ESCUTA... arte desconhecida

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ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  td124 em 29/8/2009, 10:38

Olà,

vou iniciar um novo topico que pode interessar alguns de voçês, trata-se de uma iniciaçao à escuta analitica. Do que é que se trata ??? Bom, da mesma maneira que os oénologos tém um método para a prova justa dos vinhos, os designeres audio (e alguns jornalistas) tém um método para a anàlise justa de um elemento ou de um sistema. Vou através de alguns capitulos vos comunicar as bases dessa anàlise, afim que as coisas que voçês sentem à escuta se tornem mais claras e que a linguagem de troca com os outros seja a mais justa e standart possivel.

Os sentimentos de escuta desdobram-se em 10 elementos primarios, cinco objectivos e cinco subjectivos. O modelo apresenta-se sobre a forma de duas estrelas sobrepostas. A primeira estrela representa os elementos objectivos e esconde a segunda que possede os elementos subjectivos. Aqui vai a representaçao grafica da coisa, e as primeiras dicas de compreensao:




Os elementos objectivos: Sao os parametros que podem ser medidos (cientificos) e / ou que nao tém necessidade de um conhecimento particular para serem analisados. Os elementos objectivos sao instinctivos e tém uma relaçao com os sons e nao com a musica. Sao os elementos que mesmo um leigo vai ser sensivel deste a primeira escuta de um sistema...

Os elementos subjectivos: Sao os parametros que nao sao mesuraveis e que dependem da cultura musical e audio do auditor. Alguém que nunca ouviu um violino, nao pode analisar o timbre de uma gravaçao de violino !!! Os parametros subjectivos sao entao dependentes da experiênçia do auditor e da sua capacidade a relativisar os resultados actuais com o seu patrimonio de memoria.


A escuta funciona em binomio, ou seja, cada elemento tém o seu gémeo do outro lado e saber diferencia-los é começar a ver a luz no meio da penumbra. Hà cinco binomios, vamos là entao compreendê-los:

Dinamica / Rapidez: A dinamica é um elemento objectivo e é a diferença entre o som mais fraco (audivel justamente) e o mais forte (sem distorçao audivel) reproduzidos por um aparelho. A rapidez é a velocidade subjectiva com que se passa do mais fraco ao mais forte.

Definiçao / Transparência: A definiçao é a quantidade de microinformaçoes (detalhes) extraidas pelo aparelho e perfeitamente diferenciadas e audiveis. A transparência é mais complexo pois, é a capacidade de um aparelho a diferenciar notas, timbres, vozes etc proximas sém alguma ambiguidade nem confusao.

Palco / Relevo: O Palco é a posiçao no espaço dos interpretes, largura, altura e profundez assim que a estabilidade da posiçao durante toda a gravaçao. O relevo é a materializaçao do Palco, e implica por ex: o sentimento que um violino é mais pequeno que um violoncelo...

Banda / Timbres: A banda é a capacidade de um aparelho a descer muito no grave e subir muito nos agudos, ou seja, a extençao de frequências que ele cobre e reproduz bem. O Timbre é a desmultiplicaçao harmonica dessas frequências e é medido pela justeza em relaçao à memoria do som original do instrumento ou das vozes.

Linearidade / Coerência: A linearidade é a capacidade de um aparelho a reproduzir a banda sem altos nem baixos no nivel sonoro ou noutro parametro técnico. A coerêcia é diferente, é um equilibrio de qualidade em toda a banda, com o sentimento que os agudos, médios e graves se fondem num equilibrio perfeito e sem discontinuidade.

Pelo momento vamos ficar por aqui, digam-me o que pensao e...

Como sempre Até+

td124
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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  Paulo André em 29/8/2009, 11:10

Mais um excelente tópico, obrigado Paulo

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Cumprimentos
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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  td124 em 29/8/2009, 11:29

Vamos là continuar isto:

Para os que leram entre as linhas, os elementos objectivos sao de ordem da quantidade (mesuraveis) e os subjectivos de ordem da qualidade (sensiveis). Podemos ir mais longe: os primeiros sao analisados pela cabeça e os segundos pelo coraçao, mas logo iremos mais longe...

O que è importante a compreender neste estado é que TODOS TEM O MESMO VALOR. A qualidade da escuta é a soma deles e nao a escolha sensivel dos que nos tocam mais na nossa sensibilidade...
Visto que o funcionamento é por binomio (fazendo pensar ao Yin e Yang chinêz) e que tudo se desmultiplica vamos là entao cortar espiritualmente o nosso modelo horizontalmente. O resultado é que vamos ter cinco elementos em cima e cinco em baixo como podem ver:




As coisas avançao nao ?, agora temos cinco elementos que sao os responsaveis dos sentimentos de clareza, frio, e leveza à escuta. E cinco que sao os responsaveis de escuta escura, quente e materialisada. O facto de compreender estes elementos é importante, pois vai permitir de jogar entre eles quando se constroi (ou se optimisa) um sistema, afim de obter os resultados que gostamos mais. E evidente que o equilibrio neutro é o resultado dos dez elementos com o mesmo valor.

Afim de mostrar exemplos para facilitar a compreensao e visto que actualmente o discurso tém o vento em popa vamos là utilisar a nossa nova ferramenta para analisar (o que ao nivel da deontologia é discutavel) o som do CD e o do Vinilo. Numa analise rapida e quase sem reflexao uma coisa apareçe como evidente: O CD ganha e é mais forte sobre os parametros objectivos e o vinilo ganha nos subjectivos, ou seja o CD brilha pela dinamica, definiçao, palco, banda e linearidade !!!, o vinilo na rapidez, transparencia, relevo, timbres e coerência !!!...

Nada mau hem ???, desde a segunda aula e sem preparaçao nao estamos là muito longe de fazer a paz entre os dois formatos e de dizer objectivamente: Num ponto de vista logico e analitico é empate, e a cada um de escolher segundo a sua sensibilidade e patrimonio auditivo...

Logo aprofundi-mos tudo isto...

Até+

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  td124 em 29/8/2009, 12:47

Cà estou de volta... Very Happy

Espero que pelo momento a apresentaçao do modelo seja compreendida por todos. Visto que os parametros de escuta (como em qualquer modelo) sao uma divisao da realidade e uma reconstruçao desta mesma afim de facilitar a comprensao, vamos là redividir o nosso modelo:
Na ultima versao gràfica do modelo tinha-mos obtido o equilibrio tonal, ou seja, claro e escuro. Agora vamos cortar o nosso modelo verticalmente (em deixando o corte horizontal) e vamos obter quatro sectores de dois elementos e meio cada. Repartidos assim a associaçao de cada sector vai ser responsavel de uma sensaçao de escuta da maneira que se pode ver:




Como véem o sistéma é cada vez mais proximo das sensaçoes que a escuta da musica procura, e os termos utilisados sao cada vez mais humanos ou artisticos, o que é uma condiçao necessaria para analisar uma disciplina que lida com uma arte primeira, ou seja, a musica...
Actualmente estao em pocessao do modelo, que é apenas uma ferramenta. Vamos là aprender a utilizà-la correctamente. Antes de o fazer é importante de ver uma analogia que o modelo possede com a filosofia e que o torna perturbante. Se olhar-mos bem para os quatro sectores actuais e fizer-mos uma analogia de espirito com a filosofia vamos encontrar os quatro elementos primitivos da terra, ou seja, o ar, a agua, o fogo e a terra. Incrivel nao !!! A este estado algo se destaca também e que explica a dificuldade (às vezes) de discurso entre audiofilos. Se cada um olhar para o modelo é evidente que hà sectores que correspondem mais à sua sensibilidade que outros. Isto vai falsear a analise, pois vamos ser mais receptivos a esses elementos que aos outros e a nossa analise nao vai ser boa pois ela vai ser honesta mas nao justa. E importante de compreender os sectores que nos sensibilizao, afim de fazer uma compensaçao quando estiver-mos em face de uma escuta analitica.
Em pouco tempo jà disse muito e transmiti uma ferramenta de grande potência para analisar a paixao que nos reune. A proxima etapa vai ser como aprender a utilizar este instrumento. Até là visualizem bem o modelo e tentem fazer com que ele se torne numa mecanica automatica desde que escutarem. Vao ver voçês vao descobrir coisas que nunca tinham ouvido, ou entao de uma maneira diferente...


Até+

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  Nox em 29/8/2009, 16:10

bom post

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  LM em 29/8/2009, 16:56

Modelo interessante para quem pretenda enveredar por um processo descritivo do resultado da audição de sistemas de áudio ou até várias gravações distintas do mesmo disco.

Não parece, contudo, responder a uma questão muito relevante e com peso no dominio da subjectividade: hierarquização.
Sem querer discutir a "quantidade" de parametros a medir, é indiscutível que para uns o "palco" terá mais importancia do que a "dinamica", por exemplo. Esta hierarquização é fundamental na tomada de decisão.

Abraço

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  Luke Skywalker em 29/8/2009, 19:18

Belo tópico study

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Abraços, Luke
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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  td124 em 29/8/2009, 20:55

LM escreveu:Modelo interessante para quem pretenda enveredar por um processo descritivo do resultado da audição de sistemas de áudio ou até várias gravações distintas do mesmo disco.

Não parece, contudo, responder a uma questão muito relevante e com peso no dominio da subjectividade: hierarquização.
Sem querer discutir a "quantidade" de parametros a medir, é indiscutível que para uns o "palco" terá mais importancia do que a "dinamica", por exemplo. Esta hierarquização é fundamental na tomada de decisão.

Abraço


Nao confundir norma e gosto pessoal. A hierarquia é definida sem intervençao da sensibilidade. Um bom aparelho, continua a ser bom mesmo se nao gostamos do som dele. O gosto pessoal nao define hierarquia alguma, mas a analise objectiva de um aparelho sim. Este modelo serve a ter certezas e nao crenças. A cada um de o exerçer no dominio que queira, para uma compra futura (mas é inadaptado) ou para progredir na compreensao dos fenomenos da escuta e se tornar num audiofilo mais completo, e ai é muito potente...

Até+

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  fm&stereo em 29/8/2009, 22:05

td124 escreveu:

Afim de mostrar exemplos para facilitar a compreensao e visto que actualmente o discurso tém o vento em popa vamos là utilisar a nossa nova ferramenta para analisar (o que ao nivel da deontologia é discutavel) o som do CD e o do Vinilo. Numa analise rapida e quase sem reflexao uma coisa apareçe como evidente: O CD ganha e é mais forte sobre os parametros objectivos e o vinilo ganha nos subjectivos, ou seja o CD brilha pela dinamica, definiçao, palco, banda e linearidade !!!, o vinilo na rapidez, transparencia, relevo, timbres e coerência !!!...




Parabéns, mais uma vez, td124! Belo tópico! Very Happy
Apenas quero deixar a impressão que experimento e que é a de no vinilo encontrar maior banda que no CD. De resto, é realmente esta a minha preocupação: procurar ser neutro na escuta, para que possa saborear verdadeiramente aquilo que ouço. Wink

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  td124 em 29/8/2009, 22:25

fm&stereo escreveu:
td124 escreveu:

Afim de mostrar exemplos para facilitar a compreensao e visto que actualmente o discurso tém o vento em popa vamos là utilisar a nossa nova ferramenta para analisar (o que ao nivel da deontologia é discutavel) o som do CD e o do Vinilo. Numa analise rapida e quase sem reflexao uma coisa apareçe como evidente: O CD ganha e é mais forte sobre os parametros objectivos e o vinilo ganha nos subjectivos, ou seja o CD brilha pela dinamica, definiçao, palco, banda e linearidade !!!, o vinilo na rapidez, transparencia, relevo, timbres e coerência !!!...





Parabéns, mais uma vez, td124! Belo tópico! Very Happy
Apenas quero deixar a impressão que experimento e que é a de no vinilo encontrar maior banda que no CD. De resto, é realmente esta a minha preocupação: procurar ser neutro na escuta, para que possa saborear verdadeiramente aquilo que ouço. Wink


E possivel que tenhas razao Wink , mas eu tinha deixado a duvida em dizendo que a analise era rapida e sem reflexao... Cool

Logo analisamos tudo isso no detalhe. Jà estas melhor ?

Até+

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  fm&stereo em 29/8/2009, 22:59

td124 escreveu:
Logo analisamos tudo isso no detalhe. Jà estas melhor ?

Até+


Já, obrigado!

Este é um tópico que vai dar que falar. Cool É que isto entra já numa temática que está ainda por explorar: a acústica. Wink

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  Convidad em 30/8/2009, 00:01

fm&stereo escreveu:
Apenas quero deixar a impressão que experimento e que é a de no vinilo encontrar maior banda que no CD.


É interessante que foi exactamente esta a minha primeira questão ao analisar as estrelas. Laughing

De resto, quero dar os parabéns ao td124 por mais este excelente tópico que nos vai enriquecer a todos. (os interessados) Mas ainda vou ter que estudar e digerir melhor a coisa. lol!

Abraço e as melhoras para o amigo Fernando.

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  fm&stereo em 30/8/2009, 00:10

António José da Silva escreveu:
fm&stereo escreveu:
Apenas quero deixar a impressão que experimento e que é a de no vinilo encontrar maior banda que no CD.


É interessante que foi exactamente esta a minha primeira questão ao analisar as estrelas. Laughing

De resto, quero dar os parabéns ao td124 por mais este excelente tópico que nos vai enriquecer a todos. (os interessados) Mas ainda vou ter que estudar e digerir melhor a coisa. lol!

Abraço e as melhoras para o amigo Fernando.


Obrigado. Digere bem isto que, em princípio, na quarta-feira vais digerir outra coisa - um peixinho. lol!

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  Orion em 30/8/2009, 01:12

Sem dúvida um deleite para o nosso conhecimento, com tanta sapiência partilhada e aqui solidariamente disponibilizada. O meu grande obrigado também, ao caro td124. Brilhante uma vez mais.

Fernando, poe-te fino para poderes vir na 4.ª. Very Happy

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Re: ESCUTA... arte desconhecida

Mensagem  mr_niceguy em 30/8/2009, 01:20

[quote="António José da Silva"]
fm&stereo escreveu:
Apenas quero deixar a impressão que experimento e que é a de no vinilo encontrar maior banda que no CD.


É interessante que foi exactamente esta a minha primeira questão ao analisar as estrelas. Laughing

De resto, quero dar os parabéns ao td124 por mais este excelente tópico que nos vai enriquecer a todos. (os interessados) Mas ainda vou ter que estudar e digerir melhor a coisa. lol!

Abraço e as melhoras para o amigo Fernando.

Caro José António,
Ontem tive mais uma experiência analógico vs digital na casa de um verdadeiro audiófilo cá do norte.
Fontes digitais: Theta Data 3 + Generation V (valor de novo à época, 15.000 €, mais euro, menos euro...)
Fontes analógicas: Audio Innovations P2 MC + Pink Triangle Anniversary, alimentação a baterias + SME V + Benz Ref. (valor aprox, equipamento novo 8.000 €)
Não digo o resto do equipamento (os aparelhos são com nomes a terminar em Reference, etc, etc) pois foi o mesmo para as fontes digitais e analógicas, cablagens de nivel idêntico.
Começamos (eram 6 ouvidos já experimentados) por ouvir as fontes digitais: muito, muito bom! Acho que o Generation V deve ter sido um dos melhores conversores independentemente do preço que alguma vez se produziu!
Mudamos para o analógico e olhamos uns para os outros e dissemos: já não queremos digital!!!!!!!!!!!!!! O som das fontes analógicas acima era SOBERBO!!!!!!!!!!!!
Conclusão: a única objectividade são os nossos ouvidos, tudo o resto é patetice. De resto até comprei um cd hoje, acho que a única vantagem que tem sobre o vinil é resultante do nosso comodismo.MAIS NADA!!!!
Obrigado ao TD124, fiquei a saber mais uma teoria, mas na prática....

mr_niceguy
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