ou o gravador de fita, a destreza do fotógrafo pela de um engenheiro de som.
Também os microfones, que requerem um posicionamento adequado, deverão ter uma resposta de frequências linear e permitir o registo de uma gama dinâmica alargada e o amplificador deverá introduzir o menor nível de distorção e ruído, o mesmo se passando com o conversor A/D ou o gravador de fita.
O responsável pela mistura deverá utilizar equipamento transparente, corrigindo erros e manipulando o sinal apenas o necessário para que este possa ser reproduzido por um sistema de reprodução doméstica.
Segue-se o referido sistema, que sendo o elo mais fraco deverá ainda assim ser o mais linear possível, introduzindo um mínimo de distorções ou colorações por forma a que a transdução do registo de sinal eléctrico para som na sala seja feita com a maior fidelidade possível.
Na minha opinião, podemos ainda concluir que, ao contrário do que se passa com um instrumento musical cuja função é a de produzir sons (notas) com a maior e mais bela riqueza harmónica possível e ele próprio uma peça integrante e fabricante da obra de arte, um sistema de reprodução doméstica é um conjunto de instrumentos de precisão que fazem parte da cadeia que tem início no microfone e cuja função é captar, registar e reproduzir o registo dessa obra de arte (a beleza tímbrica de vozes e instrumentos, a acústica das grandes salas de concerto ) com a maior exactidão possível tendo em conta as limitações técnicas com que hoje (2010) nos deparamos e as limitações acústicas da nossa sala.
Penso, portanto, que não será polémico afirmar que o objectivo de um sistema de reprodução doméstica de alta fidelidade é o de reproduzir com exactidão o registo de uma peça musical no conforto das nossas casas.
A ideia é registar um dado evento musical num suporte físico, que pode ser adquirido por qualquer pessoa, ou transmiti-lo por radiodifusão de forma a que o referido evento possa ser reproduzido pelo conjunto de equipamentos que compõe o nosso sistema.
Esta maravilhosa invenção, que tem evoluído a passos largos graças aos avanços em diversos campos da física, permitiu a divulgação quase universal dessa enorme arte que é a música, possibilitando a audição repetida das obras que apreciamos e a escuta de grandes interpretações que se deram em outros tempos e lugares distantes.
onga-ku
Comecemos então por estabelecer um paralelismo entre o registo e reprodução doméstica de uma peça musical e o registo e reprodução fotográfica de uma pintura.
Em ambos os casos o objecto é uma obra de arte e a reprodução quer de um quer de outro será mais realista quanto mais fiel for a reprodução do seu registo (registo esse que nem sempre é muito fiel, mas isso é outra história).
Claro que existem limitações óbvias: uma sonata para violoncelo e piano nunca soará nas nossas casas como soaria numa sala dedica por razões de acústica e de escala, mas também por limitações técnicas inerentes ao equipamento de captura e reprodução, o mesmo se passando com a impressão de uma pintura de um grande mestre num poster de papel acetinado.
Vejamos o exemplo da fotografia.
Em primeiro lugar, é necessário que a pintura esteja adequadamente iluminada e a sua superfície esteja paralela ao plano do sensor digital ou do filme, caso sejam amantes do analógico.

"Blow-Up" - Michelangelo Antonioni, 1966
Em seguida importa que seja escolhida uma lente que produza contraste e saturação naturais, e que não introduza distorções geométricas ou aberrações cromáticas.

Distorção geométrica tipo barril

Aberração cromática
Agora o fotógrafo responsável deverá colocar a máquina sobre um tripé e usar o temporizador ou um comando de obturador por forma a evitar vibrações e escolher uma abertura adequada que permita captar uma resolução uniforme sobre toda a superfície da fotografia.

Nitidez no canto do enquadramento a diferentes aberturas f
E o ISO mais baixo para evitar o aparecimento de ruído digital ou de grão.
Ruído digital
A partir deste momento a imagem pode ser registada em formato digital ou suporte analógico para posterior manuseamento e impressão.
Em seguida a imagem é aberta no Photoshop onde são efectuadas algumas correcções e depois enviada para a impressora, ou o filme cuidadosamente revelado é levado para o ampliador onde são efectuadas impressões de teste e afinação da imagem final, recorrendo eventualmente a máscaras caso seja necessário.
No caso do workflow digital é extremamente importante que a imagem tenha sido capturada no formato RAW, com o maior gamut de cores possível (p.ex. ProPhoto RGB) e com a máxima resolução (megapixels) e profundidade de cores (bits) e que o monitor e a impressora/papel estejam adequadamente calibrados.
A lente do ampliador deverá ter as características anteriormente referidas e a abertura deverá ser a adequada, sendo ainda importante que os líquidos de revelação tenham sido misturados nas proporções exactas e estejam à temperatura ideal.
Em ambos os casos deverá ser escolhido um papel neutro por forma a não alterar em nada a qualidade do registo.

"Nighthawks" - Edward Hopper, 1942
Agora troquem a câmara e o sensor ou filme pelo microfone, o amplificador e o disco rígido ou o gravador de fita, a destreza do fotógrafo pela de um engenheiro de som.
Também os microfones, que requerem um posicionamento adequado, deverão ter uma resposta de frequências linear e permitir o registo de uma gama dinâmica alargada e o amplificador deverá introduzir o menor nível de distorção e ruído, o mesmo se passando com o conversor A/D ou o gravador de fita.
O responsável pela mistura deverá utilizar equipamento transparente, corrigindo erros e manipulando o sinal apenas o necessário para que este possa ser reproduzido por um sistema de reprodução doméstica.
Segue-se o referido sistema, que sendo o elo mais fraco deverá ainda assim ser o mais linear possível, introduzindo um mínimo de distorções ou colorações por forma a que a transdução do registo de sinal eléctrico para som na sala seja feita com a maior fidelidade possível.
Na minha opinião, podemos ainda concluir que, ao contrário do que se passa com um instrumento musical cuja função é a de produzir sons (notas) com a maior e mais bela riqueza harmónica possível e ele próprio uma peça integrante e fabricante da obra de arte, um sistema de reprodução doméstica é um conjunto de instrumentos de precisão que fazem parte da cadeia que tem início no microfone e cuja função é captar, registar e reproduzir o registo dessa obra de arte (a beleza tímbrica de vozes e instrumentos, a acústica das grandes salas de concerto ) com a maior exactidão possível tendo em conta as limitações técnicas com que hoje (2010) nos deparamos e as limitações acústicas da nossa sala.
"A ciência desenha a onda; a poesia enche-a de água." - Teixeira Pascoaes
Penso, portanto, que não será polémico afirmar que o objectivo de um sistema de reprodução doméstica de alta fidelidade é o de reproduzir com exactidão o registo de uma peça musical no conforto das nossas casas.
A ideia é registar um dado evento musical num suporte físico, que pode ser adquirido por qualquer pessoa, ou transmiti-lo por radiodifusão de forma a que o referido evento possa ser reproduzido pelo conjunto de equipamentos que compõe o nosso sistema.
Esta maravilhosa invenção, que tem evoluído a passos largos graças aos avanços em diversos campos da física, permitiu a divulgação quase universal dessa enorme arte que é a música, possibilitando a audição repetida das obras que apreciamos e a escuta de grandes interpretações que se deram em outros tempos e lugares distantes.
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Última edição por onga-ku em 11/9/2010, 10:01, editado 1 vez(es)
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NB: o autor desta mensagem não escreve segundo o "novo acordo ortográfico"

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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
É uma aproximação válida ao "problema", mas acrescentaria que não é a única.
Basta atender a que nem toda a fotografia pretende ser uma reprodução exacta da realidade e que nem toda a pintura tem de ser figurativa. Os artefactos que o afastam da realidade podem ser parte integrante do objecto de arte--há exemplos equivalentes na música.
Admirar uma fotografia de um quadro do Da Vinci pode ser uma experiência plenamente satisfatória, ainda que (obviamente?) aquém da de admiração do original.
Sendo assim, ter um sistema de alta-fidelidade não tem necessariamente de pressupôr que o objectivo último é a reprodução o mais fiel possível da realidade. O objectivo pode ser, simplesmente, o de desfrutar...
Basta atender a que nem toda a fotografia pretende ser uma reprodução exacta da realidade e que nem toda a pintura tem de ser figurativa. Os artefactos que o afastam da realidade podem ser parte integrante do objecto de arte--há exemplos equivalentes na música.
Admirar uma fotografia de um quadro do Da Vinci pode ser uma experiência plenamente satisfatória, ainda que (obviamente?) aquém da de admiração do original.
Sendo assim, ter um sistema de alta-fidelidade não tem necessariamente de pressupôr que o objectivo último é a reprodução o mais fiel possível da realidade. O objectivo pode ser, simplesmente, o de desfrutar...

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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
paulo_m escreveu:É uma aproximação válida ao "problema", mas acrescentaria que não é a única.
Basta atender a que nem toda a fotografia pretende ser uma reprodução exacta da realidade e que nem toda a pintura tem de ser figurativa. Os artefactos que o afastam da realidade podem ser parte integrante do objecto de arte--há exemplos equivalentes na música.
Admirar uma fotografia de um quadro do Da Vinci pode ser uma experiência plenamente satisfatória, ainda que (obviamente?) aquém da de admiração do original.
A questão é mesmo essa: o paralelismo que apresentei trata da fotografia como reprodução e não como instrumento criativo e o mesmo se passa com a alta fidelidade cujo objectivo é a reprodução doméstica de música "enlatada".
Ao contrário de um instrumento musical, cuja finalidade é a de produzir música, um sistema de alta fidelidade tem como objectivo a reprodução dessa música.
paulo_m escreveu:Sendo assim, ter um sistema de alta-fidelidade não tem necessariamente de pressupôr que o objectivo último é a reprodução o mais fiel possível da realidade. O objectivo pode ser, simplesmente, o de desfrutar...
Se o objectivo for desfrutar a música, então sou da opinião que a alta-fidelidade é indispensável.
Por outro lado, existem diversas outras formas e razões para se praticar o Audio, que vão desde o vulgar interesse por equipamentos electrónicos à demonstração de status, passando pela paixão por equipamentos vintage ou pelo "faça-você-mesmo", mas muitas dessas formas afastam-se da razão pela qual a alta fidelidade foi criada que é a reprodução doméstica de música.
E impedem que os sistemas tenham o melhor desempenho.
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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
onga-ku escreveu:A questão é mesmo essa: o paralelismo que apresentei trata da fotografia como reprodução
E o meu ponto é simplesmente de que há outras dimensões. Há obras musicais e mesmo estilos nos quais a fidelidade não é o fim último, ou onde nem sequer faz sentido almejar esse grau de perfeição--assim de repente veja-se p.ex. o 1-bit symphony de Tristan Perich, o Matrix de Ryoji Ikeda ou toda a cena lo-fi.

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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
paulo_m escreveu:onga-ku escreveu:A questão é mesmo essa: o paralelismo que apresentei trata da fotografia como reprodução
E o meu ponto é simplesmente de que há outras dimensões. Há obras musicais e mesmo estilos nos quais a fidelidade não é o fim último, ou onde nem sequer faz sentido almejar esse grau de perfeição--assim de repente veja-se p.ex. o 1-bit symphony de Tristan Perich, o Matrix de Ryoji Ikeda ou toda a cena lo-fi.
Quando se trata de arte conceptual em que o conceito se sobrepõe ao objecto, de facto não vejo razão para que se recorra a um sistema de alta fidelidade já que se trata de um exercício intelectual com pouca expressão para outros que não o autor e os poucos praticantes do género.
É como ter um televisor calibrado para ver (ou será ouvir) a famosa "Branca de Neve" do João César Monteiro.
Mas qualquer tipo de música beneficia da alta fidelidade pois apenas esta nos permite escutar o que está registado no suporte.
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Re: Tese Fïsica e Música - Debate
A Alta Fidelidade pode, no entanto, ser um entrave à apreciação da música "enlatada" já que um sistema neutro (sem colorações) irá expor de uma forma crua todos defeitos das gravações.
Talvez seja por esta razão que durante alguns anos a maioria dos amplificadores incluía nas suas funções os controlos de tonalidade (bass e treble).
Nas revistas de música clássica deparamo-nos por vezes com uma crítica onde o autor faz referência à necessidade de usar os controlos de tonalidade para atenuar as altas frequências de certa gravação de sonoridade excessivamente "brilhante".
Encontramo-nos, portanto, a braços com um dilema: por um lado temos um sistema de Alta Fidelidade que consegue reproduzir de forma exacta toda a informação que está no disco, e por outro lado esse registo não é uma fiel representação da realidade.
E aqui as águas separam-se, ou melhor, os audiófilos: uns preferem a fidelidade ao registo enquanto que outros optam por personalizar a sonoridade dos seus sistemas por forma a se tornarem mais "agradáveis" ou "melódicos".
Talvez seja por esta razão que durante alguns anos a maioria dos amplificadores incluía nas suas funções os controlos de tonalidade (bass e treble).
Nas revistas de música clássica deparamo-nos por vezes com uma crítica onde o autor faz referência à necessidade de usar os controlos de tonalidade para atenuar as altas frequências de certa gravação de sonoridade excessivamente "brilhante".
Encontramo-nos, portanto, a braços com um dilema: por um lado temos um sistema de Alta Fidelidade que consegue reproduzir de forma exacta toda a informação que está no disco, e por outro lado esse registo não é uma fiel representação da realidade.
E aqui as águas separam-se, ou melhor, os audiófilos: uns preferem a fidelidade ao registo enquanto que outros optam por personalizar a sonoridade dos seus sistemas por forma a se tornarem mais "agradáveis" ou "melódicos".
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