Espaço Holbein Menezes

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  ricardo onga-ku em 21/2/2011, 10:08

Caro Holbein,

Gostava de lhe sugerir que colocasse a data em que os artigos foram escritos junto ao título dos mesmo.
Acha possível?

p.ex.: Jornal 23 – PRODUTOS KARAN, da Iugoslávia (Janeiro de 2003)

Tenho estado a deliciar-me com as suas escritas, algumas delas já nossas conhecidas aqui do fórum.

Um abraço,
Ricardo

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"O homem, uma vez abdicando da razão,
não tem defesa contra o absurdo, a monstruosidade,
e tal como um navio sem leme fica à mercê dos ventos.
A esses, a credulidade toma o leme da mão da razão
e a mente converte-se num naufrágio."

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  ricardo onga-ku em 21/2/2011, 10:13

holbein menezes escreveu:Pena que eu não tenha mais os textos que escrevi para a revista AUDIO, de Lisboa. Será que meu amigo-irmão Jorge Gonçalves disponibilizaria tais matérias para eu guardá-las no meu AudioLiberum? Textos que lhe não custaram nada, feito na base da amizade?
Quem de vós se oferece para falar com o Jorge sobre?.

Já que removeram o texto podiam também apagar a mensagem... Cool


Última edição por onga-ku em 2/3/2011, 15:35, editado 1 vez(es)

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Comentários de um filósofo aposentado.

Mensagem  holbein menezes em 1/3/2011, 13:32


"Tudo tem sua beleza, tudo tem sua virtude..." Mas também tudo tem sua feiura, tudo tem sua ignomínia; porque não há o alto sem o baixo, nem o preto sem o branco. Só há os espertos porque existem os ingênuos; da mesma maneira como só são audiopatas quem já foi audiófilo...

Ou o contrário, os audiopatas menos “atacados” podem tornar-se audiófilos, e estes, aleluia! evoluírem até se transformarem em musicistas. Que não são só quem toca música mas, e principalmente, quem gosta de música. Sobretudo de escutar música! Que é diferente de ouvir música.

"Cada ouvido elege...". Não é bem assim, mesmo porque ouvimos o que desejamos ouvir, e esse "desejamos" está prenhe de necessidades emocionais e idiossincrasias pessoais. Ora, porque quando se dá bom e rico dinheirinho para ter-se 22.2 canais de som, ouvir-se-ão... 22.2 canais de som; pelo menos no nosso particular departamento de vaidade a serviço da necessidade de poder. Não conheço ninguém que tenha despendido 100 mil dólares por um conjunto eletrônico para a reprodução do som que não "ouça" 100 mil dólares de som; quando nada, de começo, isto é, até que despenda 200 mil dólares por outro conjunto; e aí o de 100 mil dólares... não passava de uma mer&@...

Não falei 22.2 canais de som musical mas de som, aqui incluído o ruído nasalizado dos espúrios da rede elétrica pública ou o atroar da ressonância das caixas de madeiras malfeitas. Em frente ao meu apê há uma oficina de som para automóvel, um deus-nos-acuda de milhares de watts e nem sequer um reles milivolt de música...

Albert Einstein escreveu carta a Sigmund Freud a pedir que ele explicasse porque os homens se destruíam em guerras; Freud respondeu: porque a formação de caráter dos homens é assim, destrutiva, e ninguém pode fazer nada para tornar o caráter dos homens não destrutivo. Teorizou Freud: há o instinto básico de vida sem o qual não haveria vida, mas há, igualmente, o instinto básico de morte sem o qual não haveria morte, também. E a vida, segundo a psicanálise, é sempre o resultado do bom equilíbrio entre esses dois instintos básicos. Assim somos nós.

Mas Freud não falou dos auto-destrutivos: 22.2 canais, pô, não há ouvido para tanto. Por isso, VIVA O FONE DE OUVIDO... que foi concebido para apenas dois ouvidos!

Assim como VIVA A SALA PEQUENA que não se mete a besta de tentar pôr dentro de 12/15 m², 90, 100 ou mais músicos! Ora, a melhor música praticada não é a de hoje, das grandes orquestras a se exibirem nos grandes teatros para gozo dos regentes pantomímicos, mas a de antanho, destinada a pequenos conjuntos e executadas em salões dos nobres e aristocratas. E foi para tais ambientes que Bach criou seu Cravo Bem Temperado ou seus Concertos de Brandenburgo; Mozart concebeu suas geniais quarenta e uma conhecidas sinfonias (do KV 16 ao KV 551(Jupiter) e seus dezessete geniais e belíssimos Quartetos de Corda e seus seis inigualáveis Quintetos de Cordas.

Por isso que isso é que é música, não é ruído nem barulho inda que gradeados (partitura) com os símbolos das notas e dos tons. E para ter essa música em casa inda que em conserva, tê-la nas nossas condições domésticas, os “apparatus” de milhares de dólares e a acústica dos Acústicos importados pouco ou quase nada acrescentam.

Sou testemunha e dou fé!

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Artigos Publicados na Revista Audio

Mensagem  sesmarias em 2/3/2011, 13:37

Ora viva, amigo Holbein

É com todo o gosto que volto ao contacto consigo, ao menos através desta mensagem singela que é escrita num curto intervalo entre duas apresentações, feitas num local bem distante da pátria portuguesa.

Como já é do conhecimento de muitos, o site da Audio e Cinema em casa foi finalmente remodelado. Dentro do âmbito desse site temos a secção Arquivos na qual iremos inserindo paulatinamente artigos publicados na revista há algum tempo, sob o formato PDF. Fica aqui desde já a promessa de que os seus artigos aí serão colocados num momento próximo. No entanto, uma vez que eles não estão no formato PDF, será muito provavelmente necessário fazer scans das páginas originais das revistas e converter esses scans em ficheiros PDF, o que poderá demorar algum tempo. Mas garantidamente tal irá acontecer. Fiquem portanto atentos a www.audio.online.pt ou audiopt.com (um domínio redirige para o outro).

Deixo aqui um forte abraço e a promessa de que aqui tentarei regressar logo que possível e então com uma mensagem mais alargada.

Jorge Gonçalves

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http://www.audiopt.com

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Que satisfação, Jorge!

Mensagem  holbein menezes em 2/3/2011, 16:35


Jorge,
Foi com imenso prazer que tive notícias suas. E, como sempre, de um homem cheio de compromissos a aproveitar raros espaços de tempo intermediários. De qualquer maneira, o prazer foi grande bem maior do que o tempo de folga que você dispõe.

Fico no aguardo da postura de meus textos em breve tempo no arquivo dO saite da AUDIO.

Dê por mim abraços na Maria da Luz e no Jorginho.

Seu para sempre amigo

Holbein.

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Um porre genial do professor RICARDO LABUTO GONDIM.

Mensagem  holbein menezes em 3/3/2011, 10:28

Aforismos, Desaforos e Dois Anúncios Classificados.
Ricardo Labuto Gondim.

I Parte.
Ontem tive uma noite daquelas. Voltei para casa dizendo que “foi tudo um grande erro” e acordei repetindo que “nunca mais beberei”. Tudo começou com uma pacata e virtuosa água tônica, corrompida noventa minutos mais tarde por uma bebida de cor azulada. Uma exótica aventura etílica que alguém aprendeu a fazer num vilarejo úmido, trinta milhas ao norte de Trichinópoli. Pelo que me lembro, a mistura envolvia quase tudo que o barman tinha na prateleira e alguns derivados de petróleo. Suponho ter ouvido um gato miando desesperadamente, mas não tenho certeza. Durante os trabalhos houve um princípio de incêndio logo controlado. Como infelizmente a coqueteleira foi salva, estou aqui “fechando a conta”, pondo o cargo à disposição do Criador.

Mesmo com alguns neurônios irremediavelmente perdidos, tenho o compromisso de entregar um artigo inédito ao site Audiodicas. Assim, contra minha própria vontade, sou obrigado a dividir meu mau-humor com você. Minha assistente, Miss Eleanor Ariadne Pibble irá digitá-lo, pois estou vendo todas as teclas ddoobbrraaddaass. Se algo sair errado, a culpa será dela.
A crítica inglesa é a mais influente do mundo: disseram que Colin Davis e Simon Rattle eram regentes – e até os alemães acreditaram.

Ouvi o causo numa das agradáveis mesas do Petisco da Vila, meu ponto de encontro aos domingos. A história foi contada pelo protagonista. O camarada terminou o affair com uma dama que – segundo ele – mentia patologicamente. Dias depois, recebeu da inconsolável mitômana o convite para assistir ao Fantasma da Ópera em São Paulo com todas as despesas pagas. A resposta teria sido mais ou menos assim (leia em voz alta para obter melhor efeito): “Queria deixar bem claro que o que me dá vontade de vomitar não é o fato da senhora me confundir com algum gigolô que costuma frequentar. É a suposição de que eu estaria disposto a ouvir o Fantasma da Ópera”. Nas palavras do sedutor, Andrew Lloyd Webber é o túmulo da música no ocidente. Como nunca mais beberei até o próximo domingo, não me atrevo a repetir as palavras com que endossei a assertiva. Você vai ter que se contentar com as dele.

Às vezes me vejo pensando que não podemos perdoar aos ingleses a invenção de Lloyd Webber, Colin Davis e Rattle. Então me lembro de que eles também inventaram Shakespeare...

Borges escreveu que organizar a estante de livros é também um modesto exercício de crítica. Aplicando o mesmo princípio à minha discoteca, julguei prudente omitir qualquer vestígio de Rattle. Vai que você me visita?

Não pude omitir Davis por sua parceria com a orquestra mais equilibrada do mundo, a Concertgebown de Amsterdã.
Se o DVD de Leopold Stokovsky pela EMI tem como irreparável defeito o próprio Stokovsky, tem também Pierre Monteux como bônus, o que justifica o investimento. Monteux rege O Aprendiz de Feiticeiro com a insofismável meticulosidade e precisão de quem estreou a Sagração da Primavera. Menino, você precisa ver isso. Rattle, eu lhe asseguro, nunca viu.

O repórter para Toscanini: “Que imagem o senhor tem diante de si quando rege a Eroica?” Toscanini, ignorando as possibilidades retóricas e marqueteiras da pergunta: “Allegro con brio”.

O repórter para Otto Klemperer: “Por que o senhor só rege com partitura?” “Porque eu sei ler música”.
O crítico Omar Castellan, da revista Áudio & Vídeo, definiu a Filarmônica de Viena numa frase memorável: “a mais sensual das orquestras”. O jeito inesperado como ela reage a cada batuta não deixa mesmo dúvidas: é a fêmea da espécie.
Um site como o Audiodicas é melhor do que qualquer site de mulher pelada. Aliás, por incrível que pareça, o que se mostra aqui é, em geral, muito mais barato de se manter.

Uma garota bonita pediu a Brahms que autografasse sua sombrinha. Ele escreveu os dois primeiros compassos do Danúbio Azul e acrescentou: “Infelizmente não é minha”.

Uma garota não tão bonita perguntou a Schubert: “Por que você só compõe música triste?” E o pobre Franz respondeu: “E por acaso existe outra?”.

Um crítico elegante poderia dizer que, apesar do som extraordinariamente cristalino e belo que extrai do piano, Alfred Brendel é um músico desprovido de imaginação. Eu, que sou desprovido de elegância, acho Brendel um chato.
A crítica mais fulminante que já li foi a do insuperável mestre Mário Henrique Simonsen, que chamou Ivo Pogorelich de “o pianista mais bonito do mundo”.

Não fique chateado comigo se você gosta de Davis, Rattle, Stokovsky (que o Prof. Simonsen chamava de “maestro de Hollywood”) e Brendel. Digo isso porque amo Schnabel, Solomon, Curzon, Anda, Mengelberg, Weingartner, Mitropoulos, Toscanini, Barbirolli, Ansermet, Monteux e muitos outros intérpretes que a maioria das pessoas não conhece porque só existem em gravações comprometidas pelo tempo. A Quarta de Mahler com Mengelberg, por exemplo, é insuperável – mas tem som de 1940.

Quem assistiu à série “The Music of Man” de Yehudi Menuhin (no Brasil, A Magia da Música), deve lembrar-se da ira do célebre violinista profissional e regente amador contra Glenn Gould. O episódio mostra Gould “regendo” o engenheiro de gravação durante a seção de mixagem dos cinco ou seis microfones que usou para gravar o piano. O que Menuhin chamou de “falsificação” eu chamo de “integridade”. Gould entendeu que uma gravação é uma gravação. Em sua busca obsessiva pela clareza, abdicou de tudo. Até mesmo do realismo (e às vezes, da beleza de som).

II Parte.
Falando em gravações, alguns engenheiros conseguem fazer com que o Steinway se pareça com um piano. Pelo sim, pelo não, Gulda não arriscou e ficou com o Börsendorfer.

É incrível como as fofocas correm. Volta e meia um crítico escreve sobre a discussão pública entre Glenn Gould e Bernstein antes da execução do Concerto n. 1 de Brahms em 6 de abril de 1962. É mentira, não houve discussão alguma. Bernstein expôs seu assombro diante da interpretação do pianista ao mesmo tempo em que lhe fez um elogio retórico – ainda assim, deselegante. Depois, Gould entrou sem dizer nada, sentou ao piano e juntos fizeram uma interpretação de beleza inquietante. Moral da história: poucas vezes no mundo da música um artista aceitou a oposição do outro com a nobreza fidalga – silenciosa e ao mesmo tempo eloqüente – de Glenn Gould naquela noite imperecível.

Ironicamente, a última gravação da vida de Glenn Gould foi sua estréia como regente. Ele dirigiu “O Idílio de Siegfried” na versão original que Cosima ouviu em seu aniversário (Wagner não pôs uma orquestra debaixo da janela dela, mas apenas 13 músicos). Isso diz muito sobre uma obra geralmente subestimada. Disponível em CD , a gravação de Gould diz muito mais.
Existem dois tipos de fagote: o francês, que tem som de violoncelo, e o alemão, que tem som de fagote. Eu não sei o que isso significa, mas deve significar alguma coisa.

Posso sugerir a gravação de uma música sublime e subestimada? Ok, mas vou sugerir assim mesmo. Experimente a Sinfonia n° 2 de Rachmaninov. Na versão de André Previn (Great Recordings of the Century, EMI Classics), o raríssimo e oportuno encontro da melomania com a audiofilia. Uma performance estupenda com som seco, preciso e claro. Na versão da Royal Philharmonic – que custa dez reais na padaria da esquina – outra experiência maravilhosa.

Ouvi a última versão da Primeira Sinfonia de Brahms com Celibidache, que é um concerto para tuberculose e orquestra. Cheguei à seguinte conclusão: no dia em que os engenheiros de som gravarem as orquestras com a mesma qualidade com que gravam as tosses, a audiofilia estará concluída.

Há muitos anos li no Jornal do Brasil a entrevista de um engenheiro de gravação, aposentado, que havia trabalhado com os gigantes da regência. Ele confessou que nunca entendeu o que os maestros – especialmente Karajan – queriam dizer quando lhe pediam um “som 3D”. “Só conheço dois tipos de som: o alto e o baixo. O resto eu nunca escutei”. Pessoalmente, acho que acústica e engenharia de gravação são ciências tão refinadas e complexas, que sobre muitos dos êxitos que conhecemos pairam as obras do acaso e da Providência.

No Requiem de Verdi regido por Toscanini, no Tuba Mirum você pode ouvir o maestro gritando “Piu forte! Piu forte!”. Durante o broadcast, o coro atendeu o comando do maestro de modo tão eficaz que foi preciso usar o registro do ensaio – que um técnico prudente teve o cuidado de gravar.

Toscanini pediu a um soprano famoso pelo dó de peito – e pelos próprios peitos – para cantar uma dada frase assim, assim. Lá pela quarta tentativa a mulher ensaiou um protesto. O maestro desceu do pódio e apertou seus “atributos”: “Ah, madame, se isso fosse cérebro!”.

Ainda Toscanini: uma diva agiu como diva durante todo o ensaio. Ao contrário do que se esperava, Toscanini não explodiu – foi até suave: “Senhora, queria dizer-lhe que as estrelas estão no céu. Aqui em baixo só existem bons e maus músicos, e a senhora pertence ao grupo dos maus”.

Puccini e Toscanini brigaram. O compositor tinha por tradição enviar panetones aos amigos no natal. Esquecendo-se da briga, a secretária mandou o acepipe para Toscanini. Quando soube, Puccini enviou um telegrama: “Panetone enviado por engano”. Toscanini respondeu: “Panetone comido por engano”. Anos mais tarde o maestro regeu a estréia de Turandot. No ponto em que o manuscrito autógrafo passava da caligrafia de Puccini para a de Alfano – que completou a obra – Toscanini calou a orquestra e voltou-se para o público do Scala de Milão: “Aqui o maestro morreu”. O público entendeu, saiu em respeitoso silêncio e voltou no dia seguinte para ouvir a conclusão da ópera.

Toscanini definia a si mesmo como um “contandino”, um camponês. Definitivamente ele não era um intelectual como Furtwängler, que vivia cercado de literatos e filósofos, ou uma personagem do jet set como Herr Karajan. Mas foi um grande homem, e na minha modestíssima opinião, o maior dos regentes. Sempre repito isso aos espíritos penetrantes que se julgam superiores porque ouvem a música que teimam em chamar de “erudita” – coisa que, aliás, não existe. Haydn, que consolidou a forma sinfônica e foi o mestre de Beethoven, era um homem ainda mais simples que Toscanini.

Numa noite dessas ouvi o prelúdio do III ato do Lohengrin com Mravinsky e São Petersburgo. Ai, Senhor, porque eles não gravaram o Anel?

III Parte.
Quando ouço a Filarmônica de Berlim hoje, depois de Abbado e Rattle, descubro que Hebert von Karajan era muito maior do que pensávamos.

Karajan foi gravar o Don Quixote de Strauss com Rostropovich. Quando o violoncelo entrou, um som horrível. “Slava – perguntou Karajan – sente-se bem?” Rostropovich sorriu: “Sim, mas veja: é um cavalo muito velho o que estou montando”.
Férenc Fricsay foi um dos maiores regentes de todos os tempos, mas poucos audiófilos o conhecem. A sonoridade das suas gravações pertence ao mundo dos melômanos. Já Vaclav Neumann nos deixou excelentes gravações – e você não tem desculpa se o desconhece.

Numa tarde de verão irrepreensível em Varsóvia, o Prof. Dr. Hermann von C. Phudör, PHD, meu orientador na Universidade de Breslau (onde pesquisei as virtudes teologais do número quatro – número da perfeição de todo tetrágono), me saiu com a seguinte pérola: “—São cinco as coisas que não existem: ex-anão, ex-corno, ex-veado, filho de prostituta chamado Júnior e reviewer de revista de áudio que não seja tratado como Herbert von Karajan, amado por metade da crítica e odiado pela outra metade”. “—Ossos do ofício”, retruquei. Reagindo com um gesto ao primarismo do meu comentário, o Dr. von C. Phudör completou: “Veja, por exemplo o Fulano da revista X, que escreve as coisas exatamente do jeito que eu penso. É um sujeito excelente, que não amiúde é tratado injustamente. Já aquele outro, o Sicrano, que só diz bobagens com que absolutamente não poso concordar, vive às expensas da mãe, cuja profissão adivinho sem esforço”. E suspirou: “—Quer saber? Ninguém entende de áudio. Só eu”.
Como a mim não foram dadas orelhas invulgares do Dr. von C. Phudör, posso ser perdoado ao dizer que alguns dos CDs da Telarc – venerados por muitos audiófilos – me soam como se tivessem sido gravados nos banheiros mais amplos do mundo.
Anúncio nos classificado de um jornal popular: “vende-se tapete de nylon e lã. Faça a alegria da patroa. Enfeite sua casa com um tapete mais fácil de lavar. Tratar com Ricardo: (21)9439-6250”.

O mesmo tapete num site ou revista de áudio: “vendo tapete audiófilo. Pêlos em liga especial de nylon de última geração em paralelo com fios de lã de bois almiscarados tosquiados na primavera. Permite a absorção linear dos graves e a dispersão uniforme dos agudos. Padronagem neutra. Fácil manutenção. Gondim (21)9439-6250”.

Depois de gravar seu ciclo de Beethoven na década de 1970, Karajan foi descansar nos Alpes. Ouvindo as prensagens de teste do material mixado, telefonou para a DG: “—Sinto muito, senhores, mas teremos de refazer tudo desde o princípio”. Os engenheiros e a direção da DG entraram em pânico, aquilo ia custar uma fortuna. Quando o maestro voltou de férias, levaram-no ao estúdio e imploraram para que ouvisse outra vez – e ele achou perfeito. Karajan decifrou o mistério: a altitude dos Alpes havia alterado sua pulsação. Segundo ele, os tempos da música têm relação direta com o ritmo cardíaco do regente. A Fundação Karajan pôs-se a estudar cientificamente o fenômeno sob o escárnio da imprensa, que chamou a pesquisa de “diletantismo”. Muito inadvertidamente, os resultados explicaram porque três maestros morreram regendo Tristão e Isolda, dois deles praticamente no mesmo compasso.
Muitos anos antes, Toscanini intuitivamente havia compreendido a questão, acelerando seus tempi na medida em que envelhecia. Por isso, ao contrário dos outros regentes, as gravações mais antigas de Toscanini são consideravelmente mais lentas do que as últimas. E também por isso é preciso avaliar com muito cuidado as teses de Celibidache.

Existe um mito sobre o tempo da música com Celibidache, mito que o próprio maestro ajudou a propalar. Jovem, Celibidache foi um homem invulgarmente bonito, oriental de bronzeado mediterrâneo, emplumado no pódio por uma indisfarçável hipertrofia do eu. Francamente, tinha mais aparência do que valor. Mas o talento estava lá: por volta dos quarenta anos revelou-se um regente muito maior do que prometia sua frívola juventude – uma espécie de Henrique V da música. Em idade avançada, sua perspectiva da noção de tempo mudou – mais por defeito da velhice do que por virtude de sua filosofia zen-budista da regência. Seus tempi dilatados – que vão muito bem em Bruckner, mas que podem ser constrangedores em Brahms e Beethoven – tendem ao extraordinário. Qualquer trechinho de transição numa música qualquer soa enorme, grandioso, monolítico... Aqui, meu caro, há sabedoria: não existe material mais humano do que o material de trabalho do regente. Ele é a voz de Deus e daquela Humanidade profunda que lateja em cada um de nós. Mas na medida em que ele mesmo tende à Eternidade, tende também à monumentalidade. Penso que isso acontece porque no maestro – e também em cada um de nós – existe uma centelha do Sagrado... que em certa fase da vida sente a nostalgia do infinito.

Viu? O mal-humor passou. Que Deus nos abençoe – e nos permita muitas audições.

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty De mim para mim, isso é o quê?

Mensagem  holbein menezes em 6/3/2011, 13:47


Cabotinismo?
Caduquice de velho?
Sinais precoces de senilidade?
Narcisismo?
Vaidade paroxítona?

Sei lá... Por que escrevo de mim para mim?
Vou consultar meu analista.

Holbein.


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Mensagem  ricardo onga-ku em 7/3/2011, 11:07

Caro Holbein,

Tendo em conta que o Mestre é homem batido nestas ondas da música, gostava de saber em que campo se posiciona nestas duas querelas com que me tenho deparado na minha fase de iniciação:

1. Acha o Mestre que um interprete deve interpretar ou apenas executar? Rubinstein ou Arrau?

2. Vê como imperioso o recurso a um instrumento de época e considera um sacrilégio que uma obra escrita para câmara seja tocada por uma sinfónica (ainda que com agrupamento reduzido)?

Um abraço,
Ricardo

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Seguir a partitura ou interpretá-la?

Mensagem  holbein menezes em 7/3/2011, 14:52

Diz o adágio italiano: "Traduttori, traditori"; ou seja, interpretar é tair a intensão do compositor; e todos matestros pantomímicos traem os criadores das obras; Karajan a interpretar Bach é levar a beatitude de João Sebastão para o paladar de Hitler! Não há melodia em Bach, disse-o Rotropovich; não há drama em Mozart; não há viadagem em Chopin; Chopin foi um revolucionário patriota e por açucar nos seus "Noturnos" melancólicos de saudade mas não depressivos é trair o patriota das "Polonaise".

É a isso, Ricardo, que eu chamo de "interpretar"

Ricardo Labuto Gondim, autor do magnífico e competente texto acima para a finada AudioDicas, foi isso que ele quis dizer. Os meus irmãos Portugueses ficaram atônitos, quedos, mudos, estupefactos, perderam a fala? As "revistinhas" que andam por aí a lavar cérebros, lavaram os cérebros de vocês também?

Holbein.

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Mensagem  manel1 em 7/3/2011, 17:47

Viva

Sendo fiel à minha natureza responderia à pergunta do onga-ku dizendo que apenas deve executar, pois como disse Holbein Menezes ''interpretar é tair a intensão do compositor'',estou de acordo com esta afirmação pois é uma verdade insofismável.

Ao longo de muitos anos, sempre me revoltei quando na rádio ouvia uma música da qual muito gostava interpretada por outro cantor. Habituado que estava à música original a nova versão ''arranhava'' os meus ouvidos, aquelas pequenas nuances que diferenciam uma da outra interpretação e ás quais estava tão apegado faziam toda a diferença.

Ultimamente vemos um sem número de ''músicos'' (para generalizar) a pegar em velhos temas e dar-lhe um ''cunho'' pessoal. Hoje em dia estou mais tolerante com esta prática e com frequência (nomeadamente na música Pop, Rock e Jazz) ouço canções e /ou interpretações que me agradam, para mais tarde descobrir que estas são uma nova versão de algo que já existia. O problema é que ao ouvir a versão original não poucas vezes reparo que para o meu gosto a nova interpretação é mais do meu agrado.

Quantos de vós já ouviram uma nova versão de um tema e pensaram:
- Até esta melhor, a anterior interpretação não me agradava. Ou então
- A letra e música original era boa mas a voz era uma lastima, assim já me agrada.

É sempre bom podermos aceder aos originais de grandes compositores e grandes bandas e ouvir assim a música como eles a criaram, de acordo com sua intenção. Mas, como em muitas coisas da vida quando executamos algo novamente (pelo poder da repetição, pelo facto de pensar uma segunda vez) pode ser que à segunda ou terceira tentativa saia melhor. É licito esperar que algo bom possa ser melhorado e que algo fraco possa vir a ser bom com algumas alterações. É certo que nesta dinâmica umas coisas resultam para melhor e outras nem tanto, mas é para isso que estamos cá não é? Para separar o trigo do joio, os nossos ouvidos deverão ser os juízes.

Os grandes mestres da música poderão hoje em dia ser considerados génios, mas quantos deles na sua época eram assim considerados. Como sabemos da capacidade do novo interprete fazer ou não melhor pegando em determinado arranjo?


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Mensagem  ricardo onga-ku em 8/3/2011, 10:12

Acho impossível efectuar paralelismos entre pop/rock e música "a sério" (como diziam os engenheiros da BBC).

No meu caso cresci a escutar o Arrau, interprete muito apreciado pelo meu avô paterno e de quem herdei algumas gravações em CD do pianista Chileno.
E confesso que as primeiras vezes que escutei os Concertos para Piano de Chopin por outros intérpretes tive alguma dificuldade em aceitar a leitura que estes efectuavam das mesmas peças.
Foi como se Chopin tivesse recuado no tempo, deixando o tardo Romantismo em direcção ao passado rígido e quase mecânico do período Clássico.

Tenho também neste momento gravações de Zimmerman, Rubinstein e Pires, e outra consciência da forma como os Concertos devem ser tocados, mas a gravação do Arrau, qui ça devido a algum saudosismo, continua a exercer em mim um forte fascínio.

Ricardo


Última edição por onga-ku em 8/3/2011, 11:56, editado 1 vez(es)

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  ricardo onga-ku em 8/3/2011, 10:16

Ricardo Labuto Gondim escreveu:Quem assistiu à série “The Music of Man” de Yehudi Menuhin (no Brasil, A Magia da Música), deve lembrar-se da ira do célebre violinista profissional e regente amador contra Glenn Gould. O episódio mostra Gould “regendo” o engenheiro de gravação durante a seção de mixagem dos cinco ou seis microfones que usou para gravar o piano. O que Menuhin chamou de “falsificação” eu chamo de “integridade”. Gould entendeu que uma gravação é uma gravação. Em sua busca obsessiva pela clareza, abdicou de tudo. Até mesmo do realismo (e às vezes, da beleza de som).


Vou arriscar que este tipo de intervenção na interpretação de música escrita conduz, na minha opinião, à desumanização do trabalho do intérprete.
Com a tecnologia existente hoje em dia o Mister Gould poderia efectuar a gravação perfeita sem sequer tocar nas teclas do seu piano...

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Interpretações ou "arranjos"?

Mensagem  holbein menezes em 8/3/2011, 11:43

Boas intervenções, a do Manel1 e as duas do Ricargo “onga-ku”.
Também, como vocês, não sou saudosista; pelo contrário, gosto do novo, da nova maneira de ver, e adorarei o novo mundo que surgirá das cinzas da crise estadunidense.

Situemos as coisas: as partituras dos compositores antigos desde Cláudio Monteverdi não continham indicações pormenorizadas nem mesmo quanto o importante fator “tempo”. Nesse caso, o intérprete tem o direito e mais que direito a obrigação de, ao estudar a obra à luz das situações concretas e biográficas dos compositores, “entender” sua intenção.

Por exemplo: na partitura mais próxima da “original” que se perdeu... Beethoven, nos rascunhos, escreveu de próprio punho o título da sinfonia: “Sinfonie característica”. Em alemão (não é por acaso que sou Holbein...):”Die Erinnerungen Von dem Landlben” – tradução: Sinfonia Característica. Memórias da vida campestre”. Mas trazia a seguinte observação: “o ouvinte deve compreender as situações por si mesmo”.

Quando a sinfonia ficou pronta e Beethoven deu o significado dos movimentos (como era moda naqueles tempos), escreveu apenas: “Mais expressão de sensações do que pinturas – ou seja, descrição.”

Temos, pois, o direito de cismar: há na verdade, por parte do autor, a intenção de reproduzir musicalmente uma TEMPESTADE seguido dos momentos de bom tempo, ou a TEMPESTADE é a “expressão” sonora “de sensações” de desespero que o raivoso compositor experimentava por saber-se surdo ou quase? Nesse caso, por que os momentos de “bom tempo”?

Nenhum maestro dará desse estado cismarento a interpretação exata do autor; mas também não tem o direito, como fizeram muitos Regestes à frente Mestre Von Karajan, de transformar a “tempestade” num conjunto de troar de canções... Mesmo porque Beethoven escreveu a sinfonia para ser tocada por 70 instrumentos a maioria dos quais, instrumentos de madeira como flautas, oboés, fagotes e contrafagotes etc.

Haydn e Mozart escreveram para orquestras de 33 músicos; levar a Sinfonia nº 40 de Mozart com uma orquestra moderna plena pode ser tudo mesmo Mozart.

Mas não vou passar para o outro lado e dizer que o pianoforte para o qual Mozart escreveu suas dezoito sonatas soam mais eufônicas do que se tocadas num piano de concerto moderno; não soam. Mas no pianoforte soam mais soturnas, menos vibrantes, e eu ousaria dizer, são menos o “espírito” brincalhão e gozador de Mozart que adorava criar atonalidades as quais o pianoforte não ensejava.

Outro exemplo: as seis “suítes para violoncelo solo” de Bach, na interpretação dura e seca do Pablo Casals e do Mstislav Rostropovich, pode representar o espírito matemático de Bach, mas a interpretação açucarada que lhe deu o brasileiro Aldo Barizot, agrada-me sobremaneira; mas já não me agrada tanto as ousadas modificações que fez o violoncelista Anner Bylsma no Servais da Sociedade Snithsonian, acrescentando ao instrumento original três cordas graves de metal....

Quanto ao pianista perfeccionista Glenn Gould, bem, esse era um gênio e aos gênios perdoa-se tudo.
Holbein.

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  lore em 8/3/2011, 12:10

ao nao dar indicaçoes precisas sobre isso , nao quererá o compositor dar espaço para varias interpretaçoes diferentes da sua obra ?
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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty À Administração.

Mensagem  holbein menezes em 9/3/2011, 13:14


Peço aumentar o tempo para utilização de respostas;estava a responder ao "lore" e de repente o texto some, o tempo limite passara...

Com isso essa Administração conduz-nos para respostas sem profundidade nem basamento. Fica uma coisa simplória que favorece as respostas "Bom! Muito bom" que não dizem nada. Por que é bom? Mas o tempo acaba-se num piscar de olhos.

Assim não dá.

Quem quiser receber respostas pensadas, estudadas, responsáveis, clique em. No meu saite não há limitação nem de tempo nem de palavras. Somos livres! De verdade!

Holbein.[b]

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  Machado em 9/3/2011, 15:30

Para evitar que o que houver escrito, entretanto, desapareça, talvez escrever o texto num processador de texto externo e depois cortar e colar para a mensagem do forum?

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  VTR© em 9/3/2011, 15:43

Haja humor...
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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Seria risível se não fosse trágico.

Mensagem  holbein menezes em 9/3/2011, 18:25

Meu caro VTR, não só me capam o tempo, que é o do saite e não o necessário para uma resposta responsável; note que me castraram o nome do meu saite onde estou a sua disposição para falar com o Brasil e seu Portugal querido pelo tempo que quiser!

Mesmo porque de "mau humor", desisto de vez!

Pra valer!

Holbein.


Última edição por holbein menezes em 9/3/2011, 18:33, editado 2 vez(es)

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Masoquismo,não!

Mensagem  holbein menezes em 9/3/2011, 18:31


Isso, Machado, seria a prática moderna do masoquismo... Camões escreveu seu "Lusíadas" a mão, muitas vezes até mandar para a gráfica. Hoje, se ele agisse assim seria não o gênio que foi mas um doido a tentar atirar pedras na Lua...

Holbein.

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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  Machado em 10/3/2011, 10:52

Referia-me a processadores de texto externos a este site, Word ou Word Pad, por exemplo. Seria melhor escrever num destes e depois marcar o que se escreveu, copiar e colar no espaço de resposta do site. Para não estar limitado à temporização. Nada a ver com maquinaria ou teclar fora do computador...
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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Aos moderadores

Mensagem  holbein menezes em 11/3/2011, 17:01

Que são, entre outros, meu fraternal amigo Ricardo França (onga-ku), EU e outros diletos amigos:

Por que foram retiradas do ar duas mensagens meio "aborrecidas" (leia-se: p.davida) que eu mandei, foram divulgados no "Espaço" e aqui não estão mais?

Censura!?!

Salazar já morreu, minha gente!

Fiquiei deveras meio-pt.

Holbein, carrancudo!

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Mensagem  ricardo onga-ku em 26/3/2011, 09:53

Um Concerto em dBs

Um audiófilo levou um Medidor de Nível de Pressão Sonora para o ensaio de um concerto de Música Sacra.
O agrupamento era composto por uma pequena orquestra de cordas, quatro dezenas de vozes femininas e duas solistas.

Sentou-se na segunda fila e o NPL máximo registado neste lugar foi de 86dBs, tanto com o coro e a orquestra como com a solista e a orquestra, e o valor médio situou-se entre os 76 e os 80dBs.

Segundo o autor da experiência os valores máximos teriam facilmente atingido mais 10dBs se os naipes das madeiras e dos metais fizessem parte da orquestra.
Refere ainda que os violinos soavam menos brilhantes e as baixas frequências eram mais fortes e bem definidas do que é habitual na maioria das gravações.

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Mensagem  paulo_m em 27/3/2011, 01:31

onga-ku escreveu:
Um audiófilo levou um Medidor de Nível de Pressão Sonora para o ensaio de um concerto de Música Sacra.
O agrupamento era composto por uma pequena orquestra de cordas, quatro dezenas de vozes femininas e duas solistas.

Sentou-se na segunda fila e o NPL máximo registado neste lugar foi de 86dBs, tanto com o coro e a orquestra como com a solista e a orquestra, e o valor médio situou-se entre os 76 e os 80dBs.

Um fff de orquestra moderna consegue facilmente dar picos que ultrapassam os 100 dB, por isso não é de estranhar que numa orquestra menor e num cenário mais íntimo os dBs estejam nas gamas indicadas. Aliás, medindo as intensidades de vários tipos de música clássica a níveis "realistas" no meu sistema, os valores indicados estão de acordo com a minha experiência.

onga-ku escreveu:Segundo o autor da experiência os valores máximos teriam facilmente atingido mais 10dBs se os naipes das madeiras e dos metais fizessem parte da orquestra.

Os valores médios de cada tipo de instrumento na gama pp-ff, medidos a 10 m são:

Cordas - 45-60
Madeiras - 50-60
Metais - 60-75

(ainda que enquanto solistas cada um dos instrumentos tenha obviamente uma gama mais larga)

onga-ku escreveu:
Refere ainda que os violinos soavam menos brilhantes e as baixas frequências eram mais fortes e bem definidas do que é habitual na maioria das gravações.

Pondo de parte o factor das gravações, há também a ter em conta que a construção do instrumento introduz diferenças significativas. Isto é particularmente notório quando se comparam instrumentos de época com instrumentos modernos. Quem já tenha ido a concertos de música antiga já deve ter percebido que normalmente a música toca mais "baixinho" do que num concerto com uma orquestra moderna que tenha os mesmos efectivos. Em geral, isto está relacionado com as diferenças de "tom" do instrumento, que tende a ser mais "redondo" nos instrumentos antigos, com uma curva de resposta mais uniforme e suave (há um estudo de acústica comparando um Stradivarius de 1713 com um violino vulgar, indicando diferenças nos picos de frequência de 3-5 dB entre os dois, o vulgar tendo as medições mais altas).

Há também a tendência do aumento da frequência padrão (os 440 Hz de hoje já tiveram grandes variações, com a mesma nota--o Lá na oitava central do piano--normalmente afinada nos 415 para música barroca, p.ex.). Isto tem a ver com a tendência natural dos naipes dos instrumentos em produzir um som que sobressaia mais (mais intenso, mais brilhante), com as consequências bastante curiosas de "desaparecerem" notas nos registos mais agudos (por outras palavras, um instrumento que chegava a uma nota x no extremo agudo só consegue chegar uns passos abaixo, logo não conseguindo reproduzir o que está escrito na partitura).
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discos - Espaço Holbein Menezes - Página 33 Empty Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  ricardo onga-ku em 13/10/2011, 08:31

Só agora li a tua resposta.
Obrigado!

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Mensagem  Fifas em 13/2/2012, 20:08

"Pondo de parte o factor das gravações, há também a ter em conta que a construção do instrumento introduz diferenças significativas. Isto é particularmente notório quando se comparam instrumentos de época com instrumentos modernos. Quem já tenha ido a concertos de música antiga já deve ter percebido que normalmente a música toca mais "baixinho" do que num concerto com uma orquestra moderna que tenha os mesmos efectivos. Em geral, isto está relacionado com as diferenças de "tom" do instrumento, que tende a ser mais "redondo" nos instrumentos antigos, com uma curva de resposta mais uniforme e suave (há um estudo de acústica comparando um Stradivarius de 1713 com um violino vulgar, indicando diferenças nos picos de frequência de 3-5 dB entre os dois, o vulgar tendo as medições mais altas).

Há também a tendência do aumento da frequência padrão (os 440 Hz de hoje já tiveram grandes variações, com a mesma nota--o Lá na oitava central do piano--normalmente afinada nos 415 para música barroca, p.ex.). Isto tem a ver com a tendência natural dos naipes dos instrumentos em produzir um som que sobressaia mais (mais intenso, mais brilhante), com as consequências bastante curiosas de "desaparecerem" notas nos registos mais agudos (por outras palavras, um instrumento que chegava a uma nota x no extremo agudo só consegue chegar uns passos abaixo, logo não conseguindo reproduzir o que está escrito na partitura).."



Concordo.
Penso que há aínda a referir, pelo menos as questões organológicas, acrescidas de outros pontos:

- as madeiras e metais utilizados (muito mais frágeis no passado);

- a evolução dos arcos (utilizados nos instrumentos de corda);

- as cordas (começaram por construir-se com "tripa");

- o formato dos tubos e o aumento e reposicionamento do nº de orifícios e chaves ou válvulas dos instrumentos de sopro (madeiras e metais).

- a evolução dos processos técnicos de construção de todos os instrumentos.

- o aperfeiçoamento das técnicas de execução dos instrumentistas.

Cumprimentos,
Fifas






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Mensagem  holbein menezes em 24/12/2013, 00:15

À ADMINISTRAÇÃO: Este "Espaço" ainda trás o meu nome; continuo a poder postar aqui? Apesar de já ter passado a rara idade dos noventa anos, continuo vivo, e lúcido. A atual Administração tem interesse em que eu contribua, e ponha aqui algumas ideias?

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Mensagem  Blink em 24/12/2013, 00:28

Primeiro que tudo, quero desejar-lhe um Bom e Feliz Natal, e os mais sinceros desejos de muito boa saúde.

Este espaço é seu e fico grato por querer escrever nele novamente.

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Mensagem  vinyl33 em 24/12/2013, 09:13

holbein menezes escreveu:À ADMINISTRAÇÃO: Este "Espaço" ainda trás o meu nome; continuo a poder postar aqui? Apesar de já ter passado a rara idade dos noventa anos, continuo vivo, e lúcido. A atual Administração tem interesse em que eu contribua, e ponha aqui algumas ideias?

Holbein Menezes.

Aleluia !!!!!!!!!!!!!!!! O bom filho à casa paterna volta.....
Seja muito bem (re)vindo. A sua presença, neste espaço, faz muita falta.
Força amigo Holbein e que tenha um Santo Natal.
Abraço
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Mensagem  holbein menezes em 24/12/2013, 09:56

Cântico do retorno.

Mui cedo assumi o comando de minha vida; aos vinte anos, em plena Segunda Guerra Mundial, formei-me sargento do Exército Brasileiro, sargento metralhador, e tentei ir à Itália para combater o nazifascismo. E porque não me permitiram, aí danei-me e fiz concurso para o Banco do Brasil; passei. Um ano depois estava casado. Nove meses após era pai de família! Gerei oito rebentos, formei-os todos! São doutores; o único que não passou da página 20 da “Cartilha do Gatinho”... foi eu. Não passei nem sequer do ginasial. Mas...

Hoje sou um velho nonagenário! E durante esse tempo todo, no comando de minha cabeça: por isso que não creio na alma que ascende aos Céus; ou desce às profundas do Inferno. Convicto porém de que nada existe além do cérebro; embora creia no espírito que continuará, pelo exemplo que plantou e pelas palavras que escreveu, continuará a acender o fogo das ideias. Como fez Che Guevara!

Mas não aceito as ideias definitivas e eternas; sou dialético. Adoro o contraditório, porque na vida vivida que vivi, tudo foi um vir a ser, um constante vir a ser!

E de vir a ser em vir a ser, tornei-me musicista. Porquanto tudo que aprontei em áudio para a reprodução do som musical, tudo que aprontei teve como finalidade a Música! Não propriamente a melodia, e nem mesmo a harmonia: a articulação, sobretudo; que determina o ritmo e a execução das peças musicais. Música do tipo, como escreveu Nikolaus Harnoncourt, “... cada nota com igual duração e intensidade, com sua arcada própria (para cordas) ou golpe de língua específico (para os sopros)”. “As arcadas indicadas – como concebia o pai de Mozart, Leopold – “devem ser tocadas de tal modo que o ouvido perceba de imediato as diferenças”.

A notação das diferenças! eis o que é alta-fidelidade. Notação que vulgarmente chamamos de interpretação. As diabruras de Neymar que a imagem em HD registra; as quais, no tempo de Pelé, do ponto ótimo das minhas “cadeiras perpétuas” no Maracanã ao lado da Tribuna de Honra, eu não observava!

Porque o virtual é sempre superior em qualidade ao real. Este o sentido dos nossos dias atuais. A fumaça branca da chaminé da Igreja Cistina. Que o mundo todo viu! Melhor em qualidade do que os que estavam na Praça de São Pedro no Vaticano.

A realidade virtual sobrepondo-se à realidade factual; isso é alta-fidelidade. A interpretação magistral de Itzhak Perlman, ao intuir “as arcadas indicadas” por Beethoven para a VI Sinfonia – a conhecida “Pastoral” – em as quais “arcadas”, em certo instante os violinos dialogam de igual para igual com os sopros, os contrabaixos ao longe, e em pianíssimo, a emitir seus agouros – a imagem sonora da beatitude em confronto com o infortúnio – (Beethoven o criador em contraste com Beethoven, o surdo), tais foram os sentidos das “arcadas indicadas” e, em momento de divindade, intuídas pelo Maestro Perlmann, e executadas pela Filarmônica de Israel! Conservadas na técnica surreal do blu-ray DTS 5.1.

Que não representa de jeito nem maneira cantos de pássaros, soltos ou engaiolados, ao mais das vezes estridentes porque pássaro algum entende de intensidade... nem de harmonia. Estridulam em vez de articularem. “A trovoada”, por sua vez, nunca existiu; trovoada é balbúrdia, é ruído; e ruído não é Música. O Músico Beethoven jamais poria ruído nas suas composições. Jamais!

Esta é a minha alta-fidelidade dos atuais tempos nonagésimos da verdade.

O resto tem sido ilusão!

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Mensagem  holbein menezes em 24/12/2013, 10:15


Obrigado Blink, Obrigado Vinyl33 pelas boas-vindas.

Daí da Terra Mãe só recebi generosidades; até hoje meu nome consta como "Colaborador" da AUDIO do meu dileto amigo Jorge Gonçalves!

Meus bisavôs vieram daí: João Barnardo da Silva, esposa e três filhos; desses três filhos dois morreram em combate nas terras hostis do Nordeste Brasileiro em defesa do nome de Portugal, e das propriedades de portugueses; foi quando da Independência do Brasil, ocasião em que se cometeram muitas injustiças contra os que nos descobriram... Alguns confundiram "independência" com "revanchismo".

É sempre assim... os vitoriosos no fundo são moralmente derrotados.


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