Os meus amplificadores a válvulas
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Dynavox vr70
Ora bem, em relação à versão "melhorada" (verbesserte), em primeiro lugar, vamos lá analisar as modificações:
O potenciómetro de entrada era de 20K, passou a 50K, o condensador em série de 0,1 uF passou a 0,22 uF, e foi introduzida uma resistência em série de 1K. Esta última não serve absolutamente para nada. Se fosse à entrada do andar de potência, servia para evitar surtos de corrente na grelha, mas como se trata do sinal, é irrelevante pois estes nunca se podem produzir. Se não tiver boa "sonoridade", dá cabo do som. O potenciómetro de maior valor permite um mais fácil controlo do volume. Mas a impedância de entrada do aparelho é dada pela resistência interna da válvula, a resistência de fugas de grelha de 470K e este potenciómetro, em paralelo. Ora, a ECF82, que é uma válvula dupla, com um pentodo e um triodo, está aqui a ser utilizada como válvula pré-amplificadora na sua secção pentodo. Se forem ao site http://tdsl.duncanamps.com/tubesearch.php e introduzirem a refª ECF82 verão que a Ri desta válvula é de 0,4MOhm (é preciso descarregar uma datasheet, e vem às vezes indicado R1 em vez de Ri). Ora, 1/20000 + 1/470000 + 1/400000 =18K. Se o pot for de 50K, dá cerca de 40,6K. A melhor transferência de energia dá-se sempre quando as impedâncias são iguais. Porém, embora a impedância de saída da fonte teoricamente seja nula, diz a experiência que o melhor som se obtém sempre quando uma pequena impedância debita numa maior. Isto não é ciência, é tarimba. É um bocado como deixar cair um fio de água num funil, em vez de num poço. No funil, consegue-se um débito constante do outro lado. No poço, cai lá dentro e desaparece. Eu teria usado um pot de 100K, valor aliás usual, mas os 50K são de certeza uma melhoria.
Quanto ao condensador de maior valor, ele constitui juntamente com a resistência de fugas de grelha uma rede RC. este aumento de valor vai favorecer a passagem, sem rotações de fase, nem atenuação, dos sinais mais graves. A frequência mais baixa que esta rede deixa passar deve ser normalmente de 20Hz. Para tal, um cálculo simples deve dar pelo menos o valor de 0,029, do seguinte modo (isto é uma simplificação de cálculo usada pelos tarimbeiros, é um coeficiente estatístico): 0,47 MOhm x 0,22 uF = 0,103. No caso de 0,47 x 0,1 dava 0,047. Isto significa que mesmo 0,1 uF já era largamente suficiente para não haver qualquer atenuação dos graves, e que o valor escolhido permite passar frequências quase até zero. Isto é um erro, primeiro, porque nenhuma fonte (CD, vinil, fita etc) regista frequências tão baixas e depois porque se a rede deixa passar quase corrente contínua (0 Hz), se houver alguma fuga de CC, o amplificador rebenta!!!
Se com estas modificações o amplificador soa melhor, isso deve-se à qualidade dos componentes escolhidos, e não aos valores diferentes que foram escolhidos, excepto no caso do potenciómetro de 50K, que aumentou a impedância de entrada.
(continua) (se quiserem, claro)
O potenciómetro de entrada era de 20K, passou a 50K, o condensador em série de 0,1 uF passou a 0,22 uF, e foi introduzida uma resistência em série de 1K. Esta última não serve absolutamente para nada. Se fosse à entrada do andar de potência, servia para evitar surtos de corrente na grelha, mas como se trata do sinal, é irrelevante pois estes nunca se podem produzir. Se não tiver boa "sonoridade", dá cabo do som. O potenciómetro de maior valor permite um mais fácil controlo do volume. Mas a impedância de entrada do aparelho é dada pela resistência interna da válvula, a resistência de fugas de grelha de 470K e este potenciómetro, em paralelo. Ora, a ECF82, que é uma válvula dupla, com um pentodo e um triodo, está aqui a ser utilizada como válvula pré-amplificadora na sua secção pentodo. Se forem ao site http://tdsl.duncanamps.com/tubesearch.php e introduzirem a refª ECF82 verão que a Ri desta válvula é de 0,4MOhm (é preciso descarregar uma datasheet, e vem às vezes indicado R1 em vez de Ri). Ora, 1/20000 + 1/470000 + 1/400000 =18K. Se o pot for de 50K, dá cerca de 40,6K. A melhor transferência de energia dá-se sempre quando as impedâncias são iguais. Porém, embora a impedância de saída da fonte teoricamente seja nula, diz a experiência que o melhor som se obtém sempre quando uma pequena impedância debita numa maior. Isto não é ciência, é tarimba. É um bocado como deixar cair um fio de água num funil, em vez de num poço. No funil, consegue-se um débito constante do outro lado. No poço, cai lá dentro e desaparece. Eu teria usado um pot de 100K, valor aliás usual, mas os 50K são de certeza uma melhoria.
Quanto ao condensador de maior valor, ele constitui juntamente com a resistência de fugas de grelha uma rede RC. este aumento de valor vai favorecer a passagem, sem rotações de fase, nem atenuação, dos sinais mais graves. A frequência mais baixa que esta rede deixa passar deve ser normalmente de 20Hz. Para tal, um cálculo simples deve dar pelo menos o valor de 0,029, do seguinte modo (isto é uma simplificação de cálculo usada pelos tarimbeiros, é um coeficiente estatístico): 0,47 MOhm x 0,22 uF = 0,103. No caso de 0,47 x 0,1 dava 0,047. Isto significa que mesmo 0,1 uF já era largamente suficiente para não haver qualquer atenuação dos graves, e que o valor escolhido permite passar frequências quase até zero. Isto é um erro, primeiro, porque nenhuma fonte (CD, vinil, fita etc) regista frequências tão baixas e depois porque se a rede deixa passar quase corrente contínua (0 Hz), se houver alguma fuga de CC, o amplificador rebenta!!!
Se com estas modificações o amplificador soa melhor, isso deve-se à qualidade dos componentes escolhidos, e não aos valores diferentes que foram escolhidos, excepto no caso do potenciómetro de 50K, que aumentou a impedância de entrada.
(continua) (se quiserem, claro)
Convidad- Convidado
Re: Os meus amplificadores a válvulas
Bom dia Jorge
Se bem entendi, sabes falar alemão (como eu
) pelo que esta pagina é bastante interessante.
http://dkoschuch.spaces.live.com/blog/cns!6305DB999E03ED3B!458.entry
É um tuning em três passos.
Uma coisa que raramente se fala, é a mudança do potenciómetro do som por um Alps, não para se obter uma melhoria sonora, mas sim para se poder variar o volume de uma maneira mais "suave" e não com aqueles enormes "degraus" do de origem. Ou mesmo, optar por um Alps com controlo remoto para um maior conforto.
Foi só uma ideia.
Abraço
Se bem entendi, sabes falar alemão (como eu
http://dkoschuch.spaces.live.com/blog/cns!6305DB999E03ED3B!458.entry
É um tuning em três passos.
Uma coisa que raramente se fala, é a mudança do potenciómetro do som por um Alps, não para se obter uma melhoria sonora, mas sim para se poder variar o volume de uma maneira mais "suave" e não com aqueles enormes "degraus" do de origem. Ou mesmo, optar por um Alps com controlo remoto para um maior conforto.
Foi só uma ideia.
Abraço
Convidad- Convidado
Bom dia António
O meu alemão são apenas os restos do antigo 6º e 7º anos do liceu, mais um pouco de vocabulário em algumas áreas... não sei verdadeiramente alemão, e tenho pena, pois é uma belíssima língua...
Pelas fotos da página que me mandaste vejo que o Dynavox é montado com circuitos impressos, o que torna muito difícil a execução prática de qualquer modificação. Como eu venho da "escola" dos rádios antigos, os meus amps são sempre feitos com o chamado "câblage en l'air", ou seja, tipo teia de aranha à maneira dos antigos Philips. Muito fácil de "mexer" lá dentro. Há quem use outra técnica que dá resultados muito bonitos, que é tudo alinhado e os cabos todos atados, como nos Jadis, por exemplo, ou ainda os componentes lado a lado em placas de bakelite com os cabos a sair de lá à esquadria e a darem voltas muito bonitas como nos amplificadores americanos dos anos 50, mas isso é bom para aparelhos que saem de uma linha de produção. Quando se trabalha em casa, prefiro a teia de aranha, que além de facilitar as modificações, permite duas coisas: evitar as capacidades parasitas produzidas pela proximidade excessiva entre os componentes ou pelos revestimentos dos cabos, e encurtar as ligações, dado que muitas vezes os componentes ficam ligados apenas pelos próprios cabos, ou pés, sem ter que se soldar mais nada.
Quanto ao Alps, parece-me uma excelente ideia. Há quem defenda os potenciómetros por steps, eu próprio construí um, entusiasmado a certa altura, mas acabei por abandonar. O meu amigo Victor experimentou e emprestou-me vários de marcas muito sofisticadas, mas acabei sempre por voltar aos Alps.
Quanto ao "tunning" do Dynavox, vou continuar a analisar o circuito, se achares bem, pois acho que pode ser didático mesmo para quem não perceba muito bem. Terei muito prazer em dar qualquer esclarecimento.
Pelas fotos da página que me mandaste vejo que o Dynavox é montado com circuitos impressos, o que torna muito difícil a execução prática de qualquer modificação. Como eu venho da "escola" dos rádios antigos, os meus amps são sempre feitos com o chamado "câblage en l'air", ou seja, tipo teia de aranha à maneira dos antigos Philips. Muito fácil de "mexer" lá dentro. Há quem use outra técnica que dá resultados muito bonitos, que é tudo alinhado e os cabos todos atados, como nos Jadis, por exemplo, ou ainda os componentes lado a lado em placas de bakelite com os cabos a sair de lá à esquadria e a darem voltas muito bonitas como nos amplificadores americanos dos anos 50, mas isso é bom para aparelhos que saem de uma linha de produção. Quando se trabalha em casa, prefiro a teia de aranha, que além de facilitar as modificações, permite duas coisas: evitar as capacidades parasitas produzidas pela proximidade excessiva entre os componentes ou pelos revestimentos dos cabos, e encurtar as ligações, dado que muitas vezes os componentes ficam ligados apenas pelos próprios cabos, ou pés, sem ter que se soldar mais nada.
Quanto ao Alps, parece-me uma excelente ideia. Há quem defenda os potenciómetros por steps, eu próprio construí um, entusiasmado a certa altura, mas acabei por abandonar. O meu amigo Victor experimentou e emprestou-me vários de marcas muito sofisticadas, mas acabei sempre por voltar aos Alps.
Quanto ao "tunning" do Dynavox, vou continuar a analisar o circuito, se achares bem, pois acho que pode ser didático mesmo para quem não perceba muito bem. Terei muito prazer em dar qualquer esclarecimento.
Convidad- Convidado
Re: Os meus amplificadores a válvulas
Jorge Silva Marques escreveu:
Quanto ao "tunning" do Dynavox, vou continuar a analisar o circuito, se achares bem, pois acho que pode ser didático mesmo para quem não perceba muito bem. Terei muito prazer em dar qualquer esclarecimento.
Podes e deves.
Por falar em fazer umas soldaduras juntos, no Fórum alemão, vários indivíduos, agarrarão no pé de phono da Dynavox (TRP 2) que custa 80 e tal euros, e começaram a alterar o mesmo. Podes ver a popularidade do tópico que já teve 13093 visitantes e 220 respostas. http://www.analog-forum.de/wbboard/index.php?page=Thread&threadID=43509
Talvez um dia possamos fazer uma brincadeira parecida.
Abraço
Convidad- Convidado
Re: Os meus amplificadores a válvulas
Jorge Silva Marques escreveu:Bom dia,
...
Um mês depois, fiz o meu primeiro single-ended de 300B, com esquema original baseado numa interpretação pessoal do totem-pole que foi um sucesso nessa ocasião, dado que depois de um amigo já falecido, Michel Delneuville, me ter posto em contacto com Victor Meurice, nessa altura representante na Bélgica das famosas colunas Lowther (a mãe de todas as colunas que conhecemos e a Rolls do Alto Rendimento) esse meu amplificador foi seleccionado para apresentar as PM6 nos novos pavilhões desenhados pelo Victor no Salão de HIFI de Paris, nesse ano de 1996.
...
Um abraço a todos!
Olà e bem-vindo,
como o mundo é pequeno
Até+

td124- Membro Audiopt

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Re: Os meus amplificadores a válvulas
Olà,
venho de pensar que eu também fiz um 300B, que uso de vez em quando com altifalantes a larga banda no escritorio. E uma aposta que tinha feito com o Jean Hiraga, que queria saber o que daria um 3OOB feito por mim. Na realidade nao sou um aficionado deste tipo de amplificadores a maior parte do tempo
. Aqui vai a foto...
[img]
[/img]
Isto nao é publicidade, pois nao faço aparelhos deste tipo profissionalmente, e este era uma brincadeira entre amigos
Até+
venho de pensar que eu também fiz um 300B, que uso de vez em quando com altifalantes a larga banda no escritorio. E uma aposta que tinha feito com o Jean Hiraga, que queria saber o que daria um 3OOB feito por mim. Na realidade nao sou um aficionado deste tipo de amplificadores a maior parte do tempo
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[/img]Isto nao é publicidade, pois nao faço aparelhos deste tipo profissionalmente, e este era uma brincadeira entre amigos
Até+

td124- Membro Audiopt

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Bolas!
Bolas, tinha escrito meia página sobre as contra-reacções e de repente o site pede-me de novo a palavra-passe e o texto desapareceu... vou ter que voltar a escrever tudo de novo, sorry.
Olá também a TD124, acho graça lembrar-se das Lowther e do meu primeiro bicho...
Como há 3 anos que não falo com ninguém sobre estes assuntos, não me importo de escrever...
Abraço,
Jorge
Olá também a TD124, acho graça lembrar-se das Lowther e do meu primeiro bicho...
Como há 3 anos que não falo com ninguém sobre estes assuntos, não me importo de escrever...
Abraço,
Jorge
Convidad- Convidado
Dynavox vr70 versão melhorada
Bom, continuando então e seguindo o esquema:
Na rede de placa, écran e cátodo da válvula pré-amplificadora V1a (a parte pentodo da ECF82) encontramos C20 e C12, tendo sido alterado o valor do primeiro de 100pF para 47pF. Estes conjuntos de resistências e condensadores destinam-se a estabilizar o sistema, corrigindo ao mesmo tempo a tonalidade, e constituem igualmente redes de contra-reacção - um processo de contrariar a distorção que consiste em reinjectar uma parte do sinal amplificado num ponto anterior do circuito. Neste caso, uma parte do sinal que sai da placa de V1a é reinjectado através de R37 e C12 no cátodo da mesma válvula, mas em fase contrária, já que o sinal na placa de uma válvula sai sempre invertido. Porém, como precisamente as redes RC são dispositivos reactivos, cuja impedância varia consoante a frequência do sinal, a alteração de valor de 100pF para 47pF veio reduzir esta impedância, já a 1kHz, para cerca de metade, o que significa que se aumentou a contra-reacção nos agudos. O condensador C12, que também está ligado em série tanto a R37 como a R20, reage da mesma forma mas não tem tanta influência, dado que o seu valor e o de R37 são já tão altos, que a impedância resultante é muito elevada. Ele está lá para estabilizar a tensão de écran, o que é sempre necessário num pentodo, dado que é ela que condiciona em larga medida as características deste tipo de válvulas.
Porém, como C20/R38 se encontram em paralelo com a resistência de carga de placa R36, a própria carga da válvula reduz quando aumenta a frequência, o que talvez não seja muito bom... ela vai ficar mais “vertical” e abranger assim uma zona em que as características da válvula são menos regulares. Isto pode, em vez de reduzir, aumentar consideravelmente a distorção.
Às vezes, mais não significa melhor! Eu seria partidário de se desligar esta rede e de ouvir o resultado. Até porque existe outra rede CR (R21/C17), que vem da saída do transformador também para o cátodo da V1, e às vezes a existência de mais do que uma destas redes (neste caso são 3, todas ligadas no mesmo sítio) acaba por provocar a pior distorção de todas, a chamada intermodulação de frequência, quando elas reagem de forma divergente a sinais sonoros muito complexos e com grandes amplitudes.
Como num banco de ensaio nunca se podem fazer medidas para todas as frequências usam-se em geral dois testes, a 400Hz e a 1000Hz, com sinais quadrados ou sinusóides. Os amplificadores que “medem” muito bem raramente são bons ao ouvido - que é sempre, em última instância, o melhor juiz! Razão pela qual os amplificadores de laboratório, que dão medidas irrepreensíveis, nunca prestam para nada em alta-fidelidade...
Outra sugestão seria de ligar C12 não ao cátodo de V1a, mas directamente à terra. A tensão de écran deixaria assim de ser influenciada pelo sinal. A ouvir e julgar o resultado...
(continua)
Abraço
Na rede de placa, écran e cátodo da válvula pré-amplificadora V1a (a parte pentodo da ECF82) encontramos C20 e C12, tendo sido alterado o valor do primeiro de 100pF para 47pF. Estes conjuntos de resistências e condensadores destinam-se a estabilizar o sistema, corrigindo ao mesmo tempo a tonalidade, e constituem igualmente redes de contra-reacção - um processo de contrariar a distorção que consiste em reinjectar uma parte do sinal amplificado num ponto anterior do circuito. Neste caso, uma parte do sinal que sai da placa de V1a é reinjectado através de R37 e C12 no cátodo da mesma válvula, mas em fase contrária, já que o sinal na placa de uma válvula sai sempre invertido. Porém, como precisamente as redes RC são dispositivos reactivos, cuja impedância varia consoante a frequência do sinal, a alteração de valor de 100pF para 47pF veio reduzir esta impedância, já a 1kHz, para cerca de metade, o que significa que se aumentou a contra-reacção nos agudos. O condensador C12, que também está ligado em série tanto a R37 como a R20, reage da mesma forma mas não tem tanta influência, dado que o seu valor e o de R37 são já tão altos, que a impedância resultante é muito elevada. Ele está lá para estabilizar a tensão de écran, o que é sempre necessário num pentodo, dado que é ela que condiciona em larga medida as características deste tipo de válvulas.
Porém, como C20/R38 se encontram em paralelo com a resistência de carga de placa R36, a própria carga da válvula reduz quando aumenta a frequência, o que talvez não seja muito bom... ela vai ficar mais “vertical” e abranger assim uma zona em que as características da válvula são menos regulares. Isto pode, em vez de reduzir, aumentar consideravelmente a distorção.
Às vezes, mais não significa melhor! Eu seria partidário de se desligar esta rede e de ouvir o resultado. Até porque existe outra rede CR (R21/C17), que vem da saída do transformador também para o cátodo da V1, e às vezes a existência de mais do que uma destas redes (neste caso são 3, todas ligadas no mesmo sítio) acaba por provocar a pior distorção de todas, a chamada intermodulação de frequência, quando elas reagem de forma divergente a sinais sonoros muito complexos e com grandes amplitudes.
Como num banco de ensaio nunca se podem fazer medidas para todas as frequências usam-se em geral dois testes, a 400Hz e a 1000Hz, com sinais quadrados ou sinusóides. Os amplificadores que “medem” muito bem raramente são bons ao ouvido - que é sempre, em última instância, o melhor juiz! Razão pela qual os amplificadores de laboratório, que dão medidas irrepreensíveis, nunca prestam para nada em alta-fidelidade...
Outra sugestão seria de ligar C12 não ao cátodo de V1a, mas directamente à terra. A tensão de écran deixaria assim de ser influenciada pelo sinal. A ouvir e julgar o resultado...
(continua)
Abraço
Convidad- Convidado
Re: Os meus amplificadores a válvulas
Muito bem Jorge, estou ansioso por ler o próximo capítulo! 

fm&stereo- Membro Audiopt

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Re: Os meus amplificadores a válvulas
Bem vindo Jorge
Também estou acompanhando o tópico
Belos valvulados
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Luke Skywalker- utilizador dedicado

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Dynavox VR70 versão melhorada
Boa noite, peço desculpa, tenho andado um pouco ocupado. Obrigado pelo interesse que têm demonstrado por este meu "escrevinhar" a propósito deste esquema. Vou ver se amanhã tenho tempo para escrever mais alguma coisa. Até, lá, grande abraço a todos!
Convidad- Convidado
Re: Os meus amplificadores a válvulas
Boa noite Jorge, bem vindo ao forum
Só agora tive oportunidade de ver este post, e, devo confessar, que o li com alguma sofreguidão, tal foi o interesse que me despertou.
Fico feliz por ver mais gente com profundos conhecimentos na matéria disposto a partilhar os seus conhecimentos... pela minha parte, obrigado por ter entrado para esta casa. Espero que continue por cá por muito tempo
Cumprimentos
Rui Sousa
PS: um dia destes ainda construo um ampsito...
claro que vou "cravar" ajuda 
Só agora tive oportunidade de ver este post, e, devo confessar, que o li com alguma sofreguidão, tal foi o interesse que me despertou.
Fico feliz por ver mais gente com profundos conhecimentos na matéria disposto a partilhar os seus conhecimentos... pela minha parte, obrigado por ter entrado para esta casa. Espero que continue por cá por muito tempo
Cumprimentos
Rui Sousa
PS: um dia destes ainda construo um ampsito...

RuiGSousa- Membro Audiopt

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Data de inscrição: 02/12/2008
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Dynavox VR70
Olá Rui, obrigado. Terei muito gosto em ajudar-vos em qualquer projecto.
Pois então vamos lá continuar com o Dinavox VR70. Já devia ter dito isto, mas como muita gente já deve saber, é óbvio já pelo nome que este amplificador se inspira nos Dynaco dos anos 60/70, em especial o Dynakit ou o Stereo 70, que utilizavam as válvulas 7199 ou 6AN8 na entrada.
[img][/img][img]
[/img]
Eis o esquema do Dynakit, como se vê logo, muito semelhante em termos de arquitectura e de soluções. Os condensadores e as resistências não estão numerados, mas cá temos na entrada a resistência de fugas de grelha de V1a, mas sem C18 nem a resistência em série (o condensador ainda faz sentido, para prevenir qualquer entrada de corrente contínua, mas a resistência de 1K não como disse; já o Stereo 70 tem lá uma de 10K, o que já faz diferença em termos de impedância). O retorno das redes de contra-reacção faz-se aqui não ao topo da resistência de cátodo mas, como esta se encontra dividida, a um ponto deste divisor de tensão que faz com que só aí seja aplicado cerca de 1/15avos da voltagem trazida do transformador de saída e, neste caso, do écran de uma das válvulas de saída. Os outros valores são diferentes dado que são válvulas diferentes. Não temos, porém, a tal rede C20/R38 de correcção de tonalidade, e no lugar de R37, de 470K, temos 1,5M, valor 3 vezes superior que dá uma contra-reacção 3 vezes inferior... penso, mas posso estar enganado, pois quando há várias redes de CR a funcionar ao mesmo tempo, às vezes o resultado é um bocado imprevisível, que o Dynakit talvez tivesse menos distorção por intermodulação do que o VR70 dado que era muito menos contra-reaccionado em termos quantitativos, embora tivesse igualmente 3 redes de CR (tem mais o condensador de 25pF entre a placa de V1a e a alimentação de V1b).
Espero que tenham conseguido acompanhar o esquema.
Mas voltando ao VR70. A seguir ao pentodo temos o triodo, cuja função é a de separador de fase. Como o andar final é em push-pull, as duas EL34 funcionam em oposição, e têm que receber o sinal em fase contrária. A montagem deste separador (phase-splitter, a não confundir com phase-inverter, esse é outro tipo de circuito) é a mais clássica de todas, conhecida por cathodyne. Como numa válvula o sinal amplificado sai invertido na placa, mas mantém a fase no cátodo, a ideia que surge logo é a de tomar o sinal em cada um destes eléctrodos, dotados de resistências de carga iguais. Muito se escreveu sobre esta questão, e sobre os inversores ou separadores de fase em geral; nenhum é perfeito! No VR70, as resistências R7 e R23 têm valores ligeiramente diferentes, boa solução que pretende compensar a resistência interna da própria válvula e igualizar os níveis de saída. Aquilo que é impossível igualizar, excepto com um transformador (processo mais antigo, mais caro, mais pesado, que só se usa em topos-de-gama, até porque o transformador tem de ser especial e de muito boa qualidade) são as impedâncias de saída da placa e do cátodo. Mas, apesar de tudo, talvez seja o melhor destes sistemas.
Para evitar perdas do sinal e as rotações de fase que estão sempre associadas a qualquer rede RC, e como a presença de uma resistência de elevado valor no cátodo produz uma polarização muito elevada em V1b pela própria configuração do circuito, temos uma ligação directa (sem condensador) entre a placa de V1a e a grelha de V1b, o que é uma solução excelente, já usada desde os anos 20, em que não há perdas. Ou seja, como a voltagem na placa de V1a é aqui de 88V (vem indicado no esquema) essa é também a voltagem da grelha de V1b. O cátodo de V1b deve estar, portanto, a um valor superior a estes 88V. Como até vêm indicadas as medidas, 340v na alimentação e 252V na placa de V1b, isso significa que a resistência de placa R7 de 33K provocou uma queda de tensão de 88V (valor igual por coincidência). 88V/33K dá um consumo de 2,666mA, aplicando a Lei de Ohm. Se multiplicarmos 2,666x36K (valor de R23, no cátodo) temos 96V, mais 8 do que na grelha. Esta diferença de valor é que define o comportamento do circuito, mas como de qualquer forma o cathodyne admite grandes amplitudes de sinal, não há qualquer problema, mesmo que haja alguma oscilação da voltagem de alimentação durante o funcionamento. É um circuito muito flexível, que tem a vantagem de ser degenerativo (ganho inferior a 1, cerca de 0,9), e que portanto até reduz uma pequena parte da distorção.
(continua)
Pois então vamos lá continuar com o Dinavox VR70. Já devia ter dito isto, mas como muita gente já deve saber, é óbvio já pelo nome que este amplificador se inspira nos Dynaco dos anos 60/70, em especial o Dynakit ou o Stereo 70, que utilizavam as válvulas 7199 ou 6AN8 na entrada.
[img][/img][img]
[/img]Eis o esquema do Dynakit, como se vê logo, muito semelhante em termos de arquitectura e de soluções. Os condensadores e as resistências não estão numerados, mas cá temos na entrada a resistência de fugas de grelha de V1a, mas sem C18 nem a resistência em série (o condensador ainda faz sentido, para prevenir qualquer entrada de corrente contínua, mas a resistência de 1K não como disse; já o Stereo 70 tem lá uma de 10K, o que já faz diferença em termos de impedância). O retorno das redes de contra-reacção faz-se aqui não ao topo da resistência de cátodo mas, como esta se encontra dividida, a um ponto deste divisor de tensão que faz com que só aí seja aplicado cerca de 1/15avos da voltagem trazida do transformador de saída e, neste caso, do écran de uma das válvulas de saída. Os outros valores são diferentes dado que são válvulas diferentes. Não temos, porém, a tal rede C20/R38 de correcção de tonalidade, e no lugar de R37, de 470K, temos 1,5M, valor 3 vezes superior que dá uma contra-reacção 3 vezes inferior... penso, mas posso estar enganado, pois quando há várias redes de CR a funcionar ao mesmo tempo, às vezes o resultado é um bocado imprevisível, que o Dynakit talvez tivesse menos distorção por intermodulação do que o VR70 dado que era muito menos contra-reaccionado em termos quantitativos, embora tivesse igualmente 3 redes de CR (tem mais o condensador de 25pF entre a placa de V1a e a alimentação de V1b).
Espero que tenham conseguido acompanhar o esquema.
Mas voltando ao VR70. A seguir ao pentodo temos o triodo, cuja função é a de separador de fase. Como o andar final é em push-pull, as duas EL34 funcionam em oposição, e têm que receber o sinal em fase contrária. A montagem deste separador (phase-splitter, a não confundir com phase-inverter, esse é outro tipo de circuito) é a mais clássica de todas, conhecida por cathodyne. Como numa válvula o sinal amplificado sai invertido na placa, mas mantém a fase no cátodo, a ideia que surge logo é a de tomar o sinal em cada um destes eléctrodos, dotados de resistências de carga iguais. Muito se escreveu sobre esta questão, e sobre os inversores ou separadores de fase em geral; nenhum é perfeito! No VR70, as resistências R7 e R23 têm valores ligeiramente diferentes, boa solução que pretende compensar a resistência interna da própria válvula e igualizar os níveis de saída. Aquilo que é impossível igualizar, excepto com um transformador (processo mais antigo, mais caro, mais pesado, que só se usa em topos-de-gama, até porque o transformador tem de ser especial e de muito boa qualidade) são as impedâncias de saída da placa e do cátodo. Mas, apesar de tudo, talvez seja o melhor destes sistemas.
Para evitar perdas do sinal e as rotações de fase que estão sempre associadas a qualquer rede RC, e como a presença de uma resistência de elevado valor no cátodo produz uma polarização muito elevada em V1b pela própria configuração do circuito, temos uma ligação directa (sem condensador) entre a placa de V1a e a grelha de V1b, o que é uma solução excelente, já usada desde os anos 20, em que não há perdas. Ou seja, como a voltagem na placa de V1a é aqui de 88V (vem indicado no esquema) essa é também a voltagem da grelha de V1b. O cátodo de V1b deve estar, portanto, a um valor superior a estes 88V. Como até vêm indicadas as medidas, 340v na alimentação e 252V na placa de V1b, isso significa que a resistência de placa R7 de 33K provocou uma queda de tensão de 88V (valor igual por coincidência). 88V/33K dá um consumo de 2,666mA, aplicando a Lei de Ohm. Se multiplicarmos 2,666x36K (valor de R23, no cátodo) temos 96V, mais 8 do que na grelha. Esta diferença de valor é que define o comportamento do circuito, mas como de qualquer forma o cathodyne admite grandes amplitudes de sinal, não há qualquer problema, mesmo que haja alguma oscilação da voltagem de alimentação durante o funcionamento. É um circuito muito flexível, que tem a vantagem de ser degenerativo (ganho inferior a 1, cerca de 0,9), e que portanto até reduz uma pequena parte da distorção.
(continua)
Convidad- Convidado
Re: Os meus amplificadores a válvulas
Caro Jorge Silva Marques
Relativamente aos amplificadores a válvulas, há alguma topologia(tipo de circuito) que seja superior?
Ou a qualidade sónica é, digamos, independente da topologia utilizada, mas dependente da forma como cada circuito é executado (qualidade dos componentes. ..etc).
Cumps.
Western..
Relativamente aos amplificadores a válvulas, há alguma topologia(tipo de circuito) que seja superior?
Ou a qualidade sónica é, digamos, independente da topologia utilizada, mas dependente da forma como cada circuito é executado (qualidade dos componentes. ..etc).
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