Espaço Holbein Menezes

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Meu mais recente "achado".

Mensagem  holbein menezes em 15/9/2009, 10:56

Amigos,

os três trechos a seguir fazem parte de meu último artigo que escrevi para o saite brasileiro HTForum.com; e parecem-me bem relacionados com a experiência com cabos de setor posta aqui pelo António José:


Eis meu mais recente “achado”: prejudica a qualidade sonora alimentar um sistema eletrônico para a reprodução do som musical por meio de fonte de energia elétrica única – a rede pública; prejudica também alimentar todo o “set-up” por via de fonte dita pura – ou seja, a partir de corrente contínua de baterias invertida para corrente alternada.



Nesses últimos tempos, observei que os aparelhos que demandam força, como os amplificadores, quando alimentados com base em corrente contínua invertida, provinda de baterias (no-break), perdem algum tanto da capacidade de responder com rapidez e articulação os momentos de “tutti”orquestrais ou clímax. Os sons em “tutti” tendem a embolar e os clímax não atingem o... clímax.



De outra parte, observei igualmente que alimentar os aparelhos que conduzem o sinal de áudio na ponta de sua geração – toca-discos, ledores e pré-amplificadores – alimentá-los com energia da rede pública deteriora em algum tanto o sinal de áudio o qual, por modo dessa alimentação, é contaminado com harmônicos espúrios da rede pública.



Diante disso, alimento meus ledores (aparelhos de pouco consumo) com corrente pura invertida provinda de baterias (no-breaks) e alimento pré-amplificador e amplificadores com eletricidade da rede pública.



E está a dar bom resultado. Ganho autonomia (com a corrente de baterias) de mais de DEZ horas, e tenho a demanda de eletricidade ilimitada da energia da rede pública para os aparelhos de potência. Mesmo porque as fontes de poder dos ledores são ridicularmente dimensionadas e filtradas, enquanto as fontes dos aparelhos de potência são parrudas e mui bem filtradas.



Cabos de setor? Ora, fi-los eu próprio. Tomadas? As ordinárias, à venda no mercado de varejo.



Holbein.

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  ricardo felisberto em 15/9/2009, 13:54

[quote="António José da Silva"]
holbein menezes escreveu:

...Muda-se um IC e o dono, ou fabricante fica logo com um sorriso enorme nos lábios e diz: "Reparem na diferença". E normalmente a diferença é 0.
...
Abraço e boa musica.
Já me aconteceu por mais de uma vez, o homem todo satisfeito e eu com um sorriso meio-amarelo sem ter notado nada de palpavel, designadamente com mesinhas. Com cabos (IC's e colunas) a conversa já muda um pouco, pois diferentes topologias e materiais podem - dependendo do contexto - dar azo a diferenças, em alguns casos sensiveis.

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  Orion em 15/9/2009, 15:14

[quote="ricardo felisberto"]
António José da Silva escreveu:
holbein menezes escreveu:

...Muda-se um IC e o dono, ou fabricante fica logo com um sorriso enorme nos lábios e diz: "Reparem na diferença". E normalmente a diferença é 0.
...
Abraço e boa musica.
Já me aconteceu por mais de uma vez, o homem todo satisfeito e eu com um sorriso meio-amarelo sem ter notado nada de palpavel, designadamente com mesinhas. Com cabos (IC's e colunas) a conversa já muda um pouco, pois diferentes topologias e materiais podem - dependendo do contexto - dar azo a diferenças, em alguns casos sensiveis.


x2 . Já me acontecera também.

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  td124 em 15/9/2009, 23:20

António José da Silva escreveu:Este resultado mais uma vez resulta numa diferença entre cabo de alimentação de frigorífico e cabos caríssimos. As diferenças, 0

[url=http://www.hometheaterhifi.com/volume_11_4/feature-article-blind-test-power-cords-12-2004.html
http://www.hometheaterhifi.com/volume_11_4/feature-article-blind-test-power-cords-12-2004.html[/quote[/url]]

Atençao Antonio, especular sobre os cabos é serrar o ramo em que estamos sentados e cair da arvore...
Desse constato hà so um pequeno passo intelectual, para considerar que todos os tubos de mesmo tipo soam igualmente etc...
Hoje em França o combate objectivistas/subjectivistas està no ponto de dizer que todo o audio é uma imensa mascarada, e que uma mini aparelhagem da Yamaha soa tao bem como um Audio Research. Atençao aos excessos, eles criam a barbaridade...

Até+

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  Orion em 16/9/2009, 00:03

[quote="td124"]
António José da Silva escreveu:Este resultado mais uma vez resulta numa diferença entre cabo de alimentação de frigorífico e cabos caríssimos. As diferenças, 0

http://www.hometheaterhifi.com/volume_11_4/feature-article-blind-test-power-cords-12-2004.html[/quote]

Atençao Antonio, especular sobre os cabos é serrar o ramo em que estamos sentados e cair da arvore...
Desse constato hà so um pequeno passo intelectual, para considerar que todos os tubos de mesmo tipo soam igualmente etc...
Hoje em França o combate objectivistas/subjectivistas està no ponto de dizer que todo o audio é uma imensa mascarada, e que uma mini aparelhagem da Yamaha soa tao bem como um Audio Research. Atençao aos excessos, eles criam a barbaridade...

Até+


Sim, dizer que a diferença é zero, não diria, mas sim talvez que, por vezes, as diferenças são infimas ou quase imperceptíveis entre cabos com preços discrepantes. Mas cada caso, seu caso. Não se pode radicalizar.

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  xch em 16/9/2009, 07:27

Eu de facto não tenho grande certeza acerca das propriedades milagrosas dos cabos de sector, mas sinceramente gosto de "ver" um sistema funcionar com cabos de qualidade. Quanto ao som... pelo menos o efeito placebo é reconfortante.
Eu agora uso uns chineses com aspecto de cabos de qualidade tongue e na verdade quando olho para eles parecem-me soar bem lol!
Mas concordo plenamente que uma boa ligação e um bom condutor deve fazer diferença.

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"... todos os tubos..."

Mensagem  holbein menezes em 16/9/2009, 11:06

td124 - "... que todos os tubos de mesmo tipo soam igualmente etc..."

Não soam não! Meus "single ended" BEZ-T3B-2 vieram com válvulas 300B da Shuguang Electron Group, de Hunam, China; troquei-as pelas JJ, também da Shuguang mas o dobro do preço, e a melhora na qualidade sônica foi bestial. Agora estou a tentar comprar um par de 300B da Western Electric, dos Estados Unidos, mas a fábrica respondeu-me que só estava a atender encomendas para setembro de 2010!!!

Quando eu tinha o AUDIOPAX 98, que usa válvulas KT 88, troquei as Harmonix de origem por Mullard Gold que eu guardara de recordação do Graham Woodville, que mas deu de presente nos idos de 1980..., e a mudança sônica foi incontestável.

Com cabos acontece a mesma coisa mas, a meu ver, não é por motivo de topologia nem material dos fios mas... de mau contato. Já usei um par de cabos de setor, de grife, nos meus dois amplificadores monofônicos 300B, e notava que o da direita desempenhava diferente do da esquerda. Fui pesquisar sobre a diferença: primeiro, troquei válvula por válvula, de um amplificador para outro, passo a passo, entrada, inversora e potência. A desigualdade que observara entre os dois canais, permaneceu. Aí, já a desvairar, permutei as unidades amplificadoras elas inteiras, a da esquerda pus na direita e vice-versa.

Pasmem! Permaneceu o status quo! "E agora, José? Tem uma pedra no meu caminho..."como versejou o poeta. Cambiara tudo... tudo? Ora, não permutara os cabos de setor.

E eram eles esses bastardos os responsáveis pela audível diferença de desempenho; quando abri a tomada fêmea, um dos três contatos extava oxidado! Tomadas "computer grade" oxidadas?!?

É vero, veríssimo! Porque em áudio para a reprodução do som musical... às vezes todos os gatos são pardos!

Holbein.

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A sala universal não existe.

Mensagem  holbein menezes em 16/9/2009, 12:45

Faz tempo venho sustentando na imprensa de aúdio brasileira a opinião de que não se pode construir uma sala doméstica “universal”, isto é, ótima para a reprodução eletrônica do som musical de qualquer gênero de música. E tal não é possível porquanto nem mesmo os teatros de concerto estão aptos a propagar com qualidade todas as ondas sonoras de obras eruditas e populares. E aqui e agora lembro exemplos:



- como o do “Lincoln Center” (do qual já falei em outra mensagem) – que permaneceu fechado por nove anos devidos a sérios problemas acústicos, descobertos, anos depois, como decorrentes da vã tentativa de dar ao “Lincoln Center” caráter “universal”, isto é, ótimo para óperas, oratórios, sinfonias, música de câmara, conjuntos de jazz etc;



- como os casos brasileiros da Sala São Paulo versus Teatro Municipal de São Paulo, Sala Cecília Meireles versus Teatro Municipal do Rio de Janeiro, nos quais, nos Municipais tocam bem orquestrais sinfônicos enquanto obnubilam os sutis detalhes na música de câmara;



- como nos exemplos do teatro de ópera, “Teatro do CIC”, de Florianópolis versus Teatro Álvaro de Carvalho, também da Ilha da Magia, aquele, grande e suntuoso mas de péssima acústica para qualquer gênero de representação, este, pequeno e antigo mas de soberba acústica para música de pequenos conjuntos.



(Por sinal e por sintomático, o Álvaro de Carvalho foi construído por mestres-de-obras portugueses da ilha dos Açores! E, embaixo do palco de madeira - e madeira vibra, todos sabemos, e se vibra produz ressonâncias -, embaixo do palco os mestres-de-obras lusitanos construíram um tanque para água, do tamanho do tablado do palco, com o escopo de... pois é! em recuados tempos da Colonização Portuguesa no Século XIX! -, com o objetivo de absorver as ressonâncias geradas no tablado de madeira!! Genial!!!)





A minha longa experiência com salas domésticas para a reprodução eletrônica do som musical me há ensinado que atitude mais “realista” – e no frigir dos ovos o mais econômico – é ajustar as nossas salas domésticas para o gênero de música principal das nossas discotecas: quem gosta mais de jazz, popular e erudito de câmara, ajuste sua pequena sala doméstica para lograr obter sonoridade, isto é, “... nuanças e sutilezas de timbre...”, no dizer do maestro Nikolaus Harnoncourt; mas quem aprecia a articulação, ajuste sua sala doméstica para ter “... um maior volume sonoro... para adquirir a igualdade perfeita no plano da dinâmica e da afinação dos semitons utilizáveis...”, também na opinião de Harnoncourt. Assim como ainda adverte o maestro: “... o ouvinte pode pular de lá para cá entre as diversas sonoridades... ligadas a campos secundários da música: à acústica das salas, que contribui de maneira decisiva para a formação do som...”.



De um som em particular, digo eu, e não de todos os sons, de um gênero específico e não de todos os gêneros; por isso que não há o ambiente “universal”, ótimo para todos os sons. Infelizmente.



Holbein.

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  Paulo André em 16/9/2009, 13:10

Excelente, Caro Holbein

Mais uma vez obrigado por partilhar a sua vasta experiência.
Tem aqui mais um aluno atento.

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Cumprimentos
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Solilóquio, NÃO!

Mensagem  holbein menezes em 16/9/2009, 13:32

Senhores,

quando a generosidade do Mediador Paulo André comunicou "Este tópico foi criado exclusivamente para Holbein Menezes", não quis com certeza dizer unicamente. O espaço é meu quanto à responsabilidade de mantê-lo ativo e atuante, entretanto sei que só vicejará se se tornar nosso. Aliás, Mestre td124 já houvera reclamado de forma sutil e inteligente quanto à presença dos mesmos ativistas no tópico sobre a história dos amplificadores de válvula que ele, brilhantemente, rege.

Participação "is the name of the game".

Holbein.

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  td124 em 16/9/2009, 22:59

holbein menezes escreveu:Senhores,

quando a generosidade do Mediador Paulo André comunicou "Este tópico foi criado exclusivamente para Holbein Menezes", não quis com certeza dizer unicamente. O espaço é meu quanto à responsabilidade de mantê-lo ativo e atuante, entretanto sei que só vicejará se se tornar nosso...

Participação "is the name of the game". E a razao pela qual os forums foram criados...

Holbein.


Conte comigo para uma visita de vez em quando, ou regularmente

Bravo pela iniciativa e obrigado pelo que dà ao forum

Até+

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De Pai para Filho. Não, do filho H. Filho para Holbein, pai.

Mensagem  holbein menezes em 17/9/2009, 08:03



Holbein, pai: Faz algum tempo meu filho caçula, Holbein Filho, engenheiro especializado em processamento de mídias destinadas à reprodução do som musical, participou, nos Estados Unidos, de uma Conferência Internacional de técnicos em fabricação de CDs. Entre os assuntos tratados, foi abordada na Conferência a questão do up sampler. Agá, como eu o chamo, na ocasião escreveu-me uma longa carta da qual extraio alguns trechos e os ofereço aos meus leitores portugueses:



Holbein, filho: “Pai, estou aqui em São Francisco para uma conferência da indústria de replicadores. Replicação é a fase final para a confecção de CDs. Hoje de manhã falou um engenheiro, cujo nome não estou autorizado a divulgar, presidente de uma importante firma do ramo. Achei muito interessante a palestra dele. Tratou daquela questão do up sampler, assunto que tem ocupado as nossas conversas algumas vezes. Vou ver se consigo dar a você uma panorâmica da fala do homem.



Começou desenhando a condição do caminho do som. Disse: “No ideal mundo analógico, a informação acústica é transmitida desde o ponto de sua origem (source) até o ouvinte, por meio nada mais nada menos que o ar. O ar seria, portanto, o veículo natural e ideal da informação acústica uma vez que não induz distorções; entretanto, essa situação ideal possui duas sérias limitações. Primeira: o ouvinte da informação acústica precisa estar no mesmo local do da origem do som. Segunda: o ouvinte precisa também estar lá no exato momento em que o som é emitido”.



Com base nessas premissas o conferencista estabeleceu a questão da reprodução do som por via eletrônica da seguinte maneira: “Toda a indústria eletrônica existe para manufaturar produtos que recriem a condição original da informação acústica, mas o faz para um ouvinte que está em diferente local e em diferente momento, e se utiliza de outro veículo que não o ar. Assim, pois, o nosso desafio de engenheiros eletrônicos é recriar em condições diversas mas da maneira mais fiel possível a informação acústica original ”.



Holbein, pai: Por aqui se vê que não é apropriada senão como slogan de propaganda o termo alta-fidelidade. Atentemos para o que disse o engenheiro conferencista para seus colegas: para que o processo eletrônico possa ser o “clone” (ser a alta-fidelidade de) do evento original será necessário que o ouvinte esteja também no MESMO LOCAL, NA MESMA OCASIÃO e utilize o MESMO VEÍCULO (o ar) “do da origem do som”. Situação possível só na nossa vontade ou na nossa imaginação de ouvintes analógicos. Ou de ouvintes audiotas...



Agá: Disse o colega que no atual mundo digital, o som é convertido da condição analógica para a condição digital e, imediatamente, retorna à condição analógica. Nesse vaivém o som fica na dependência da qualidade dos componentes do veículo eletrônico, tais microfones, amplificadores, eletricidade etc. para lograr ser mais ou menos a fidelidade da informação acústica original. Situação que leva à conhecida sentença de que a alta-fidelidade está sempre na dependência do elo mais fraco do sistema de captação e reprodução da informação original.



Holbein, pai: Pelo “etc.” empregado pelo conferencista deduzo que ele não desejou estender, certamente porque falava para uma assembléia específica de replicadores, isto é, de técnicos que se situam num dos lados do processo da reprodução do som – o lado da gravação/replicação –, não desejou estender as dependências a que aludiu à outra ponta do sistema, isto é, ao lado dos ouvintes, coitados! com suas salas peculiares não controladas acusticamente (e tão diferentes do ambiente da informação original!), seus aparelhos reprodutores por vezes mal instalados, e quase sempre comprados de forma aleatória ao capricho das oportunidades financeiras, e assim, sem a devida e cuidada unidade técnica, seus assentos ao mais das vezes enviesados porque só isso lhe permite a excelentíssima cara-metade, que não quer ver seu lindo living bagunçado por cabos e fios, mesas e mesinhas, pesos e contrapesos, absorvedores e outros bichos horrendos.



Aga: A partir dessa introdução, o conferencista nos chamou a atenção para a particular importância dos master clocks – os dispositivos de tempo/freqüência – usados tanto na fase analógica quanto na digital. Disse: “Como vocês sabem, ambas as conversões, de analógico para digital e vice-versa, precisam estar no mesmo tempo e freqüência, freqüência que, no caso de CD, tem sido de 44.1 kHz. Se por acaso tempo e freqüências não são os mesmos, isso resulta em que a música reproduzida possa ser ou ligeiramente mais lenta ou ligeiramente mais rápida do que a informação original”.



Meu colega então fez blague, dizendo que nós estávamos carecas de saber tudo isso. Que até os melhores clocks já construídos possuem inerentes imprecisões de freqüência além de zumbido de fase e de fundo. Quando tais imprecisões e zumbidos são desiguais nas duas fases do processo, A-D e D-A (conversão de analógico para digital e o caminho inverso, de digital para analógico), o resultado inevitável é distorção na reprodução do som. Porque só no mundo digital IDEAL são iguais dois clocks.



“Na prática todos os clocks possuem seu grau de desvio em relação ao ideal teórico, ainda que uns possam ser melhores que outros. Mais: porque tais desvios não se repetem de igual maneira em cada fase do processo - sempre diferem -, e isso produzirá inevitavelmente uma certa quantidade de erro de tempo”.



A partir dessas considerações, o conferencista passou a apresentar gráficos para demonstrar que no mundo REAL não há a possibilidade de usar o mesmo clock para ambas as fases A-D e D-A. Ao contrário, um clock é usado no processo de gravação no estúdio, e outro durante a feitura do disco, e um terceiro é usado no processo de reprodução via toca-cedês (este, com a agravante de ser um clock barato).



“Ainda que, teoricamente, seja possível sincronizar as três fases utilizando-se do clock matriz. Mas isso implicaria que as fases de fabricação e de reprodução (playback) estivessem permanentemente conectadas ao estúdio de gravação (master clock), o que se torna impraticável. Ainda assim, os erros de tempo e fase

não poderiam ser compensados uma vez que a necessária absoluta perfeição não existe”.



Com gráficos, passou a mostrar dois sinais de dois master clocks de freqüência digital e amplitude iguais, com apenas a diferença na subida e descida do tempo. Os gráficos tiveram a finalidade de demonstrar que a repetição, seja dos acertos, seja dos erros, é impossível na prática.”



Holbein, pai: A carta de meu filho é extensa e não desejo reproduzi-la no todo, nem caberia. Extrai dela apenas os tópicos técnicos que dão suporte à pergunta que um dia, de modo leigo, fiz nas páginas da revista AUDIO, de Lisboa, do meu querido e fiel amigo de quase duas décadas, Jorge Gonçalves: Alta-fidelidade de quê? Porque, meus caros leitores do audiopt.net, no afã de ter a mais fiel reprodução eletrônica do som musical - a possível nas condições domésticas -, nós temos sido, todos nós, presas fáceis de marqueteiros espertalhões que se posicionam como verdadeiros magister dixit, a deitar regras eclassificar e dar notas a produtos de áudio, quase sempre ao sabor de suas opiniões sujeitas a interesses comerciais e geradas em condições de escuta as mais precárias, distantes, muito distantes das condições do ambiente e técnica da informação original.



Não sou contra os “testes” publicados nas revistas de divulgação, já escrevi isso mais de uma vez, mas para que eles tenham credibilidade e justifiquem sua finalidade, os arrazoados muitas vezes assinados por ilustres nomes têm que ser menos enfáticos (e jamais quantificados; jamais!), e espelhem tão-só opiniões pessoais formuladas fora das condições da informação original. Do contrário, tornam-se distorções da verdade. Ou mentiras. Ou merchandise.



Não se pode (ou não se devia) atribuir a uma caixa de alto-falante a nota de 66,7 numa grandeza máxima de 72 pontos (grandeza já de si arbitrária!), ou um número qualquer de estrelas, se as condições de escuta do julgador não forem ideais ou próximas das condições do laboratório de teste do fabricante da caixa. Porquanto há que haver um referencial de absoluta confiança senão o julgamento torna-se precário ou tendencioso. Em outras palavras, não se pode quantificar em situações diversas, da mesma forma como não se pode somar unidades heterogêneas.



Daí porque sempre tenho dado preferência “contar” a história de minha experiência pessoal com um dado produto, sem emitir juízo de realidade. Gosto de dizer que tal produto, em nossas condições domésticas – e, diga-se de passagem, não são boas – comportou-se de tal ou qual modo, reagiu assim ou assado ao se introduzir essa e aquela configurações, ouvindo certos e determinados discos de nossa preferência pessoal, de modo a dar aos meus leitores amplo campo para seus próprios ajuizamentos. E em passando tão-somente a minha experiência com os produtos e contar o vaivém das minhas alterações, forneço a eles os instrumentos para suas próprias conclusões.

Holbein.

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  Convidad em 17/9/2009, 20:17

holbein menezes escreveu:

... produtos e contar o vaivém das minhas alterações, forneço a eles os instrumentos para suas próprias conclusões.

Holbein.



Só espero que possa continuar a fornecer esses instrumentos. Fazem muita falta a um fórum, (e não só) opiniões de pessoas que tenham tido uma vasta experiência com uma palete alargada de equipamentos, e que não tenham qualquer obrigação por via comercial e/ou afectiva de falar bem de equipamento A ou B. Muitas vezes parece-me que a parte afectiva de muitos amantes deste nosso hobby, ainda consegue ser pior do que os que defendem um produto por motivos comerciais.

Portanto, espero que continue a nos brindar com as suas crónicas independentes.

Abraço

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Re: Espaço Holbein Menezes

Mensagem  Orion em 17/9/2009, 23:19

Também eu agradeço as espectaculares leituras prazeirosas do caro holbein . Assim como o nosso amigo Paulo/td124, são mais valias destas que me orgulho de termos neste nosso espaço de todos nós. O meu obrigado uma vez mais aos dois. Pela vossa boa disposição e elevado sentido de partilha e pelo vosso saber que é imenso.

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Gira-discos e seus múltiplos problemas.

Mensagem  holbein menezes em 18/9/2009, 08:42

Observei que o nosso Moderador António José usa ainda "long playing" e gira-discos com braço SME 3009 e cápsula fonomagnética MCA-76.

Sem falsa modéstia - e sinto-me à vontade não ser falso-modesto - acho que poucas pessoas na face da Terra tenham experimentado tanto com, como se diz cá no Brasil, toca-discos. Cujo problema maior, entre os muitos e múltiplos, é a vibração, que desfigura a leitura.

Para enfrentar essa magna questão, cheguei a construir uma coluna de concreto cuja sapata entrava chão a dentro um metro! E o suporte do chassi do gira-disco fi-lo de mármore (pés) e ferro (o tampo da mesa), chapa de 1/4 de polegada; a máquina era o velho de guerra Garrard 301. Aliás, a bem da verdade, eu apenas projetei (quase que eu escrevi a gíria brasileira "bolei") a geringonça, quem a construiu, um exemplar para ele e outro para mim, foi meu saudoso amigo António José Fernandes (xará seu, hem AJS?), um português que residia no Rio de Janeiro, apaixonado ele também por música. (Voltou anos depois para Portugal, onde veio a falecer.)

Gira-discos é assim: ou deve estar suportado por um sistema de massa bestial ou deve sê-lo sobre dulcíssimas molas, quase a flutuar. Minha preferência é para suporte sólido de muita massa; molas elas próprias vibram e o "ringing" gera distorção de alta frequência. Nessa sala do Rio de Janeiro cheguei a construir até uma cafua de tijolos rígidos e tampo de mármore (de 2,25 m2) para abrigar o gira-discos, com o objetivo de evitar as vibrações air-borne.

No uso diário de LPs observei que cada selo (fábrica) cortava seus lacquer em ângulo vertical próprio; em termos gerais, os discos fabricados na Europa (Decca, Telefunken, Deutsche etc) eram cortados em 10º (ainda que a norma da RIAA determinasse cortar em 15º) e os de origem amaricana (Columbia, RCA, Vanguard etc.), e japonesa, em 21º. De sorte que fui obrigado a fabricar cunhas de bambu de espessuras diferentes para botá-las, para os discos de origem europeia, atrás do corpo da cápsula instalada em 15º, e para os discos de origem americana, na frente. A diferença sônica é audiblíssima, António!

Os famosos Irmãos Garrott, da Austrália, dos quais eu era representante para a América do Sul, experimentaram meu "invento" e constataram sua efetividade. E fui mais longe: cheguei a fabricar doze cunhas de espessuras diferentes porque constatei que entre um selo e outro havia diferença no ângulo de corte vertical do lacquer.

Uma loucura! E para não me tornar mais louco do que já era, abandonei toca-discos, cápsulas e discos! O "compact disc" é pobre de resposta de frequência mas acarreta menos problemas de instalação. E a automaticidade de sua feitura torna-os menos variáveis do que os manufaturados LP, em cujo processo de fabricação os Srs. Engenheiros interferem.)

Bom-dia a todos! (Aqui são apenas cinco e meia da manhã. Durmo cedo, 21 horas mas acordo cedo, 4 horas da matina! Será por imitar as galinhas que ostento a saúde que tenho, aos 87 anos?)

Holbein.


Última edição por holbein menezes em 18/9/2009, 14:29, editado 2 vez(es)

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