Espaço Holbein Menezes

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Espaço Holbein Menezes - Página 34 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  manel1 em 25/12/2013, 23:17

Viva Holbein, é com agrado que a moderação vê o seu regresso e estou certo que os restantes foristas também. Very Happy 

Pegando nas suas palavras:
''Porque o virtual é sempre superior em qualidade ao real. Este o sentido dos nossos dias atuais. A fumaça branca da chaminé da Igreja Cistina. Que o mundo todo viu! Melhor em qualidade do que os que estavam na Praça de São Pedro no Vaticano.

A realidade virtual sobrepondo-se à realidade factual; isso é alta-fidelidade''

Diria que no meu ponto de vista, tanto a realidade virtual, como a realidade factual, têm lugar na alta fidelidade sempre que estas são captadas e processadas com mestria.
Quando afirma que a realidade virtual é superior, certamente se refere ao facto de que com esta se tem muito mais informação, pelo facto de a captação dos sons (e imagem, quando é o caso) ser mais próxima da fonte que os origina e em maior quantidade e deste modo se perder menos informação do que quando se assiste a um evento ao vivo com ''apenas'' dois olhos e dois ouvidos quase sempre a uma distância considerável. Esta realidade virtual é por vezes muito criticada pelos audiófilos, mas, na minha opinião injustamente.

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Espaço Holbein Menezes - Página 34 Empty Real versus virtual.

Mensagem  holbein menezes em 26/12/2013, 11:26


Quando escrevo que o virtual é sempre superior em qualidade ao real, é evidente que estou a me referir aos dias de agora, época em que o homem passou a contar com recursos técnicos tão desenvolvidos que lhe permitem ver além do real dos olhos.

Veja, Meu Caro manel1, você há de concordar comigo que o nosso aparelho visual e sua biologia não experimentaram melhoras em qualidade desde o tempo de Adão, para os que acreditam que Adão foi o primeiro homem sobre a Terra. Vemos hoje o que Adão passou a ver depois que comeu a Eva, quer dizer – e desculpe – depois que comeu a maçã de Eva; hem? depois que comeu a maçã oferecida por Eva. (Pô, vida! como é difícil o nosso português! e quanto é lindo! e quanto pode ser fiel ao pensamento! Pode exprimi-lo conforme os complicados meandros de nossos sentimentos idealizados!)

O mundo de agora, o Mundo real em o qual estamos a viver é tão diferente do Mundo em que viveu meu tetravô lusitano João Bernardo da Silva, o qual, se ressuscitasse bem capaz de ter um síncope e voltar a morrer, ao tomar conhecimento em tempo real do que acontece aí em Lisboa e cá em Fortaleza; instantaneamente!

Nosso aparelho de percepção, desafortunadamente, quer em termos biológicos, quer na forma de captar a exterioridade, tal mecanismo quase é o mesmo do tempo de Pedro Alvares Cabral ao avistar terras basis, ao ponto de confundir este “continente” com uma ilha, e deu-lhe o nome de Ilha da Vera Cruz!?! (O virtual já era a esse tempo superior ao real, o que Cabral “viu”.)

Nascido cá no tórrido Nordeste brasileiro, fui em 1956 para o Sul do País, Rio de Janeiro, em busca de recursos para salvar um filho; Fortaleza tinha então menos de duzentos mil habitantes. Em fins de 2005, passados quase 50 anos, resolvi voltar à terra natal: encontrei uma Fortaleza megalópole com cerca de dois milhões e meio de habitantes! Em 1956 a Capital do Ceará só tinha dois edifícios com mais de nove andares mas nunca mais que doze; era o que meus olhos acostumaram-se a perceber; agora, no bairro onde resido, no momento em escrevo estas mal traçadas linhas, constroem-se – da minha janela eu “vejo” – constroem-se mais de dez arranha-céus! E o bairro já possui mais de cem “torres” residenciais!!!

É a essa “qualidade” a que me refiro, é esse real que meu olhar virtual não consegue interiorizar. Meu virtual está sempre a procurar mnemonicamente o real que deixei em 1956.

Assisti no Maracanã muitas vezes o Pelé jogar; jamais enxerguei tantos detalhes quantos vejo na TV em HD o endiabrado Neymar aprontar. É a manifestação de o virtual está a ser superior, em qualidade, ao real!

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Espaço Holbein Menezes - Página 34 Empty ENTREVISTAS.

Mensagem  holbein menezes em 28/12/2013, 19:32

Holbein Menezes ENTREVISTA Técnicos da Toroid do Brasil.

Pergunta do Holbein: como atua um transformador-isolador toroidal na função de isolar certo setor da malha elétrica doméstica dos sinais espúrios da rede pública?

RESPOSTA:
O transformador em si atua com uma malha isoladora entre o primário e o secundário, evitando o acoplamento capacitivo entre tais enrolamentos. Também é construído de forma que ele mesmo não atinja valores-limite, evitando a poluição do próprio no sistema. Geralmente, no Isobox, para complementar, existe filtro do modo comum, capacitor e varistor.

O importante é que a malha de aterramento do transformador seja corretamente utilizada, caso contrário se perde parte do poder de isolar os ruídos. Porém, mesmo sendo mal utilizada a tal malha, ainda assim se evita o contato direto com a rede e alguns tipos de interferências, portanto a grande distância dos enrolamentos diminui o acoplamento em altas frequências.

Pergunta dois: baseado em quais princípios técnicos alguns audiófilos e musicistas passaram a utilizar transformadores toroidais em vez de transformadores de núcleo de ferro laminado, tanto para a fonte de força de seus aparelhos eletrônicos destinados a reprodução do som musical quanto como isoladores dos sinais espúrios da rede elétrica?

RESPOSTA:
Alguns optaram por algo menor, mais leve, ou algum outro fator, como por exemplo: menor dispersão magnética no interior do equipamento; formato que era mais conveniente; ou porque é o toroidal que tem maior eficácia na isolação de certos ruídos da rede (e vice-versa). Também pela qualidade oferecida ou pela maior eficiência. Claro, não se pode excluir os que acabam comprando por modismo, mesmo que o tal “modismo” seja uma coisa boa...

Geralmente, é preciso ter algum motivo para justificar a compra de algo que, até uns 500W, é mais caro que a concorrência.

Na resposta três temos fatos que complemento nossa resposta.

Pergunta três: em termos de qualidade, por que os transformadores toroidais são mais efetivos do que os transformadores laminados? Ambos os tipos não emitem eles próprios harmônicos que contaminam o sinal de áudio, de alta-fidelidade?

RESPOSTA:
Independente do tipo de Trafo, o que realmente polui mais, nas fontes de alimentação, é a própria fonte (retificador), e a rede da concessionária. O Trafo comum, por ter mais dispersão magnética, acaba por espalhar essas mazelas no interior do equipamento, o que é minimizado com o toroidal. E o toroidal é mais robusto no “mau” uso de fontes de alimentação convencional, provendo melhor os fortes picos de corrente de que precisam. De quebra, pode-se incluir em ambos, mas sendo mais eficaz no toroidal, malhas internas para isolar certos ruídos vindos da rede (ou evitar que saiam, tornando os cabos de alimentação uma “antena”).
Lembrando também da maior eficiência elétrica e menor desperdício de energia proporcionado por um toroidal. Melhor despender um pouco mais na compra, que ter um “sorvedouro” de energia continuadamente inserido na instalação.

Em termos de passar sinal de áudio, em geral poderia dizer “tanto faz”. Porém, certos materiais mais nobres estão disponíveis apenas em formato toroidal, e o próprio formato ajuda em algumas aplicações, como transformador de saída de áudio para valvulados, em especial o simétrico (Push Pull, PP). O modelo “fase única” (singelo, SE) colhe alguns benefícios, mas gera algumas dificuldades, também.

Pergunta quatro: como os técnicos dessa Toroid do Brasil explicam a preferência cada vez maior de musicistas e audiófilos sérios pelos transformadores toroidais? Modismo? Necessidade de ser diferente? Uma vez que são, todos os transformadores, feitos com os comuns fios rígidos esmaltados com que se enrolam os transformadores laminados?

RESPOSTA:
Toroidais têm, sim, algumas vantagens, conforme já bastante divulgado. Até porque os transformadores não são “só” fio de cobre; muitos se esquecem da grande importância do núcleo, em qualquer aplicação (e diria ser de suma importância quando se diz respeito a sinais de áudio).

Como todo componente superior atrai a atenção de quem se dedica à qualidade, então não deve ser algo tão diferente de, por exemplo, a preferência por certos dielétricos em capacitores. E, já que se trata de um produto mais oneroso em tamanhos menores, são quase sempre fabricados com maior capricho que os demais.

Não que não se possa ter resultado decente com o tradicional, mas se perderiam algumas boas qualidades adicionais do toroidal, como o menor peso obtido na mesma circunstância.

Porém, conforme dito antes, modismos sempre existem, e é bem provável que tenhamos clientes assim. E os contraditores também existem.

Pergunta cinco: todos os livros sobre alta-fidelidade falam que o “segredo” para obter-se uma reprodução eletrônica do som musical o mais fiel possível ao evento original gravado reside na qualidade dos componentes: resistores, capacitores, indutores, chaves, chassi etc.: os núcleos de ferro ou os laminados de ferro não são de qualidade semelhante? Por que os fabricantes do importantíssimo componente transformador utilizam ainda fios e ferro da mesma qualidade usada nos primórdios da transmissão do som feita por Thomas Edison, em 1877? Por que não houve improvement na fabricação de transformadores, como houve no magneto para alto-falantes, por exemplo?

RESPOSTA:
Na verdade, o que não houve é uma disseminação de certas novidades ao público; parece que a mídia (e alguns fabricantes...) estacionou na década de 50, em matéria de transformadores. Muita coisa sofreu evolução: melhora acentuada na qualidade da resina dos cabos de cobre, melhora no índice de pureza do cobre, melhora da estabilidade dos materiais isolantes nos transformadores, aperfeiçoamento grande dos núcleos existentes, e a aparição de materiais novos para o núcleo. Mas isto, em princípio, fica restrito a poucos fabricantes “de ponta”. O maior destaque fica por conta dos materiais de núcleo: no caso do Toroidal, foi desenvolvido o assim chamado nanocristalino, que é bastante recente, e tem propriedades insuperáveis para, por exemplo, medição de correntes extremamente baixas em TC, ou também o uso em transformadores de sinal de áudio, onde for requerido, de fato, uma completa ausência da influência da perniciosa histerese de núcleo. Isso resulta em um transformador incapaz de distorcer e suprimir as mais delicadas e suaves variações de tensão, sendo realmente o único que indicaríamos para sinal de áudio (não potência), superando o amorfo.
Não obstante, em matéria de fontes de alimentação, os “pesos” são outros, e não há necessidade de se fugir do Ferro-Silício, pois isso traria uma série de outras desvantagens. “Cada macaco no seu galho”.

Mesmo assim, nós somente utilizamos desde décadas atrás de uma qualidade de núcleo infactível.

Pergunta seis: musicistas e audiófilos sérios creem que um pedaço de cabo de apenas um metro – que conduz a eletricidade produzida pela rede pública para dentro dos aparelhos eletrônicos de alta-fidelidade – que tal metro de fio, quando de prata pura ou quando usa topologia diferente e às vezes exótica como no caso de malhas trançadas com muitos fios encapados com teflon, ou ainda, lâminas sólidas de largura de 5 cms, isso comparado com a topologia singela dos três condutores capeados com plástico (positivo, negativo e terra) vendidos no comércio popular, a maioria dos usuários acredita que a qualidade do som musical melhora dramaticamente em comparação com outro metro de fio desses de multiveias e de tomadas pré-moldadas. Tais cabos de força exóticos, para a ligação elétrica, chegam a custar milhares de dólares o metro! O que pensa disso os técnicos da Toroid do Brasil?

RESPOSTA:
Na verdade, inegável e inexoravelmente isso é sempre algo que sacode a mente dos engenheiros. Ou provoca risadas dos sujeitos mais ortodoxos. Pois tem alguns pontos cruciais a serem considerados:

Se alguma dessas pessoas fanáticas por cabos soubesse da resistência elétrica residual de qualquer Trafo que não construído com supercondutor, iria se desmotivar imediatamente da compra de um tal acessório. Se for possível alguma influência da “velha escola ortodoxa”, talvez ela ocorra, por exemplo, na propagação ou recepção de interferências de RF (ler no site do Linn Olson, nutshell HIFI), ou então por força psicológica. Em geral deverá se passar batido em medições “clássicas”.

É bom ter em mente que existe um fator em aparelhos de grande consumo e baixo fator de potência, que é o caso de quase 100% dos amplificadores, especialmente os audiófilos, por terem a capacitância aumentada na fonte. Esse fator é justamente motivado pelos altíssimos picos de corrente produzidos em tais fontes (o retificador diodo-capacitor), podendo superar em 15 vezes a corrente nominal. Daí, qualquer oposição ao fluxo de elétrons será sentida. Todavia, a contribuição do cabo de força para isto será insignificante, se comparado ao valor resistivo dos enrolamentos do Trafo, e da própria rede elétrica residencial, até chegar na tomada.

Fontes decentes, especialmente em alta potência, deveriam todas submeter-se às regras vigentes na Europa, no que diz respeito ao fator de potência. De quebra, estariam essas livres dos ferocíssimos picos poluidores da rede elétrica e, com certeza, seus circuitos internos. E fontes assim são muito independentes de espúrios de rede elétrica.

A Toroid do Brasil tem a tecnologia necessária para a fabricação de indutores necessários para fontes de alto fator de potência, mas isso requer o projeto de um transformador que o acompanhe (mudança de comportamento na retificação; se torna retificador de média, bem mais eficaz).

Pergunta sete: os críticos de áudio e os marqueteiros dos produtos para alta-fidelidade sustentam a “tese” de que há uma direção correta para a circulação dos elétrons nos cabos de força e de áudio: o que têm a dizer sobre tal teoria os técnicos da Toroid do Brasil?

RESPOSTA:
Nos cabos, com certeza não acreditamos nisso. Mas em conectores, sim, guardadas as devidas proporções. Muito mais comum que se pode imaginar são as falhas em conexões. Especialmente, as falhas sutis. Pois ao entrar em contato metais distintos, existem vários pequenos fenômenos associados, como por exemplo, efeito termopar. E se oxidados, efeito “retificatório” ou resistivo, a depender da combinação. Tanto que existem os diodos de barreira metálica (Silício com metal), e existiram os de óxido de cobre.

Quando se faz o ato da troca de cabos em um sistema, está sendo “renovada” a conexão. Quem garante que não havia algum evento negativo qualquer na conexão anterior? Só que, neste caso, bastaria tão somente desconectar e conectar o mesmo cabo, para haver mudança. Seria algo a ser experimentado, então... Mas limpar bem os contatos será sempre boa indicação.

Determinada sonda no sistema de injeção de combustível no automóvel exige o uso de materiais específicos e certificados na sua conexão, para não induzir ao erro, devido a uma tão pequena magnitude dos sinais envolvidos.

Às vezes, temos falhas em produtos de informática (especialmente memória RAM), que a solução é simples: a limpeza de seus contatos, ainda que visivelmente não haja nada.

Porém, isso é tão sutil que, na maioria dos casos, não é detectado no uso normal de um laboratório, por exemplo. Ah! sim, não é detectado, mas muitas vezes o operador do equipamento se vê obrigado a “esfregar” a conexão para limpar e fazer a medida correta...

Tanto que os fanáticos de laboratório dizem que não existe boa conexão; o melhor mesmo é soldar tudo definitivamente.

Pergunta oito: de igual modo, críticos e marqueteiros propagam a “verdade” de que um cabo precisa “queimar” (gíria audiófila para o tempo de uso) a fim de que os elétrons aliem-se definitivamente: também o que têm a dizer os técnicos da Toroid do Brasil sobre essa falácia?

RESPOSTA:
Isto já se encontra em um nível, digamos, “esotérico”. Geralmente pode-se afirmar que é bem mais provável um espectador se acostumar com o evento de áudio, pois se acostuma com tudo, desde clima até o vizinho chato.

É relevante notar que em transdutores eletromecânicos (leia-se alto-falante), ao passar algum tempo em repouso há alguma mudança certamente mensurável em seus parâmetros; simplesmente por que são corpos flexíveis, sujeitos às leis da Física. E, ao serem utilizados, vão se “afrouxando” e se (isso sim) adaptando ao sonofletor, por exemplo. Muitos alto-falantes mudam a Fs (frequência de ressonância) devido simplesmente ao tempo. Por trabalharem convertendo o som no ar, então os alto-falantes ficam a depender até da umidade relativa do ar.

Alguns equipamentos atingem seus valores ideais de polarização após ligados por algum tempo. Talvez esses fatores somados contribuam muito mais do que algo “inexplicável” que os audiófilos dizem perceber; claro, que junto com a percepção do indivíduo, que depende até do seu humor.

Pergunta nove: os antigos musicistas e audiófilos, como eu, acreditamos que as melhores bobinas para divisores de frequência são as de núcleo de ar, e que o enrolamento das espiras tem que ser o mais apertado possível, sem deixar qualquer espaço, objetivando eliminar a possibilidade de mínimas vibrações que geram zumbidos espúrios que entram na corrente de áudio por via dos capacitores eletrolíticos da fonte, contaminando o sinal musical; as máquinas de enrolamento da Toroid do Brasil (ilustrar com fotos) produzem tração suficiente para que o enrolamento das espiras dos seus transformadores toroidais não vibrem nem gerem espúrios de alta frequência?

RESPOSTA:
Não só tracionam, como tem que ter cuidado para não arrebentar; eis a questão de regular para a tensão perfeita. Atingindo a regulagem, fica-se seguro e se faz a peça. Mesmo assim, é inescapável dizer que nunca há um total bloqueio de movimento, em qualquer Trafo, pois simplesmente se tratam das leis da Física; são dois corpos distintos, não um bloco só de um único material.

Há uma melhora quando se usa verniz eletro-isolante ou resina epóxi para “travar” os enrolamentos. Embora isso não seja muito ecologicamente correto nos dias atuais.

Pergunta dez: para homenagear o Presidente da Toroid do Brasil e dar a ele de presente na Noite de Natal – se é que Sua Senhoria é chegado à Música Erudita –, vocês técnicos teriam condições de fabricar um transformador-isolador perfeito, com fio de cobre de pureza 99,99%, e, em vez de esmaltado, fio coberto com capa de téflon moldado a alta temperatura, para reduzir a capacitância ao mínimo, e, além disso, posto o transformador em caixa de mu-metal e imerso em massa de piche? Como eram, aliás – ah! que saudade que eu tenho! –, feitos antigamente os transformadores de áudio da empresa estadunidense Mc Intosh?

RESPOSTA:
1 – Já usamos cobre eletrolítico, marca PPE, com 99,99% de pureza.
2 – Um cabo isolado com teflon ou outro material isolante tipo “fita” não é possível de ser bobinado em máquinas toroidais. Somente se for bobinado a mão. Mas, note-se o seguinte: há outros métodos para se reduzir a capacitância entre espiras e entre camadas. Em geral, técnicas de construção do transformador, as quais utilizamos quando solicitado. Apenas como comparação, fabricamos transformadores para laboratório de ensaio de uma concessionária do setor elétrico, onde há necessidade de suportar picos de tensão de até 30kV, sem romper dielétricos entre espiras e entre primário e secundário. Além de haver necessidade de baixíssima capacitância, pois o pulso elétrico é de frequência e tensão elevadas.
3 – Caixa de mu-metal: não é um material que se obtém em chapas grossas e largas, necessárias para se fabricar a “caixa”. E, pode-se usar algo mais tangível, como o próprio aço GO utilizado na fabricação do núcleo, obtendo-se ótimos resultados.

Pergunta onze: com igual propósito, mas para homenagear o ex-Ministro da Fazenda da ditadura militar, Mário Henrique Simonsen, que adorava óperas, cantava-as ele próprio, e, nas horas vagas, tocava piano, vocês técnicos da Toroid seriam capazes, como forma de protesto, de criar um transformador-isolador com ferro reaproveitado de sucata de automóvel e enrolado com fio desenrolado de velho motor de bomba hidráulica, enrolado a força de mão que deixaria as espiras ficarem frouxas a produzir muita vibração a fim de introduzir distorção não filtrável; seriam?

RESPOSTA:
Só se fosse mesmo para protestar contra alguma medida abusiva, pois vai contra os nossos princípios.

Pergunta doze: as fotos do processo de montagem de um transformador toroidal, que tiveram a gentileza enviarem-me, por favor postar aqui, com comentários explicativos ao lado; o saite Audioliberum agradece.

RESPOSTA:
Temos um vídeo da bobinagem, em nosso website.

Pergunta treze: que pergunta eu não fiz mas que vocês gostariam de responder. Por favor, usem e abusem do espaço que é livre e liberto e libertador, além de ser liberado e liberador.

RESPOSTA:
Existem tecnologias interessantes, como os núcleos em liga nanocristalina, que tem resultados ótimos em transformadores para sinais de áudio (não potência).

Também, núcleos (toroidais e “C”) em que a largura da chapa é variável, formando uma espira não quadrada ou retangular, mas quase circular. Isso torna a espira mais curta, diminuindo a resistividade do enrolamento.
Mas, temos que separar as coisas em possíveis, impossíveis e factíveis. Não adianta investirmos R$ 200k em máquinas, para vender 20 transformadores por ano. Algumas tecnologias ainda são inviáveis. Ou seja, temos que trabalhar com o que temos, e fazer o que podemos. Mas, o que temos e o que fazemos atualmente já estão no nível de fábricas como Plitron (Canadá), Amplimo (Holanda) e Lundhal (Suécia). Ou seja, estamos “bem na foto”. Inclusive, nossa matriz nos EUA importa transformadores de áudio, para saída de amplificadores valvulados, projetados e fabricados na filial brasileira. Devemos muito disso ao “guru” Alexandre Torchelsen Feldens, que trabalhou conosco durante quase quatro anos no desenvolvimento de toda essa linha de áudio, para sinal, alimentação e saída de amplificadores, valvulados e transistorizados. Bom, na verdade, fizemos transformadores até para tweeters de plasma e ribbon.

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Mensagem  manel1 em 29/12/2013, 15:50

Excelente entrevista Holbein, parece que cobriu tudo o que se poderia perguntar.
Já agora o site da Toroid: http://www.toroid.com.br/

Já agora gostaria de saber a sua opinião acerca da influência dos cabos de alimentação no sistema de som. Já teve oportunidade de ''ouvir'' alguns cabos de alimentação atentamente? fazendo várias trocas de cabos, desde cabo de força que acompanha de fábrica os aparelhos, até aos cabos mais esotéricos, ou pelo menos com qualidade de construção de bom nível?
Poderá, se assim entender ( ou pode simplesmente colocar as suas impressões aqui, sendo que posteriormente posso colocar um link para este tópico), colocar as suas opiniões aqui http://www.audiopt.net/t13835-cabos-de-corrente-teoria-e-a-experiencia-de-cada-forista#152986, que é o tópico que eu recentemente criei com o intuito de ver esclarecida a influência dos cabos de corrente no sistema de som. Aqui dou primazia ás opiniões com base na experimentação, tal como se faz quando se comparam dois leitores de CD que pretendemos adquirir, sem preconceito, apenas com a preocupação em mente de encontar diferenças audíveis na sonoridade do sistema resultante da troca de cabos, no entanto, uma abordagem teórica seja muito bem vinda, pois ajuda a suportar, ou não, as apreciações de caracter subjectivo inerentes às audições, aliás a entrevista que colocou anteriormente tem algumas considerações de caracter teórico que contribuem para trazer um pouco mais de luz a este tema.

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Mensagem  holbein menezes em 30/12/2013, 19:10

manel1 escreveu:Viva Holbein, é com agrado que a moderação vê o seu regresso e estou certo que os restantes foristas também. Very Happy 

Pegando nas suas palavras:
''Porque o virtual é sempre superior em qualidade ao real. Este o sentido dos nossos dias atuais. A fumaça branca da chaminé da Igreja Cistina. Que o mundo todo viu! Melhor em qualidade do que os que estavam na Praça de São Pedro no Vaticano.

A realidade virtual sobrepondo-se à realidade factual; isso é alta-fidelidade''

Diria que no meu ponto de vista, tanto a realidade virtual, como a realidade factual, têm lugar na alta fidelidade sempre que estas são captadas e processadas com mestria.
Quando afirma que a realidade virtual é superior, certamente se refere ao facto de que com esta se tem muito mais informação, pelo facto de a captação dos sons (e imagem, quando é o caso) ser mais próxima da fonte que os origina e em maior quantidade e deste modo se perder menos informação do que quando se assiste a um evento ao vivo com ''apenas'' dois olhos e dois ouvidos quase sempre a uma distância considerável. Esta realidade virtual é por vezes muito criticada pelos audiófilos, mas, na minha opinião injustamente.

Obrigado, Manel1.

Sabe, Amigo, estou a cansar.

Vou dedicar os poucos anos que me restam à Hermosa e a mim.

Parodiando Manuel Bandeira:

Vou-me embora prá caatinga

lá sou primo do Camillo.

Lá terei o som de que gosto

na sala que construir.


Cai o pano. FIM!

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Mensagem  ricardo onga-ku em 31/12/2013, 11:33

O mestre Hobein está de regresso?

 cheers 

Um abraço,
Ricardo

_________________
"O homem, uma vez abdicando da razão,
não tem defesa contra o absurdo, a monstruosidade,
e tal como um navio sem leme fica à mercê dos ventos.
A esses, a credulidade toma o leme da mão da razão
e a mente converte-se num naufrágio."

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Mensagem  holbein menezes em 31/12/2013, 14:38

Ricardo, meu amigo,

que bom estarmos, novamente, em contato um com outro; não sei se você está a voltar ou eu a pedir um tempo. É que já me sinto cansado, Amigo. Ora, faz seis décadas que prego no deserto, acho que já adquiri o direito de ir mais devagar. E é o que tenciono fazer. Não que eu tenha renascido das cinzas tal a lenda da Fênix; posto que ninguém renasce, desgraçadamente. É que noventa e um anos nos costados pesam prá burro!

Comigo acontece que sou neuroticamente responsável com as amizades, e aqui no audiopt fiz uma porção delas. Mas sinto que meus ímpetos diminuíram e já não disponho de reservas em "banco" nenhum... Estou a gastar o restinho de forças que a Natureza hostil deste Nordeste brasileiro, tórrido e inóspito, deu-me às duras penas.

Por isso, resolvi diminuir o "tempo" da minha sinfonia pessoal: vou a tocar em pianíssimo uma "lenta" marcha fúnebre. Até...

Pois é, "até que a morte nos separe"; final feliz muito ao gosto de Hollywood. Ainda que a vida seja uma tragicomédia de altos e baixos; até nas sociedades; até nos países.

Um abraço, e um Melhor Ano de 2014!

Holbein.

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Mensagem  manel1 em 31/12/2013, 16:18

Amigo Holbein,
Desejo-lhe um bom ano de 2014. A porta aqui no fórum esta sempre aberta, sempre que a vontade aparecer não deixe de nos brindar com os seus comentários, afinal aqui no fórum tem sempre alguém para ouvir e com vontade de aprender, mesmo quando os pontos de vista são diferentes.
Um abraço.

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Mensagem  holbein menezes em 31/12/2013, 18:05


Prometo, manel1, e o que prometo cumpro. Estarei a acessar o fórum todos os dias e, quando julgar proveitoso tecer qualquer comentário, farei.

Melhor ano de 2014!

Holbein.

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Mensagem  Valkilm em 11/1/2014, 22:52

Caro Amigo,

Apesar de já estar aqui há algum tempo, é com honra que lhe dirijo a palavra para o saudar, de facto o que escreve é apaixonante e uma lição de vida, a sua postura é algo de digno a todos os níveis, ler o que escreve é aprender continuamente!

Um abraço insular daqui da ilha de S. Miguel - Açores, bom ano de 2014

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Mensagem  holbein menezes em 12/1/2014, 00:15

Caro Colega J. Costa, boa-noite.

Com sua generosa mensagem você fez-me mais bem do que eu, porventura, tenho feito a você; porque ancião, J. Costa, é bicho cismarento, e se é um experimentador como eu, quando minhas comunicações não recebem comentários abate-se sobre meu entusiasmo de comunicador tal um balde de água fria em fogo ardente. E pelo silêncio que meus textos têm despertado já estava a desconfiar que meu tempo passara...

Assim, pois, vou continuar a postar textos; um único leitor para mim já é suficiente para manter meu entusiasmo; o silêncio é que é terrificante porque denota indiferença.

Obrigado; vou dormir uma noite serena.

Holbein.

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Mensagem  Valkilm em 12/1/2014, 17:40


Boas Tardes,

Por ventura realmente os seus posts são uma lição de vida...nestes anos que aqui estou registado tenho sempre lido com avidez o que comenta...do melhor que já li

Embora que eu não pertença à administração não é novidade para o meu amigo que todos nós o admiramos e é com um enorme e profundo respeito que o cumprimento e agradeço as suas palavras.

Não sei se conhece os Açores, mas se um dia resolver vir a estes lados é meu convidado sem possibilidade de negar a minha hospitalidade!

Abraço insular
João Costa
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Mensagem  holbein menezes em 14/1/2014, 10:25

(CHICÓ – “Não sei; só sei que foi assim”).

Holbein Menezes.

Minha bagunçada (leiam: não “arrumada”) salinha “gessofilled”, de apenas 10 m², tem-se mostrado musicalmente mais prazerosa do que as salas anteriores que construí no Rio (50 m²) e em Florianópolis, (36 m²).

Soa muito confortável quão aprazível; desde o violino solo de Haroutune Bedelian, nas sonatas e partitas de Back, gravadas na linda igreja de Santo Antônio, em Tiradentes, Minas, até a monumental Segunda de Mahler, gravada na soberba e moderna sala Staatskapelle, de Berlim, regida por Pierre Boulez na feliz oportunidade de seu octogenário.

Desde as geniais interpretações de Friedrich Gulda, de peças solo para piano (fantasias e sonatas), de Mozart (Gulda disse que “somente após intensivas e longas décadas de exploração das obras pianísticas de Mozart pode alguém considerar-se de verdade ter compreendido a real natureza das intenções do compositor”), desde a música para piano de Mozart à extravagante e grandiloquente “Grande Missa dos Mortos” de Hector Berlioz; mais conhecida com “Requiem”.

A “salinha” degusta tudo sem repugnar nada. Incrível! Para satisfação de seu dono. Aleluia!
Mas não foi por acaso, ainda que eu não saiba por quais motivos foram; aconteceu um condicionamento mútuo que não consigo determinar; nem pretendo. Só sei que foi graças a minha atividade que se estabeleceu tal representação da causalidade. Por isso que, como ensinou Engels, “a atividade do homem é a pedra de toque da causalidade.”

Minhas caixas de falantes frontais são as mesmas desde faz cinco anos; é verdade que troquei as unidades de falantes, substitui os full-range Fostex pelos full-range KB-6FR Akron, do Paulo Ramos; e passei a usar os tweeters ribbon puro, também criação do Paulo.

Na traseira, continuo a usar as caixas-cano (cano de PVC de 20 cm de diâmetro e 1,40 m de comprimento) como suporte de falante. Mas... Pois é, houve um ”acidente”: por um descuido da vida, o perfeccionista Paulo Ramos ao invés de despachar as unidades KB-6FR, como combináramos, remeteu unidades KB-6W; isto é, em vez de full-range mandou woofer. E eu também não me apercebi do engano; instalei os KB-6W como se foram KB-6FR. E produziu um baita resultado! Ter-se-á cumprido a “lei” do encadeamento das causas?

(CHICÓ – “Não sei; só sei que foi assim.”)

Igualmente é verdade que instalei nas minhas caixas de ferro frontais, que estavam desativadas, um par de KB-6FR, e as liguei em paralelo com as caixas em forma de meio ovo cortado ao comprido, sucata remanescente dos falantes “Clarity” Martin Logan... que eu destruíra nas minhas experiências exotéricas. Mas para continuar a utilizar a saída em 8 Ohms dos meus singled-end 300B, introduzi no circuito das ex-caixas “Clarity”, e somente nesse circuito, um par de filtro de pico Notsch.

De novo cumpriu-se a “lei” do encadeamento das causas?

(CHICÓ – “Não sei; só sei que foi assim.”)

Além dessas “novidades” (pô! o que será ainda novidade para mim?), construí o subgrave em técnica autêntica do true infinite baffle, com dois falantes em paralelo, de 15 polegadas, Wharfedale, ressonância ao ar livre de 17 Hz!

E é a maravilha que estou a ouvir (!), a coisa melhor que fiz em sessenta anos de faz-e-desfaz. Por quê?

(CHICÓ – “Não sei; só sei que foi assim.”

(Nota: CHICÓ é personagem do livro
de Ariano Suassuna, “Auto da Compadecida”.)

Ao contrário de meu empirismo explícito acima demonstrado, em matéria de reprodução do som musical meu querido neto Vinícius Menezes tem este entendimento fundamentado:

Porque nunca será possível reproduzir a música
Com a mesma fidelidade do evento original
©Vinícius Menezes, neto de Holbein Menezes.

Papo de botequim.

Mesmo com o pouco conhecimento técnico que tenho desejo comentar o artigo de meu avô e de meu pai, ambos Holbein, sobre porque NUNCA será possível reproduzir música com a mesma fidelidade do evento original.

Começo por esclarecer a diferença entre o mundo digital e o mundo analógico. O mundo em que vivemos é dito analógico porque os eventos (todos, sem exceção) são únicos e contínuos. Isso é possível graças às abstrações matemáticas, porque com elas podemos provar que entre dois números inteiros temos um universo infinito de outros números. Podemos observar idêntico fenômeno em relação ao tempo, isto é, de que entre dois espaços de tempo distintos há infinitos momentos. Isso se dá porque a percepção humana jamais nota que os dois eventos foram únicos e ocorridos em momentos diferentes, para a nossa percepção ambos ocorreram "ao mesmo tempo". Na “verdade”, o Universo conspira para que sejam únicos.

Com o conceito do que é analógico em nossas cabeças nos perguntamos: "Que diabo vem a ser o mundo digital?". O senso comum entende que tudo que é digital é computadorizado, e tudo que é computadorizado gira em dois estados bem definidos: 1 e 0 (ou seus equivalentes, ligado e desligado, baixa frequência e alta frequência etc.). Essa é uma das poucas vezes que o senso comum acerta, mas não vamos nos enganar, isso é apenas metade da explicação. Porque o mundo digital nada mais é do que uma simplificação grosseira do mundo analógico. E por simplificação quero significar que descartamos no mundo digital informação inútil. Para transformarmos uma informação analógica em digital temos, invariavelmente, que trabalhar com amostras. Do mesmo modo como nos estudos estatísticos podemos questionar os métodos de amostragem, no mundo digital podemos questionar o que é inútil e o que não é.

E como é que tudo isso se aplica à alta-fidelidade? De várias formas. Uma das formas, e também a mais óbvia é questionar os conceitos do que vem a ser inútil e o que vem a ser útil quando colhemos dados de amostragem. Entretanto não devemos esquecer de que é impossível, com a tecnologia atual, ter uma amostragem o suficientemente grande a ponto de colher o universo das possibilidades do áudio, face, repito, às limitações das mídias óticas atuais. E tal se deve pelo fato de que os dados harmônicos mais importantes (e, portanto, apenas os que são universalmente inteligíveis) conseguem ser gravados. De outra parte, isso também explica porque um disco de DVD-Áudio possui um som mais claro do que um de CD, e porque as próximas mídias óticas deverão ter (sem sombra de dúvida) qualidade de áudio superior. Pela simples razão de que se aumentando a capacidade de armazenagem podemos aumentar a amostragem e, em consequência, aumentamos também a qualidade do som. Simples assim.

Não quero deixar de questionar os "argumentos quânticos" dos quais a indústria há lançado mão para vender melhor seus produtos. Muita pesquisa tem sido feita ultimamente levando a crer que em nível quântico (ou seja... no nível em que a matéria não mais existe, apenas energia via a famosa e=mc² ) existem apenas dois estados. Se isso for verdade, podemos um dia ter sinais digitais que se reproduzam com perfeição.
Simplesmente porque o mundo terá "deixado de ser analógico". Nesse dia (por estarmos trabalhando com energia pura) estaremos enterrando os sofisticadíssimos cabos de ouro, cobre e outras vias do “hi-end”. Tudo será transmitido em fibra ótica.

(Nota final: estes textos são dedicados ao Colega João Costa, da Ilha de São Miguel, Açores.)

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Mensagem  Mozarteano em 14/1/2014, 17:42

[quote="holbein menezes

Desde as geniais interpretações de Friedrich Gulda, de peças solo para piano (fantasias e sonatas), de Mozart (Gulda disse que “somente após intensivas e longas décadas de exploração das obras pianísticas de Mozart pode alguém considerar-se de verdade ter compreendido a real natureza das intenções do compositor”), desde a música para piano de Mozart à extravagante e grandiloquente “Grande Missa dos Mortos” de Hector Berlioz; mais conhecida com “Requiem”.

[/quote]

Qualquer debate que diga respeito a W.A.Mozart tem necessáriamente particular interesse, serei suspeito e tal como indic o meu avatar sou mais Mozarteano que o próprio Mozart Very Happy , e em abono da verdade já tive a oportunidade de discuitir a vasta obra do compositor em outros espaços online. Fui possuidor de toda a obra do catálogo Köechel publicado, vulgo KV.

Tendo eu sido possuidor igualmente de várias interpretações da mesma obra, quer seja em Ópera, obras corais e sinfónicas, vésperas, música de câmara, etc, etc,
Maria joão Pires, a soberba intérprete de Mozart, desde tenra idade que toca a obra do músico, também ela terá feito um intensivo estudo do mesmo, não sei qual ou quais a s conclusões a que ela terá chegado, as melhores com toda a certeza, mas alguém do meu círculo de amigos disse em tempos a propósito do compositor: Se Deus criou o homem, então a prova está em Mozart.

Concordo intgralmente, poderia dizer o mesmo também de J.S.Bach. Bom, para terminar bastava Mozart ter escrito Don Giovanni ( a ópera de todas as óperas), e o ''Requiem''(obra mais sublime que conheço no universo da música), para que o compositor fosse de facto de origem divina de que falei atrás.

Abraço
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Mensagem  holbein menezes em 14/1/2014, 20:11

Mozarteano, obrigado pelos seus doutos comentários.

Tenho toda a Obra Completa de Mozart, e a de J. S. Bach; em cedê. Mas como estou a migrar para o blu-ray dts 5.1, falei de Gulda que é em 5.1 mas não é blu-ray, é em devedê; mas no íntimo de mim mesmo gosto dos cedês da coleção completa cujas sonatas para piano são executadas em pianoforte; e o som do pianoforte é o som de Mozart.

Mas não considero a ópera "Don Giovanni" a obra-prima operística de Mozart; prefiro "Idomedeo", que é a primeira ópera-sinfônica da história.

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Mensagem  Mozarteano em 14/1/2014, 22:15

Caro Holbein,

O Idomeneo é uma obra muito bonita também como toda a obra de Mozart,  e igual modo muitos melómanos consideram o Cosi Fan Tutti como sendo a obra prima de Mozart, eu continuo a achar que D.Giovanni é a ópera de todas óperas de Mozart, e de toda a história da Ópera Vi-a vezes sem conta, e ouço-a igualmente vezes sem conta e sempre que a ouço reforço mais a ideia de ser a Ópera.
Da mesma maneira que os piano concertos nr 27 (KV595) e 23 KV488 estão para as salas de concerto, D.Giovanni está para os teatros de ópera

Se Maria Callas cantava com todas as dôres do mundo (nunca fui apreciador desta), W.A.Mozart compunha e escrevia com toda a alegria do mundo

Está a ver caro Holbein, o que dá gostar mais de Mozart do que o próprio Mozart terá gostado alguma vez dele próprio.

Abraço


Última edição por Mozarteano em 15/1/2014, 07:30, editado 1 vez(es)
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Mensagem  ricardo onga-ku em 14/1/2014, 22:31

Por falar em piano, recentemente descobri no Youtube uma maravilhosa pianista brasileira chamada Guiomar Novaes.
Como existem poucas gravações editadas em CD, e são todas caras, talvez o Mestre Holbein me possa sugerir alguma que seja excepcional…

Um abraço,
Ricardo


Guiomar Novaes (1895–1979)



Duas playlists disponíveis no youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=2TgV6PRnOcA&playnext=1&list=PL7174482019B85955&feature=results_main

https://www.youtube.com/watch?v=_vPGxusjeJ8&playnext=1&list=PLEB1475F850D535C0&feature=results_main[/quote]
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Mensagem  holbein menezes em 15/1/2014, 10:21


Mozarteano: Para mim um sujeito sério (ou audiotamente sério num Mundo do faz-de-contas), Don Giovanni peca pelo til de ópera bufa que Mozart não conseguiu esconder; gênero no qual Mozart após ser expulso da casa do Arcebispo e comer o pão que o diabo amassou, teve a que recorrer para "ganhar o sustento". Em Idomedeo, conseguiu; e se mais não fora bastava aquele trio de vozes, quase uma canção de ninar o filho de deus, Jesus;divino!

Ricardo, Guiomar Novaes, no tempo em que atuou foi considerada a melhor intérprete de Chopin; executou os Noturnos sem melifuidades tipo "luar de agosto"; quase tão vigoroso quanto Chopin das "Polonaise".


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Mensagem  holbein menezes em 15/1/2014, 13:36

O texto abaixo dedico ao Colega Mozarteano. Não se trata de um escrito original, em primeira mão; são comentários – agora e aqui resumidos e adaptados – que escrevi durante cinco anos para o Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, em Fortaleza, Estado do Ceará, para um programa chamado “Quinta Sinfonia”, que era exibido em devedê no "auditorium" do Centro Cultural todas as quintas-feiras.

Primeira Parte:

Wolfgang Amadeus MOZART

* Nasceu em 27 de janeiro de 1756, em Salzburgo, Áustria e morreu em 5 de dezembro de 1791, em Viena, Áustria. Desde os três anos de idade, Mozart manifestou dons excepcionais para a música. Quando tinha seis anos seu pai o levou para uma turnê, juntamente com sua irmã Nannerl. Foram à Linz, Munique e Viena. Tempos depois, conheceram Ausgsburgo, Mannheim, Mainz, Frankfurt, Bruxelas, Paris, Londres e Haia. Em toda parte o menino prodígio provocava entusiasmo. Conheceu as maiores personalidades da época: Goethe, o barão Grimm e, sobretudo, músicos cuja influência será decisiva: Schubert em Paris e Johann Christian Bach em Londres.

* O subtítulo "Gran Partita" da primeira peça do nosso programa de hoje não é de Mozart nem está na partitura original. Ignora-se quem batizou a obra com esse nome, mas acredita-se que se tenha originado dos comentários saídos nos jornais da época, após a primeira audição. Os jornais comentaram ser a peça "...uma grande e muito especial música para instrumentos de sopro..." Daí, talvez, o "gran". E "Partita" se deve às variações com que Mozart abordou o tema. A modalidade musical chamada “partita” consiste de músicas de danças sobre temas populares. Foi Bach quem deu à modalidade a forma de suíte. A suíte é um conjunto de músicas com ligação entre si, formando uma peça única.

Mozart possuía dois fraternos amigos, Ignaz Leutgeb, que tocava corne-inglês, e Anton Stadler, que tocava clarinete. Foi Stadler quem organizou a primeira apresentação da peça, ainda não acabada, em 23 de março de 1784. A composição é para dois oboés, dois clarinetes, dois cornes-ingleses, quatro trompas, dois fagotes e um contrabaixo.

* Uma Tarde com Mozart
Quintetos para Cordas e Clarinete.

Denomina-se música de câmara a música destinada a pequenos auditórios, em geral executada por conjuntos reduzidos. O termo vem do tempo em que nobres e senhores feudais traziam às salas (câmaras) de suas mansões músicos para tocar peças da preferência deles (nobres e senhores) e da de seus convivas. Os formatos mais comuns são o quarteto para instrumentos de cordas (dois violinos, uma viola e um violoncelo) e o quinteto, seja para instrumentos de cordas, seja misto. No programa de hoje teremos dois quintetos para instrumentos de cordas e um misto. Os quintetos para cordas compõem-se de dois violinos, duas violas e um violoncelo. No quinteto misto para clarinete, uma das violas é substituída pelo clarinete.

Uma curiosidade em relação ao clarinete é que este instrumento era desconhecido de Mozart no começo de sua curta mas fecunda vida de compositor (viveu apenas 35 anos; nasceu em 1756 e morreu em 1791). Sabe-se que Mozart encantou-se de tal maneira pela sonoridade do instrumento que resolveu reformar algumas de suas peças já prontas e inauguradas, para introduzir nelas o som do clarinete. Outra particularidade das obras de câmara de Mozart é que eram compostas para ser executadas por determinados músicos do seu círculo de amizades. Sua obra nº 370, Quarteto para oboé, foi escrito para Friedrich Ramm, a obra nº 407, Quinteto para trompa, foi escrito para Ignaz Joseph Leutgeb e o Quinteto para clarinete, Obra 581, que ouviremos hoje, foi escrito para seu íntimo amigo Anton Stadler.

* Segundo a opinião do maestro austríaco Nikolaus Harnoncourt - Mozart também era austríaco, diga-se de passagem - a música de Mozart é enigmática. Refere-se o maestro ao fato de a música de Mozart nos parecer familiar e, ao mesmo tempo, incomum. Uma contradição que Harnoncourt expressa assim: "Sem nada inventar que fosse inaudito e sem empregar técnicas musicais inéditas, ele conseguiu dar à música uma profundidade inigualável, utilizando exatamente os mesmos meios que seus contemporâneos. É um mistério que não alcançamos explicar e nem ao menos compreender."

* Wolfgang Amadeus Mozart.

O pai de Mozart, violinista Leopold Mozart, casa-se com Anna Maria Pertl em 21 de novembro de 1747. Em 27 de janeiro de 1756 nasce em Salzburg o sétimo filho do casal, que chega ao mundo com problemas de saúde. Fato que o pai Leopold registra na participação de nascimento: "Foi preciso retirar a placenta. A criança estava espantosamente fraca." Mas dá ao filho, talvez como forma de compensação, nome "espantosamente" extenso: Johannes Chrysostomus Wolfgand Gottlieb. Logo logo o nome de Gottlieb foi substituído pelo seu correspondente latino, Amadeus. Porém, não sei dizer por que Mozart fez crescer seu já comprido nome, de mais um, Sigismundus, assinando-se, além disso, com o nome do pai, Mozart (Carta ao pai, datada de Mannheim, 14 de novembro de 1777).

Já em 1759, com 3 anos apenas, o menino Mozart dá sinais de talento musical. Durante as aulas de música, que o pai Leopoldo ministra à filha Maria Anna, o garoto Mozart dedilha o piano com desembaraço.

O piano desse tempo não era igual ao piano de cauda dos dias atuais. Chamava-se pianoforte, uma evolução do clavicórdio, um instrumento de cordas e teclado do começo do século XVI, este, por sua vez, evolução do virginal da Idade Média. O pianoforte da época de Mozart cobria apenas cinco oitavas, e pesava 175 libras - cerca de 80 quilos -, enquanto que o piano moderno cobre seis oitavas e pesa o dobro. Oitava é o intervalo, ascendente e descendente, entre as sete notas da escala diatônica - Dó,Ré,Mi,Fá,Sol,La,Si (em brasileiro as sete notas musicais escrevem-se com maúsculas). Isso quer dizer que, no teclado do pianoforte o Dó (ou qualquer outra nota) repete-se cinco vezes, enquanto no teclado do piano moderno repete-se seis.
Os concertos de hoje, obras para piano, numeradas 37, 41 e 175 (em Mozart, a numeração sequencial de suas obras precede da letra K. Deve-se isso ao fato de ter sido um cidadão austríaco, Ludwig Ritter von Koechel, quem organizou a sequência da obra de Mozart.), não são os primeiros concertos para piano de Mozart. Os primeiros concertos foram extraviados, e devem ter sido compostos em mui tenra idade, aí pelos oito/dez anos, uma vez que o Concerto para piano K.37, o primeiro que ouviremos hoje, foi composto aos 15 anos!

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Mensagem  Mozarteano em 15/1/2014, 17:44

Caro Holbein,

Muito obrigado por esta passagem ''musical'' e textual na história da música de Mozart e no fundo uma ''dedicatória a mim próprio'' , pois o meu aka é precisamente Mozarteano e sendo eu um amante incondicional do compositor, não podia estar mais agradecido e qui-ça, lisongeado.

É verdade, Mozart como a maioria dos músicos na altura morreu na mais profunda miséria, não sei se terá sido resultado das folias que eram habituais na época ou se a própria Aústria tratava menos bem os musicos que produzia, obrigando estes a percorrerem longos dias de viagem e procurando outras paragens onde fossem melhor acolhidos.

Mozart terá sido atirado para uma vala comum, indo com ele toda a sua história, mas deixando a sua obra que perdura e perdurará após 300 anos da sua morte.

Leopold Mozart, o pai deste génio também compunha, e a Sinfonia dos Brinquedos é prova disso. Enfim, muito haveria a escrever e dizer.

Abraço
Mozarteano
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Mensagem  holbein menezes em 15/1/2014, 19:30

MOZART PARA Mozarteano:

Segunda Parte:

* Horowitz começa titubeante. Nota-se que está ainda frio, os dedos parecem duros. Por isso (a meu ver) toca um Mozart, digamos, burocrático, sem virtuosismo. Sente-se-lhe a dificuldade de articulação. Tanto que após o curto número, esfrega as mãos no sentido de aquecê-las, leva-as à boca, sopra sobre elas, respira fundo, e começa a tocar a Sonata K. 333, também de Mozart. (A letra K, aposta às obras de Mozart, quer significar Koechel, que foi o musicógrafo - Ludwig Ritter von Koechel - que catalogou as obras desse autor.)Horowitz sai-se brilhantemente. Essa sonata de Mozart, com pianíssimos e poucos fortes, um tanto contida, talvez reflita o estado de espírito do compositor à época. Mozart estava em Munique, chegado de Salzburg, em cuja cidade não se dera bem. Em uma carta que escreveu ao pai, datada de 16 de dezembro de 1780, disse: "Na próxima segunda-feira fará seis semanas que saí de Salzburg; por Deus, se dependesse de mim, desta vez, antes de minha partida, limparia bem o meu traseiro com o maior capricho." Ou seja, Mozart talvez tenha posto nessa sonata, em notas musicais indecisas, os escatóis que tencionou deixar em Salzburg...

Os modernos estamos acostumados a pensar que barroco é coisa velha, e em música é música antiga, da sólida e bem-estruturada e duradoura sociedade aristocrática feudal, música cheia de floreios e arabescos, que se tocava em salões da nobreza afortunadamente defunta (E já foi tarde!). Segundo, porém, Rousseau (Jean Jacques Rousseau, político, filósofo e escritor, natural da Suíça, 1712-1778) "...música barroca é aquela cuja harmonia é confusa e sobrecarregada de modulações e dissonâncias, cuja melodia é dura e desnaturada, cuja entonação é difícil e cujos movimentos parecem forçados."

E agora? Que é o barroco? Música da sólida e bem-estruturada sociedade feudal ou "música de harmonia confusa" segundo Rousseau? Na resposta é preciso ter presente que o filósofo Rousseau, quando deu aquela sentença, referia-se ao significado primitivo do termo barroco, de algo extravagante, bizarro e até um tanto bárbaro. Porque somente no século XIX o barroco passou a demarcar um período na história da arte em geral e da música em particular, período de estilo específico que durou da segunda metade do século XVI até o início do século XVIII.

De outra parte, o barroco em música não é só floreio e arabesco, retrata também os conflitos da época, sobretudo os conflitos entre o espiritual (leia-se Igreja) e o temporal (leia-se Estado), entre o místico (a religiosidade) e o terreno (o hedonismo feudal). O maçom Mozart (barroco) e o agnóstico Mahler (romântico) ambos debruçam-se de forma semelhante diante desses contrastes e mistérios da vida.

A Sinfonia nº 35, em Ré maior, de Mozart (que ouviremos hoje), foi composta por obrigação e não por inspiração. É o próprio Mozart quem dá conta do fato em carta ao pai, datada de 20 de julho de 1776: "...  escreverei (a sinfonia) à noite, pois de outro modo não o conseguirei; e que tal sacrifício seja por vós, meu muito querido pai..." Mas por que obrigação? E por que sacrifício? É sabido que Mozart atravessava um ano (1776) de intensos e inúmeros trabalhos (data desse período a ópera O Rapto do Serralho, que marca o nascimento da ópera alemã). Recebendo do prefeito (burgomestre) de Salzburgo encomenda de uma sinfonia para comemorar a ascensão dele burgomestre à qualidade de "nobre", não viu maneira de recusar o pedido. Porém ficou chateado por tal obrigação e...  e um tanto despeitado. (Mozart também aspirava em silêncio o enobrecimento sem nunca tê-lo conseguido). Escreveu ao pai: "A maioria dos grandes senhores tem espantosos paroxismos confusos." Assim, pois, em atmosfera emocional contrariada e frustrada criou Mozart a Haffner, como é também conhecida a Sinfonia nº 35. (Haffner, porque o burgomestre de Salzburgo chamava-se Sigmund Haffner.)

Missa é a celebração do serviço da Eucaristia, serviço que recorda o sacrifício de Cristo; missa em música é uma composição alegórica, salientando partes do serviço da Eucaristia. A Eucaristia tem origem na ceia do Senhor descrita pelos evangelistas Mateus (Mt. 26.26-30), Marcos (Mc 14.22-26) e Lucas (Lc 22.14-20). Stabat Mater é uma música alusiva aos sofrimentos de Maria, mãe de Jesus, diante do  filho crucificado.

A "Missa brevis" que ouviremos hoje foi composta por Mozart em 1779, em Salzburg  (Koechel 317). Os anos 1779 e 1980 Mozart passou-os em Salzburg. Apesar de maçom, compôs nesse período além da "Missa brevis" a "Missa solemnis" (Koechel 337) e mais duas vésperas, Koechel 321 e 339.  (Vésperas, cerimônia da Igreja Católica que acontece na hora do entardecer; tem esse nome em alusão à hora em que o planeta Venus costuma aparecer no firmamento).

Qual o motivo desse "devotamento" repentino de Mozart aos santos ofícios da Igreja romana? Mistério!... Todavia... É sabido que Mozart não gostava da cidade de Salzburg. Em carta ao pai, datada de janeiro de 1779 escreveu: "Juro-lhe pela minha honra que não gosto de Salzburg e de seus habitantes (refiro-me aos salzburguenses natos), sua língua e sua maneira de viver são-me completamente insuportáveis." Insuportável, Salzburg? Para responder esta indagação tentemos situar o significado daquele "todavia" reticente deixado de propósito linhas atrás: em carta do mesmo mês de janeiro e mesmo ano de 1779 Mozart escreveu ao Arcebispo de Salzburg, tratando-o por "Vossa Reverendíssima Graça! Venerável Príncipe do Santo Império Romano! Magnânimo Soberano e Senhor!" Por que tal rapapé? Ora, por quê?! Essa carta bajulatória ao Arcebispo de Salzburg - escrita com diferença de apenas alguns dias da carta desabafo escrita ao pai - destinava-se... Pois é, fora para pedir um emprego! Escreveu Mozart nessa sabujice nauseabunda: "... peço humildemente que seja decretada minha admissão como organista da Corte de Vossa Reverendíssima Graça... "

Parece que, no que concerne à hipocrisia, os tempos mudaram nada.

Naquele tempo retrógrado do século XVI, o "culto" e poderoso Arcebispo de Salzburg torcia o nariz à genialidade de Mozart; nem aí para ela. A música de Mozart só é considerada genial nos dias de hoje. Além de terapêutica! Pesquisa recente realizada nos Estados Unidos deu conta de "que candidatos submetidos a teste de QI logo depois de ouvir uma sonata do compositor Wolfgang Amadeus Mozart (sim, o nosso Mozart da Missa brevis que ouviremos hoje), tinham melhor desempenho do que os outros." Ainda: o neurologista estadunidense Gordon Shaw, da Universidade da Califórnia constatou que, nos epilépticos, a música de "Mozart parece reduzir impulsos cerebrais e diminuir convulsões"; nos portadores do mal de Alzheimer, "a memória de alguns pacientes é ativada quando ouvem melodias que escutavam antes da doença", e, nas lesões cerebrais, "a música é usada para tratar pessoas que perdem a fala, mas continuam capazes de cantar".

Tem mais: o psicólogo Eric Seigel, do Elmhust College, de Illinois, nos Estados Unidos, "mediu tempos de reação para respostas de testes de orientação espacial" e concluiu que a música de Mozart produzia boa influência nos candidatos a astronautas; o neurologista John Hughes, do  Centro Médico da Universidade de Illinois, em pesquisa que fez junto com um colega musicólogo constatou que "os intervalos de níveis sonoros das composições de Mozart", que se repetem de 20 a 30 segundos, "podem ativar respostas cerebrais mais fortes." Porque "muitas funções do sistema nervoso central seguem padrões com ciclos de 30 segundos", o que explicaria a influência da música de Mozart sobre certas zonas corticais. Hughes notou ainda que "as ondas elétricas (nos eletroencefalogramas) se tornam mais atenuadas quando o paciente está ouvindo Mozart".

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Mensagem  ricardo onga-ku em 15/1/2014, 20:43

Finda a leitura irei escutar o Concerto para Piano nº 27 pela LSO com a direcção de Claudio Abbado e Rudolf Serkin ao piano.

Boas audições,
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Mensagem  holbein menezes em 16/1/2014, 00:14


Ricardo, ainda que eu goste muito do concerto nº 27, não gostaria de ouvi-lo sob a batuta do Abado; com Rudolf Serkin, vá lá, aceito, foi um excelente pianista embora não mozarteano... Para reger Mozart é preciso a simplicidade do Carlos Kleiber e para tocar, as mãos leves do Daniel Baremboim. Mozart é muito difícil, sua acentuação é tão especial e suave que leva a muitos extrapolarem. Mas se não temos tu, vai tu mesmo!

Escreva aqui sobre essa sua escuta.

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Mensagem  ricardo onga-ku em 16/1/2014, 09:25

Bom dia Holbein,

A minha paixão pelo período romântico deixou-me "cego" para as outras épocas da música erudita ocidental e esta é a única gravação que tenho da obra.
Foi-me emprestada pelo marido da minha sogra e faz parte de uma colectânea de várias dezenas de CDs com gravações efectuadas pelas várias editoras que pertencem ao Universal Music Group; como quase sempre nestes casos nem todas as gravações são de interpretações de primeira linha.

Quanto à gravação propriamente dita, confesso que a escutei com headphones enquanto trabalhava ao computador pelo que não dei à música a atenção que esta merecia…mas curiosamente reparei que alguém vai murmurando/gemendo de forma algo perturbadora durante a música, provavelmente o pianista.

Não é uma prioridade mas tenciono procurar uma gravação com instrumentos da época e vou ter em atenção a sua referência aos "dedos ligeiros".

Um abraço,
Ricardo
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Mensagem  Mozarteano em 16/1/2014, 12:07

Caro e prezado Holbein,

Não sei o que dizer, mas ao continuar a ler as suas memórias Mozarteanas, mais se fica a gostar de Mozart. A minha mulher tem também acompanhado os seus textos de dedicados a Mozart e ao ''Mozarteano'',  Very Happy e disse: Que senhor tão simpático este Holbein, é raro encontrar pessoas assim nos fóruns, não é? afirmou e perguntou ela em simultãneo Eu respondi, sim é verdade, e trata-se do Senhor Holbein, pessoa muito amada e respeitada em Portugal pela comunidade audiófila, por mim falo e julgo ser a opinião geral, e eu disse mais a ela, é um Brasileiro que escreve e fala com açucar, é doce nas palavras, afinal de contas o que é um Brasileiro?, é um ''Português'' que pôe açucar na forma de falar e escrever, tão simples quanto isso.

Holbein, nunca tive o previlégio de conhecer e falar pessoalmente consigo, mas sei que um repórter Português muito conhecido em Portugal já tivera o previlégio, pode ser que um dia eu também o tenha, não sei se no Brasil, duvido, porque é longe é sou avesso o calor carioca, sou mais amigo do frio mas em doses q.b.

Voltando ao tema que agora nos une, ao fim ao cabo Mozart é a ponte para unificação sentimental, a sua música é isso mesmo.

Continue a escrever que o meu ego agradece, a sua escrita e as sua memórias serão talvez um spa para a alma.

Abraço
Fernando Barbosa
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Mensagem  Mozarteano em 16/1/2014, 12:29

O piano concerto nr 27 para mim é a obra prima pianistica do compositor. É  o último dos concertos para este instrumento. Eu também tenho essa interpretação, gosto muito, e gosto de Serkin, e como Holbein disse e muito bem, este não será um Mozarteano puro em termos de interpretação pianistica, existem outros, estou a lembrar-me de Alfred Brendel, e ou Murray Perahia, ou a grande Maria João Pires, mas serkin é genial.

Porém quando se diz que ouve murmurios ou gemidos durante a interpretação, a mim não me incómoda particularmente, temos que pensar que o solista neste caso o pianista, cria uma relação de intimidade com a obra que está a interpretar, toca com sentimento, com entrega espiritual á obra, toca com paixão, isso no meu entender é o estado puro de um músico, é bonito sentir isso.

Qui-ça se Mozart também não o faria, algumas obras do compositor são o espelho disso mesmo, reflectem o estado de alma, e po vezes reflectem a profunda tristeza também do compositor, podia referenciar dezenas delas.

Na época as orquestras não tinham mais de 16 músicos e os pianos era denominados de ''forte, óbviamente que não terá a grandiosidade de um Leipzig, de Steinway & Sons, de um Bechstein, entre outros, são sonoridades bem distintas naturalmente, mas se o interesse me ouvir em instrumentos da época sugiro a falulosa label Loiseaux-Lyre, tem interpretações de Mozart geniais, com instrumentos da ''época'' ou similares, duvido é que as encontre nos dias de hoje, pelo menos em Portugal, são raras e bem caras.
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Mensagem  ricardo onga-ku em 16/1/2014, 14:12

Eu não tenho nada contra gemidos ou trauteados, desde que não os ouça.
E duvido que numa sala de concertos se ouça alguma coisa, a menos que a primeira fila seja colada ao palco.
Caso se tratasse de música de câmara ou um solo de piano, era mais provável que o espectador/ouvinte ouvisse os gemidos do Serkin mas no caso desta gravação específica (Deutsche Grammophon) isso significa que o microfone estava mal posicionado (demasiado próximo do piano), afectando o timbre do instrumento, alterando a perspectiva sónica e captando sons de accionamento do sistema mecânico do instrumento e outros ruídos indesejáveis como um gemido ou o ranger do banco do pianista...

R
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Mensagem  holbein menezes em 16/1/2014, 16:53

Ricardo:Tenho algumas gravações do gênio Glenn Gould; por exemplo, nas "As Variações de Goldberg" Glenn emite uns guinchos em pianíssimo iguais aos que o Keith Jarrett manifestou ao tocar "O Cravo Bem Temperado", de Bach. A Martha Argerich, de sua parte, se não emite chios articula os lábios conforme as notações da partitura. Talvez sejam cacoetes para lembrarem-se da escrita musical quando tocam de memória.

Chamo a atenção dos visitadores deste AUDIOPT para esse tipo de comentários que estamos a fazer: a MÚSICA sobre todas as demais coisas do processo de replicação musical. Porque por aí em fora só temos assunto quando se fala de cabos, colunas, ledores, equipamentos etc. E sempre a ocorrer a pergunta recorrente: um fusível de proteção altera a performance do conjunto eletrônico? um cabo de força... pode conduzir mais força? qual a marca de cabo de interconexão é melhor, do Manoel ou do Joaquim; ou aqui no Brasil varonil salve salve: do Zé ou do Chico?

Quando o que importa de verdade é a MÚSICA!

Por isso vou continuar a falar dos criadores da MÚSICA; e que me desculpem os audiotas daqui e d'além mar... Mesmo porque, minha gente, não tenho autoridade para falar de grifes se as não possuo; toda a parafernália da minha atual sala de escuta é home malfeita made. Breve vocês poderão ver e ler na revista AUDIO do Jorge Gonçalves. Talvez em março próximo. Aguardem.

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Mensagem  Mozarteano em 16/1/2014, 16:59

Caro Holbein,

Aguardamos claro, com muita ansiedade, e venham daí mais crónicas com açucar.

Abraço
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Mensagem  Valkilm em 16/1/2014, 23:28

holbein menezes escreveu:(CHICÓ – “Não sei; só sei que foi assim”).

Holbein Menezes.

Minha bagunçada (leiam: não “arrumada”) salinha “gessofilled”, de apenas 10 m², tem-se mostrado musicalmente mais prazerosa do que as salas anteriores que construí no Rio (50 m²) e em Florianópolis, (36 m²).

Soa muito confortável quão aprazível; desde o violino solo de Haroutune Bedelian, nas sonatas e partitas de Back, gravadas na linda igreja de Santo Antônio, em Tiradentes, Minas, até a monumental Segunda de Mahler, gravada na soberba e moderna sala Staatskapelle, de Berlim, regida por Pierre Boulez na feliz oportunidade de seu octogenário.

Desde as geniais interpretações de Friedrich Gulda, de peças solo para piano (fantasias e sonatas), de Mozart (Gulda disse que “somente após intensivas e longas décadas de exploração das obras pianísticas de Mozart pode alguém considerar-se de verdade ter compreendido a real natureza das intenções do compositor”), desde a música para piano de Mozart à extravagante e grandiloquente “Grande Missa dos Mortos” de Hector Berlioz; mais conhecida com “Requiem”.

A “salinha” degusta tudo sem repugnar nada. Incrível! Para satisfação de seu dono. Aleluia!
Mas não foi por acaso, ainda que eu não saiba por quais motivos foram; aconteceu um condicionamento mútuo que não consigo determinar; nem pretendo. Só sei que foi graças a minha atividade que se estabeleceu tal representação da causalidade. Por isso que, como ensinou Engels, “a atividade do homem é a pedra de toque da causalidade.”

Minhas caixas de falantes frontais são as mesmas desde faz cinco anos; é verdade que troquei as unidades de falantes, substitui os full-range Fostex pelos full-range KB-6FR Akron, do Paulo Ramos; e passei a usar os tweeters ribbon puro, também criação do Paulo.

Na traseira, continuo a usar as caixas-cano (cano de PVC de 20 cm de diâmetro e 1,40 m de comprimento) como suporte de falante. Mas... Pois é, houve um ”acidente”: por um descuido da vida, o perfeccionista Paulo Ramos ao invés de despachar as unidades KB-6FR, como combináramos, remeteu unidades KB-6W; isto é, em vez de full-range mandou woofer. E eu também não me apercebi do engano; instalei os KB-6W como se foram KB-6FR. E produziu um baita resultado! Ter-se-á cumprido a “lei” do encadeamento das causas?

(CHICÓ – “Não sei; só sei que foi assim.”)

Igualmente é verdade que instalei nas minhas caixas de ferro frontais, que estavam desativadas, um par de KB-6FR, e as liguei em paralelo com as caixas em forma de meio ovo cortado ao comprido, sucata remanescente dos falantes “Clarity” Martin Logan... que eu destruíra nas minhas experiências exotéricas. Mas para continuar a utilizar a saída em 8 Ohms dos meus singled-end 300B, introduzi no circuito das ex-caixas “Clarity”, e somente nesse circuito, um par de filtro de pico Notsch.

De novo cumpriu-se a “lei” do encadeamento das causas?

(CHICÓ – “Não sei; só sei que foi assim.”)

Além dessas “novidades” (pô! o que será ainda novidade para mim?), construí o subgrave em técnica autêntica do true infinite baffle, com dois falantes em paralelo, de 15 polegadas, Wharfedale, ressonância ao ar livre de 17 Hz!

E é a maravilha que estou a ouvir (!), a coisa melhor que fiz em sessenta anos de faz-e-desfaz. Por quê?

(CHICÓ – “Não sei; só sei que foi assim.”

(Nota: CHICÓ é personagem do livro
de Ariano Suassuna, “Auto da Compadecida”.)

Ao contrário de meu empirismo explícito acima demonstrado, em matéria de reprodução do som musical meu querido neto Vinícius Menezes tem este entendimento fundamentado:

Porque nunca será possível reproduzir a música
Com a mesma fidelidade do evento original
©Vinícius Menezes, neto de Holbein Menezes.

Papo de botequim.

Mesmo com o pouco conhecimento técnico que tenho desejo comentar o artigo de meu avô e de meu pai, ambos Holbein, sobre porque NUNCA será possível reproduzir música com a mesma fidelidade do evento original.

Começo por esclarecer a diferença entre o mundo digital e o mundo analógico. O mundo em que vivemos é dito analógico porque os eventos (todos, sem exceção) são únicos e contínuos. Isso é possível graças às abstrações matemáticas, porque com elas podemos provar que entre dois números inteiros temos um universo infinito de outros números. Podemos observar idêntico fenômeno em relação ao tempo, isto é, de que entre dois espaços de tempo distintos há infinitos momentos. Isso se dá porque a percepção humana jamais nota que os dois eventos foram únicos e ocorridos em momentos diferentes, para a nossa percepção ambos ocorreram "ao mesmo tempo". Na “verdade”, o Universo conspira para que sejam únicos.

Com o conceito do que é analógico em nossas cabeças nos perguntamos: "Que diabo vem a ser o mundo digital?". O senso comum entende que tudo que é digital é computadorizado, e tudo que é computadorizado gira em dois estados bem definidos: 1 e 0 (ou seus equivalentes, ligado e desligado, baixa frequência e alta frequência etc.). Essa é uma das poucas vezes que o senso comum acerta, mas não vamos nos enganar, isso é apenas metade da explicação. Porque o mundo digital nada mais é do que uma simplificação grosseira do mundo analógico. E por simplificação quero significar que descartamos no mundo digital informação inútil. Para transformarmos uma informação analógica em digital temos, invariavelmente, que trabalhar com amostras. Do mesmo modo como nos estudos estatísticos podemos questionar os métodos de amostragem, no mundo digital podemos questionar o que é inútil e o que não é.

E como é que tudo isso se aplica à alta-fidelidade?  De várias formas. Uma das formas, e também a mais óbvia é questionar os conceitos do que vem a ser inútil e o que vem a ser útil quando colhemos dados de amostragem. Entretanto não devemos esquecer de que é impossível, com a tecnologia atual, ter uma amostragem o suficientemente grande a ponto de colher o universo das possibilidades do áudio, face, repito, às limitações das mídias óticas atuais. E tal se deve pelo fato de que os dados harmônicos mais importantes (e, portanto, apenas os que são universalmente inteligíveis) conseguem ser gravados. De outra parte, isso também explica porque um disco de DVD-Áudio possui um som mais claro do que um de CD, e porque as próximas mídias óticas deverão ter (sem sombra de dúvida) qualidade de áudio superior. Pela simples razão de que se aumentando a capacidade de armazenagem podemos aumentar a amostragem e, em consequência, aumentamos também a qualidade do som. Simples assim.

Não quero deixar de questionar os "argumentos quânticos" dos quais a indústria há lançado mão para vender melhor seus produtos. Muita pesquisa tem sido feita ultimamente levando a crer que em nível quântico (ou seja... no nível em que a matéria não mais existe, apenas energia via a famosa e=mc² ) existem apenas dois estados. Se isso for verdade, podemos um dia ter sinais digitais que se reproduzam com perfeição.
Simplesmente porque o mundo terá "deixado de ser analógico". Nesse dia (por estarmos trabalhando com energia pura) estaremos enterrando os sofisticadíssimos cabos de ouro, cobre e outras vias do “hi-end”. Tudo será transmitido em fibra ótica.

(Nota final: estes textos são dedicados ao Colega João Costa, da Ilha de São Miguel, Açores.)  

Boas Noites,

Caro amigo, tomo a liberdade de usar esta palavra, pois "amigo" infelizmente nestes dias que correm é tipo uma espécie quase em vias de extinção, pois se por vezes nem os nossos dentes são nossos amigos, quem mais poderá ser?

Ainda não consegui "digerir" todo o fantástico texto com que tive a honra de ser brindado, na realidade tais considerações deixaram-me perplexo, a considerar algumas "verdades" da vida que se pode ler nas suas entrelinhas...

No que concerne ao Audio e do que dai advém, por vezes penso que tudo vem dar a uma questão muito simples: o prazer que tiramos de toda esta tecnologia, todas as sensações que nós simples mortais podemos retirar de equipamentos que nos dão prazer...

Antigamente, (apesar de eu ter "apenas" 45 anos esta palavra assombra-me por diversas vezes) uma simples cassete ou uma emissão de rádio dava um imenso prazer de ouvir...quer dizer na altura eramos "inferiores" ou assombrados por tecnologias também inferiores? então porque naquela altura tudo parecia mais simples e mais agradável? agora parece-me que todos andamos sempre atrás de mais e mais, de melhor e esquecemo-nos que já nos contentamos com muito menos, que nos dava muito mais...

Hoje em dia a camada jovem contenta-se (sou testemunha pela minha filha de 10 anos) com qualquer equipamento de som que lhe transmita as sonoridades dos seus artistas favoritos, fico a olhar para ela a perguntar-me como consegue gostar de ouvir assim sem qualidade nenhuma e chego à conclusão que ou sou demasiado perfeccionista ou que esta camada jovem vive num mundo diferente e sem aspirações...mas na realidade quando coloco o seu cd favorito no meu sistema ou então ela ouve no seu tablet através do youtube e reproduzido pelo minúsculo altifalante, o sorriso dela é o mesmo e se pergunto se gosta mais de ouvir pelo meus sistema ou pelo tablet responde: é igual pai, mas por vezes gosto mais do tablet!!!

Ai fico completamente "perdido" e pergunto afinal se o HiFi é para os mais "velhos"?...

Bom mas isto são divagações de um simples insular que vive rodeado de mar por todos os lados...esta imensidão de mar assemelha-se a esta imensidão da internet onde podemos encontrar pessoas assim como este amigo Brasileiro, que mesmo longe e do outro lado do mundo consegue criar amizades e admiradores, tal como eu...


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