A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  jmddf em 30/9/2009, 22:58

Caro TD 124
Apesar de terlido com muito gosto e atenção todas as suas intervenções, é-me difícil escrever alguma coisa pois não conheço os aparelhos em causa. Fico-me pela leitura atenta dos seus escritos, com medo de escrever asneiras. Hoje falou numa marca da qual possuo um elemento do meu sistema, não, infelizmente não é o amplificador referido mas é o conversor SFD-2 pelo que (correndo o risco de escrever asneiras) resolvi intervir.
Uma pena a Sonic Frontiers ter acabado pois a qualidade dos seus produtos é fantástica, pelo que tenho ouvido, ainda hoje o SFD-2 é uma peça que se ouve com muito agrado, imagino o que seja o Power One.
Muito obrigado pela partilha da sua sabedoria e dos seus conhecimentos.
Um Abraço.
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Desabafo com Grande td124.

Mensagem  holbein menezes em 1/10/2009, 10:16

Muitos pensam, td124, que os velhos somos sábio e sabidos ainda que não sejamos nem sequer sabiás, porque fomos testemunhas de alguma história. Ora, o passar dos anos por si só não torna ninguém sabido; tornam-no... mais velho. Quem ensina é a curiosidade, o ler e muito ler e ler ainda mais, reler e reler e tornar a ler, e o fazer sempre que é a forma maior de aprender-se; e é também a pesquisa incansável. Pô! concebe-se o projeto, executa-se o projeto, mas nem sempre dá certo! Que terá acontecido? E ficamos debruçados sobre o projeto, muitos dias, não poucas noites, todos os feriados, domingos deixam de ser domingo; as companheiras não entendem, o prole reclama, o dinheiro escasseia...

Só a teimosia é que é sábia se não descamba para a neurose e, não raras vezes, para a psicose irreversível. Daí a lapidar frase de Freud: "Só os loucos podem entender os loucos!"

Nós somos testemunhas, nós participamos, nós fizemos, nós inventamos, e quando vamos contar o nosso pequeno drama a que chamamos de "sucesso", esse fogo-fátuo transitório porque volátil , os que nos dão a satisfação de ler-nos apenas balbuciam: "Parabéns pelo texto!", "Muito bom!", "Li e gostei!", como se generalidades pudessem traduzir toda uma vida dedicada, toda uma expectativa interiorizada, todo um mundo de frustrações.

Diabo de vida! Às vezes tenho vontade de chutar o balde e mandar tudo pro ar! Talvez até fosse mais sábio, quando nada um gesto se bem que egosista mas de sabedoria pessoal.

Desculpem, amanheci triste, minha frustração quando a "máquina" negou-me peremtóriamente o direito de conversar com meus leitores, fiquei P da vida; dormi mal, sonhei ruim, o danado deste Fórum entrara na minha vida mais do que teria sido conveniente na provecta idade. Porque velho só devia querer mesmo é sombra e água fresca; quando um ancião ainda quer participar, ou está a desvairar ou caduca...

Desculpem o desabafo; e desculpe-me você, td124, fazê-lo cá no seu espaço. Mas é um cochicho entre um velho e um que caminha para sê-lo.

Obrigado.

Holbein.


Última edição por holbein menezes em 1/10/2009, 18:05, editado 1 vez(es)

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  td124 em 1/10/2009, 11:37

holbein menezes escreveu:Muitos pensam, td124, que os velhos somos sábio e sabidos ainda que não sejamos nem sequer sabiás, porque fomos testemunhas de alguma história.
...
Nós somos testemunhas, nós participamos, nós fizemos, nós inventamos, e quando vamos contar o nosso pequeno drama a que chamamos de "sucesso", esse fogo-fátuo transitório porque volátil , os que nos dão a satisfação de ler-nos apenas balbuciam: "Parabéns pelo texto!", "Muito bom!", "Li e gostei!", como se generalidades pudessem traduzir toda uma vida dedicada, toda uma expectativa interiorizada, todo um mundo de frustrações.

Diabo de vida! Às vezes tenho vontade de chutar o balde e mandar tudo pro ar! Talvez até fosse mais sábio, quando nada um gesto se bem que egosista mas de sabedoria pessoal.

Desculpem, amanheci triste, minha frustração quando a "máquina" negou-me peremtóriamente o direito de conversar com meus leitores, fiquei P da vida; dormi mal, sonhei ruim, o danado deste Fórum entrara na minha vida mais do que teria sido conveniente na provecta idade. Porque velho só devia querer mesmo é sombra e água fresca; quando um ancião ainda quer participar, ou está a desvairar ou caduca...

Obrigado.

Holbein.

Holbein, meu caro Holbein...

jà ouvi e vi, algumas vezes essa reacçao, na boca e na cara dos grandes que encontrei neste mundo do audio e nao so... A amargura de um estado incontrolàvel e impossivel, a evidência de uma dura realidade paraléla e que nos snoba... O que voçê sente hoje Holbein é a solidao do mestre!!! Sim meu amigo, o computador nao fez so de interdir a entrada ao audioPT. Ele interdiu-lhe a entrada, o acesso aos outros, ele interdiu a doaçao que voçê vinha fazer aqui. Ora interdir de dar é pior do que interdir de receber! E por isso que o Audio é uma paixao devoradora, pois ela cristalisa algo muito mais grande que a simples reproduçao musical. O Audio, para os que sabem fazê-lo, é uma linguagem simbolica que fala de nos mesmos, toca ao intimo, e possede uma potência que so a arte pode igualar...

Estou no trabalho, e tenho pouco tempo disponivel, espero que este pequeno penso ajude a atravessar as horas que nos separam de algo mais longo e profundo...

Nao se desculpe de ter desabafado aqui, é o melhor lugar e o mais justo, e para mim isso significa que està à vontade e em confiança... obrigado amigo!!!

Paulo
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  Manuel Duarte em 1/10/2009, 11:44

holbein menezes escreveu:Muitos pensam, td124, que os velhos somos sábio e sabidos ainda que não sejamos nem sequer sabiás, porque fomos testemunhas de alguma história. Ora, o passar dos anos por si só não torna ninguém sabido; tornam-no... mais velho. Quem ensina é a curiosidade, o ler e muito ler e ler ainda mais, reler e reler e tornar a ler, e o fazer sempre que é a forma maior de aprender-se; e é também a pesquisa incansável. Pô! concebe-se o projeto, executa-se o projeto, mas nem sempre dá certo! Que terá acontecido? E ficamos debruçados sobre o projeto, muitos dias, não poucas noites, todos os feriados, domingos deixam de ser domingo; as companheiras não entendem, o prole reclama, o dinheiro escasseia...

Só a teimosia é que é sábia se não descamba para a neurose e, não raras vezes, para a psicose irreversível. Daí a lapidar frase de Freud: "Só os loucos podem entender os loucos!"

Nós somos testemunhas, nós participamos, nós fizemos, nós inventamos, e quando vamos contar o nosso pequeno drama a que chamamos de "sucesso", esse fogo-fátuo transitório porque volátil , os que nos dão a satisfação de ler-nos apenas balbuciam: "Parabéns pelo texto!", "Muito bom!", "Li e gostei!", como se generalidades pudessem traduzir toda uma vida dedicada, toda uma expectativa interiorizada, todo um mundo de frustrações.

Diabo de vida! Às vezes tenho vontade de chutar o balde e mandar tudo pro ar! Talvez até fosse mais sábio, quando nada um gesto se bem que egosista mas de sabedoria pessoal.

Desculpem, amanheci triste, minha frustração quando a "máquina" negou-me peremtóriamente o direito de conversar com meus leitores, fiquei P da vida; dormi mal, sonhei ruim, o danado deste Fórum entrara na minha vida mais do que teria sido conveniente na provecta idade. Porque velho só devia querer mesmo é sombra e água fresca; quando um ancião ainda quer participar, ou está a desvairar ou caduca...

Desculpem o desabafo; e desculpe-me você, td124, fazê-lo cá no seu espaço. Mas é um cochicho entre um velho e um que caminha para sê-lo.

Obrigado.

Holbein.

Aqui me penitencio, também eu sou dos que mais lêem que escrevem, até já fui acusado de ser sanguessuga, mas muitas vezes acho melhor o silêncio respeitoso a dizer algo só por dizer (mea culpa, é o que estou a fazer neste momento), mas realmente é difícil "defrontar" tamanha experiência de vida nesta área que revelam tantos conhecimentos que têm o suor por trás.

As suas 88 intervenções até agora, são carregadas de conteúdo, como se diz por cá são só sumo.

Logo hoje, Dia Mundial da Música, o Mestre acordou de uma má noite, espero que tenha um bom dia e que faça jus a este dia mundial com audição de boa música.

Cumprimentos
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E por baixo do pé do aparelho?

Mensagem  holbein menezes em 1/10/2009, 12:16

Pois é, Manuel Duarte, se a cúpula de metal é a representação do pé do aparelho, pergunto: e o que está por baixo dessa cúpula de metal? No caso do "meu spike tupiniquim", a "cúpula" é a própria tampa, algo folgada (um milímetro além das bordas), da caixinha, e por baixo dela há "mortite". O efeito contravibratório é dado pelo "mortite" em volume a transbordar, cuja elasticidade torna-o o melhor polímetro existente anti-vibração.

E custa uma "merreca" como se diz por aqui ao se querer significar ninharia.

Vibração é o câncer incurável da reprodução do som musical; e às vezes, e por sorte ou por ventura, logramos nos curar como me curei eu que um carcinoma prostático, faz mais de dez anos! Carcinoma de natureza hereditária que vitimou mais de dez parentes meus inclusive meu pai, dois irmãos, muitos primos. Venci-o!

A indústria de "cosméticos" da mecânica do áudio está cheia de placebos, pelos quais cobram fortunas, quando a solução é simples e barata.

Holbein.

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  Luke Skywalker em 1/10/2009, 13:01

Obrigado ao Paulo e ao Holbein pelos excelentes post, tanto sobre áudio como sobre vida.

Não desanimem...

uma das coisas que me deixam feliz é dar alegria aos outros e acredito que com vcs seja parecido.

Então, podem se alegrar, pois vcs me deixam muito feliz

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Abraços, Luke
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Luke, você televisivo?

Mensagem  holbein menezes em 1/10/2009, 13:17

Luke, meu amigo,

estava a testar a técnica HDTV cá no nosso Brasil varonil salve salve, técnica que se tem revelado enganação criminosa da burguesia da indústria de comunicação com a gratidão da indústria de fabricação de petrechos, e eis que numa emissora vi passar créditos de um programa e lá estava o nome de Luke Skywalker como responsável por alguma coisa. É você, cara?

Holbein.

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  Manuel Duarte em 1/10/2009, 14:03

holbein menezes escreveu:Pois é, Manuel Duarte, se a cúpula de metal é a representação do pé do aparelho, pergunto: e o que está por baixo dessa cúpula de metal? No caso do "meu spike tupiniquim", a "cúpula" é a própria tampa, algo folgada (um milímetro além das bordas), da caixinha, e por baixo dela há "mortite". O efeito contravibratório é dado pelo "mortite" em volume a transbordar, cuja elasticidade torna-o o melhor polímetro existente anti-vibração.

E custa uma "merreca" como se diz por aqui ao se querer significar ninharia.

Vibração é o câncer incurável da reprodução do som musical; e às vezes, e por sorte ou por ventura, logramos nos curar como me curei eu que um carcinoma prostático, faz mais de dez anos! Carcinoma de natureza hereditária que vitimou mais de dez parentes meus inclusive meu pai, dois irmãos, muitos primos. Venci-o!

A indústria de "cosméticos" da mecânica do áudio está cheia de placebos, pelos quais cobram fortunas, quando a solução é simples e barata.

Holbein.

Do lado esquerdo da figura está a caixinha cheia com mortite (cian) e está a tampa sobre a qual está o pé do aparelho.

Do lado direito está o conjunto já com a tampa e o pé.

Na sua opinião qual a espessura menor de mortite, será que poderei tirar metade à altura da caixinha, é que cabia melhor na disposição que tenho.

A informação que eu precisava é a que já referiu que é a folga de milímetros entre a tampa e a caixa. Está percebido e também aquela dica do plástico para que a mortite não se pegue à caixa.

Obrigado, vou experimentar.
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  Luke Skywalker em 1/10/2009, 15:09

Asseguro que não.

Ontem estava vendo a imagem em HD (?) da band na hora do jogo do SP....siplesmente horrível .

O formato da tela estava em 16:9, mas uma imagem de baixa resolução .

Na Globo, apenas alguns programas são verdadeiramente em HD, e dá para notar a superioridade destes.


Última edição por Luke Skywalker em 1/10/2009, 15:11, editado 1 vez(es)

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  Convidad em 1/10/2009, 15:57

holbein menezes escreveu:

Desculpem, amanheci triste...


Espero que a tristeza já se tenha desvanecido. Gostaria de citar um grande escritor brasileiro que disse;

"Felicidade é a certeza que a nossa vida não se está passando inutilmente" (Érico Veríssimo)

Como vê, é um homem com muitas razões para ser feliz.

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Quanto vale a sabedoria? ou ela tem preço?

Mensagem  Neube Braia em 1/10/2009, 18:46



Caros Td124, Holbein, ... Boa tarde!



Td124 não vou falar do excelente tópico (A mesa redonda do td124) que leio aqui, só vou contar um fato que aconteceu, se me permitem.

Um camarada foi chamado para consertar um computador de uma famosa empresa que o havia adquirido por alguns milhares de dólares, por se tratar de ultimo modelo com todas as tecnologias existentes. Bom, o técnico chegou na empresa e depois de ligar o tal computador de milhares de dólares, sob a supervisão do diretor da empresa e seus funcionários, após dois minutos, desliga o computador, abre ele e aperta apenas um pequeno parafuso, liga-o novamente e o computador volta a funcionar maravilhosamente bem. Ele da o preço do conserto ao diretor no valor de 1.000,00 (mil dólares), que assusta com o valor e solicita ao tecnico que justifique o alto preço da conta. No outro dia o diretor recebe a conta por escrito do técnico com a seguinte justificativa:

Aperto do parafuso................................1,00 (um dólar)

Saber qual parafuso apertar...............999,00 (novecentos e noventa e nove dólares)

O diretor manda pagar na mesma hora o técnico.



Abraços aos amigos que muito sabem.



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Para distrair de assunto tão árido.

Mensagem  holbein menezes em 1/10/2009, 19:50

Quando fiz concurso para o Banco do Brasil - então o emprego mais cobiçado no Brasil - nos idos, idíssimo de 1942 (!) - eu não fora convocado para a guerra porque só tinha 19 anos, ainda que já fosse sargento (!?!) - soube que para a agência do interior para onde eu fora designado, recém havia sido enviado pela Direção Geral do Banco com sede no Rio de Janeiro, um grande cofre.

A administração da agência recebera as instruções de como operar com o cofre; seguindo-as, porém, não conseguiu abrir a casa-forte; tentaram, tentaram, pediram a ajuda do factótum da cidadezinha: nada! Mandaram vir da Capital do Estado especialista, e nada. Só uma das duas portas do cofre conseguia-se abrir, a outra teimava em ficar fechada.

Comunicado à Direção Geral do Banco no Rio de Janeiro, de lá veio um técnico da empresa que fabricara o artefato; técnico que venceu de avião os milhares de quilômetros que separam o Rio de Janeiro de Fortaleza, e, em seguida, de automóvel, as centenas de quilômetros em terra bruta e oito horas de viagem, até a cidadezinha interiorana.

O homem chegou, o Gerente abriu com o concurso do "segredo" e de sua chave-mestra a metade do cofre e suspirou, desesperado: a outra metade não cede! Está emperrada.

O técnico sorriu, enfiou a mão atrás da porta que não abria e fez funcionar um ferrolho, e o cofre encancarou-se, para a alegria de todos e felicidade geral da Nação, parafraseando D. Pedro I quando do acontecimento do "Fico!".

Em contrapartida, apresentou a conta: entre passagens, estadia e mão de obra, valor maior do que custara o cofre!

Holbein, depois de um noite triste, já a sorrir com o convívio de vocês.

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  td124 em 1/10/2009, 21:17

holbein menezes escreveu:
...
Holbein, depois de um noite triste, já a sorrir com o convívio de vocês.

Ora vê, o audioPT é um remédio potente... estou contente que o sorriso esteja de volta.

Caros amigos, até ao fim de semana vamos acabar esta mini saga. Para o fim vou fazer o que os françeses chamao o "bouquet final", ou seja o final espectacular dos fogos de artificio. Vamos comparar dois single-ended, um meio-americano outro japonês. Ambos em triodo, com valvulas miticas mas completamente opostas. Vai ser o combate do empirismo contra a ciência, da seda contra o aço, do feminino contra o masculino... E a musica que vai ganhar, e a certeza que em audio nao hà uma via, mas vias, à condiçao de caminhar sempre com a alma sensivel e acordada...

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Mensagem  holbein menezes em 1/10/2009, 22:17

td124, e também o bom combate de que falou o evangelista Paulo, mas no nosso caso o combate da maior distorção em quantidade a resultar em melhor sonoridade... devida ao uso da macróbia 300B.

Aguardemos.

Holbein.


Última edição por holbein menezes em 2/10/2009, 00:46, editado 1 vez(es)

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  Orion em 2/10/2009, 00:46

Luke Skywalker escreveu:Obrigado ao Paulo e ao Holbein pelos excelentes post, tanto sobre áudio como sobre vida.

Não desanimem...

uma das coisas que me deixam feliz é dar alegria aos outros e acredito que com vcs seja parecido.

Então, podem se alegrar, pois vcs me deixam muito feliz

Nem mais! Faço minhas as sábias palavras do amigo Luke.

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  natas em 2/10/2009, 23:36

Orion escreveu:
Luke Skywalker escreveu:Obrigado ao Paulo e ao Holbein pelos excelentes post, tanto sobre áudio como sobre vida.

Não desanimem...

uma das coisas que me deixam feliz é dar alegria aos outros e acredito que com vcs seja parecido.

Então, podem se alegrar, pois vcs me deixam muito feliz

Nem mais! Faço minhas as sábias palavras do amigo Luke.

A historia esta deliciosa....ja dizia o VINIL33....tenho e procuro algumas destas loucas maravilhas....neste momento estou a "tentar" recuperar dois monoblocos AI 1000 se....ja sei quem vou chatear, se me for permitido, vamos a resto dos capitulos...
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  fm&stereo em 3/10/2009, 23:01

Quem disse que este tópico não tinha colaboração?!... Laughing Já só falta falar de colinária... Laughing

Já agora, a felicidade nada tem que ver com o tempo, mas com a disposição... É como quem diz que «tempo é dinheiro», pelo que tempo eu tenho e não vendo por dinheiro alguma. Laughing O tempo é necessário mas é para a procura da felicidade... e se se emprega o tempo em qualquer coisa, então a história é já outra. Mas a felicidade ou o tempo não são negociáveis; e, se alguém pensa trocar simplesmente o tempo por dinheiro, então é o mais pobre que poderia ser.
O audio, por exemplo, é um bem que preenche um espaço, uma satisfação, mas que não ocupa o lugar da felicidade. E mais não digo. Twisted Evil

Bom, passei também ao lado do tópico, mas espero que tenham gostado. Laughing
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Pedido de permissão.

Mensagem  holbein menezes em 5/10/2009, 19:30

Você seria generoso o bastante, td124, para permitir que eu usasse seu espaço com um texto, não especificamente sobre amplificadores, mas correlato com eles; ou seja, com o seu melhor uso numa sala de música? Posso? Fa-lo-ia em dois tempos, para não ferir as regras do Fórum quanto ao tamanho das mensagens.

Um abraço do

Holbein.

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Luxman MB300 e LAMM ML2.1 : Os triodos sao eternos ...

Mensagem  td124 em 5/10/2009, 22:15



Estamos a chegar ao fim da nossa saga. Nao podia fechar esta breve historia sem falar dos amplificadores Single-ended. Estes aparelhos, verdadeiro culto para muitos mélomanos, sao objectivamente um paradoxo, vamos là compreender porquê. Os amplificadores mono-vàlvula ou “Single-ended”, nasceram no fim dos anos vinte, para amplificar os teatros e para o cinema, quando este se tornou sonoro. Visto assim, estes aparelhos sao os primeiros amplificadores da historia, e a pré-historia do audio eléctronico. O apogeu desta tecnologia, foi nos anos trinta nos Estados unidos, com marcas como a Western Electric, que era especialisada no cinema. Desde os anos quarenta os tétrodos começaram a tomar o lugar dos triodos e o Push-Pull (mais potente) eclipsou definitivamente o Single-ended. Mas a historia dà muitas voltas, e desde o começo dos anos sessenta sao os japoneses que vao sair esta tecnologia da cova. Em comparaçao com os amplificadores Push-Pull da época, os amadores reconhecem que os Single-ended soam de uma maneira mais natural. E o começo da escola audiofila japonesa, que vai duvidar da evoluçao musical do audio. Eles começam a fabricar amplificadores com todos os antigos triodos disponiveis, e a utilisar componentes modernos na fabricaçao. O resultado é espectacular, e as demonstraçoes publicas sao eloquentes. Os Single-ended sao verdadeiramente muito mais musicais que as outras tecnologias. Certos artisaos japoneses vao se especialisar nesta tecnologia e na fabricaçao dos componentes associados, aos quais serà dado mais tarde, o nome de “componentes audiofilos”. Uma hierarquia de qualidade dos triodos, apareçe rapidamente, e unanimamente os japoneses constatam que o melhor triodo à escuta é o 300B, eles vao chamar-lhe a “Rainha dos triodos audio”. Esta vàlvula criada pela Western Electric em 1928, teve uma longevidade extraordinaria, pois foi fabricada até fim dos anos oitenta, sem interrupçao. E uma vàlvula muito dificil a copiar (e a mais copiada...), pois a Western Electric possedia um saber fazer unico, e os segredos escondidos neste triodo, sao até hoje quase impenetraveis. A linearidade do 300B é fantastica (ultrapassa quase todas as outras valvulas), e a robustesa é unica (mais de 10000 horas de funcionamento). Esta robustesa explica que a partir dos anos sessenta a 300B é utilisada nas alimentaçoes de radar militar!!! Um dos aparelhos em destaque hoje sera equipado dessa vàlvula. Efectivamente o radar militar vai utilisar, e utilisa alguns triodos conhecidos. Porquê utilisar valvulas na era do microprocessador ??? Simplesmente porque graças aos Russos, todos os paises compreenderam desde os anos oitenta, que em caso de guerra nuclear, so os tubos é que funcionam durante a tempestade electromagnetica que acompanha a explosao. E é justamente da Russia que a nossa segunda vàlvula triodo vai chegar. Fabricada e concebida para uma utilizaçao militar a 6C33-C, é um triodo muito diferente, mas tanto espectacular que a 300B. E um triodo a muito fraca resistência interna, pois esta atinge 30 ohms contra varios milhares para a 300B. A placa é em grafite puro, torneado na massa e o bulbo é em Pirex espesso, afim de resistir às altas temperaturas de funcionamento da valvula. A linearidade é fabulosa e equivalente à da sua colega americana, mas com uma potência superior. Voçês estao a compreender que os aparelhos que vamos analisar utilisao, cada um, vàlvulas triodo miticas, com qualidades excepcionais.
De um lado vamos ter o MB300 da Luxman. Este aparelho foi fabricado em série limitada entre 1984 e 1986 somente para o mercado Japonês. Este aparelho foi lançado ao mesmo tempo que a Luxman decidiu de parar a produçao de amplificadores a valvulas. Impulsionado pelo A. Miura que fundou a Air Tight, este aparelho é uma homenagem à escola japonesa e ao saber fazer audiofilo deste pais. O Luxman MB 300 possede todos os codigos de um aparelho artisanal de alto nivel. Do outro lado um aparelho muito diferente, e a todos os niveis, que é o ML2.1 da LAMM. Verdadeiro representante da escola russa o ML2.1 é um aparelho fora do comum, e de uma complexidade rara. Concebido pelo Vladimir LAMM, especialista Russo da radio militar emigrado nos Estados Unidos. E um dos aparelhos mais modernos em concepçao que existe, e um dos ultimos grandes Single-ended a serem concebidos, pois o aparelho data de 1995. Vamos là ver juntos as particularidades destes dois fenomenos que encerram a nossa breve historia...






Apresentaçao : Cada um dos aparelhos é feito de duas unidades monofonicas. Como jà compreenderam o Luxman utiliza o triodo americano 300B e o LAMM o triodo russo 6C33-C. O luxman tém como particularidade de utilisar um circuito japonês batisado “stereo Gallery”, e de permitir de extrair 10 a 12 watts do 300B em vêz dos 7 a 8 watts habituais, mas sem perigo para a vida da valvula. Os componentes sao de um nivel ultimo. Poucos sabem que a Luxman antes de fazer electronicas era um fabricante de transformadores audio de alta qualidade. Para o MB300, eles vao utilisar os transformadores Luxman da série OY, que so sao ultrapassados pelos Partridge ingleses. Sao obras primas bobinadas à mao pelos mais velhos artesaos da marca. Cada transformador de saida pesa 12Kg e é uma obra prima apariada e assinada pelo bobinador. As resistências sao as Allen Bradley ao carbono aglomerado, e os condensadores vém do artesao Shizuki, e sao feitos à mao em polpa de bambu e seda !!! E um aparelho muito refinado ao nivel da construçao, e da atençao dada ao minimo detalho. O LAMM é de uma filosofia totalmente diferente. Cada componente é à norma militar americana, e cada valvula posse de o sufixo militar soviético ou seja CB. E um aparelho de medida ao nivel da fabricaçao. Caso unico o aparelho é totalmente regulado ao nivel da alimentaçao, mesmo para o andar de potência. Uma 6C33-C é utilisada para regular a outra que é activa. E um caso unico no audio, e digno do rigor da escola russa. Isto é feito para assegurar um comportamento igual do amplificador com qualquer coluna. Paginas inteiras seriam necessarias para descrever o génio oposto destes dois aparelhos, mas o principal foi jà dito, afim de vos facilitar a compreensao dos antagonismos em jogo.
Avantagens : A este nivel de delirio conceptual é dificil de discutir em termos de avantagens e de inconvenientes. O LAMM tém a avantagem de ser totalmente regulado e de controlar melhor as colunas, enquanto o Luxman tém o privilégio de se apoiar sobre a experiência do passado, mas com os melhores componentes disponiveis à escuta...
Inconvenientes : Fora a potência fraca de 11watts para o LUX e de 17 para o LAMM, o que obriga a bem escolher as colunas, nao vejo nenhum outro inconveniente. Ah, sim o preço...
Escuta : O Luxman é complexo e deixa perplexo à escuta. Desde as primeiras notas, o coraçao diz “E ISSO, E ASSIM A MUSICA...”, o nivel de natural no desenvolvimento harmonico é de endoidar. O aparelho é sempre justo e sem esforço. Ele dà a impressao de convençer QUALQUER coluna a fazer musica com ele, apasar da dezena de watts. A definiçao é média, mas nao dà o sentimento de faltar. A distorçao é elevada mas inaudivel. O sentido ritmico é sem falha, e faz passar certos Push, por aparelhos rusticos, sem elegancia. As notas derramao-se na sala, andam no ar e acabam por vestir a alma do auditor. Uma iniciaçao à nobreza diabolica dos grandes Single-ended, que nao deixam o auditor em paz. Um aparelho que pode perturbar para sempre os sentidos, e que so pode ser ultrapasado pelos aparelhos artisanais do tipo Anzai Zaika, Hiraga ou os da Shindo labs... um sonho que se vive acordado. O LAMM é diferente, o natural (proprio ao Single-ended) acompanha-se de performances de alto nivel. A transparência e a dinamica sao exemplares. O controle sobre as colunas é total e o aparelho pareçe fazer uma potência dez vezes superior. E um aparelho orgulhoso, majestuoso e dominador que agarra a musica, ora que o Luxman a acaricia. As qualidades dos dois juntas, fariam o amplificador ULTIMO...


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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  td124 em 5/10/2009, 22:28

holbein menezes escreveu:Você seria generoso o bastante, td124, para permitir que eu usasse seu espaço com um texto, não especificamente sobre amplificadores, mas correlato com eles; ou seja, com o seu melhor uso numa sala de música? Posso? Fa-lo-ia em dois tempos, para não ferir as regras do Fórum quanto ao tamanho das mensagens.

Um abraço do

Holbein.

" Mi casa es su casa Holbein", esteja à vontade e faça como queira, é um prazer...

Até+
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  natas em 5/10/2009, 22:40

ja agora conhece alguma coisa de uma russa..... loira....... alta que pelo nome de 6N45C......
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  td124 em 5/10/2009, 22:49

natas escreveu:ja agora conhece alguma coisa de uma russa..... loira....... alta que pelo nome de 6N45C......

Sim conhecida no seu pais pela referência 6P45C, mas nao é um triodo, é um tetrodo de alta potência a raios dirigidos, equivalente da EL509, se a memoria nao me engana. Uma valvula interessante... mas perigosa 900 volts

Até+
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  Convidad em 5/10/2009, 22:52

Amigo Paulo.

Cheguei ao fim do texto de hoje, com a sensação de que poderia ter devorado mais dez páginas (ou mais) tal a beleza com que escreves os teus textos. Quase que se ouvem os aparelhos em causa tal é a descrição quase que queiróziana daquilo que escreves.
Numa palavra.

E até breve.

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  fm&stereo em 6/10/2009, 00:01

:damn: Agora fiquei ainda mais desejoso de entrar no single ended que antes. Shocked E agora?! Como é que vou resolver isto?! :damn:
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  Luke Skywalker em 6/10/2009, 00:59

Cheguei ao fim com gosto de quero mais

TD, obrigado por dividir seu conhecimento conosco.


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Configuração.

Mensagem  holbein menezes em 6/10/2009, 11:10

1º tempo:
Configuração é uma palavra em moda: em outros tempos queria significar o feitio de uma coisa, sua forma exterior, a figura; nos dias atuais, além desses tem um significado para a astronomia, outro para a geometria, um terceiro para a informática. E há também um para nós, os audiófilos, que somos filhos de Deus, se bem que o Diabo vez em quando faz das suas, vira-nos pelo avesso. É dessa configuração audiófila que vou tratar nesta nossa conversa.
Antigamente, montava-se um amplificador - e os velhos audiófilos éramos todos montadores de nossos próprios sistemas - arrumando-se os componentes (capacitores, resistores, bobinas, chaves, válvulas e transformadores) uns sobre outros, e onde coubesse, em geral soldados de pino a pino nas válvulas, ou, na melhor das hipóteses, de ponto a ponto, isto é, em pinos espalhados numa chapa isolante; o resultado nem sempre era bom, via de regra produzia “hum”. Com o surgimento dos transistores e do circuito impresso essa “bagunça” foi evitada, e, em conseqüência, além de arranjo físico mais bonito (“nice to look”), logrou-se um resultado musical melhor, inda que com os mesmos componentes!
A isso chama-se, em eletrônica, de configuração, ou seja, e para ser pedante, arranjo topológico. (Desculpem-me, tenho cá também as minhas vaidades...). Existem aspectos da configuração, altamente técnicos (como por exemplo, entradas de par diferencial, saídas balanceadas, realimentação negativa, essas coisas), como existem também aspectos de pura arrumação, isto é, a maneira como o sinal circula desde a sua formação até à saída nos alto-falantes.
Por exemplo: a sala, os aparelhos eletrônicos e os alto-falantes formam um circuito; o sinal gerado a partir da leitura da fonte sonora (LP, CD, CD-V e fita) pode circular nesse arranjo de mais de um modo, e o resultado final sofrerá ou se beneficiará da configuração adotada. Por isso ela é importante.
Uma das pontas desse circuito são os alto-falantes; que são de dois tipos, dos de caixa e dos de painéis abertos; ambos os dois tipos interagem fortemente com a sala, sendo que os planares são, de longe, os mais exigentes.
O que vocês aí em Portugal denominam de colunas nós brasileiros chamamos de caixa de alto-falante de bobina móvel, aliás, o tipo de caixa que quase toda gente tem. E aqui vai, para efeito de arrumação, a primeira informação importante: uma caixa posicionada nos cantos de uma sala produz quatro vezes mais grave do que se a mesma caixa for instalada, elevada um metro, ao longo da parede; não é curioso? Tem mais: a mesma caixa, se colocada no chão ao longo da parede, embora afastada dos cantos da sala, produz duas vezes mais grave do que se tal caixa, na mesma posição, for erguida um metro. (Não é que produz, caixa de alto-falante não gera energia; o que ocorre é que a energia gerada em algum ponto do circuito, ao se transformar em som no alto-falante é excitada em tais proporções, dependendo, como disse, da posição onde estiver a caixa.)
Mas essa excitação é uma ação específica sobre a região baixa, embora os médios também sofram alguma coisa com a posição da caixa. (Não sei se todos conhecem da norma: o espectro de frequência, em alta-fidelidade, é dividido em três regiões: de 20 Hertz a 100, região baixa; de 100 a 2.000, região média; e de 2.000 a 20.000, região alta; para se ter uma idéia do que isso representa em música, basta que se saiba de que a última tecla da esquerda de um piano de concerto produz um tom fundamental de 27,5 Hertz, e a última da direita, de 4.186.) Ora, vimos que se a caixa está posicionada nos cantos da sala as frequências de 20 a 100 Hertz são excitadas quatro vezes mais; se tal é bom para a reprodução de instrumentos como o órgão, o contrabaixo, a tuba, os tímpanos, o contrafagote, e das notas de mão esquerda do piano, instrumentos que atuam nas frequências baixas, influi também (sombreando os tons) nas trompas, trombones, violoncelos e outros instrumentos que agem na região média, mas que descem por vezes à região dos 100 Hertz; influência que nem sempre é desejável. (Reconheço que o enunciado carece de precisão técnica; em reprodução do som também acontece aquela história de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”).
Isso pode querer significar que o “ideal” seria instalar-se no sistema doméstico duas caixas (por canal): uma para a região baixa (até 100 Hz), e outra para médio/agudo (acima de 100 Hz). Portanto, nessa configuração colocar-se-iam nos cantos da sala as caixas para graves, e as de médio/agudo ao longo da parede dos fundos, elevada um metro. E é na verdade uma boa solução.
Mas aí aparecem problemas, dificuldades técnicas e financeiras inerentes a tal arranjo “ideal”; financeiras: aquisição de divisores de freqüência, mais um amplificador estéreo e o dobro de cabos de ligação; técnicas: se nessa configuração a resposta de frequência é melhor equalizada, e é, vai pro beleléu, entretanto, a maior parte da perspectiva e da ilusão de ambiência, resultados tão desejados. Por quê? Porque o som de uma caixa encostada em parede reverbera instantâneo, dificultando a formação do delay (tempo de espera) responsável em grande parte pela formação da perspectiva e do som ambiente. Não disse que a coisa é complicada?
Uma boa solução é a que acontece nos estúdios de gravação: a monitorização (o playback) é feita por meio de caixas especiais posicionadas no meio da sala, elevadas um metro; e os amplificadores são equalizados para reforçar a região baixa; com tal procedimento evita-se que a região média (o filé mignon da reprodução) receba a indesejável ação excitante produzida pelos cantos da sala e pelas paredes laterais, colorindo-a. Mas quem pode realizar tão bom arranjo em condições domésticas?

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Configuração.

Mensagem  holbein menezes em 6/10/2009, 11:13

2º tempo:
O saudoso Gilbert Briggs, da Wharfedale, o inglês que revolucionou a arte da reprodução do som na década de cinquenta, resolveu o problema do posicionamento das colunas pondo as caixas para graves nos cantos da sala - para receber o reforço de três superfícies refletoras -, instalando, porém, os alto-falantes de médio e agudo fora das caixas, e no topo delas, virados para cima para obter maior dispersão. Com tal configuração os alto-falantes de médio e agudo não só não recebiam o reforço do chão como ficavam livres do efeito pernicioso do “encaixotamento”, uma vez que instalados numa espécie de gaiola de amplos vazados revestida de tecido ortofônico.
Mas saiamos do nirvana e desçamos à Terra: o que fazer para melhorar a performance da caixa que temos, eis a questão. Qual configuração adotar?
[Antes, uma afirmação bastante séria: sempre é possível otimizar um sistema de som, seja ele qual for; sendo a recíproca tragicamente verdadeira, porque é bem mais fácil piorar. Assim, pois, cuidado!]
A coisa mais sensata a fazer é não dar muita bola para as indicações dos manuais dos fabricantes de caixas; não porque tais indicações sejam erradas, não é isso, é porque não levam em conta as nossas peculiares condições de sala.
Então, fazer o quê?
Dou a seguir algumas regrinhas gerais que podem ser “pensadas” e experimentadas (em relação aos alto-falantes de caixa, é claro):
1 - quanto maior, melhor (em inglês ficaria supimpa: “the big, the best”); se sua esposa (ou marido) é daqueles raros espécimens dóceis que permitem você ocupar com o sistema de som o melhor canto da sala de visitas, nesse raro caso tenha então a maior caixa que a sala comportar; assim, começará bem;
2 - não coloque as caixas nos pontos que tiverem ficado livres na decoração; inverta a ordem, faça a decoração em função das caixas (e do sistema), e só após tê-lo configurado (ajustado). O bom decorador não é aquele que se serve de sua sala para realizar performances artísticas, mas aquele que utiliza os conhecimentos que tem para resolver os problemas da sala, e um deles é o sistema de som;
3 - estéreo é sempre melhor do que mono, ou seja, duas caixas são melhores do que uma; em sendo assim, quatro caixas são melhores do que duas, e seis, melhores do que quatro. Não se trata de uma dízima periódica acústica, não se assuste, o limite são seis, posicionadas na seguinte configuração: duas caixas principais, afastadas das paredes (mas não equidistantes) e colocadas sobre pedestais em frente dos assentos, duas caixas para subgrave (que podem ficar em qualquer ponto da sala, até escondidas debaixo de poltronas – porque abaixo dos 100 Hertz o som não tem direção, a ilusão acústica será de que o grave provém da frente; curioso, não é?), e duas colunas para a reprodução do som ambiental (colocadas atrás dos assentos dos ouvintes, e de preferência no alto). O som ambiental pode ser o Dolby Pro Logic (ou sucedâneo) ou pode ser o singelo diferencial de fase inventado por David Hafler. No caso do sistema Hafler, o busílis está no tanto (volume) de som ambiental preferido; há pessoas que suportam mais que outras. De qualquer maneira, um tipo qualquer de som ambiental é sempre melhor do que nenhum; (eu uso um em meu sistema desde agosto de 1970);
4 – no arranjo dos aparelhos do sistema, a distância entre os amplificadores e os alto-falantes deve ser menor do que a distância entre o pré-amplificador e os amplificadores. Não me perguntem por que, que não sei; a experiência indica. O que quer significar que os cabos de interconexão devem ser mais compridos entre pré e amp do que entre amp e caixas. (Essa é uma regra geral, que se não for seguida não prejudicará muito a configuração. O que tento desenhar aqui é a configuração “ideal”, e porque ideal, difícil de ser obtida.);
5 - (agora um pequeno show de erudição. “Sorry”.): parafraseando Shakespeare, vibração, teu nome é distorção! E citando no original o professor Ken Pohlmann, da Universidade de Miami: “Vibration is bad. Transmitted to the analog circuitry, it can deteriorate sound quality; for exemple, mechanical vibration can be converted into electrical signals by capacitors.Assim, e atenção! nada na sala de som deve vibrar a não ser o estilete de diamante nos sulcos dos discos analógicos, se você ainda os usa, e os cones dos falantes. Por essa razão é que todos os aparelhos (todos!!!) do sistema de reprodução eletrônica do som devem ser tratados com algum método antivibratório; e aqui, creiam-me, nunca haverá excessos, nunca; quanto mais, melhor.

[Esse negócio de vibração está sendo tão pesquisado que, outro dia, li com espanto o seguinte: a) a distorção conhecida como THD+N dobra de percentagem se o CD Player está sujeito à vibração ambiente (produzida pela pressão sonora dos alto-falantes) e a distorção IM cresce de 0.0032 para 0.0043, na mesma situação; b) que as vibrações ambientes entram no sistema eletrônico (pré e amplificadores) via capacitores (tese do Dr. Pohlmann); c) que os sistemas analógicos são mais sensíveis às vibrações do que os digitais; e por aí afora. Criando distorções que conhecemos no dia-a-dia com a pejorativa expressão de “som eletrônico”. Assim, pois, use toda sua imaginação e engenho e arte, mas evite vibração a qualquer custo.]

6 - agora vem a questão da eletricidade (será que ainda disponho de espaço, Sr. Administrador?). Para alegria dos “dealers” de placebos (accessórios mágicos), vai aqui um “merchandising”, citando de novo o Prof. Ken Pohlmann: “An accessory that is highly recommended is an AC line noise filter and surge suppressor, sometimes called a spike filter.” Diante de tal autoridade, que tenho ainda a dizer? Apenas para informar que alimento meu atual sistema da seguinte maneira: ledores e a parte eletrostática dos sonofletores Martin Longan “Clarity”, alimento-os com energia pura gerada a partir de baterias, e invertida para AC por dois “no-break”, um para cada canal; e os amplificadores “single ended” 300B, alimento-os direto do medidor da rede pública, mas cada mono amplificador ligado numa fase elétrica própria.

Ora, pois, pois, no fundo somos todos “audiotas”; no bom sentido.

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  jdickson em 7/10/2009, 20:32

natas escreveu:
Orion escreveu:
Luke Skywalker escreveu:Obrigado ao Paulo e ao Holbein pelos excelentes post, tanto sobre áudio como sobre vida.

Não desanimem...

uma das coisas que me deixam feliz é dar alegria aos outros e acredito que com vcs seja parecido.

Então, podem se alegrar, pois vcs me deixam muito feliz

Nem mais! Faço minhas as sábias palavras do amigo Luke.

A historia esta deliciosa....ja dizia o VINIL33....tenho e procuro algumas destas loucas maravilhas....neste momento estou a "tentar" recuperar dois monoblocos AI 1000 se....ja sei quem vou chatear, se me for permitido, vamos a resto dos capitulos...
Viva!

Eu tive uns Audio Innovations 1000 e cedi-os a um amigo que lhes fez algumas alterações. Se quiseres trocar impressões com ele, é dizer, que lhe farei chegar essa informação.
Cumprimentos

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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  td124 em 7/10/2009, 21:43

holbein menezes escreveu:2º tempo:

...

Ora, pois, pois, no fundo somos todos “audiotas”; no bom sentido.

Complétamente de acordo e obrigado pela participaçao Holbein:

A breve historia acabou. Vou fazer um capitulo a mais (BIS) como fiz para os gira-discos. E a minha maneira de pagar uma divida que tenho com o vinil33. Assim isto acaba em beleza ...

Até+
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

Mensagem  vinyl33 em 7/10/2009, 21:46

td124 escreveu:
A breve historia acabou. Vou fazer um capitulo a mais (BIS) como fiz para os gira-discos. E a minha maneira de pagar uma divida que tenho com o vinil33. Assim isto acaba em beleza ...
Até+

Eu nem quero acreditar....Não me digas.....Leak ??
Qualquer que seja o desfecho, já sei que vai ser com chave de oiro e com o brilhantismo habitual...

Venha ele.....e grato.
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Re: A breve historia dos Amplificadores a valvulas...

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