Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

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Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 21:02

Breve historia dos GD... introduçao

Durante um certo tempo aqui fiz uma viagem modesta aos confins destas maquinas que marcaram e continuam a marcar a historia da alta fidelidade. Sem pretençao nem orgulho, o que começou por uma brincadeira tornou-se, num romance apreciado por muitos e talvez numa originalidade quase unica do Forum audioPT. Estou feliz de o ter feito, mas sobretudo estou feliz que os que seguiram esta saga tenham apreciado. Tudo foi feito a sério, ou seja no respeito dos intervenantes. Em primeiro dos homens que fizeram estas maquinas (todos nomeados), da historia, das maquinas mesmas, que ultrapassaram o estado de materia inanimada para nos procurar emoçoes e assim entrar un pouco no mundo dos humanos. Enfim no respeito de voçês mesmos, para quem o trabalho foi feito e que nao teria tido algum valor com a vossa ausência.

Obrigado por me terem lido, e obrigado pela vossa amizade...

Montpellier le 21 Aout 2009



Breve historia dos GD... iniciaçao às maquinas

Um gira discos é em aparencia um aparelho simples, na realidade tecnica é muito mais complicado. Vamos compreender juntos, como um dos mais simples dos aparelhos audio, no absoluto é um quebra-cabeças que resiste à perfeiçao desde à mais de cinquenta anos.

A FINALIDADE DO GIRA DISCOS :

Um bom GD, deve rodar a uma velocidade (determinada) constante, e sem variaçao, qualquer que seja a profundeza (frequência) do sulco do vinilo lido, e o peso aplicado à célula (1). E enfin deve evitar que as vibraçoes externas, ou as internas enviadas pelas péças moveis (motor e prato), chegem até à célula (2). Deve garantir que o suporte do braço e o eixo/prato sejam perpendiculares em permanencia (3).

A partir destas exigencias, as marcas criarao tecnologias para as respeitar au maximo possivel. As tecnicas utilisadas vao dar origem a vàrios tipos e familias de gira-discos. Vamos ver como se dividem e organisao essas familias.

A MOTRICIDADE :

Existem três tipos de GD segundo a motricidade :

ROLDANA : O prato é movido por uma roldana em borracha que esta em contacto com o prato e é comandada pelo motor.

Exemplos : Garrard 301 e 401, Thorens TD 124, Lenco A75, Rek o Cut, EMT 938, etc

CORREIA : O motor tem uma polia que através uma correia em borracha, (ou vàrias, ou um fio) faz mover o prato pela periferia ou pelo interior.
Exemplos : Rega, LINN, Project, AVID, Thorens, Michell, Transrotor, etc

DIRECTO : O eixo do prato é o eixo do motor. O prato é movido directamente sem intermediario mecanico directamente pelo motor.

Exemplos : Denon, Micro Seiki, Goldmund, Technics, Onkyo, EMT, etc

A ISOLACAO VIBRATORIA :

Existem quatro tipos de GD segundo o tipo de isolaçao :

RIGIDO : Neste caso considera-se que nao hà suspensao. O amortecimento faz-se ou pela massa (GD pesado), ex : Thorens série 800 e 2001, Clearaudio etc ou pelo movel aonde esta pousado e fixado, ex : Garrard, EMT, etc. Em alguns casos o GD é leve mas o motor é suspenso, e os pés sao moles (chamados tabuas) ex : Rega, Funk, Project, etc

SUSPENSO : O grupo prato/braço é separado fisicamente do corpo do GD por uma suspensao a molas, viscoelastica, magnética, pneumatica, etc. Existem dois tipos :

Contraplaca suspendida : O grupo prato/braço é suspendido no interior do corpo em tomando como apoio a placa superior do aparelho, ex : LINN, Thorens TD150/160, Pink Triangle etc

Placa suspendida : O grupo prato braço é pousado através da suspensao numa base. O conjunto forma o corpo do GD, ex : Thorens TD125, Michell, Project Xpérience, AVID volvere etc

AMORTECIDO : Neste caso o gira e o grupo prato/braço sao um so e rigidos, mas o contacto com o movel faz-se com uma tecnica que permete de o isolar au nivel das vibraçoes. Pode ser a sustentaçao magnética ex : VYGER Baltic M, pode ser viscoelastica ex : AVID Diva II, ou amortecedores pneumaticos ex : VPI TNT.

PESADO : Neste caso a massa do GD é enorme, geralmente mais de 40 Kg. E o peso enorme do gira que abaixa a frequência de resonancia do grupo GD/Movél e anula as vibraçoes. O prato e o corpo tém geralmente dimensoes muito grandes ex : Epure, Verdier, Onken etc.

Estes elementos determinam as familias e os grupos de todos os giras que existem. Hà excepçoes mas sao raras e geralmente proximas de um grupo citado.


Última edição por td124 em 21/8/2009, 22:51, editado 1 vez(es)
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Mensagem  td124 em 21/8/2009, 21:09

GARRARD 301... o primeiro mito eterno

E.W.Mortimer pode estar orgulhoso. A maquina que ele criou em 1954 continua a desafiar o tempo e mesmo a logica. Contemporaneo dos grandes EMT profissionais o G301 é anterior à gravura estéreo. Uma mecanica simples e robusta, materiais de qualidade e um belo equilibrio das massas em movimento sao qualidades reais do aparelho, mas que infelizmente nao explicam o som perturbante que ele pode procurar. Os segredos desta maquina serao impossiveis a compreender durante muitos anos ainda e isto participa ao mito. Os seus defeitos sao a sua maior qualidade e isto desafia a mecanica. O laboratorio SHINDO no Japao fez uma versao amelhorada desta maquina que entrou na lenda, e é um dos giras que procuram a maior vertigem à escuta. Vamos là tentar compreender um pouco este fenomeno...
O GARRARD 301 :

Apresentaçao : Primeiro GD considerado verdadeiramente de alta-fidelidade o G301 é um mito absoluto e a sua procura continua actualmente e os preços continuam elevados para uma maquina que tém mais de cinquenta anos. E um « idler drive » o que quer dizer que o prato é movido por uma roldana em borracha. O motor possede 3 polias, que em contacto com a roldana (que esta em contacto com o interior do prato) permetem de obter as velocidades de 78, 45, e 33 voltas por minuto. Um travao magnetico permete de variar a velocidade de +/- 3%. Nao é um GD no sentido proprio mas um motor de reproduçao « transcription motor », pois de origem nao tem braço nem base, é feito para ser encastrado num movel e ligado ao braço que se quizer. Cerca de 100000 foram produzidos entre 1954 e 1966. Existem dois tipos o « grease bearing » e o « oil bearing » que corresponde à lubrificaçao do eixo central por massa “grease” e a oleo “oil”. Os mais antigos sao de cor cinzenta martelada, pois eram feitos com os restos do armamento da segunda grande guerra, depois a cor ficou a ser creme branqueado. O motor de 16 Watts é potente e uma das suas maiores qualidades e defeitos.

Avantagens : A trilogia motor potente, mecanica simples e pragmatismo concetual inglês, fazem da G301 um verdadeiro camiao. Isto nunca avaria e roda sempre a uma velocidade relativamente justa. O sistema de roldana impede as micro-travagens quando os sulcos sao profundos ou com celulas com força de apoio elevadas. O sistema de roldana permete tambem de auto-amortecer o prato que permete um grave profundo e uma frequencia de resonancia estavel. A escolha de um braço de 9 a 12 polegadas é mais facil e a base pode ter a estetica que se deseja. O gira pode ser facilmente amelhorado com varios « tweeks » disponiveis. Tudo ou quase é metalico e se desmonta com uma chave de fendas o que permete de reparar facilmente um problema qualquer.

Inconvenientes : Muitos !!! A sagrada rigidez braço/prato nao é optimal (é mesmo muito mà) neste GD, o motor « polui » magneticamente as celulas com resultados estranhos (é o unico ponto em que o G401 é superior), e vibra muito devido a potencia e a equilibragem que nao é muito precisa, a polia de pequeno diametro que roda a 1500 vpm, derrapa (micro-derrapagem) sobre a roldana e faz variar a velocidade do prato, a ausencia de suspensao e as vibraçoes do motor conferem-lhe um rumble importante. A simplicidade de fabricaçao e as toleranças largas do eixo principal fazem com que a precisao de leitura dos micro-sulcos nao seja ideal. Ultimo ponto, o barulho de ferro-velho dos cardans de comando, dao uma sensaçao de rafeiro ao GD, mas os aficionados (como eu) adoram, pois faz parte do objeto.

Escuta : O G301 é um aparelho magico. A soma dos seus defeitos daria em todo outro GD um lamentavel fiasco. No G301 esses defeitos se tornam em qualidades hipnoticas. A dinamica do 301 é fantastica, quase selvagem. A musica tem vida, ritmo e abertura. As vozes teem uma materia e uma espessura unica, devido ao braço separado do suporte do prato. A ausencia de rigor fina (devido entre outras, às tolerancias largas de fabricaçao) produz um som aveludado nas vozes, e nos saxophones que nao existem em nenhum outro GD. O 301 transforma a ausencia de justeza e rigor, num som humano que enfeitiça o auditor. E um dos raros giras que marca o som da mesma maneira, qualquer que seja o braço, célula, ou phono associados. Em resumo o G301 brilha pela dinamica e pela vida que confere à musica, a subtilidade, a elegancia e a justesa ele deixa aos outros colegas que fazem melhor. Um gira de raça, um pouco rock, que quando se ama nao hà equivalente. Um mito justo que continua a perturbar os sentidos...
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 21:16

THORENS TD124... um diamante eterno




Estamos nos anos cinquenta. Na comuna suiça de St Croix, perto da fronteira françesa, um homem vai conceber um gira-discos que vai influençar a fabricaçao destas maquinas até aos dias de hoje. Chamava-se Louis Thevenaz, era o director do laboratorio de pesquisa da Thorens, e é o pai do TD124, que é puramente e simplesmente « ao nivel technico » o mais fabuloso gira-discos jamais concebido (jà vejo o sorriso do Antonio…
). Esta afirmaçao faz a unanimidade no seio dos especialistas. Vamos compreender juntos porquê ! Afim de nao repetir o livro (magnifico) do Joachim Bung, vamos nos concentrar sobre os detalhes tecnicos (e sao muitos !!!) que fazem a grandeza desta maquina. Nem o meu nickname, nem nada, fai fazer com que perda a minha objectividade ao escrever estas linhas, estejam descansados !!!

Ultimo detalho necessario para compreender esta maquina. O TD124 tem um segredo : é um caso unico de uniao do rigor alemao, com a originalidade conceptual françesa e o génio mecanico italiano. Isto tudo junto dà o que se chama a precisao suiça “la précision Suisse”.


O THORENS TD124 :

Apresentaçao : Como podem ver pela imagem, o 124 é radicalmente diferente do G301. Mesmo se os ingleses o consideram como o Rolls Royce dos « transcription motors », nao é o caso. O Thorens é um verdadeiro GD com um braço incorporado e uma base de apoio. Tem 4 velocidades 16, 33, 45 e 78, um verdadeiro stroboscope interno e uma regulaçao de velocidade de +/- 3%. Possede un sistema de arranque rapido e um adaptador de 45 (singles) escamotàvel. Tém um sistéma de equilibrio do nivel com uma bolha incorporada no corpo (muito importante com os “idler” pesados). E um gira semi-professional que ataca pela frente as Garrard e EMT, e isto explica o armamento excepcional embarcado. Existem dois modelos que sao o TD124 e o TD124 MKII que tem uma estetica mais moderna e um prato em liga de aluminio (ZAMAC). Cerca de 5000 TD124 foram produzidos mais 3000 MKII, entre 1957 e 1968. O MKII é o mais procurado, mas o 124 é para os especialistas melhor fabricado, soa melhor, e para os fanaticos é o unico e verdadeiro TD124.


Avantagens : A primeira é o sistema unico (mixto de correia e roldana) de motricidade. E um GD a roldana (idler drive), mas o motor que possui uma polia unica, move através uma correia um volante que possede quatro polias que comandam a roldana. Este sistema permete de filtrar as vibraçoes do motor, de aumentar o diametro das polias e assim evitar as micro-derrapagem de fricçao, e permete ao motor de esforçar menos e ter menos potência, o que produz menos de vibraçoes. Três coelhos de uma cacetada, é isto que se chama a originalidade conceptual françesa. O sistema de arranque rapido é muito astucioso também. Para evitar a variaçao da velocidade ao acender o GD (e evitar o gasto da roldana e do motor), o prato principal é coberto por um segundo prato em aluminio que se levanta (é um botao à esquerda do prato) enquanto o outro continua a rodar. A fabricaçao tém toleranças de uma precisao rara. O eixo principal, forjado a frio, torneado e depois endurecido por cinco vezes e ao final polido como um espelho (polido superior ao da Rolex na época) atinge a dureza de 75 HRC !!!, (é a mesma coisa para o eixo do volante e da roldana). Està encastrado numa chumaçeira massiva com duas camisas de bronze esponja « sintered bronze » que guarda o oleo e o restitui pouco a pouco. A tolerancia eixo chumaçeira é de <7 microns à saida da fabrica, isto é o rigor alemao. O prato de 5 Kg é feito de aço ao carbono sem bolhas (cromolybden), como os guizos das vacas dos alpes, forte, duro, pesado e sobretudo inalteravel (a tolerançia de <7 microns foi escolhida, pois corresponde ao grao do aço cromolybden, e permete de atenuar a resonançia prato/eixo/roldana). Todas as peças em movimento sao equilibradas dinamicamente, e trabalham sem jogo nem barulho. O supporte de braço pode ser mudado a qualquer momento, basta desaparafusar os três parafusos. O 124 é suspendido por quatro cogumelos em borracha « mushrooms » que sao uma espécie de suspensao e que diminui o rumble. Os cogumelos entram en quatro botoes que movidos estabilizam o nivel do GD, que se pode controlar pelo nivel a bolha incorporado. Para acabar o corpo do GD é feito de liga de aluminio nervurado (Zamac). A estetica do gira é mais trabalhada que na Garrard ou EMT, com o prato coberto pelo corpo. Isto é o que as pessoas pensam, na realidade a forma do corpo é para aumentar a resistençia à torsao. O G301 tém uma resisténcia de 98 Kg, o EMT 930 de 154 Kg, e o TD124 de quase 480 KG !!! A forma é ditada pela funçao, e isto é o génio mecanico italiano. Esta ultima avantagem permete ao 124 de ter a sagrada rigidez braço/prato ao nivel dos melhores do mundo actuais. Esta maquina sem electronica e completamente mecanica, bem lubrificada e em bom estado tem uma velocidade estabilizada a 33 vpm, de 0,01%, podendo ser variada em funcionamento de +/- 3%, e um rumble ponderado de -60 dB (com os cogumelos em bom estado e a nivel) !!! E tudo isto em 1957, estao a compreeder porquê o 124 é o pai e o rei de todos os gira-discos modernos de topo de gama, e um caso unico na historia destas maquinas ?

Inconvenientes : O mais conhecido é o motor, melhor construido, mais silênçioso, mas menos potente que o das G301/401, ele pode serrar (e se destruir) se o eixo / volante / roldana nao estiverem correctamente lubrificados. O prato em aço é magnético e atrai os imanes poderosos (samarium/cobalto ou néodymium) das células MC, é preciso escolher a célula com atençao. Enfim (para mim) o maior defeito é a precisao da fabricaçao. O motor do tipo 4 pôlos de technologia buraco de esquilo (squirrel hole ou cage d’écuereil), tem de aquecer a 40°C +/- 1,5° para estabilisar a sua rotaçao, e é de mesmo para as peças em movimento. Mesmo se é inaudivel, é necessario entre 10 e 15 minutos para que o prato esteja completamente estabilizado em rotaçao. O ultimo defeito (que explica que os « geeks / fanaticos » japoneses se tenham menos interessado ao 124 que ao G301, é o facto que o nao pode ser amelhorado objectivamente. E uma forma de perfeiçao tecnica, e cada amelhoramento estraga outras coisas, como se o L. Thevenaz o tivesse bloqueado para a eternidade, e talvez seja melhor assim.

Escuta : A principal qualidade do TD124 é o equilibrio. A banda é muito larga e o grave poderoso e profundo (um dos melhores) fila nos agudos até au céu. Mas a qualidade que todos reconhecem é o seu nivel de subtilidade no médium (com o motor quente). Tudo o que està no sulco se ouve, e a um nivel de precisao que nunca foi ultrapassado (mesmo pela EMT). Ao contrario do G301 ele nao marca muito o som, o que o obriga a ser equipado com braço e célula de grande qualidade. Para mim o que é mais espatacular na escuta deste aparelho é a modernidade, o aspect conteporanio do som. Impossivel com o gira escondido de acreditar que ele tém mais de 50 anos de concepçao. Isto é o sinal de um verdadeiro mito e o Tourne Disque 124 é o autografo do Louis Thévenaz para a eternidade, e uma prenda de amor à musica e à humanidade.




Última edição por td124 em 22/8/2009, 08:00, editado 1 vez(es)
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 21:23

Mergulho em aguas turvas...

No começo da década de sessenta o mundo da hifi é limpido como agua de rocha. A EMT reina no mundo profissional, a TD 124 é a maior maquina deste planeta, e os Garrard 301 continuam a ser vendidos em Inglaterra e enviados para os Estados unidos e os outros paises do « commonwealth » Canada, Australia, Nova-Zelandia e Asia… A Lenco e as marcas que estao a nascer como a Transcriptor (e outras), pelo momento sao incapazes de modificar a hierarquia estabelecida. Mas esta situaçao nao vai durar e a àgua vai-se turvar rapidamente. Vamos compreender juntos e em três fases como o futuro vai mudar radicalmente.

1960 / 1963 : Apesar do que vem de ser dito, a época dos GD a roldana « idler drive », esta a chegar ao fim. Dois acontecimentos sao os responsaveis disso : Em primeiro lugar o aparecimento no meio dos anos cinquenta do micro-sulco « microgroove », que possui graças aos novos diamantes muito menos fricçao de leitura que os 78 vpm antigos, e em segundo a apariçao do prensagem stereo no fim dos anos cinquenta, que obriga a ler dois micro-sulcos, e para qual; o rumble e a modificaçao do angulo horizontal e vertical de leitura é um grande problema. As traçoes a roldana e os potentes motores associados jà nao sao obrigatorios, e as marcas podem começar a pensar nas tecnologias do futuro. A Thorens trabalha num projecto novo, e a tracçao por correia (e motor sincrono de pouca potênçia) jà é utilisada, por algumas marcas. Mas uma novidade inesperada e incomoda vai chegar dos estados unidos. Uma marca desconhecida (no mundo dos GD) vém de comercialisar o primeio GD a correia e suspensao mole (contraplaca suspendida) do mundo. Trata-se do Acoustic Research XA !!!

1963 / 1966 : A equipa de pesquisa da Thorens em St Croix està furiosa, este GD americano é a copia (nas grandes linhas) do projecto deles. O que se passou ? Pesquisa paraléla, bom sentido comum, pelagiato ou verdadeiro roubo ?, nunca se saberà, ainda por cima a Thorens tém vàrios problemas internos a resolver (sao problemas de rico mas…, sao problemas na mesma). Jà faz um pouco de tempo que a EMT anda a piscar do olho e a galà-los, porquê ? Porque os americanos compram os TD124 como paposecos, e no mercado americano é impossivel de vender um sistema com um McIntosh, Marantz ou Harman Kardon, sem que nao haja um 124 (80% da produçao sera consumida pelos EUA). Mesmo no dominio profissional o 124 esmaga o veneravel Rek o Cut e os Garrard. A grande instituçao da sua majestade a BBC, vém de comprar 15, e a Decca London mais quatro. A EMT teme que a Thorens se lance no dominio profissional o que seria o fim deles (a questao nao é a qualidade, é que nesta época a lembrança da grande guerra ainda està viva e que a EMT sabe que os paises aliados (a qualidade igual), vao preferir comprar um produto Suiço en vez dum Alemao). A EMT quer casar-se com a Thorens, mas qual é o interesse dos Suiços ? Ah o interesse da Thorens é diferente mas é grande. A realidade é que a firma de St Croix é muito pequena. Mesmo se o TD124 propulsou o nome da Thorens au céu, o GD é caro a produzir (todas as peças sao sobre medida), é caro a fabricar (muitas ajustagens finas), e é pouco produzido (um 124 contra mais de dez G301), e o que eles ganham em prestigio, eles perdem em dinheiro com o TD124. A estrutura industrial da EMT pode ajudà-los a resolver esses problemas, e a produzir novos modelos. Em 1965 a firma de St Croix vai fazer sensaçao de novo em apresentando o modelo definitivo do prototipo, trata-se do TD150. Este aparelho vai de novo escrever o futuro e o prestigio da Thorens no marmore. Mas também vai ser o fim da firma ao firmamento da hifi. O TD124 nunca pode ser copiado nem ultrapassado, o TD124 vai ser copiado até aos dias de hoje, e melhor que o original (às vezes), mas paciência. A Garrard reagi em parando a produçao do G301 (snif, snif, ), que se torna em G401, mais moderno no estilo, mas que vai ser mal recebido, no entanto vai ser produzido até 1977 (50000 unidades). Em 1966 a Thorens casa-se com a EMT, decide de passar o TD124 em MKII, e algumas peças vao ser feitas na fabrica comuna da floresta negra na Baviéra (RFA).







1966 /1970 : Apesar de tudo o que vém de se passar o sucesso do TD124MKII nao se desmente, bem ao contrario. A Bang&Olufsen e a Tandberg passam um acordo com a Thorens para estampilhà-lo no nome deles com uma base diferente. Em 1968 o GD é acabado definitivamente e o TD125 toma o lugar dele. Entretanto o pequeno TD150 é um sucesso. Ele custa 4 vezes mais barato todo equipado que o 124, e soa muito bem. E fabricado com inspiraçao e qualidade, e o seu nivel de rumble de -68 dB é espetacular. Mas a Thorens, misturada com a EMT, perdeu o senso do génio, emburgezou-se e vai pagar caro a arrogancia. O TD150 està no espirito de todos os « designeres » como sendo o futuro, e todos tentam de o compreender e fazer melhor. Em 1970, Hamish Robertson um designer inglês um pouco alcolico (como muitos génios no reino da sua majestade), desenhou um GD que é a versao ultima do TD150. Ele compreendeu o que a Thorens/EMT nao quiz (ou nao pode ver). Utilizar um eixo tecnicamente do nivel do TD124, acompanhado de materiais para a contraplaca de muito alta qualidade. Um jovem escoçês vai apresentar ao HR o seu pai que tem uma firma de torneio de péças de precisao (a Castle Precision Engineering). Isto vai permitir à firma Ariston do HR de produzir um GD a contreplaca suspendida de muito alta qualidade, trata-se do Ariston RD11 (RD = référence deck / 11 = primeiro modelo da primeira série) que é uma maravilha esquecida. Dois anos mais tarde esse jovem escocêz que se chama Ivor Tienfenbrun vai sair a fotocopia (quase perfeita) do RD11 sobre o seu proprio nome. E o GD mais vendido e mais controversado do mundo, pois é ou adulado ou detestado. Trata-se do LINN LP12 que sera o nosso proximo GD a ser analisado. O Hamish Robertson abandonou a Ariston e morreu um ano mais tarde em condiçoes desconhecidas, suicidio ou assassinato. Para a eternidade o pai legitimo do « tipo LP12 » serà o Ivor Tienfenbrun e a LINN.


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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 21:28

O LINN LP 12... A vingança inglesa


O LINN LP12 é um caso unico de longevidade e de controversia no mundo do audio. A questao que muitos se poem (legitima quando um produto é tao célebre), é a seguinte. A LP12 é verdadeiramente um grande GD ? A resposta é sim !!!, mas (porque hà um mas), o LINN nao é tao bom quanto os seus adoradores pretendem, nem tao mau como o que os seus criticos dizem. Esta resposta ambivalente vai ser explicada atravès da analise que vai seguir. Um ultimo ponto, a LINN é regularmente criticada de ter feito um marketing intenso e genial. Nao é completamente verdade ! A marca foi recuperada desde a nascença pelos jornalistas como sendo um fenomeno, e talvez contra a sua vontade. Foram as revistas inglesas que fizeram o marketing da LINN e nao a firma de Glasgow. Mais tarde a empresa vai surfar sobre esse sucesso, mas nao podemos criticà-los de aproveitar as oportunidades. Vamos là tentar compreender juntos a razao de um tal sucesso.

Panorama : Estamos no principio dos anos setenta. Ja faz mais de dez anos que os GD ingleses, nao brilham no panorama audio internacional. O Garrard 401 ainda é produzido, mas o acolho do publico é mau. O Transcriptor aparece nos filmes do Stanley Kubrick (Laranja mecanica), mas nao consegue nem vingar na exportaçao, nem mesmo no pais. Os jornalistas ingleses téem necessidade de uma Musa, uma maquina que eles possam defender contra tudo o que existe e recuperar assim, uma parte do orgulho perdido. Eles querem um produto novo, original, diferente de tudo o que existe, o LP 12 à nascença vai ser eleito a Musa. Como é possivel que um produto que é a copia da copia seja considerado como original ??? Ora bem, a LP 12 tém uma qualidade muito inglesa e que depois do G301, nenhum aparelho do reino da sua majestade tinha possuido : a radicalidade. O LINN LP 12 nao tém NADA ! mas o pouco que tém é MUITO BOM !

O LINN LP 12 :

Apresentaçao : Como jà foi dito, o LP 12 é uma copia quase identica do Ariston RD 11, que era fabricado também pela Castle Précision Engineering, ora que este ultimo era uma copia amelhorada do Thorens TD 150. O que é entao que diferencia a LINN do resto ? TUDO e NADA !!! O LP 12 é um aparelho estranho, so tém um interruptor à esquerda, so tém uma velocidade e chega !!! (é isto a radicalidade). Mas na realidade ele é muito mais que isso. O eixo (inspirado do TD 125 e identico ao segundo RD 11) é de uma qualidade (nos primeiros fabricados) fantastica. Os primeiros eixos possedem um sistema original de micro-sulco gravado em espiral que faz subir o oleo fino e o espalha por toda a superficia. O eixo acaba quase como uma ponta o que abaixa a fricçao e o barulho de rotaçao. A contraplaca suspendida é nervurada e em aço de qualidade, rigida e neutra. A base é em cedro inglês de grande resistênçia. E o motor sincrono a 12 polos é um dos melhores da época. O prato em duas partes é em Zamac e é equilibrado com precisao. Na realidade o que faz a diferença numa Linn LP 12 nao é nem a forma nem a tecnologia, mas a fabricaçao e a qualidade em geral das peças.

Avantagens : Como todos os GD a suspensao (contraplaca suspendida neste caso) o rumble é muito pequeno. Graças às suas molas especiais e à fixaçao destas com as peças movéis, o rumble da LP 12 atinge um prodigioso -73 dB. A LP 12 foi desde sempre um trabalho na continuidade « work in progress ». Os clientes sabem que a marca vai fazer amelhoraçoes para o GD “tweeks”, e depois é so adaptar em qualquer uma das LINN o kit. A LP 12 pode evoluir pelas fontes de alimentaçao internas ou externas, mudança da contreplaca, das peças da suspensao, do braço, etc. Muitos Kit’s de evoluçao vao ser feitos paro o GD. O facto que a marca de Glasgow tenha criado braços especificos para a LP 12 (fabricados pela Gelco no Japao) é uma muito boa ideia.

Inconvenientes : A LINN copiou o bom e o mau (é sempre assim quando se copia !!!). A sustentaçao da contraplaca por molas, cria um movimento irregular e caotico (como um doce de gelatina) que vém perturbar a leitura lateral da célula e às vezes modifica num curto instante a força de apoio da célula. O suporte de braço fixado pelo meio, cria resonancias difusas entre o braço e a ponta (é por isso que a LINN utilisa braços pesados e com tubos espessos). Sem regulaçao electronica, a estabilisaçao da velocidade (wow and flutter) nao sao muito melhores que o da TD15O. Enfim para acabar, a maneira de fazer evoluir em permanência o GD, nao agradou a muitos clientes que viram ai uma receita para fazer dinheiro. E este é na minha opiniao o mais desagradavel dos inconvenientes da LP 12.

Escuta : O LINN LP 12 original tém um som diferente da actual, é mais doce, quente no baixo-médio e proxima (proxima, nao igual…) nos contornos das notas da G301 com um braço de 12 polegadas. A LP 12 marca sempre o som de matéria (talvez em excesso…), nisto as novas sao melhores. Mas uma velha LP 12, com um braço ITTOK e uma célula DL 103, é uma experiencia de doçura no médio e de fineza nos agudos que è uma experiencia a viver pelos audiophilos. Mas o GD é constantemente desiquilibrado para baixo (muita matéria) e o som tém tendencia a ser pesado. A escolha da célula e do phono sao primordiais neste GD…

P ;S . : Estao a ver !!! Com quase nada escrevi muito. E isto o paradoxo e talvez a razao do sucesso da LINN LP 12. Conheço-a muito bem, tive três (uma de primeira série), e vendi ao menos umas vinte no passado. Conheço a mecanica dela de cor, e como ajustar as suspensoes. Aproveito para dizer (caso a duvida apareça), que TODOS os GD dos quais falarei, que os conheço pessoalmente, e que a escuta corresponde a coisas que vivi (varias vezes e em boas condiçoes) e nao a um fantasma qualquer… E isto a objectividade concreta !!!


Última edição por td124 em 22/8/2009, 08:01, editado 1 vez(es)
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 21:43

O REGA Planar 2... A victoria da simplicidade ...


A Rega foi fundada no mesmo ano em que saiu o LINN LP12, ou seja em 1973. O primeiro gira chamava-se Planet e era uma espécie de prototipo dos modelos a vir. Em 1975 a marca apresenta o Planar 2, un novo icono Inglês vinha de nascer, vamos là compreender juntos porquê.

Panorama : Em 1975 o Garrard 401 ainda é produzido (ele serà até 1977), o LP12 é aclamado pela imprensa e vende-se muito bem, mas o mundo da hifi jà nao é o mesmo. Desde o principio da década, a hifi Japonesa entrou em massa no mercado occidental. Os preços sao mais baixos, e a qualidade visivel é superior à dos aparelhos occidentais. Os constructores que nascem tém de ser engenhosos para conciliar qualidade, estética e baixo preço (ainda hoje esse problema existe…). Tony RElph e Roy GAndy compreenderam, que havia lugar para um produto de qualidade, simples, bonito, original e soando bem. O Tony Relph, simplificou tudo o que era possivel num gira, e o resultado é um novo GD, de um novo tipo, o REGA Planar 2.



O REGA Planar 2 :


Apresentaçao : O Planar 2 é uma prancha de madeira, com um motor, um prato de vidro e um braço. Hà também três pés e um interruptor… Visto assim ninguem compreende o porquê desta analise. Mas o REGA é muito mais que isso no detalhe. A prancha é feita de uma espécie de aglomerado de madeira, placado nas duas faces com uma folha de resina fénolica (do tipo formica) muito dura e resistente. Esta técnica permete à prancha (corpo) de ter uma grande rigidez e uma boa resistência à torsao por um preço baixo. Visto que o critério preço/simplicidade nao permete de suspender o gira, o Tony Relph vai suspender o motor ! E de uma maneira genial, pois ele vai utilizar uma correia identica à do gira para sustentar elasticamente o motor. Simples, eficaz, barato e engenhoso. O eixo industrial é de uma precisao média, mas a qualidade do prato é boa. Nao existe nenhuma peça mecanica visivel e solta, outra que a chumaçeira e a polia do motor. O prato em vidro de 8/10mm (fàcil a fabricar e liso naturalmente) apoia num subprato em plastico nervurado que amorteçe as resonancias do vidro. Um tapete de feltro vém impedir o contacto directo do vidro com os discos. Mas um detalhe salta aos olhos de toda a gente, é o braço. Muito bem fabricado para um gira tao simples e modesto de aparencia (o braço de precisao RB200 é fabricado no Japao pela Jelco). Isto sera a assinatura da REGA, até hoje, pois os braços da marca sao muito bons, alguns sao mesmo excelentes e sao utilisados por muitos constructores reputados. Com esta analise voçês compreendem que o Planar 2 nao é um brinquedo e que isto pode fazer musica…
O REGA é a evoluçao (ideologica) do Garrard 301, ou seja, o pragmatismo Inglês, a simplicidade e a malicia inventiva. Se me permetem a comparaçao, o G301 é um cosido à portuguesa, o Planar 2 é uma salada de tomates. Um é bom no inverno com um tinto, e o outro no verao com um Rosado fresco, mas sao verdadeiramente as faces opostas de uma mesma moeda… Um é um grande GD, o outro é um pequeno gira, mas um grande produto.

Avantagens : Musicalmente, fora o braço nao hà muito a dizer. A massa pequena e a construçao media, nao lhe permite de competir e ter avantagens em relaçao aos outros GD jà citados. Mas a sua simplicidade, a ausencia de ajustes e a fiabilidade sao pontos positivos.

Inconvenientes : O pequeno peso do Planar 2, e a ausencia de suspensao, faz com que ele seja muito sensivel às vibraçoes. E preferivel metê-lo num movel de parede que num movel de chao, com os outros aparelhos. O motor pouco potente pode vibrar ao arranque, é preferivel o ajudar em lançando o prato à mao.

Escuta : A principal qualidade do Planar 2 é a leveza. O som é limpo, lisivel, com uma boa dinamica nos médios. A banda é curta no grave, mas apresenta uma fineza inesperada nos agudos. A qualidade do braço RB200 é por muito nisto. Finalmente é um gira simpatico, com um som de qualidade e que priveligia a luz, a vida e a frescura. Nao é um grande GD intelectual, mas nao foi feito para isso. O REGA nao faz tudo, mas o qua faz, é bem feito e de uma maneira muito pessoal. Para sobreviver 33 anos, esta ultima qualidade é essencial.

P.S. As fotos foram feitas por mim, e sao as do Planar 2 dos anos setenta que me emprestaram para fazer esta cronica.


Última edição por td124 em 22/8/2009, 08:31, editado 2 vez(es)
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 21:54

VERDIER la platine... Um homem, um gira, um mito

Estamos no fim dos anos 70. Quase todas as marcas célebres jà existem. Durante a década os japoneses fizeram muits giras de qualidade, essencialmente em motricidade directa (direct drive), alguns de muito grande qualidade como os Denon, Technics e sobretudo Micro Seiki. Mas essa tecnologia tém inconvenientes grandes, o que explica que os ocidentais nao vao se interessar muito em prossegir as tentativas. A EMT vai fabricar no nivel professional, e a Goldmund no nivel civil. Aproveito para lembrar que a motricidade directa é uma licença que pertençe à Thorens desde os anos 30. Na realidade os Giras Japoneses dos anos setenta nao conseguem, em todos os critérios confundidos, dar melhores resultados que os TD125, LINN e outros actores de qualidade do momento. Mas algumas ideias sao geniais e vao ser pouco a pouco recuperadas e utilisadas nos GD ocidentais.

Em França nao existe praticamente nessa época nenhum fabricante de GD. No passado existiu a ERA e a Bordereau, que eram monstros pesados professionais (concurrentes da EMT e se calhar melhores), mas fora isso mais nada. Mas graças à Bordereau, a França tém grandes especialistas na concepçao como o P. Lurné que é o pai dos braços e GD da Goldmund. Vou lembrar de novo que a Goldmund é no inicio uma marca françesa que se chamava SFA (science et physique apliqué) baseada a Lyon. Depois partiram para a Suiça perto da fronteira para credibilisar os produtos. Mas a França tém uma avantagem muito grande nessa época, que é ter a revista L’Audiophile. Graças a um homem que tém a dupla nacionalidade Japonês/Françês que é J. Hiraga, os franceses conheçem os trabalhos da escola audiophila japonesa ( os pais da alta-fidelidade sem compromisso, é preciso um dia falar nisto…). Rapidamente a ideia de construir aparelhos sem nenhum compromisso aparece no seio da revista, e para os GD é o P.Lurné e o J.C.Verdier que vao desenvolver o assunto. O Lurné vai fazer o célebre MINIMUM, um gira pesado de 40Kg, e o Verdier vai começar a analisar todos os giras existentes com o objectivo de conceber a sua obra-prima que o publico vai baptisar (La platine VERDIER), ou seja, o gira-discos do VERDIER, nome que o GD tém ainda hoje. E este aparelho (o mais copiado dos giras pesados, sobretudo na Alemanha…) que vamos analisar hoje juntos :

La platine VERDIER :

Apresentaçao : Como venho de dizer o VERDIER analisou a integralidade dos GD da época e decidiu de fazer um prototipo que nao comportaria nenhum dos defeitos encontrados. Em 1997 o aparelho esta acabado, a revoluçao dos GD pesados està em marcha. Afim de perceber toda a engenhosidade e génio deste GD, e a revoluçao intelectual que ele representa vamos analisà-lo por etapas :
O prato : Quase todos os pratos da época sao escavados e moldados por uma questao de custo e de repetiçao das tolerancias de fabricaçao, o inconveniente é que eles tém uma frequencia de resonancia alta, e fazem barulho como um sino quando se bate em cima. Ele vai fazer um prato massivo em dural (aluminium duro), de 300 mm x 60 mm, inerte e de 23 Kg.
O eixo : Com um prato tao pesado um eixo descendente vai criar muita pressao sobre a esfera em volframio, e fazer dançar (efeito de piao) o alto do prato (força centrifuga) pois o centro de gravidade é mais alto que a esfera. Ele vai fazer ao contrario, o eixo é fixado no corpo do gira (inversado), e a chumaçeira vai ser torneada no prato mesmo. A esfera fica em cima, o centro de gravidade é muito mais abaixo. GENIAL !!! E o principio do giroscopio.
A repulsao magnética : Mesmo em inversando o eixo, a pressao na esfera é muito importante e provoca rumble. Ele vai meter dois imanes de 180 mm (um no prato e outro no corpo do GD) blindados e equilibrados, em oposiçao de fase (em repulsao de 17 KG), que vao ajudar a sustentar o prato e que faz que a esfera aguenta virtualmente um peso de 6 Kg. Magnifico, o rumble desaparece e a força centrifuga fica muito importante na mesma … Nenhuma fuga magnetica nao vém perturbar as células.
O corpo : Vai ser feito em pedra, marmore, composite ou bazalto negro do Zimbabué, e suspendido por três molas potentes. A suspensao equilibra-se por cima com três parafusos para meter a nivel. Isto faz do VERDIER um gira pesado, mas que é também um placa suspendida, visto ter uma verdadeira suspensao.
O motor : Para evitar que as vibraçoes do motor possam subir até ao prato, o motor vai ser separado num corpo em fonte de ferro, com a electronica de regulaçao. E um motor sincrono a 24 polos de grande precisao, com uma polia muito pequena em bronze a sulco picado para melhor agarrar o fio sem escorregar.
A correia : Para que o efeito filtrante da correia seja maximo, é preciso que ela seja longa. Ora uma correia em borracha longa é muito elastica e cria efeios de micro puxao importantes. Ele vai substituir a correia por um fio de algodao, do tipo que se mete nos rotidos do forno. Isto permete de colocar o bloco motor longe (de 1 até 1,5 métros), obtendo um efeito filtrante unico. O fio move o prato pela periferia para obter um efeito desmultiplicador màximo em relaçao à polia do motor.
O suporte de braço : Feito num bloco de pedra (que serà a mesma da base), ou em Dural, està fixado ao corpo por um parafuso de grande diametro. Três braços podem ser montados no gira. A rigidez do supporte de braço é fabulosa.


Evoluçoes actuais : As unicas coisas que evoluiram sao o motor e a chumaçeira. Hoje o motor é minusculo e a corrente continua. E um modelo a eixe titanio para utilisaçao nos misseis. A chumaçeira é agora em Zamac (o que permite tolerancias mais pequenas ) e nao em bronze, sem lubrificaçao.

Avantagens : Este gira foi concebido num espirito sem limite. O prato muito pesado e artificialmente aliviado, as tolerancias e os materiais, dignos dos helicopteros militares, e a logica geral fazem deste gira discos um dos melhores do mundo em medidas de laboratorio. E uma besta fantastica !!!

Inconvenientes : O peso e a envergadura do objecto, obrigam a posseder moveis especiais. Em fora disto nao sei o que se pode dizer… (procurei mas nao encontrei).

Escuta : A sensaçao que mais nos marca à escuta deste aparelho é o natural. Da nota mais forte de uma orquestra sinfonica, au murmurio mais suave, tudo passa com uma facilidade unica. O equilibrio geral so é limitado pelo braço e ou a célula. A banda é enorme e nos dois sentidos, ou seja baixo/cima. E um gira que é capaz de tudo (ou quase) à condiçao que o braço e a célula consigam segui-lo. Uma joia rara …


Última edição por td124 em 22/8/2009, 08:03, editado 2 vez(es)
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 21:56

Um pequeno entre parenteses...

Olà,

a nossa saga està a chegar ao fim e vai entrar numa nova fase. O Verdier foi o ultimo GD analisado do periodo Pré-CD, o proximo sera jà um Post-CD, pois ele data de 1983. Alguns vao estar frustrados de nao ver certas marcas ou modelos. E normal, mas uma breve historia num mundo tao complicado é sempre assim. Tive que fazer escolhas, nao foi fàcil, e eu mesmo gostaria que outros GD estivessem presentes. As principais technologias que fizeram a historia estao presentes. Nao vai haver nenhum direct drive, mas eu queria meter o Technics SP 10 MKIII, mas nao posso meter todos os que quero. Aparelhos como o Thorens Referenz, SystemDeck, Nothingam Analogue, Denon, Micro Seiki, Michell Gyrodec, Epure, Oracle, VYGER, 47 Lab, etc ... sao de muito grande qualidade e teriam podido estar presentes. Mas ou se faz bem e curto ou se faz bem e muito longo (soluçao que nao posso fazer por uma questao de tempo). Os proximos três e ultimos serao ingleses e suspendidos. O grande Roksan Xerxes, o estupendo Pink Triangle Anniversary e no bouquet final o AVID Acutus réf. vai fechar o baile. A analise destas maquinas explicarà a razao da coisa...


Última edição por td124 em 22/8/2009, 08:04, editado 1 vez(es)
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 22:16

O Roksan XERXES... A revoluçao em fineza


Estamos em 1983. A tecnica de isolaçao vibratoria por suspensao mole (contraplaca ou placa suspendida) vém de festejar os seus 20 anos de existência desde a nascença do Acoustic Research XA. Muitos giras (quase todos) utilizao esta técnica (ou uma derivada) para evitar o terrivel rumble. O CD jà nasceu, e no espirito de todos, os dias do vinilo estao a chegar ao fim. Mas um homem em Inglaterra està convencido que o vinilo ainda nao està moribundo, e que a técnica de suspensao deve ser complétamente re-desenhada para evitar os problemas que lhe sao proprios. Jà falà-mos do comportamento aleatorio de uma suspensao por molas, que move nos três eixos espaciais. Esta suspensao tém um movimento como a gelatina com uma ondulaçao, incoérente e aleatoria. A traçao do motor (fixo ao corpo do GD) sobre o sub-prato pelo meio da correia, dos micro-puxoes, e da elasticidade da mesma, agrava énormemente o fenomeno, (o que explica a avantagem dos « idler drive e mesmo das tàbuas do tipo Rega », no ataque da nota e no aspecto imediato, rapido do mesmo sobre os suspendidos). Parece mesmo impossivel a conceber que uma tecnica com tantos inconvenientes graves, tenha-se tornado a norma de fabricaçao durante tanto tempo !!!. Mas em isolando o grupo braço/prato do meio (corpo do gira/suporte/motor), a suspensao permete de atingir a leitura dos micro sulcos de uma maneira unica, e que so tém como limite as tolerancias de fabricaçao. Dois anos mais tarde, um homem vai conciliar as avantagens, com a ausência de defeitos e fazer uma obra-prima de uma pureza conceptual que so o TD 124 tinha atingido. Chama-se Touraj Moghaddam, é um jovem ingenheiro genial, e vai ser o pai de um dos maiores giras contemporaneos, o Roksan XERXES, também chamado no circuito pequeno dos especialistas o Formula 1 dos GD. E o primeiro gira a destronar a LINN LP12 no coraçao dos jornalistas ingleses. Vamos là compreender juntos a razao do porquê :

O Roksan XERXES :

Apresentaçao : O XERXES é um GD dito semi-multisuspendido, vamos là imediatamente ver em que consiste as suas multiplas originalidades e traços de génio desta màquina, que vista de fora é parecida, estéticamente, com um LINN, Thorens, Pink Triangle etc…
O balanço lateral (horizontal) das suspençoes é um verdadeiro problema para que as células leiam os sulcos stéreo que como sabem estao gravados nas encostas laterais do sulco. O Touraj (vamos dizer TM), vai fixar a placa suspendida so lateralmente (perpendicular ao eixo de traçao do motor) e por quatro parafusos ligados a bolas em borracha agarradas ao fundo do gira. Assim a placa suspendida, em aluminio massivo de 8 mm, nao funciona em pressao mas em torsao. O unico movimento possivel e livre é vertical. Mas esta soluçao genial (que jà é meio problema resolvido) nao muda quase nada ao problema do motor e da traçao do motor sobre o sub-prato e os micro-puxoes mecanicos e elasticos. Ele nao vai montar o motor fixo no corpo (como todos os outros), mas vai montar o motor em equilibrio num braço fixo num ponto unico, e permitindo a este de se mover horizontalmente, e detido por uma pequena mola com uma elasticidade inferior à da correia. GENIAL !!!, agora a cada micro-puxao, é o motor que se move e que amorteçe o fenomeno, a tensao correia sub-prato fica constante a todo momento. E o ponto unico de fixaçao motor é ideal para amorteçer as vibraçoes do mesmo. Como se isto nao chegasse ele vai isolar o alto do corpo (que contém o motor), do baixo (que contém as bolas de borracha que aguentam a placa do eixo/braço) pelo meio de 3 suspensoes elasticas, a movimento livre nos eixos vertical e horizontal (ajustàveis pelo alto em baixo dos suportes de tampa), estao a compreender a revoluçao que este gira representa ??? (tudo é movel e em eixos determinados, controlados e equilibrados). Um ultimo ponto que é extremamente original (e controversado) é o eixo. Muito fino e longo, ele acaba em ponta como o LINN, mas apoia sobre uma esfera em volframio que repousa na base da chumaçeira. Se o eixo muito longo e muito fino (tolerancia de 5 microns) é ideal para reduzir o barulho de fricçao, ele diminui a sagrada rigidez braço/prato.
O motor de grande qualidade a 24 polos é alimentado e regulado por uma alimentaçao exterior muito sofisticada (varios modelos serao disponiveis com o tempo). O prato é em aluminio massivo e nao em Zamac, com um sub prato/eixo como os outros. O corpo é em médio e contraplacado placado, com um nivel de finiçao muito elevado. O gira so aceita os braços Roksan, LINN ou REGA… a overhang proximo. Muitos detalhes outros poderiam ser ditos, mas sao menos preponderantes na escuta. O TM vai desenvolver um braço magnifico (um dos melhores de sempre) e muito original, dois anos mais tarde, para a XERXES. Algumas (muitas na realidade) ideias desse braço serao copiadas pela LINN, SME e outros, para alguns dos respectivos modelos. Esse braço é o ARTEMIZ. A Roksan é até hoje uma das raras firmas a ter desenvolvido (em interno), braços e GD de uma qualidade tao equivalente.

Avantagens : O aspecto multi-suspendido do XERXES, e a possibilidade de ajustar todos os parametros tecnicos da suspensao, permete de obtenir o equilibrio sonoro que se deseja. Com as suspensoes ajustadas duras, o gira soa rapido, potente, franco, quase como os idler ou os rigidos. Com uma ajustagem mole o XERXES aproxima-se de um som feltrado e envolvente como o LINN mas com uma definiçao superior, e um veludo inferior. As ajustagens multiplas, permetem de compensar a influência do movel aonde o gira està pousado. O aparelho é fiavel (se bem oleado e seguido regularmente) e muito bem construido. A beleza e a qualidade das finiçoes fazem dele um belo objecto.

Inconvenientes : Alguns, e todos ligados às avantagens da maquina !!! Tudo se ajusta num XERXES, mas so hà uma ajustagem ideal. E um verdadeiro Formula 1, e é mais fàcil de desiquilibrar que de ajustar correctamente. Um Artemiz deve ser fixado e mantido a 50 Kg de pressao na placa suporte para que a resonancia primaria (ou baixa) prato/braço seja inferior a 11 Hz, para o Tabriz é mais ou menos 38 Kg. A placa suspendida deve estar de nivel mas perfeitamente ajustada entre dureza/moleza. A mola do motor tém de ser mantida a uma elasticidade de metade da da correia. Os dois blocos do corpo superior/inferior, devem ficar o mais moles possivel para filtrar correctamente. O eixo muito ajustado, deve ser limpo e oleado com regularidade. Este gira é um quebra-cabeças e um verdadeiro GD de especialistas. Aqui em França deve haver menos de cinco pessoas a saber correctamente afinar esta maquina. A isto junta-se o facto que a Roksan faça desde sempre GD de topo de gama e electronicas de gama média e de entrada. O consumidor nao comprende a logica da empresa. Isto tudo junto explica aqui e no mundo, os maus, e às vezes ilogicos discursos sobre a escuta, o numero de lojas que nao querem fazer este gira-discos, e ou, que nao gostam dele …

Escuta : Bem afinado o XERXES é um GD paradoxal, é uma forma de veludo rijo. Ele calma o tempo musical (é um sinal proprio a todos os grandes giras…), e desrasga o tempo horario. Tudo é diferente, as notas parecem mais ricas nos detalhes, e na fineza do timbre. E um gira que mete a carne à volta do osso, e encontra assim um equilibrio entre matéria e leveza que é unico, e a sua principal assinatura. Um gira de uma riqueza harmonica e formal que entonteçe, e pode perturbar mesmo os grandes iniciados, e os habituados …


P.S. : Este capitulo é tao objectivo como os outros. Se escrevi mais, é porque conheço muito bem a maquina, e que hà muito a dizer sobre ela, e o contexto técnico sobre o qual ela nasceu.

Como podem ver numa das fotos, afinei um XERXES 20 + Tabriz ZI + Sumiko Evo III para escrever a analise da escuta. Esta foto tinha servido à uma semana para uma adivinha.

A dez anos atràs, jà tinha escrito um artigo para uma revista audiophila sobre este aparelho. Copiei algumas frases, mas copiar-se a si mesmo é copiar ???

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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 22:26


Estamos jà no meio dos anos noventa. Dez anos jà passaram depois da criaçao do Xerxes da Roksan, o que eclipsou um bocado os produtos de uma outra marca nascida quase ao mesmo tempo (em 1980, um pouco atràs), ou seja a Pink Triangle. E uma marca estranha a compreender (ainda hoje, mesmo se jà nao existe…), uma mistura de irreverencia e de provocaçao, como o pais da sua majestade ama criar (às vezes). Pink Triangle ou seja, o “triangulo cor de rosa” inversado como um sexo feminino estilizado, é o simbolo dos homosexuais ingleses. Aqui està a primeira provocaçao, a segunda é de ordem conceptual e estrutural. Foi para a Pink Triangle, que os jornalistas ingleses criaram a expressao « cottage firm », ou seja, marca de garagem, como o termo é utilisado hoje, para as pequenas empresas que fabricam artisanalmente e num pequeno espaço os produtos que propoém. O mestre de obra da marca e o pai espiritual é o Arthur Kobésserian. Fisico de formaçao, ele vai resolver os problemas proprios da contreplaca suspendida, de uma maneira radicalmente diferente que o Touraj Moghadam da Roksan. Em primeiro lugar, a Pink Tringle recusa o recurso ao peso como uma soluçao, é mesmo o contrario. A utilisaçao de “composites”, ou seja materiais especificos à aeronautica e outros sectores de ponta da época, torna-se habitual. Assim o Kevlar, a fibra de carbono (simples ou em sandes), o aluminio alveolar e o acrilico dito « heterogeno », sao os materiais de predileçao da marca. Mesmo os eternais motores sincronos sao abolidos pelo Arthur K. Ele vai utilisar micro-modelos de motor de precisao, alimentados em corrente continua por baterias. Como véem um Pink Triangle é parecido com um LINN ou um Roksan, parecido apenas, tudo o resto é diferente de tudo o que existia, do que existe, e foi muito copiado, mesmo pelo Verdier nos motores !!!
O « Anniversary » foi criado como uma homenagem, no meio dos anos noventa. Dificil de imaginar que no interior desde GD ; com um desenho e uma aparência classica, estao tantas peças de alta tecnologia. E o ultimo GD criado pela empresa e para muitas pessoas um objecto de culto sem limites. Os mais prestigiosos jornalistas do mundo considerao, que faz parte dos cinco melhores GD de sempre. Vamos là compreender juntos a razao do mito e os segredos desta màquina.


O Pink Triangle Anniversary :

Apresentaçao : No exterior o PTAn (lê-se Pitian), como lhe chamam os intimos, é parecido com todos os outros GD a contraplacas suspendidas da época, mas o que salta aos olhos imediatamente é o prato em plastico e nao em aluminio. Feito em acrilico, despolido e moldado a baixa temperatura e rectificado, ele tém a particularidade de absorver e diminuir as vibraçoes e “desfazê-las” num espectro largo (de 10 a 250 Hz). O contra prato é em aluminio alveolar, muito leve e rigido, rectificado e ligado ao eixo principal. Mas o melhor està escondido no interior. A contraplaca é fabricada em fibra de carbono em sandes, ou seja, uma folha de carbono, uma folha de espuma de Kevlar e uma folha de carbono (como os braços de rigidez das asas dos avioes de caça militares. Esta placa de 5 mm de espessura, é dez vezes mais leve que o inox e vinte vezes mais rigida. Ela é suspendida por molas calibradas como um LINN. Mas a comparaçao acaba-se aqui ! O motor que é de hàbito montado sobre o corpo, também vai ser montado na contraplaca e suspendido por sua vez desta ultima. A distância motor eixo/prato torna-se constante em todas as circunstâncias. O motor é suspendido mais rigido que a contraplaca (por silent-blocks em borracha), para dispersar as frequências de resonância. A geometria motor/eixo é particular, e em ela so um traço de génio. Em quase todos os GD o motor é montado ao mais oposto da célula para evitar a parasitagem. Ele vai meter o motor no eixo chumaçeira/braço !!!, a tensao da correia vai ser paralela visto do angulo de leitura do diamante, e o movimento lateral da contraplaca jà deixa de ser um problema. Como o motor é em corrente continua, minusculo e alimentado por baterias, a parasitagem nao pode existir. Como a contraplaca é muito leve e muito rigida, a sagrada rigidez braço/prato é perfeita e ainda por cima com um minimo de vibraçoes colaterais. O PTAn, é o primeiro GD a « contraplaca totalmente suspendida » da historia, e no meu conhecimento o unico. O corpo é uma caixa sem nada, o unico contacto com as peças em movimento sao as três molas. De série o PTAn era armado com os melhores braços da época, SME série 5, Moerch DP-6, Ron Wood Scorpio, etc.

Avantagens : O sistéma unico de suspensao confere ao gira uma limpeza de rotaçao e vibratoria unica. Nada se ouve, mesmo com um estetoscopio pousado no corpo. A alternancia de materiais nobres como a Madeira, e modernos como a fibra de carbono, dà-lhe uma aparência ambigua, algures entre classicismo e sport GT. Apesar da leveza do objecto, o sentimento de solidez é palpavel.

Inconvenientes : Os principais inconvenientes sao ligados à estructura da firma. As peças artisanais, nao tém a qualidade de finiçao de outras marcas de topo de gama. Segundo a série, os parafusos e outras peças menores podem ser diferentes. Nunca ninguém sabia quando ,ou se ia receber o seu gira-discos. A faceta artista do Arthur K., fez discreditar o rigor comercial da marca, e conduziu-a à falência. Os preços eram muito elevados, e o cliente nao compreendia às vezes porquê.

Escuta : O PTAn nao soa como nehum outro GD. A qualidade dos silêncios é extraordinaria. Dà a sensaçao de recuar o ruido de moldagem do vinilo, e extrair a dinamica, assim que os detalhes (micro-sinais), directamente do silencio. Nao possede inchaço no baixo-médio, o que é raro num gira, mesmo de topo de gama. O som é sempre limpo, e sem distorçao de contorno aparente. Com uma célula moderna, ele pode rivalisar com um CD qualquer, no critério da transparencia dos timbres e no respeito da justeza harmonica. A capacidade a modular o sinal desta maquina é unico, e dificil a igualar. Enfim, ao lado destas super qualidades técnicas, hà uma que faz a unanimidade e que fez o mito. Um Anniversary é um som màgico nas vozes. Cheias, palpaveis e simplesmente humanas. Uma maquina que ainda hoje desafia o entendimento e a analise. Uma obra-prima para a eternidade…

P.S. : Aqui vai um link se quizerem ler mais sobre a tecnologia da contraplaca
http://www.stereophile.com/artdudleylistening/107listen/

Para a escuta trabalhei com um PTAn de 1995, equipado com um braço Moerch DP-6 e uma célula LINN Arkiv.

A segunda foto é um PTAn modificado pela Funk que foi criada pelo Arthur Koubésserian.


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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 22:34

O AVID Acutus Réference... O canto do cisne ?


Caros amigos estamos a chegar ao fim. O Pink Triangle Anniversary apesar de transformar quase todos os codigos de desenho da contraplaca suspendida, vai ser igualado (e talvez ultrapassado) tecnologicamente, alguns anos mais tarde por um outro aparelho, o AVID Acutus. Este aparelho ao nivel technologico e conceptual nao é exactamente um GD, mas um giroscopio de precisao suspendido, movido por um motor e uma correia. Isto fai fazer toda a diferença, vamos là compreender juntos porquê.

A AVID, fundada em 1995, é uma das ultimas marcas de GD a ter nascido. Conrad Mas o fundador e o pai das AVID, é um especialista dos giroscopios de precisao, que a empresa dele fabrica desde hà vinte anos para a industria militar ou aeroespacial. Ele vai utilisar esses conhecimentos para construir um gira discos a placa suspendida, de grande originalidade, recheado com detalhos de génio. O Acutus é um gira a meio caminho entre o Verdier e o Michell, mas com algumas originalidades que fazem dele um objecto à parte, e o ultimo dos grandes gira-discos classicos a ter sido concebido no nosso planeta.

AVID ACUTUS Référence :

Apresentaçao : O Acutus é um aparelho pesado e massivo. O prato de dez Kg faz dele um GD semi pesado. E um placa suspendida, em três pontos a distancia simetrica do eixo. A base é feita duma peça em aluminio espessa (10 mm), com três colunas de suspensao montadas de maneira a fazer um triangulo equilatero. O motor sincrono a 24 polos é montado numa coluna (do tamanho das outras) em aluminio massivo e independente da base, pousado no movel que suporta o gira, em baixo do prato. O motor é regulado por uma alimentaçao externa a dois canais analogicos de precisao defasados, alimentados por um transformador de 1000 VA !!! Uma verdadeira electronica de luxo para regulaçao.

A geometria do eixo é demoniaca de inteligencia. Em forma de cone inversado, ele oferece um contacto minimo com a chumaçeira, o que minimisa a fricçao, e aumenta a estabilidade de rotaçao. O fundo da chumaçeira é recoberto de uma pastilha em safira aonde a esfera em carburo de volframio do eixo apoia. O prato pesado, perfeitamente equilibrado, reposa nesse ponto unico (a ponta da esfera), e devido à fricçao minima, pode rodar livre mais de cinco minutos a partir dos 33 RPM !!! E verdadeiramente um giroscopio. O eixo inversado é montado numa placa em aluminio com nervuras, muito rigida e relativamente leve. Em forma de triangulo, esta placa entra nas colunas da base e é apoiada por três molas muito elasticas. Para evitar o movimento lateral (o pesadelo dos giras suspendidos), o Conrad Mas vai ligar uma pequena correia em borracha entre a placa e a coluna em tensao permanente. E UMA IDEIA GENIAL, pois as correias impedem o movimento lateral, sem prejudicar o movimento vertical. Assim a suspensao do Acutus funciona em pistao angular “quase” perfeito. A base das colunas permetem de por o gira a nivel, com a bolha de ar que equipa a base. A correia muito fina e elastica, filtra bem as vibraçoes do motor e exerce muito pouca pressao sobre o eixo. O suporte de braço « multistandart », é moldado directamente sobre a placa e muito rigido. O Acutus é equipado com um « clamp » a enroscar e blocavel, feito sobre medida e muito eficaz. Uma verdadeira mecanica simples, nobre e sem compromisso.

Avantagens : O prato pesado, o sistema de eixo original, a suspensao muito eficaz, e a regulaçao “de corrida” do motor do gira, sao verdadeiras avantagens que se ouvem. O silencio de funcionamento é total, e a estabilidade de rotaçao (em todas as circunstancias) fazem parte dos melhores. A estética moderna faz do gira um objecto contemporaneo.

Inconvenientes : Um GD desta classe deveria poder açeitar braços de 12 polegadas. Fora isto so vejo outro inconveniente, o preço !!!

Escuta : A sensaçao que aparece imediatamente à escuta do Acutus é a serenidade. Tudo passa, e com facilidade. E o unico GD suspendido (que conheça), praticamente capaz de rivalisar com um Verdier, no peso dos ataques de nota. Capaz de meiguice e de violencia, o Acutus acumula os paradoxos. A qualidade da tensao e extensao das notas é unica. Um piano toma uma dimensao palpavel, no jogo da mao esquerda. A estabilidade da imagem estereo é fantastica e tridimensional. Um gira a caminho entre duas escolas, a dos pesados, e a dos suspendidos como os LINN. O GD que fecha o circulo … e a nossa Saga.

O canto do cisne ???


Última edição por td124 em 22/8/2009, 08:06, editado 1 vez(es)
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 22:46

O EMT 930st... O rigor alemao ao assalto da eternidade

Caros amigos, vamos voltar au começo afim de analisar um produto exceptional. Nao estava previsto ao programa pois trata-se de um GD profissional, o que implica um estudo e uma concepçao diferente de o de uma maquina civil. Os profissionais tém necessidade de funçoes especiais e esses giras sao concebidos para responder a essas exigencias bem proprias. O arranque imediato, o travao, a fiabilidade extrema, a facilidade de intervençao, a iluminaçao do prato, o phono integrado e universal, etc, sao funçoes primordiais e basicas nos meios profissionais (especialmente na radiodifusao), que os particulares como nos nao téem necessidade. Para a analise deste aparelho vamos nos concentrar sobre a sua mecanica e funcionamento, afim de fazer uma comparaçao logica e equivalente à dos outros giras, de que jà falà-mos. Vamos là juntos fazer uma volta atràs de 53 anos !!!


O EMT 930 é o herdeiro do 927, que era um monstro de 41 kg, com um prato de 44 cm de diametro, pois estes discos largos existiram nessa época. Nascido em 1951, o 927 foi fabricado até 1956, altura em que, devido ao desaparecimento dos discos largos, a EMT desenvolveu o 930, com uma fuselagem mais pequena (prato de 33 cm) e menos peso. A tecnica da roldana (idler drive) foi conservada, e em termos de funçoes, de desenho e de técnologia o EMT 930 é verdadeiramente um bébé 927. O 930 foi concebido pelo pai da marca, ou seja o Wilhelm Franz, e contrariamente ao que alguns pensam nao é um 927 economico. E um verdadeiro EMT, que preserva as aquisiçoes e qualidades do 927 e que cria algumas suplementares. Foi fabricado até 1983 !!! (quando a EMT jà pertencia ao grupo belga Barco), e o seu prestigio no mundo professional nunca desfaleçeu. Em 1958 passou a chamar-se 930st com a chegada da stéreo. Està aqui representado pois é um dos raros GD profissionais a ter uma qualidade de escuta, équivalente aos aparelhos mais reputados. Vamos là tentar juntos (voçês jà conhecem esta frase) compreender os segredos desta màquina.

O EMT 930st :


Apresentaçao : O EMT 930st é um aparelho a encastrar nas mesas de estudio ou da radio. O prato està mergulhado no corpo afim de permitir de manipular os comandos e os vinilos com os braços pousados na mesa, e sem esforço. O prato em Zamac tém uma geometria muito particular. Quase todo o peso està no espesso anel/disco de periferia, afim de aumentar o momento/movimento de inercia em funcionamento. O véu é fino, com quatro grandes buracos para evitar toda resonancia. O prato tém um barulho muito surdo, mesmo quando se tapa com um objeto pesado. O eixo principal de 12 mm de diametro, tém um comprimento excepcional de 15 cm !!! Isto permete ao 930 de ter uma rigidez prato/braço fantastica. O prato principal é recoberto de um disco em acrilico que serve de tapete e aonde estao gravados os indices do estroboscopio. O disco em acrilico està em contacto com o prato através de uma camada de grafite, o que permete ao disco de escorregar sobre o prato principal quando està travado e de arrancar imediatamente desde que se tira o travao. O grafite como é um bom condutor permete também de descarregar as cargas electroestaticas do disco, e de evitar os estilhaços à escuta. Em quase todos os giras a roldana, esta ultima tém uma geometria em forma de lamina na periferia que toca com o prato (entre 1 e 2mm). Isto é feito assim para evitar que quando o paralelismo roldana/prato nao seja optimo, a roldana nao salte e modifie a velocidade instantanea. No 930 a roldana tém uma superficie de contacto com o prato de 6mm !!!, isto é assim, porque esta grande superficie de contacto é necessaria, para que o prato arranque imediatamente e sem patinar. Para evitar que o paralelismo se desafine, a roldana é dirigida por braços guias de 10cm, perfeitamente equilibrados, e que asseguram o paralelismo em todas as situaçoes. O motor é um exemplo perfeito do rigor de construçao desta maquina. O eixo é montado em rolamentos de precisao, o que geralmente é a pior das soluçoes para o barulho de movimento, explicando que isto nunca se faz. Mas no EMT 930 os rolamentos sao tao bem ajustados, que uma vez o motor montado, nao hà barulho algum quando roda e mesmo com um estétoscopio a vibraçao é quase nenhuma. O corpo é feito em bakélite e isto fez pensar a alguns que era uma tentativa de fazer economias. Nao se trata disso !!! A bakélite amorteçe as vibraçoes melhor que o Zamac e como a 930 nao tém suspensao nenhuma, o corpo vai minimisar a transferencia das vibraçoes entre o motor/chumaçeira/braço. A chumaçeira é enserrada em três braços em forma de cruz sem uma ponta. A quarta ponta é feita pelo suporte de motor o que vai aumentar a rigidez do resto. A espessura do corpo nunca desçe a menos de 15mm !!! O braço Ortofon RMA-229 de 10 polegadas equipava as primeiras 930st e a partir de 1972 o braço EMT 929 serà o equipamento de série. O 930st graças à potencia do seu motor e ao sistema de roldana, narranca e estabiliza a velocidade em menos de um quarto de segundo, e a estabilidade da velocidade é de 0,01%.

Avantagens : O rigor da fabricaçao, a perfeiçao do estudo e a qualidade das peças, fazem do EMT930st um dos mais belos exemplos de mecanica intemporal. Tudo nele participa ao resultado final, e cada detalho é feito para dar um resultado concreto e objectivo.

Inconvenientes : E um aparelho profissional sem defeitos na aplicaçao para a qual foi estudado e concebido. Isto explica a sua longa vida commercial.

Escuta : Rigoroso e tendido, sao as primeiras qualidades ressentidas. O peso e a ausencia de suspensao permetem uma banda muito larga com contornos muito bem definidos. A qualidade das peças em movimento e a ajustagem aumentam ainda a sensaçao de definiçao e de transparência. A linearidade é fantastica e nenhuma banda de frequências nao vém cobrir as outras. O som é rapido e a dinamica explosiva. A unica reticência vai para a modulaçao que nao atinge nos médios nem a subtilidade nem a expressividade de outros GD, mas que é no absoluto de um alto nivel. Um gira que é um mito e um classico...


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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  td124 em 21/8/2009, 22:46



Epilogo... O que fiz é vosso, obrigado a todos...

Caros amigos, a nossa saga chegou ao fim. Nao foi tao exaustiva como poderia ter sido mas talvez seja melhor assim. Cada aparelho dos quais falei, fez a historia dos Gira-discos. Hà outros evidentemente, mas que por razoes que lhes sao proprias nao foram seguidos por outros, e por isso nao se tornaram em referencias ou chefes de fila. Quis mostrar através esta curta historia, uma certa maneira de tolerancia, e de bom gosto. Tolerancia porque todos estes aparelhos sao diferentes, alguns muito prestigiosos, outros menos, uns muito antigos, outros mais recentes, mas todos fizeram a historia. A simplicidade de um Rega, a complexidade de um TD 124, a magia de um Garrard 301, o rigor de um EMT 930st, o peso enorme de um Verdier e a leveza de um PT anniversary, sao as faces opostas de uma mesma moeda. O melhor GD do mundo està algures em nos, no nosso gosto e na vontade (as vezes desrazoavel) de posseder um modelo bem preciso, porque gostamos da marca ou da plastica desse dito, ou porque (o que é mais razoavel), a sua sonoridade é uma continuaçao da nossa sensibilidade, da alma. Mesmo se os que citei sao referencias (no estilo de cada um), voçês viram que hà coisas positivas e negativas na escuta deles, o que prova que o ideal està ainda e sempre por alcançar e ou descobrir. Nao é uma razao para pensar que um gira modesto, ou uma amelhoraçao do tipo DIY possa igualà-los, pois alguns dos citados, sao bestas que podem se fazer concurrência entre eles no palmarés das obras-primas do analogico. A nobreza perturbante de um anniversary, a grandeza demoniaca de banda de um Verdier, a subtilidade do grave/médium de um 124, os médios-altos unicos de um G 301, o veludo feltrado do baixo-médio de um LP12, nao podem ser igualados facilmente, mesmo por certos monstros tecnologicos. E isto que eu quero dizer por bom gosto : um grande GD é uma imagem simbolica do homem que o criou, e da intençao inicial ao fazê-lo. Hà giras que nasceram para serem bonitos, outros para ser impressionantes, alguns simplesmente para alimentar a vaidade dos proprietarios e do criador, mas outros nasceram para fazer musica. Saber reconhecer estes ultimos é ter conhecimento e bom gosto. O gira-discos é uma disciplina e uma « arte nobre », que torna o objecto apaixonante. Por detràs da sua simplicidade, que consiste a rodar com uma velocidade determinada, compreendemos juntos que a realidade é muito diferente. Um grande gira é uma alquimia complexa e estàvel entre o homem, a mecanica e a ciência. Sem este equilibrio nao hà grande som, e evidentemente nao pode existir grande aparelho.

Mas um gira nao pode fazer tudo sozinho, e um braço/célula adequado, é tao importante quanto o resto. Todos os que citei, foram escutados em condiçoes de funcionamento ideais. Afinagem e escolha da célula, do braço e a carga do phono.

Cada gira é uma individualidade que é necessario aprender a conheçer. Um grande gira nas maos de um aprendiz pode soar mal, e um gira médio pode ser perturbante afinado por um mestre.

A cada um de recuar, de aprender, de duvidar, para melhor avançar neste mundo instàvel, perturbante e generoso que se chama analogico.

Li de novo tudo o que escrevi, nao pude dizer tudo, mas disse muito e se calhar o principal. Se misturarem as diferentes frases e ideias deitadas em cada capitulo da saga, os segredos do analogico vao se tornar familiares. Espero ter ajudado a esta coisa…

Tive um grande prazer a fazer isto, e obrigado pelo apoio…

Até+
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  vinyl33 em 21/8/2009, 23:11

Caro td124, só uma palavra...FABULOSO.
Bem haja e Obrigado.
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  fm&stereo em 22/8/2009, 10:36

O nosso amigo td124, presenteou-nos, agora cabe ao forum manter este tópico em destaque permanente, para uma constante e ocasional visita.

Mais uma vez, o meu obrigado.
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  Convidad em 22/8/2009, 14:07

Obrigado por te teres dado ao trabalho de transcrever o teu profundo conhecimento na matéria. Muitas pessoas já não estão familiarizadas com a enorme beleza electro mecânica da reprodução analógica, nem do seu magnifico som.
Esta história sobre o gira discos deixa-me orgulhoso deste nosso fórum.
O audiopt fica assim mais enriquecido.

Obrigado Paulo.

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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  Paulo André em 22/8/2009, 14:23

Mais uma vez Excelente

Obrigado pelo trabalho que tiveste.

_________________
Cumprimentos
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  Convidad em 22/8/2009, 17:29

É com grande admiração e orgulho que assisto a mais um magnifico sermão,de retórica fina e sublime,que nos prende espectantes no desenrolar dos mistérios desses autênticos relicários das sagradas hóstias negras.Curvo-me perante tamanha genialidade e sabedoria e espero que continues a audio-evangelizar aqui os indigenas com a tua obra missionária Very Happy .
Obrigado Paulo VII
abraço
Milton


Última edição por milton em 23/8/2009, 21:02, editado 1 vez(es)

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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  Luke Skywalker em 22/8/2009, 17:54

O meu obrigado tb cheers

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Abraços, Luke
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  Convidad em 22/8/2009, 18:12

"1966 /1970 : Apesar de tudo o que vém de se passar o sucesso do TD124MKII nao se desmente, bem ao contrario. A Bang&Olufsen e a Tandberg passam um acordo com a Thorens para estampilhà-lo no nome deles com uma base diferente."

quais são esses modelos da B&O e Tandberg?eu sabia que o td125 tinha sido usado,mas que o td124 tambem tinha,desconhecia...

já fiz pesquisa e descobri que a B&O lançou um beogram3000 com o td124..


Última edição por milton em 23/8/2009, 21:20, editado 1 vez(es)

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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  Nox em 22/8/2009, 20:11

grande post sim senhor

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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  MAXMIX em 1/11/2009, 19:29

Boas

1º ....Bom,.....após a leitura deste " livro" só quero acrescentar que este " SENHOR " é simplesmente FABULOSO!
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  mrandrade em 17/12/2009, 19:09

ESTOU FEITO!!!!
Depois disto acho que tenho que voltar ao Vinyl!
Parabéns TD 124, Incrivel o seu conhecimento e a forma como nos transmite.
Manel

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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  *JIG* em 18/12/2009, 18:31

Ai Antônio!

Quando te meteres em alguma contenda de CD X VINIL contrata o TD124 como advogado de defesa e estás feito...Não perderás nunca a disputa...


Abraço,


João

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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  luis lopes em 18/12/2009, 20:29

meus sr´s isto é poesia ao mais alto nivel.
muito bonito!!
:>>_<&
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  Convidad em 23/12/2009, 06:48

*JIG* escreveu:Ai Antônio!

Quando te meteres em alguma contenda de CD X VINIL contrata o TD124 como advogado de defesa e estás feito...Não perderás nunca a disputa...


Abraço,


João

Se já sozinho sou difícil de roer, imagina na companhia da enciclopédia td124.

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Garrard 301.

Mensagem  holbein menezes em 27/12/2009, 09:27

TD 124 - "ROLDANA : O prato é movido por uma roldana em borracha que esta em contacto com o prato e é comandada pelo motor. Exemplos : Garrard 301 e 401..."

Meu caro TD124.

[Como você sabe, estou de "quarentena" sem saber por quê; talvez castigo pela minha "língua solta" e minha cabeça iconoclasta... Para estar aqui a conversar com você tive que "saltar" a cerca cibernética que confinou "os brasileiros" no campo de concentração da suspeição de sermos todos piratas...].

Mas minha vontade de estar com você aqui nessas reminiscências da alta-fidelidade levou-me a perder o escrúpulo natural ancião, para prestar uma informaçãozinha quanto ao Garrard 301. Possuí meia dúzia desses ledores de disco de longa duração; e fiz experiências mil com eles para aprimolá-los; uma delas foi trocar, com sucesso, o sistema do movimento do prato, de por roldana que gerava vibração, para correia cujas vibrações são mínimas; para isso tive que inverter o induzido do motor!!!

Vou tentar descobrir nos meus alfarrábios alguma fotografia que ao tempo tirei e se as encontrar, posto aqui por intermédio do blink, que sabe fazer esses malabarismos.

E ainda para otimizar o sistema contravibratório de molas (que ressoam em alta-frequência), montei o chassi de dois Garrard 301 aparafusados sobre chapas de ferro de 1/4 (que trabalhão cortar as chapas nos moldes do chassi), chapas cimentadas sobre uma mesa de mármore (!!!) em cima de uma coluna de concreto (!!!).

Pelo que você pode concluir com total acerto que a história da alta-fidelidade é feita de alucinações delirantes de maníacos impulsivos...

Um abraço do

Holbein.

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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

Mensagem  fernando3728 em 24/12/2012, 15:49

Depois de ler este tòpico, ainda fiquei com mais gula sobre os Gira-discos, é uma tecnologia que alem de não acabar continua a inovar e pelo que sei começa a haver cada vez mais aficcionados.
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Re: Breve historia dos gira-discos... (Arquivo MKII)

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