Os meus amplificadores a válvulas

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Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 28/4/2009, 14:01

Bom dia, acabo de me inscrever neste fórum e pelo que vejo há algumas pessoas interessadas em amplificadores a válvulas.
Tendo vivido no estrangeiro durante muito tempo (mas a bem dizer isso não fez muita diferença, pois toda a informação está na Net, é só saber ir buscá-la) tive contactos com outras pessoas interessadas por este assunto e, depois de ter passado algum tempo a comprar rádios antigos e a restaurá-los, abalancei-me a fazer o meu primeiro amplificador a válvulas, um push-pull de EL34, com um esquema tirado de uma revista, em 1996.
Um mês depois, fiz o meu primeiro single-ended de 300B, com esquema original baseado numa interpretação pessoal do totem-pole que foi um sucesso nessa ocasião, dado que depois de um amigo já falecido, Michel Delneuville, me ter posto em contacto com Victor Meurice, nessa altura representante na Bélgica das famosas colunas Lowther (a mãe de todas as colunas que conhecemos e a Rolls do Alto Rendimento) esse meu amplificador foi seleccionado para apresentar as PM6 nos novos pavilhões desenhados pelo Victor no Salão de HIFI de Paris, nesse ano de 1996.
Desde essa altura sempre concebi os meus circuitos, com base evidentemente nas configurações usadas tradicionalmente em áudio, mas também com incursões em outros tipos de circuitos com capacidade de aproveitamento em baixa frequência. Falo dos circuitos de entrada ou dos drivers. As saídas são sempre SE, Parallel SE, Push-pull. Experimentei igualmente uma saída cathode-follower, com transformador. Interessante do ponto devista eléctrico, mas demasiada corrente. No entanto, a baixa impedância de saída era apelativa.
Bom, isto não foi para me vangloriar, foi para dar uma ideia do que se pode fazer!!!
Actualmente só tenho dois amplificadores, ambos concebidos e feitos por mim (claro).
Um SE de 6V6GT, com entrada 6SN7, que dá apenas 5 Watts, mas que é largamente suficiente para umas pequenas KEF que estão no meu escritório. Os transformadores também foram calculados por mim. A fonte, inicialmente um Marantz CD17, foi subtituída pelo meu MacBook (arrepiem-se, mas o resultado é muito bom e não tenho que mudar os CDs)...
O outro é um amplificador que funciona indistintamente com 6L6, KT88 ou 6550, que é um circuito Ultralinear SE (parecido com o Hiraga) e dá cerca de 20 Watts, e que tem uma entrada de EF86 montadas em triodo (talvez a melhor configuração de entrada de um amplificador áudio, já recomendada pela Mullard nos anos 50). Este está ligado ao CD17 e por falta de espaço ligo-o às Kef, mas foi feito para funcionar com umas colunas de pavilhão interno de saída frontal criadas por mim para o Supravox RTF64, que dão um rendimento de 102 dB. O princípio é o mesmo do que as Lowther Fidelio, mas revisto por mim em termos de taxa e de volume da câmara de compressão, e evidentemente adaptado a um altifalante completamente diferente, que é o Supravox. O pavilhão é hiperbólico-exponencial.
Eis o esquema (muito simples) do 6V6GT, chamado "Ermitage II"
http://img134.imageshack.us/img134/9766/9jsm6v6gstereoermitagei.png
E o do "Centennial", que foi feito no centenário da válvula electrónica (o diodo) em 2004:
http://img262.imageshack.us/img262/6811/jsmcentennialdec2004.png
Um abraço a todos!

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 28/4/2009, 16:14

Boa tarde Jorge

Apesar de estares a fazer a tua apresentação no local errado (existe um sitio dedicado para esse efeito, mas quero confessar-te que cometi exactamente o mesmo erro Laughing ) quero desejar-te as boas vindas cheers
É muito bom para todos os que andam neste fórum, que alguém como tu se tenha juntado a nós. É sempre de louvar quando alguém que possui verdadeiro conhecimento técnico se junta a nós. Eu também sou um apaixonado das válvulas e do som analógico em geral,
(vinil) mas contrariamente a ti, tenho enormes limitações no campo técnico.
Assim que possas, insere algumas fotos no tópico "o meu sistema" para assim vermos as tuas criações.

Portanto e mais uma vez, bem vindo ao fórum e diverte-te.

Abraço

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 28/4/2009, 18:08

Bem vindo Jorge! cheers
é com grande apreço e espectativa que vejo a tua entrada neste nosso forum.
espero aprender alguma coisita de valvulas..
abraço
Milton

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seja bem vindo...

Mensagem  MAXMIX em 28/4/2009, 20:10

Olá Jorge Marques.....QUE GRANDE ENTRADA...NÃO DEU HIPOTESE Á CONCORRENÇIA..EHEHEH.
Assim é que é falar ( com conhecimento de causa ), mas já agora se pudesse por umas fotos do seu sistema de certo que " matava "
a curiosidade de muitos "gatos". Isto aproveitando a velha maxima de curiosity kills the cat.
Bem vindo a este Forum PROFESSOR.

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Olá outra vez

Mensagem  Convidad em 28/4/2009, 23:28

Muito obrigado pelo vosso acolhimento. Não tenho nenhuma intenção de me armar em "professor", mas se alguém se quiser aventurar neste domínio particular, certamente terei muito gosto em dar uma ajuda. Bem sei que há vários tipos de "audiófilos": os que na realidade são mais melómanos; e depois as "famílias" dos transistores e das válvulas, com as suas subdivisões vinil/cd e derivados, etc. Eu sou muito tradicional, mas afastei-me dos vinis por falta de espaço e pachorra. Tenho no entanto muitos 78 rpm, que adoro, essa é outra história! O que eu acho graça é a construir coisas, aprender como se faz.
Este é o link para a foto de um dos meus amplis anteriores, um Parallel-SE de 300B em dois monoblocos separados, com transformadores que eu calculei e mandei bobinar. Os dois monoblocos têm cada um a sua alimentação, o que permite um funcionamento em perfeito estéreo, dado que as solicitações de corrente de um canal não influem no outro. Isto é mais na teoria...:

Este é o Centennial, que ficou muito mal na foto, pois tem de facto um acabamento + simples. Ao vivo a placa de alumínio parece menos cinzenta. Este ampli tem selector de três entradas, potenciómetro de volume e contra-reacção opcional:

A minhas colunas com os Supravox durante a construção, ainda abertas. Como são pavilhões, não levam enchimento. 123cm de altura, 45 de profundidade, 29 de largura. O RTF64 tem 22cm de diãmetro:

E este é o Ermitage II. O primeiro Ermitage foi feito para o Victor. O conceito é o de um ampli minimalista: não tem comandos, usa as válvulas mais baratas possível, etc. também com transformadores "maison" (graças a um livro maravilhoso dos anos 40):


Obrigado pela vossa atenção
Jorge

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Olá outra vez

Mensagem  fm&stereo em 29/4/2009, 00:00

Bem vindo Jorge e parabéns! cheers
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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Paulo André em 29/4/2009, 00:05

Jorge, Bem vindo ao forum cheers
os meu parabéns por essas maravilhas

_________________
Cumprimentos
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amplificadores a valvulas...

Mensagem  MAXMIX em 29/4/2009, 06:31

BOM DIA JORGE

SE BEM FALOU, MELHOR O DEMONSTROU!!! ISSO ESTÁ UMA MARAVILHA...MAIS UMA VEZ PROFESSOR.
NEM PONHO EM CAUSA A SUA SONORIDADE E DESEMPENHO, POIS SÓ PELO ASPECTO NOS ACABAMENTOS NOTA-SE A PERFEIÇÃO DA QUALIDADE.
AGORA DIGA-ME SE POR ACASO EU ME INTERESSA-SE PELA AQUISIÇÃO DE ALGO PARECIDO, QUAL O MONTANTE NECESSARIO A DISPENDER?
EU TENHO UM VALVULADO DE MARCA NIPONICA QUE ME PAREÇE LIMITADO PARA PUXAR AS MINHAS MONITOR AUDIO E ESTARIA INTERESSADO EM SABER SE PUDERIA SEM DISPENDER "GRANDES FORTUNAS " ADQUIRIR OU FAZER ( COM A SUA AJUDA...CLARO) ALGO SEMELHANTE.

UM ABRAÇO AUDIOFILO E PARABÉNS PELAS CRIAÇÕES.
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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 29/4/2009, 08:35

MAXMIX escreveu:BOM DIA JORGE

SE BEM FALOU, MELHOR O DEMONSTROU!!! ISSO ESTÁ UMA MARAVILHA...MAIS UMA VEZ PROFESSOR.
NEM PONHO EM CAUSA A SUA SONORIDADE E DESEMPENHO, POIS SÓ PELO ASPECTO NOS ACABAMENTOS NOTA-SE A PERFEIÇÃO DA QUALIDADE.
AGORA DIGA-ME SE POR ACASO EU ME INTERESSA-SE PELA AQUISIÇÃO DE ALGO PARECIDO, QUAL O MONTANTE NECESSARIO A DISPENDER?
EU TENHO UM VALVULADO DE MARCA NIPONICA QUE ME PAREÇE LIMITADO PARA PUXAR AS MINHAS MONITOR AUDIO E ESTARIA INTERESSADO EM SABER SE PUDERIA SEM DISPENDER "GRANDES FORTUNAS " ADQUIRIR OU FAZER ( COM A SUA AJUDA...CLARO) ALGO SEMELHANTE.

UM ABRAÇO AUDIOFILO E PARABÉNS PELAS CRIAÇÕES.

eu tambem estou maravilhado e interessado como o nosso amigo maxmix(que me pôs surdo só com o tipo de letra que usa Laughing )

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AMIGO MILTON...

Mensagem  MAXMIX em 29/4/2009, 09:06

Bom Dia Amigo Milton

Como vai indo? é que realmente neste forum em vez de ( alguns querem andar na má lingua e disputas de opiniões ) eu prefiro dar credito a estes assuntos como o nosso recente forista expôs. Isto sim, vale a pena dar atenção e aprender como dar o devido valor
ao gosto audiofilo. Os gira~discos já rodam e já nem tu sabes qual era o teu....já misturei tudo e fiz um que toca muitissimo bem.
Vamos ver se o nosso amigo nos ajuda agora no valvulado....aguardemos

Um grande abração para ti Milton

MAXMIX
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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 29/4/2009, 09:14

MAXMIX escreveu:Bom Dia Amigo Milton

Como vai indo? é que realmente neste forum em vez de ( alguns querem andar na má lingua e disputas de opiniões ) eu prefiro dar credito a estes assuntos como o nosso recente forista expôs. Isto sim, vale a pena dar atenção e aprender como dar o devido valor
ao gosto audiofilo. Os gira~discos já rodam e já nem tu sabes qual era o teu....já misturei tudo e fiz um que toca muitissimo bem.
Vamos ver se o nosso amigo nos ajuda agora no valvulado....aguardemos

Um grande abração para ti Milton

MAXMIX

Bom dia!
e já agora umas fotositas dessas beldades...
abraço
Milton

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Bom dia

Mensagem  Convidad em 29/4/2009, 11:38

Ainda não tive tempo de responder propriamente a cada um de vocês, mas pelo material que vocês têm, vejo que estão muito bem "artilhados".
Já perceberam que embora eu também me interesse pelo material de marca, estou mais na linha do DIY...
Em relação amigos Milton e Maxmix que me perguntam quanto é preciso dispender para fazer um amplificador, a resposta naturalmente é que depende do amplificador, mas à volta de uns 200 euros, no mínimo dos mínimos.
As peças mais caras são os transformadores. Uns bobinados em prata japoneses podem custar milhares de euros, um calculado e mandado fazer pode ficar por 40 ou 50. Mas existem bons transformadores no mercado por preços acessíveis, como os Hammond. Para um ampli estéreo são precisos dois de saída e um de alimentação, no mínimo. O filtro da alimentação é muito importante para a estabilidade e o som, deve ter uma pequena resistência interna para evitar oscilações de voltagem em funcionamento. Há duas escolas: as choques e as resistências. Num push-pull o filtro é mais simples. Mas num SE a alimentação deve ser mais cuidada. Também depende se se quiserem usar válvulas de aquecimento directo (2A3 ou 300B) ou tetrodos/pentodos, menos sensíveis às alimentações. Assim, se optarmos pela choque (self) de filtragem, é preciso contar mais um "transformador". Senão, mais (ou maiores) condensadores. As válvulas tipo tetrodo são as mais baratas (6L6, 6V6, EL34).
Para quem começa, o melhor talvez seja comprar um kit já com tudo incluído (não é muito excitante, pelo menos para mim) ou arranjar um velho amplificador (cada vez mais raro) ou um rádio sem valor e começar a alterá-lo. Atenção, há voltagens muito elevadas lá dentro e é preciso tomar algumas precauções...
Depois de 13 anos destas andanças, sou partidário da simplicidade. Há quem faça push-pull muito complicados, com imensas contra-reacções e artimanhas várias destinadas a solucionar os dois GRANDES problemas destes circuitos, que são os desiquilíbrios dos inversores ou separadores de fase (phase-splitter ou phase-inverter); e as rotações de fase resultantes de eles terem quase sempre mais de dois estágios (andares). Há escolas diferentes em relação ao tipo, quantidade, e local de aplicação da contra-reacção destinada a solucionar este último problema, mas seja qual for a opção, todas estas coisas alteram o som.
Note-se que há amplificadores notáveis de tipo push-pull! Mas eu prefiro os single-ended, que têm sempre mais distorção, mas um som muito mais natural, com maior respiração. Nestes amplis, é possível anular grande parte da distorção da primeira válvula na segunda (no tocante aos harmónicos pares; os ímpares nunca se anulam por processo algum) sem recorrer à contra-reacção.
Por fim, tudo depende também das colunas: com 89dB são precisos pelo menos uns 50 Watts de potência... muito difíceis de conseguir sem um push-pull. Mas a partir de 92 dB já chegam uns 20W, e com 94 ou 96 bastam 5 ou 10W! As colunas de muito alto rendimento só precisam de poucos Watts de potência. E quanto menor for a potência debitada pelo amplificador, menor é a distorção!!!
Mas é preciso ler muito também, para saber o que se está a fazer: a "Bíblia" desta coisa é um livro chamado
"Radio designer's handbook", obra colectiva dirigida por F. Langford-Smith publicada em Londres em 1953, que já se pode comprar em DVD.
Existem muitos sítios na Net com informações e até programas de cálculo que permitem fazer simulações na duncanamps e na glassware.
Abraço,
Jorge

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 29/4/2009, 13:19

obrigado Jorge!
não vou ler tudo agora que acabei de almoçar e ainda tenho uma congestão Laughing
mas garanto-te que vou compreender rápidamente tudo aquilo que escreveste,tenho é que ler muitas vezes... Razz
agora a sério,já ouviste falar do dynavox vr70,tão badalado por aqui...tens alguma opinião formada acerca dele?
podes ver o esquema aqui:http://www.verruecktedinge.de/roehrentechnik/Dynavox_Schaltplan.html
mais uma vez obrigado
abraço
Milton

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 29/4/2009, 13:43

bem vindo e parabens pelos amplificadores.
já estou a aprender alguma coisa que nunca faz mal na vida!!!
um abraço aldo

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  ccavis em 29/4/2009, 17:49

Parabens Jorge
Excelente demonstração das possibilidades Diy
Abordou as dificuldades técnicas o suficiente , no entanto sou tentado a avisar qualquer
companheiro que isto de mexer com as tensões necessárias á execução destas montagens (300/400/+volts) tem que ser precedido de muita segurança do local e planeamento prévio ,
do que se vai fazer e evitar inclusivé a circulação de crianças e animais no espaço de trabalho .
Digo isto porque já assisti a estes ambientes .......e não é fácil ficar indiferente .

Quanto aos projectos de facto os SE são os que demonstram mais resultados mais rápidamente ( as correções aos projectos são minimas ) .Todavia em Kit como em montagem de projecto 2oo euros são fácilmente ultrapassados .
Só os Trafos ( Tranformadores ) devem andar por aí.............

Só ao acaso lembro-me de um Kit , feito e bem feito em Coimbra por uma firma que não me recordo o nome , ainda á venda na Dimofel , e com 4 w ( ECL82 ? ) , estão a pedir 499 euros .
Presumo que onde viva ( França , Belgica ou outro país ) existam mais ofertas mas aqui não, experimente adquirir por aqui simplesmente sockets novais ou octais ou outros !!!!

Fico por aqui ...por agora , só queria felicitá-lo , bom trabalho .
ccavis
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Dynavox vr70

Mensagem  Convidad em 30/4/2009, 02:38

Ora bem, em relação à versão "melhorada" (verbesserte), em primeiro lugar, vamos lá analisar as modificações:

O potenciómetro de entrada era de 20K, passou a 50K, o condensador em série de 0,1 uF passou a 0,22 uF, e foi introduzida uma resistência em série de 1K. Esta última não serve absolutamente para nada. Se fosse à entrada do andar de potência, servia para evitar surtos de corrente na grelha, mas como se trata do sinal, é irrelevante pois estes nunca se podem produzir. Se não tiver boa "sonoridade", dá cabo do som. O potenciómetro de maior valor permite um mais fácil controlo do volume. Mas a impedância de entrada do aparelho é dada pela resistência interna da válvula, a resistência de fugas de grelha de 470K e este potenciómetro, em paralelo. Ora, a ECF82, que é uma válvula dupla, com um pentodo e um triodo, está aqui a ser utilizada como válvula pré-amplificadora na sua secção pentodo. Se forem ao site http://tdsl.duncanamps.com/tubesearch.php e introduzirem a refª ECF82 verão que a Ri desta válvula é de 0,4MOhm (é preciso descarregar uma datasheet, e vem às vezes indicado R1 em vez de Ri). Ora, 1/20000 + 1/470000 + 1/400000 =18K. Se o pot for de 50K, dá cerca de 40,6K. A melhor transferência de energia dá-se sempre quando as impedâncias são iguais. Porém, embora a impedância de saída da fonte teoricamente seja nula, diz a experiência que o melhor som se obtém sempre quando uma pequena impedância debita numa maior. Isto não é ciência, é tarimba. É um bocado como deixar cair um fio de água num funil, em vez de num poço. No funil, consegue-se um débito constante do outro lado. No poço, cai lá dentro e desaparece. Eu teria usado um pot de 100K, valor aliás usual, mas os 50K são de certeza uma melhoria.
Quanto ao condensador de maior valor, ele constitui juntamente com a resistência de fugas de grelha uma rede RC. este aumento de valor vai favorecer a passagem, sem rotações de fase, nem atenuação, dos sinais mais graves. A frequência mais baixa que esta rede deixa passar deve ser normalmente de 20Hz. Para tal, um cálculo simples deve dar pelo menos o valor de 0,029, do seguinte modo (isto é uma simplificação de cálculo usada pelos tarimbeiros, é um coeficiente estatístico): 0,47 MOhm x 0,22 uF = 0,103. No caso de 0,47 x 0,1 dava 0,047. Isto significa que mesmo 0,1 uF já era largamente suficiente para não haver qualquer atenuação dos graves, e que o valor escolhido permite passar frequências quase até zero. Isto é um erro, primeiro, porque nenhuma fonte (CD, vinil, fita etc) regista frequências tão baixas e depois porque se a rede deixa passar quase corrente contínua (0 Hz), se houver alguma fuga de CC, o amplificador rebenta!!!
Se com estas modificações o amplificador soa melhor, isso deve-se à qualidade dos componentes escolhidos, e não aos valores diferentes que foram escolhidos, excepto no caso do potenciómetro de 50K, que aumentou a impedância de entrada.
(continua) (se quiserem, claro)

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 30/4/2009, 05:23

Bom dia Jorge

Se bem entendi, sabes falar alemão (como eu Very Happy ) pelo que esta pagina é bastante interessante.

http://dkoschuch.spaces.live.com/blog/cns!6305DB999E03ED3B!458.entry

É um tuning em três passos.
Uma coisa que raramente se fala, é a mudança do potenciómetro do som por um Alps, não para se obter uma melhoria sonora, mas sim para se poder variar o volume de uma maneira mais "suave" e não com aqueles enormes "degraus" do de origem. Ou mesmo, optar por um Alps com controlo remoto para um maior conforto.

Foi só uma ideia.

Abraço

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Bom dia António

Mensagem  Convidad em 30/4/2009, 11:17

O meu alemão são apenas os restos do antigo 6º e 7º anos do liceu, mais um pouco de vocabulário em algumas áreas... não sei verdadeiramente alemão, e tenho pena, pois é uma belíssima língua...

Pelas fotos da página que me mandaste vejo que o Dynavox é montado com circuitos impressos, o que torna muito difícil a execução prática de qualquer modificação. Como eu venho da "escola" dos rádios antigos, os meus amps são sempre feitos com o chamado "câblage en l'air", ou seja, tipo teia de aranha à maneira dos antigos Philips. Muito fácil de "mexer" lá dentro. Há quem use outra técnica que dá resultados muito bonitos, que é tudo alinhado e os cabos todos atados, como nos Jadis, por exemplo, ou ainda os componentes lado a lado em placas de bakelite com os cabos a sair de lá à esquadria e a darem voltas muito bonitas como nos amplificadores americanos dos anos 50, mas isso é bom para aparelhos que saem de uma linha de produção. Quando se trabalha em casa, prefiro a teia de aranha, que além de facilitar as modificações, permite duas coisas: evitar as capacidades parasitas produzidas pela proximidade excessiva entre os componentes ou pelos revestimentos dos cabos, e encurtar as ligações, dado que muitas vezes os componentes ficam ligados apenas pelos próprios cabos, ou pés, sem ter que se soldar mais nada.

Quanto ao Alps, parece-me uma excelente ideia. Há quem defenda os potenciómetros por steps, eu próprio construí um, entusiasmado a certa altura, mas acabei por abandonar. O meu amigo Victor experimentou e emprestou-me vários de marcas muito sofisticadas, mas acabei sempre por voltar aos Alps.

Quanto ao "tunning" do Dynavox, vou continuar a analisar o circuito, se achares bem, pois acho que pode ser didático mesmo para quem não perceba muito bem. Terei muito prazer em dar qualquer esclarecimento.

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 30/4/2009, 19:46

Jorge Silva Marques escreveu:

Quanto ao "tunning" do Dynavox, vou continuar a analisar o circuito, se achares bem, pois acho que pode ser didático mesmo para quem não perceba muito bem. Terei muito prazer em dar qualquer esclarecimento.

Podes e deves. Laughing Um dia temos que tirar o dia, para fazermos umas soldaduras juntos. Laughing
Por falar em fazer umas soldaduras juntos, no Fórum alemão, vários indivíduos, agarrarão no pé de phono da Dynavox (TRP 2) que custa 80 e tal euros, e começaram a alterar o mesmo. Podes ver a popularidade do tópico que já teve 13093 visitantes e 220 respostas. http://www.analog-forum.de/wbboard/index.php?page=Thread&threadID=43509

Talvez um dia possamos fazer uma brincadeira parecida.

Abraço

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  td124 em 30/4/2009, 21:52

Jorge Silva Marques escreveu:Bom dia,
...
Um mês depois, fiz o meu primeiro single-ended de 300B, com esquema original baseado numa interpretação pessoal do totem-pole que foi um sucesso nessa ocasião, dado que depois de um amigo já falecido, Michel Delneuville, me ter posto em contacto com Victor Meurice, nessa altura representante na Bélgica das famosas colunas Lowther (a mãe de todas as colunas que conhecemos e a Rolls do Alto Rendimento) esse meu amplificador foi seleccionado para apresentar as PM6 nos novos pavilhões desenhados pelo Victor no Salão de HIFI de Paris, nesse ano de 1996.
...

Um abraço a todos!

Olà e bem-vindo,

como o mundo é pequeno Exclamation , eu estive nesse salao "Porte de versailles" em 1996, e lembro-me muito bem desse amplificador com as Lowther (feitas por um clube audiophilo belga creio Question ) e lembro-me que havia um papel com a explicaçao do amplificador com um nome português, o que me tinha interpelado. A escuta era boa e uma das raras boas audiçoes que fiz com os Lowther em saloes de HiFi. Eu tinha ido a esse salao para ouvir o prototipo do Gerard Perrot "Hephaistos laboratories" que estava em demonstraçao e para vê-lo pois nos conheciamos. Tenho a certeza que voçê pode ajudar muito neste Forum os amigos de valvulas, e estou contente por isso. Infelizmente por razoes de déontologia nao participarei a esses debates, pois a valvula é o meu trabalho e cumpri-me a nao me fazer nem publicidade directa nem indirecta. E porque estou aqui para partajar a paixao e nao para trabalhar. Mas faça atençao porque eles sao capazes de o fazer escrever até que os dedos lhe doam Very Happy , sobretudo o Antonio :damn:

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Convidad em 30/4/2009, 21:54

lol! lol! lol!

Abraço

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  td124 em 30/4/2009, 22:27

Olà,

venho de pensar que eu também fiz um 300B, que uso de vez em quando com altifalantes a larga banda no escritorio. E uma aposta que tinha feito com o Jean Hiraga, que queria saber o que daria um 3OOB feito por mim. Na realidade nao sou um aficionado deste tipo de amplificadores a maior parte do tempo Embarassed . Aqui vai a foto...

[img][/img]

Isto nao é publicidade, pois nao faço aparelhos deste tipo profissionalmente, e este era uma brincadeira entre amigos Smile

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Bolas!

Mensagem  Convidad em 30/4/2009, 22:45

Bolas, tinha escrito meia página sobre as contra-reacções e de repente o site pede-me de novo a palavra-passe e o texto desapareceu... vou ter que voltar a escrever tudo de novo, sorry.
Olá também a TD124, acho graça lembrar-se das Lowther e do meu primeiro bicho...
Como há 3 anos que não falo com ninguém sobre estes assuntos, não me importo de escrever...
Abraço,
Jorge

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Dynavox vr70 versão melhorada

Mensagem  Convidad em 2/5/2009, 19:43

Bom, continuando então e seguindo o esquema:
Na rede de placa, écran e cátodo da válvula pré-amplificadora V1a (a parte pentodo da ECF82) encontramos C20 e C12, tendo sido alterado o valor do primeiro de 100pF para 47pF. Estes conjuntos de resistências e condensadores destinam-se a estabilizar o sistema, corrigindo ao mesmo tempo a tonalidade, e constituem igualmente redes de contra-reacção - um processo de contrariar a distorção que consiste em reinjectar uma parte do sinal amplificado num ponto anterior do circuito. Neste caso, uma parte do sinal que sai da placa de V1a é reinjectado através de R37 e C12 no cátodo da mesma válvula, mas em fase contrária, já que o sinal na placa de uma válvula sai sempre invertido. Porém, como precisamente as redes RC são dispositivos reactivos, cuja impedância varia consoante a frequência do sinal, a alteração de valor de 100pF para 47pF veio reduzir esta impedância, já a 1kHz, para cerca de metade, o que significa que se aumentou a contra-reacção nos agudos. O condensador C12, que também está ligado em série tanto a R37 como a R20, reage da mesma forma mas não tem tanta influência, dado que o seu valor e o de R37 são já tão altos, que a impedância resultante é muito elevada. Ele está lá para estabilizar a tensão de écran, o que é sempre necessário num pentodo, dado que é ela que condiciona em larga medida as características deste tipo de válvulas.
Porém, como C20/R38 se encontram em paralelo com a resistência de carga de placa R36, a própria carga da válvula reduz quando aumenta a frequência, o que talvez não seja muito bom... ela vai ficar mais “vertical” e abranger assim uma zona em que as características da válvula são menos regulares. Isto pode, em vez de reduzir, aumentar consideravelmente a distorção.
Às vezes, mais não significa melhor! Eu seria partidário de se desligar esta rede e de ouvir o resultado. Até porque existe outra rede CR (R21/C17), que vem da saída do transformador também para o cátodo da V1, e às vezes a existência de mais do que uma destas redes (neste caso são 3, todas ligadas no mesmo sítio) acaba por provocar a pior distorção de todas, a chamada intermodulação de frequência, quando elas reagem de forma divergente a sinais sonoros muito complexos e com grandes amplitudes.
Como num banco de ensaio nunca se podem fazer medidas para todas as frequências usam-se em geral dois testes, a 400Hz e a 1000Hz, com sinais quadrados ou sinusóides. Os amplificadores que “medem” muito bem raramente são bons ao ouvido - que é sempre, em última instância, o melhor juiz! Razão pela qual os amplificadores de laboratório, que dão medidas irrepreensíveis, nunca prestam para nada em alta-fidelidade...
Outra sugestão seria de ligar C12 não ao cátodo de V1a, mas directamente à terra. A tensão de écran deixaria assim de ser influenciada pelo sinal. A ouvir e julgar o resultado...
(continua)
Abraço

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  fm&stereo em 2/5/2009, 23:58

Muito bem Jorge, estou ansioso por ler o próximo capítulo! Very Happy
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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  Luke Skywalker em 8/5/2009, 15:09

Bem vindo Jorge cheers

Também estou acompanhando o tópico study

Belos valvulados Cool
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Dynavox VR70 versão melhorada

Mensagem  Convidad em 11/5/2009, 23:06

Boa noite, peço desculpa, tenho andado um pouco ocupado. Obrigado pelo interesse que têm demonstrado por este meu "escrevinhar" a propósito deste esquema. Vou ver se amanhã tenho tempo para escrever mais alguma coisa. Até, lá, grande abraço a todos!

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  RuiGSousa em 11/5/2009, 23:49

Boa noite Jorge, bem vindo ao forum cheers
Só agora tive oportunidade de ver este post, e, devo confessar, que o li com alguma sofreguidão, tal foi o interesse que me despertou.
Fico feliz por ver mais gente com profundos conhecimentos na matéria disposto a partilhar os seus conhecimentos... pela minha parte, obrigado por ter entrado para esta casa. Espero que continue por cá por muito tempo Very Happy
Cumprimentos

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PS: um dia destes ainda construo um ampsito... Cool claro que vou "cravar" ajuda Very Happy
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Dynavox VR70

Mensagem  Convidad em 13/5/2009, 12:35

Olá Rui, obrigado. Terei muito gosto em ajudar-vos em qualquer projecto.
Pois então vamos lá continuar com o Dinavox VR70. Já devia ter dito isto, mas como muita gente já deve saber, é óbvio já pelo nome que este amplificador se inspira nos Dynaco dos anos 60/70, em especial o Dynakit ou o Stereo 70, que utilizavam as válvulas 7199 ou 6AN8 na entrada.
[img][/img][img][/img]
Eis o esquema do Dynakit, como se vê logo, muito semelhante em termos de arquitectura e de soluções. Os condensadores e as resistências não estão numerados, mas cá temos na entrada a resistência de fugas de grelha de V1a, mas sem C18 nem a resistência em série (o condensador ainda faz sentido, para prevenir qualquer entrada de corrente contínua, mas a resistência de 1K não como disse; já o Stereo 70 tem lá uma de 10K, o que já faz diferença em termos de impedância). O retorno das redes de contra-reacção faz-se aqui não ao topo da resistência de cátodo mas, como esta se encontra dividida, a um ponto deste divisor de tensão que faz com que só aí seja aplicado cerca de 1/15avos da voltagem trazida do transformador de saída e, neste caso, do écran de uma das válvulas de saída. Os outros valores são diferentes dado que são válvulas diferentes. Não temos, porém, a tal rede C20/R38 de correcção de tonalidade, e no lugar de R37, de 470K, temos 1,5M, valor 3 vezes superior que dá uma contra-reacção 3 vezes inferior... penso, mas posso estar enganado, pois quando há várias redes de CR a funcionar ao mesmo tempo, às vezes o resultado é um bocado imprevisível, que o Dynakit talvez tivesse menos distorção por intermodulação do que o VR70 dado que era muito menos contra-reaccionado em termos quantitativos, embora tivesse igualmente 3 redes de CR (tem mais o condensador de 25pF entre a placa de V1a e a alimentação de V1b).
Espero que tenham conseguido acompanhar o esquema.
Mas voltando ao VR70. A seguir ao pentodo temos o triodo, cuja função é a de separador de fase. Como o andar final é em push-pull, as duas EL34 funcionam em oposição, e têm que receber o sinal em fase contrária. A montagem deste separador (phase-splitter, a não confundir com phase-inverter, esse é outro tipo de circuito) é a mais clássica de todas, conhecida por cathodyne. Como numa válvula o sinal amplificado sai invertido na placa, mas mantém a fase no cátodo, a ideia que surge logo é a de tomar o sinal em cada um destes eléctrodos, dotados de resistências de carga iguais. Muito se escreveu sobre esta questão, e sobre os inversores ou separadores de fase em geral; nenhum é perfeito! No VR70, as resistências R7 e R23 têm valores ligeiramente diferentes, boa solução que pretende compensar a resistência interna da própria válvula e igualizar os níveis de saída. Aquilo que é impossível igualizar, excepto com um transformador (processo mais antigo, mais caro, mais pesado, que só se usa em topos-de-gama, até porque o transformador tem de ser especial e de muito boa qualidade) são as impedâncias de saída da placa e do cátodo. Mas, apesar de tudo, talvez seja o melhor destes sistemas.
Para evitar perdas do sinal e as rotações de fase que estão sempre associadas a qualquer rede RC, e como a presença de uma resistência de elevado valor no cátodo produz uma polarização muito elevada em V1b pela própria configuração do circuito, temos uma ligação directa (sem condensador) entre a placa de V1a e a grelha de V1b, o que é uma solução excelente, já usada desde os anos 20, em que não há perdas. Ou seja, como a voltagem na placa de V1a é aqui de 88V (vem indicado no esquema) essa é também a voltagem da grelha de V1b. O cátodo de V1b deve estar, portanto, a um valor superior a estes 88V. Como até vêm indicadas as medidas, 340v na alimentação e 252V na placa de V1b, isso significa que a resistência de placa R7 de 33K provocou uma queda de tensão de 88V (valor igual por coincidência). 88V/33K dá um consumo de 2,666mA, aplicando a Lei de Ohm. Se multiplicarmos 2,666x36K (valor de R23, no cátodo) temos 96V, mais 8 do que na grelha. Esta diferença de valor é que define o comportamento do circuito, mas como de qualquer forma o cathodyne admite grandes amplitudes de sinal, não há qualquer problema, mesmo que haja alguma oscilação da voltagem de alimentação durante o funcionamento. É um circuito muito flexível, que tem a vantagem de ser degenerativo (ganho inferior a 1, cerca de 0,9), e que portanto até reduz uma pequena parte da distorção.
(continua)

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

Mensagem  westernelectric em 13/5/2009, 14:22

Caro Jorge Silva Marques

Relativamente aos amplificadores a válvulas, há alguma topologia(tipo de circuito) que seja superior?
Ou a qualidade sónica é, digamos, independente da topologia utilizada, mas dependente da forma como cada circuito é executado (qualidade dos componentes. ..etc).

Cumps.
Western..

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Re: Os meus amplificadores a válvulas

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