Tese Fïsica e Música - Debate
Página 1 de 3 • Compartilhe •
Página 1 de 3 • 1, 2, 3 
Tese Fïsica e Música - Debate
Fica aqui aberto o espaço para debate
Link http://www.audiopt.net/espaco-holbein-menezes-f56/a-monografia-do-dr-professor-carlos-alexandre-wuensche-t7527.htm
Link http://www.audiopt.net/espaco-holbein-menezes-f56/a-monografia-do-dr-professor-carlos-alexandre-wuensche-t7527.htm
Última edição por Paulo André em 23/10/2009, 23:41, editado 1 vez(es)
_________________
Cumprimentos
Paulo André
Sistema
LCD Samsung LE37S62B + WD TV Live Hub + Marantz DV6600
Thorens TD160MKII + Rega Bias +Norbert c/ regulação RIAA
Fonte: Pioneer PD-S703 / Philips CD 207
Amplificador: Classic 16.0 / Antique Sound Lab MG-PPSL6 + Antique Sound Lab AQ-2004
Colunas: Davis Acoustics Stentaure LE + Straightwire Waveguide 8
Filtro de Sector DIY
Sennheiser HD205

Paulo André- Equipa Audiopt - Admin.

- Número de Mensagens: 5421
Idade: 39
Localização: Barreiro
Ocupação: Ferroviário
Interesses: Audio DIY
Data de inscrição: 19/12/2007
Pontos/Reputação: 3044
Saite do Prof. Carlos Alexandre.
Paulo André, para saber do currículo do Professor Carlos Alexandre, currículo e dados pessoais, acesse o saite
www.das.inpe.br/~alex/
Holbein.
www.das.inpe.br/~alex/
Holbein.
holbein menezes- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 384
Data de inscrição: 09/06/2008
Pontos/Reputação: 393
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
Basta ler a introdução e o primeiro trecho para entender que se está na presença de algo descrito de forma simples (o mais simples possível) e interessante. Vou fazer questão de ir lendo semanalmente, esta fonte de conhecimento escrita na língua daquele senhor zarolho.
Já estou à espera da próxima....
Já estou à espera da próxima....
Convidad- Convidado
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
É interessante de notar que o sobretom tem sempre o dobro do valor (frequência em Hz) do tom em si.
Convidad- Convidado
Dar na cabeça ou na cabeça dar?
António : "... do tom em si."
Ou de o tom per si? Pois um tom em si, é a tonalidade da nota Si; per si, é o sujeito de tom na pessoa ele.
Desculpe a brincadeira meu amigo António; só para mostrar que a nossa rica língua portuguesa, além de rica e eufônia, é caprichosa. Tal como você escreveu, no contexto o entendimento está claro; fora dele, aí se complicará. Chama-se a isso "ambiguidade".
Não poderiam os gramáticos simplificarem as coisas? E as nossas Academias de Letra cuidarem mais das ambiguidades do que do trema, traço de união, acentos, essas coisas da linguagem falada em cada região e país?
Holbein.
Ou de o tom per si? Pois um tom em si, é a tonalidade da nota Si; per si, é o sujeito de tom na pessoa ele.
Desculpe a brincadeira meu amigo António; só para mostrar que a nossa rica língua portuguesa, além de rica e eufônia, é caprichosa. Tal como você escreveu, no contexto o entendimento está claro; fora dele, aí se complicará. Chama-se a isso "ambiguidade".
Não poderiam os gramáticos simplificarem as coisas? E as nossas Academias de Letra cuidarem mais das ambiguidades do que do trema, traço de união, acentos, essas coisas da linguagem falada em cada região e país?
Holbein.
holbein menezes- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 384
Data de inscrição: 09/06/2008
Pontos/Reputação: 393
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
António José da Silva escreveu:É interessante de notar que o sobretom tem sempre o dobro do valor (frequência em Hz) do tom em si.
Só uma pequena observação: O sobretom não tem sempre o dobro do valor do tom--só o primeiro é que o tem e apenas no caso de sobretons harmónicos, que seguem a sequência de múltiplos inteiros da frequência do tom fundamental. No caso mais geral de parciais (ou seja, sobretons não harmónicos), a relação de frequências não está restrita a essa sequência e logo a relação de 2f entre o tom e o primeiro sobretom não é garantida.

paulo_m- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 246
Idade: 40
Localização: Boston, MA, USA
Ocupação: VP Software Dev, Thomson Reuters
Interesses: Música, Composição, Matemática, Física, Filosofia
Data de inscrição: 30/12/2009
Pontos/Reputação: 448
Pequena sequência de comentários curtos.
Para movimentar o tópico vou assumir o compromisso de postar aqui, todos os domingos, resenhas sobre as obras e dados biográficos dos autores da música erudita. Concorda Paulo André?
Holbein Menezes.
Holbein Menezes.
holbein menezes- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 384
Data de inscrição: 09/06/2008
Pontos/Reputação: 393
Johann Sebastian Bach.
Johann Sebastian Bach
Alguém já escreveu: "Antes de Bach há os Bach." Com efeito, no meado do século XVI houve o moleiro Veit Bach, que tocava cítara (moleiro é o mesmo que moendeiro, aquele que mói, e cítara é um instrumento antigo, de cordas, da família da harpa). Utilizando-me da forma bíblica, consagrada (desculpem o trocadilho), devo informar que Veit gerou Hans, que foi músico, que gerou Johann, Christoph e Heinerich, todos três músicos também, organistas; Christoph (1613-1661) gerou Johann Ambrosius (1645-1695), músico e pai de Johann Sebastian Bach, este de 1685-1750.
Bach não era mole, gerou por sua vez uma pá de filhos, todos eles músicos e compositores; entre eles são conhecidos W.Friedeman, C.P. Emanuel, J. Christoph e Johann Christian. E o último dos Bach músico foi W. E. Ernst (1759-1845), filho de J. Christoph. Destarte, para o ouvinte pouco afeito à literatura musical, por vezes afigura-se um tanto difícil folhear um catálogo de discos e ali ver tantos Bach arrolados, sem saber quem é quem. Agora ficam sabendo.
De outra parte, e fora da família, antes de Bach houve Claudio Monteverdi (1567-1643), Heinrich Schutz (1585-1672) e Jean-Baptiste Lully (1632-1687), só para citar os três mais importantes compositores do século XVII, e que não eram parentes de Bach. A música dessa gente era praticada nas igrejas e cortes, e nos salões aristocráticos, e composta para o gosto aristocrático de bispos, príncipes e senhores feudais. Isso quer dizer que, além de entreter a clérigos e duques e príncipes e monarcas que nada produziam, nem sequer idéias, a música do século XVII precisava conter tão-somente melodia, uniformidade e harmonia. Não podia criar nem despertar idéias.
Dos três músicos citados, pode-se dizer que foi Claudio Monteverdi, com suas óperas-sinfonias "Orfeo", "O retorno de Ulisses" e "Coroação de Poppea" o primeiro a romper com a ideologia feudal da sombra e água fresca, criando uma música de conteúdo filosófico e contestatório. Bach, mais devido ao seu gênio do que a qualquer engajamento ideológico, seguiu essa trilha. E tanto era genial o homem que se tornou o pai da música. Por isso que a música, hoje, pode ser tomada como antes e depois de Bach.
Com este comentário, iniciamos uma série, não exclusivamente com música erudita mas clássicos em geral. A diferença entre música erudita, para os que não sabem (e os que sabem que me desculpem o papel professoral), a diferença entre a música erudita e a clássica é que aquela segue as regras de composição greco-romanas e esta refere-se a qualquer gênero de música que tenha ultrapassado o seu tempo, como “Nem as paredes confesso”, cantada pela Amália Rodrigues, e “Feitiço da Vila”, de Noel Rosa..
Alguém já escreveu: "Antes de Bach há os Bach." Com efeito, no meado do século XVI houve o moleiro Veit Bach, que tocava cítara (moleiro é o mesmo que moendeiro, aquele que mói, e cítara é um instrumento antigo, de cordas, da família da harpa). Utilizando-me da forma bíblica, consagrada (desculpem o trocadilho), devo informar que Veit gerou Hans, que foi músico, que gerou Johann, Christoph e Heinerich, todos três músicos também, organistas; Christoph (1613-1661) gerou Johann Ambrosius (1645-1695), músico e pai de Johann Sebastian Bach, este de 1685-1750.
Bach não era mole, gerou por sua vez uma pá de filhos, todos eles músicos e compositores; entre eles são conhecidos W.Friedeman, C.P. Emanuel, J. Christoph e Johann Christian. E o último dos Bach músico foi W. E. Ernst (1759-1845), filho de J. Christoph. Destarte, para o ouvinte pouco afeito à literatura musical, por vezes afigura-se um tanto difícil folhear um catálogo de discos e ali ver tantos Bach arrolados, sem saber quem é quem. Agora ficam sabendo.
De outra parte, e fora da família, antes de Bach houve Claudio Monteverdi (1567-1643), Heinrich Schutz (1585-1672) e Jean-Baptiste Lully (1632-1687), só para citar os três mais importantes compositores do século XVII, e que não eram parentes de Bach. A música dessa gente era praticada nas igrejas e cortes, e nos salões aristocráticos, e composta para o gosto aristocrático de bispos, príncipes e senhores feudais. Isso quer dizer que, além de entreter a clérigos e duques e príncipes e monarcas que nada produziam, nem sequer idéias, a música do século XVII precisava conter tão-somente melodia, uniformidade e harmonia. Não podia criar nem despertar idéias.
Dos três músicos citados, pode-se dizer que foi Claudio Monteverdi, com suas óperas-sinfonias "Orfeo", "O retorno de Ulisses" e "Coroação de Poppea" o primeiro a romper com a ideologia feudal da sombra e água fresca, criando uma música de conteúdo filosófico e contestatório. Bach, mais devido ao seu gênio do que a qualquer engajamento ideológico, seguiu essa trilha. E tanto era genial o homem que se tornou o pai da música. Por isso que a música, hoje, pode ser tomada como antes e depois de Bach.
Com este comentário, iniciamos uma série, não exclusivamente com música erudita mas clássicos em geral. A diferença entre música erudita, para os que não sabem (e os que sabem que me desculpem o papel professoral), a diferença entre a música erudita e a clássica é que aquela segue as regras de composição greco-romanas e esta refere-se a qualquer gênero de música que tenha ultrapassado o seu tempo, como “Nem as paredes confesso”, cantada pela Amália Rodrigues, e “Feitiço da Vila”, de Noel Rosa..
holbein menezes- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 384
Data de inscrição: 09/06/2008
Pontos/Reputação: 393
A música de Bach é barroca.
A música de Bach é barroca? Que é música barroca? Que é arte barroca? Pensa-se logo em rococó, nas curvas e contracurvas do [mau]gosto do rei Luiz XV [1710-1774]. Nos seus sapatos de salto alto, nas frocaduras das mangas de lã ou seda de suas camisas, na extravagância dos dourados e bordados e frocados, nessas futilidades da noblesse oblige. Além de nos trejeitos algo suspeitos de “reis” e suas cortes.
Mas em arte, o barroco é o revolucionário do século XVIII. Engraçado isso, não? E sabem por quê? Porque representa a introdução triunfal do “movimento” nas manifestações artísticas. “É a arte de uma época que prefere o reflexo à coisa que ama os jogos de espelhos, o ambíguo, a metamorfose, o múltiplo, o fugidio, o contraste”. É a germinação da dialética do movimento dos contrários, na concepção filosófica de Hengel [1770-1831]. “Não é mais um dado, uma presença; esquiva-se. Os personagens vão e vêm; o tempo apoderou-se deles, e a morte está no final”.
É desse ponto de vista que o barroco é revolucionário. Contrapôs-se ao recitativo estático em que o conjunto musical apenas servia de acompanhamento ao bel canto. Com o barroco a música deixou de ser apenas a canção e a dança. Ainda que não se tenha manifestado por igual em França e na Itália. “Na Itália esboçava-se uma arte autônoma que iria resultar na elaboração da sonata e do concerto...”, e mais tarde na sinfonia. “Na França, assim como a música vocal deu continuidade à canção, a música instrumental deu continuidade à dança”. A música saía das igrejas [adeus ininteligíveis e intermináveis cantos gregorianos!] e invadia os salões [bem-vindos os concertos grossos!].
O maestro Harnoncourt assim se referiu a esse movimento revolucionário: “Esta música, requintada e esotérica, pode ser considerada como o ponto final e culminante da evolução de quase dois séculos”. E aqui reside o revolucionário da música barroca: nesse “ponto final e culminante de quase dois séculos” de uma mesmice enfadonha...
No vértice da pirâmide do desenvolvimento da música está a família Couperin. Doze músicos parentes, organistas e cravistas, de Charles [início do Século XVII] a Celeste [1793-1860]. Ao lado de Couperin está Nicolas de Grigny [1672-1703], um Mestre do órgão de tal qualidade que Johann Sebastian Bach copiou de próprio punho o Livre de sua autoria. “O livro marcava, sem a menor dúvida, o auge da Escola Francesa de órgão...”.
Bach é considerado o pai da música porque foi capaz de levar as idéias de couperin e Grigny à sua expressão material maior. A propósito de Bach, conta-se que alguém foi solicitado a dizer quem seria o melhor compositor de todos os tempos. Depois de algumas considerações sobre a dificuldade de fazê-lo uma vez que o assunto envolve preferências pessoais e, de gustibus et coloribus nos est disputandum, ou seja, gosto e cores não se devem discutir, esse alguém observou: “Imagino que, quando os anjos se reúnem para fazer música, tocam Mozart. Porém quando são chamados para tocar para Deus, tocam Bach”.
A primeira parte deste DVD tem o Concerto para violino, cordas e contínuo, BWV 1042, na interpretação insossa de Anne-Sophie Mutter [violino] e a Orquestra Filarmônica de Berlim, com Hebert Von Karajan. Não é uma interpretação “autêntica” porque um conjunto com instrumentos modernos a interpretar Bach torna-se caricato: ou torna Bach apenas um nome. Karajan, no cravo, não passa de um figurante, está mais interessado na sua imagem de grand regente do que na divina música de seu compatriota Bach.
No Magnificat, orquestra e maestro saem-se melhor. É, felizmente, cantada em latim em vez de em alemão [há uma versão em alemão feita pelo próprio Bach]. Bach compôs o Magnificat para a noite de Natal de 1723. Sete anos depois, em 1730, introduziu modificações na cantata. A obra é composta de 12 partes, entre coros e árias [para uma voz] e apenas um único dueto [duas vozes]. Foi concebida para um conjunto musical maior que o usual do Século XVIII, com 5 partes de coros e 5 solistas. Karajan preferiu 4 solistas, a soprano Judith Blegen, o contralto Helga Muller Molinari, o tenor Francisco Araiza e o baixo Robert Holl.
Trata-se de uma gravação feita especialmente para a reprodução com imagem e som, e que o vaidoso maestro deu o título de His legacy for home vídeo, ou seja, o pretenso legado do maestro para essa nova e revolucionária técnica do som musical em conserva: o DVD.
Mas em arte, o barroco é o revolucionário do século XVIII. Engraçado isso, não? E sabem por quê? Porque representa a introdução triunfal do “movimento” nas manifestações artísticas. “É a arte de uma época que prefere o reflexo à coisa que ama os jogos de espelhos, o ambíguo, a metamorfose, o múltiplo, o fugidio, o contraste”. É a germinação da dialética do movimento dos contrários, na concepção filosófica de Hengel [1770-1831]. “Não é mais um dado, uma presença; esquiva-se. Os personagens vão e vêm; o tempo apoderou-se deles, e a morte está no final”.
É desse ponto de vista que o barroco é revolucionário. Contrapôs-se ao recitativo estático em que o conjunto musical apenas servia de acompanhamento ao bel canto. Com o barroco a música deixou de ser apenas a canção e a dança. Ainda que não se tenha manifestado por igual em França e na Itália. “Na Itália esboçava-se uma arte autônoma que iria resultar na elaboração da sonata e do concerto...”, e mais tarde na sinfonia. “Na França, assim como a música vocal deu continuidade à canção, a música instrumental deu continuidade à dança”. A música saía das igrejas [adeus ininteligíveis e intermináveis cantos gregorianos!] e invadia os salões [bem-vindos os concertos grossos!].
O maestro Harnoncourt assim se referiu a esse movimento revolucionário: “Esta música, requintada e esotérica, pode ser considerada como o ponto final e culminante da evolução de quase dois séculos”. E aqui reside o revolucionário da música barroca: nesse “ponto final e culminante de quase dois séculos” de uma mesmice enfadonha...
No vértice da pirâmide do desenvolvimento da música está a família Couperin. Doze músicos parentes, organistas e cravistas, de Charles [início do Século XVII] a Celeste [1793-1860]. Ao lado de Couperin está Nicolas de Grigny [1672-1703], um Mestre do órgão de tal qualidade que Johann Sebastian Bach copiou de próprio punho o Livre de sua autoria. “O livro marcava, sem a menor dúvida, o auge da Escola Francesa de órgão...”.
Bach é considerado o pai da música porque foi capaz de levar as idéias de couperin e Grigny à sua expressão material maior. A propósito de Bach, conta-se que alguém foi solicitado a dizer quem seria o melhor compositor de todos os tempos. Depois de algumas considerações sobre a dificuldade de fazê-lo uma vez que o assunto envolve preferências pessoais e, de gustibus et coloribus nos est disputandum, ou seja, gosto e cores não se devem discutir, esse alguém observou: “Imagino que, quando os anjos se reúnem para fazer música, tocam Mozart. Porém quando são chamados para tocar para Deus, tocam Bach”.
A primeira parte deste DVD tem o Concerto para violino, cordas e contínuo, BWV 1042, na interpretação insossa de Anne-Sophie Mutter [violino] e a Orquestra Filarmônica de Berlim, com Hebert Von Karajan. Não é uma interpretação “autêntica” porque um conjunto com instrumentos modernos a interpretar Bach torna-se caricato: ou torna Bach apenas um nome. Karajan, no cravo, não passa de um figurante, está mais interessado na sua imagem de grand regente do que na divina música de seu compatriota Bach.
No Magnificat, orquestra e maestro saem-se melhor. É, felizmente, cantada em latim em vez de em alemão [há uma versão em alemão feita pelo próprio Bach]. Bach compôs o Magnificat para a noite de Natal de 1723. Sete anos depois, em 1730, introduziu modificações na cantata. A obra é composta de 12 partes, entre coros e árias [para uma voz] e apenas um único dueto [duas vozes]. Foi concebida para um conjunto musical maior que o usual do Século XVIII, com 5 partes de coros e 5 solistas. Karajan preferiu 4 solistas, a soprano Judith Blegen, o contralto Helga Muller Molinari, o tenor Francisco Araiza e o baixo Robert Holl.
Trata-se de uma gravação feita especialmente para a reprodução com imagem e som, e que o vaidoso maestro deu o título de His legacy for home vídeo, ou seja, o pretenso legado do maestro para essa nova e revolucionária técnica do som musical em conserva: o DVD.
holbein menezes- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 384
Data de inscrição: 09/06/2008
Pontos/Reputação: 393
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
"Porém quando são chamados para tocar para Deus,
tocam Bach".
O próprio Bach dizia, apesar de ter composto centenas de obras profanas, que toda a música deve ser composta no sentido de louvar a Deus.
tocam Bach".
O próprio Bach dizia, apesar de ter composto centenas de obras profanas, que toda a música deve ser composta no sentido de louvar a Deus.
Ainda Bach. As Aberturas.
Johann Sebastian Bach
Lá pelo século XVI, os compositores começaram a recolher as danças mais originais que se executavam em salões, desenvolvê-las e uni-las em concepções artísticas. O criador desse oportunismo foi Johann Jacob Forberger, e deu a ele o nome de suíte. Bach usou muito o gênero suíte com o qual criou obras geniais, como por exemplo, suas suítes para violoncelo desacompanhado das quais sugiro ouvirem, para começar, as de números Cinco e Seis, na extraordinária execução do celista russo Mstislav Rostropovich, considerado o maior violoncelista da atualidade.
Suíte ou abertura? Suíte é uma composição com uma série de números; abertura é a introdução ou prelúdio (também chamado de protofonia) de uma peça orquestral. Bach preferiu chamar suas suítes orquestrais de aberturas. Fê-las quatro.
A Abertura nº. 1, com duração aproximada de 20 e poucos minutos, é composta de Courante, Gavotas, Forlane, Minueto, Bourrées e Passapieds. Explico esses nomes complicados: courante (como todos os demais nomes com que se denominam os movimentos de uma suíte) significa um tipo de dança antiga de origem francesa na qual os movimentos dos dançarinos são lentos e em círculo; gavota é uma dança do tipo do minueto, mas bem mais rápida que este, ainda que mantendo um ar de leveza; forlane é uma dança rápida, originária do norte da Itália e adotada pela corte francesa; minueto, tão conhecido dos brasileiros pela popularização que fez a marcha de carnaval "Minueto, tu és do Municipal...", é uma dança introduzida na França no século XVII e se caracteriza por movimentos lentos e compassados de pessoas em grupo; bourrées é dança executada em tempo duplo, muito rápida e viva, praticada na França desde o século XVII; passapieds, que nada mais é que o nome francês para passa-pé, é música em compasso ternário tal qual o minueto, mas dançada de forma mais viva que este.
A Abertura nº. 2 foi composta para pequena orquestra de cordas com flauta transversa e contínuo (contrabaixo). Nos dias de hoje, sempre é usada uma orquestra maior do que o conjunto musical programado por Bach. Em uma gravação que eu tinha em Laser Disc, observava-se ainda, alheio à música, a arquitetura da sala onde foi produzida a gravação, cenário que lembra a dos salões antigos das mansões senhoriais. Ao lado disso, nessa gravação que não foi reeditada em DVD, destacam-se os números dançados por um conjunto de lindas bailarinas, cuja característica saliente, no meu modo de ver, é ter as moças seios normais. Em geral, bailarina clássica são desseiúdas...
A Abertura nº. 3 foi composta para 3 trompetes, 2 oboés, tímpanos, cordas e contínuo. É a abertura mais afamada das quatro aberturas compostas por Bach, e, segundo o gosto de alguns maestros, a mais grandiosa, além de extraordinariamente bela. Note-se, por exemplo, a beleza da Aria, que faz parte do segundo movimento.
Lá pelo século XVI, os compositores começaram a recolher as danças mais originais que se executavam em salões, desenvolvê-las e uni-las em concepções artísticas. O criador desse oportunismo foi Johann Jacob Forberger, e deu a ele o nome de suíte. Bach usou muito o gênero suíte com o qual criou obras geniais, como por exemplo, suas suítes para violoncelo desacompanhado das quais sugiro ouvirem, para começar, as de números Cinco e Seis, na extraordinária execução do celista russo Mstislav Rostropovich, considerado o maior violoncelista da atualidade.
Suíte ou abertura? Suíte é uma composição com uma série de números; abertura é a introdução ou prelúdio (também chamado de protofonia) de uma peça orquestral. Bach preferiu chamar suas suítes orquestrais de aberturas. Fê-las quatro.
A Abertura nº. 1, com duração aproximada de 20 e poucos minutos, é composta de Courante, Gavotas, Forlane, Minueto, Bourrées e Passapieds. Explico esses nomes complicados: courante (como todos os demais nomes com que se denominam os movimentos de uma suíte) significa um tipo de dança antiga de origem francesa na qual os movimentos dos dançarinos são lentos e em círculo; gavota é uma dança do tipo do minueto, mas bem mais rápida que este, ainda que mantendo um ar de leveza; forlane é uma dança rápida, originária do norte da Itália e adotada pela corte francesa; minueto, tão conhecido dos brasileiros pela popularização que fez a marcha de carnaval "Minueto, tu és do Municipal...", é uma dança introduzida na França no século XVII e se caracteriza por movimentos lentos e compassados de pessoas em grupo; bourrées é dança executada em tempo duplo, muito rápida e viva, praticada na França desde o século XVII; passapieds, que nada mais é que o nome francês para passa-pé, é música em compasso ternário tal qual o minueto, mas dançada de forma mais viva que este.
A Abertura nº. 2 foi composta para pequena orquestra de cordas com flauta transversa e contínuo (contrabaixo). Nos dias de hoje, sempre é usada uma orquestra maior do que o conjunto musical programado por Bach. Em uma gravação que eu tinha em Laser Disc, observava-se ainda, alheio à música, a arquitetura da sala onde foi produzida a gravação, cenário que lembra a dos salões antigos das mansões senhoriais. Ao lado disso, nessa gravação que não foi reeditada em DVD, destacam-se os números dançados por um conjunto de lindas bailarinas, cuja característica saliente, no meu modo de ver, é ter as moças seios normais. Em geral, bailarina clássica são desseiúdas...
A Abertura nº. 3 foi composta para 3 trompetes, 2 oboés, tímpanos, cordas e contínuo. É a abertura mais afamada das quatro aberturas compostas por Bach, e, segundo o gosto de alguns maestros, a mais grandiosa, além de extraordinariamente bela. Note-se, por exemplo, a beleza da Aria, que faz parte do segundo movimento.
holbein menezes- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 384
Data de inscrição: 09/06/2008
Pontos/Reputação: 393
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
Citando,
»A Abertura nº. 2 foi composta para pequena orquestra de cordas com flauta transversa e contínuo (contrabaixo). Nos dias de hoje, sempre é usada uma orquestra maior do que o conjunto musical programado por Bach. Em uma gravação que eu tinha em Laser Disc, observava-se ainda, alheio à música, a arquitetura da sala onde foi produzida a gravação, cenário que lembra a dos salões antigos das mansões senhoriais. Ao lado disso, nessa gravação que não foi reeditada em DVD, destacam-se os números dançados por um conjunto de lindas bailarinas, cuja característica saliente, no meu modo de ver, é ter as moças seios normais. Em geral, bailarina clássica são desseiúdas...«
Mestre Holbein,
Depois de mais um belo texto seu e, sendo eu um profundo admirador de Bach, e um eterno apaixonado por um belo par de… válvulas, não resisti e fui a correr ouvir a Abertura Nr. 2. Infelizmente, cheguei à conclusão que o meu sistema é uma porcaria. Todos os elementos que o Mestre mencionou, estavam presentes. A sala, a reverência dos instrumentos da época, a dedicação dos executantes. Enfim, quase tudo. Desgraçadamente, faltavam as bailarinas e, pior ainda, os seus seios saltitantes, que numa obra tão cheia de anacruses, deveriam apresentar movimentos de uma beleza superior. Enfim, o meu sistema falhou.
Nem a alegre e popularíssima badinerie me alegrou.
Noutro tom, gostaria de lhe perguntar se tem alguma explicação para o facto da generalidade das danças terem passado do cariz ternário para o quaternário dos nossos tempos. Mais fáceis, mais primárias? Não prefiro umas a outras, mas é um fenómeno que tenho tentado acompanhar.
Cumprimentos,
Mário
»A Abertura nº. 2 foi composta para pequena orquestra de cordas com flauta transversa e contínuo (contrabaixo). Nos dias de hoje, sempre é usada uma orquestra maior do que o conjunto musical programado por Bach. Em uma gravação que eu tinha em Laser Disc, observava-se ainda, alheio à música, a arquitetura da sala onde foi produzida a gravação, cenário que lembra a dos salões antigos das mansões senhoriais. Ao lado disso, nessa gravação que não foi reeditada em DVD, destacam-se os números dançados por um conjunto de lindas bailarinas, cuja característica saliente, no meu modo de ver, é ter as moças seios normais. Em geral, bailarina clássica são desseiúdas...«
Mestre Holbein,
Depois de mais um belo texto seu e, sendo eu um profundo admirador de Bach, e um eterno apaixonado por um belo par de… válvulas, não resisti e fui a correr ouvir a Abertura Nr. 2. Infelizmente, cheguei à conclusão que o meu sistema é uma porcaria. Todos os elementos que o Mestre mencionou, estavam presentes. A sala, a reverência dos instrumentos da época, a dedicação dos executantes. Enfim, quase tudo. Desgraçadamente, faltavam as bailarinas e, pior ainda, os seus seios saltitantes, que numa obra tão cheia de anacruses, deveriam apresentar movimentos de uma beleza superior. Enfim, o meu sistema falhou.
Nem a alegre e popularíssima badinerie me alegrou.
Noutro tom, gostaria de lhe perguntar se tem alguma explicação para o facto da generalidade das danças terem passado do cariz ternário para o quaternário dos nossos tempos. Mais fáceis, mais primárias? Não prefiro umas a outras, mas é um fenómeno que tenho tentado acompanhar.
Cumprimentos,
Mário
Convidad- Convidado
"Terciário" e "quaternário"...
Vê-se, Mário, que você ou estudou técnica musical ou é músico, além de audiófilo...
Para "clarear" o assunto... responderia: diz-se de ou sistema ou período cenozóico, compreendendo as séries e épocas paleocena, eocena, oligocena, miocena e pliocena... Menos o Ayrton Senna!
Agarra o homem que amalucou!
Ora, sei eu lá, Mário!
Boa-tarde.
Holbein.
Para "clarear" o assunto... responderia: diz-se de ou sistema ou período cenozóico, compreendendo as séries e épocas paleocena, eocena, oligocena, miocena e pliocena... Menos o Ayrton Senna!
Agarra o homem que amalucou!
Ora, sei eu lá, Mário!
Boa-tarde.
Holbein.
holbein menezes- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 384
Data de inscrição: 09/06/2008
Pontos/Reputação: 393
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
Bem respondido Mestre.
Diria eu, mas que cena.
Voltando a geologia, do Limite K-T não entendo nada. Nem sei se é KT66 ou KT88.
Por mais Bach que ouça, e já vou no Chorzempa a tocar as Trio Sonatas para orgão, seios nem vê-los. A escuta no meu sistema é cada vez mais penosa.
Até mais logo,
Mário
Diria eu, mas que cena.
Voltando a geologia, do Limite K-T não entendo nada. Nem sei se é KT66 ou KT88.
Por mais Bach que ouça, e já vou no Chorzempa a tocar as Trio Sonatas para orgão, seios nem vê-los. A escuta no meu sistema é cada vez mais penosa.
Até mais logo,
Mário
Convidad- Convidado
Re: Tese Fïsica e Música - Debate
M Fernandes escreveu:
Noutro tom, gostaria de lhe perguntar se tem alguma explicação para o facto da generalidade das danças terem passado do cariz ternário para o quaternário dos nossos tempos. Mais fáceis, mais primárias? Não prefiro umas a outras, mas é um fenómeno que tenho tentado acompanhar.
O tempo e a métrica evoluíram a partir da poesia clássica dando origem aos modos rítmicos, que são todos eles ternários. A prevalência do 3 vem provavelmente dos pitágoricos, que consideravam o número 3 perfeito. O 3 é também uma consequência natural do uso de apenas duas unidades de medida, a breve e a longa, em que esta última é tida como tendo o dobro da duração da primeira; nos modos mais simples temos uma de cada e assim resulta uma duração total correspondendo a 3 breves.
A mudança para o quaternário dos nossos tempos tem provavelmente a ver com maior versatilidade (forte, fraco, forte secundário, fraco) e o seu carácter expansivo. Mas é de notar que há exemplos de danças não ternárias já no séc. XV. A composição musical também foi evoluindo gradualmente para outras formas através da necessidade criativa e "invenção" dos compositores, naturalmente transcendendo e inovando as regras.

paulo_m- utilizador dedicado

- Número de Mensagens: 246
Idade: 40
Localização: Boston, MA, USA
Ocupação: VP Software Dev, Thomson Reuters
Interesses: Música, Composição, Matemática, Física, Filosofia
Data de inscrição: 30/12/2009
Pontos/Reputação: 448
Página 1 de 3 • 1, 2, 3 
Tópicos similares» PREPARAÇÃO FÍSICA NO JIU-JITU OU PARTE TÉCNICA?
» CDs de música das reuniões
» Lojas de Música em Aveiro
» Musica de Marcha...Ta certo o cara mais chinga a familia do q canta..ashuashuas
» Johnny Depp
» CDs de música das reuniões
» Lojas de Música em Aveiro
» Musica de Marcha...Ta certo o cara mais chinga a familia do q canta..ashuashuas
» Johnny Depp
Página 1 de 3
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum