Breve historia dos GD...
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27042009
Breve historia dos GD...

Olà,
Afim de alimentar a secçao analogico do Forum e de ajudar « modestamente » a formaçao dos jovens interessados pelo vinilo, vou escrever uma especie de saga sobre a evoluçao das maquinas de leitura. No fim de semana Pascoal fiz uma experiencia interessante. Comparei a Garrard 301 dum amigo meu com a Thorens TD124 no mesmo sistema. O objectivo nao era de saber a qual das duas soa melhor, mas de tentar compreender o interesse actual por esses modelos de gira discos em todos os lados do mundo e aqui em França em particular. Como animo um clube de audiophilos/melomanos aqui, eles pediram-me para que faça uma apresentaçao dos Giras que marcaram a evoluçao do analogico e que representam uma evoluçao « flagrante » na qualidade de reproduçao. Dividi esta historia em 5 episodios. Os membros teém direito a duas horas de apresentaçao do GD, escuta do mesmo, petisco e vinho e discussao sobre o assunto acompanhado de escutas tranquilas. Ou seja um total de 5 horas de gozo. Aqui vou ter que fazer um resumo da apresentaçao das maquinas. Se tiverem perguntas ponham, eu tentarei responder. Se acharem o topico inutil digam porque assim economiso em escritura. Certos termos tecnicos nao vao ser exactos pois fiz os meus estudos aqui e nao conhéço todos os termos em português. A voçês o trabalho de corrigir esses mesmos erros.
O GARRARD 301
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[/img]Apresentaçao : Primeiro GD considerado verdadeiramente de alta-fidelidade o G301 é um mito absoluto e a sua procura continua actualmente e os preços continuam elevados para uma maquina que tém mais de cinquenta anos. E um « idler drive » o que quer dizer que o prato é movido por uma roldana em borracha. O motor possede 3 polias, que em contacto com a roldana (que esta em contacto com o interior do prato) permetem de obter as velocidades de 78, 45, e 33 voltas por minuto. Um travao magnetico permete de variar a velocidade de +/- 3%. Nao é um GD no sentido proprio mas um motor de reproduçao « transcription motor », pois de origem nao tem braço nem base, é feito para ser encastrado num movel e ligado ao braço que se quizer. Cerca de 100000 foram produzidos entre 1944 e 1966. Existem dois tipos o « grease bearing » e o « oil bearing » que corresponde à lubrificaçao do eixo central por massa “grease” e a oleo “oil”. Os mais antigos sao de cor cinzenta martelada, pois eram feitos com os restos do armamento da segunda grande guerra, depois a cor ficou a ser creme branqueado. O motor de 16 Watts é potente e uma das suas maiores qualidades e defeitos. O pai desta linda maquina é o E.W.Mortimer.
Avantagens : A trilogia motor potente, mecanica simples e pragmatismo concetual inglês, fazem da G301 um verdadeiro camiao. Isto nunca avaria e roda sempre a uma velocidade relativamente justa. O sistema de roldana impede as micro-travagens quando os sulcos sao profundos ou com celulas com força de apoio elevadas. O sistema de roldana permete tambem de auto-amortecer o prato que permete um grave profundo e uma frequencia de resonancia estavel. A escolha de um braço de 9 a 12 polegadas é mais facil e a base pode ter a estetica que se deseja. O gira pode ser facilmente amelhorado com varios « tweeks » disponiveis. Tudo ou quase é metalico e se desmonta com uma chave de fendas o que permete de reparar facilmente um problema qualquer.
Inconvenientes : Muitos !!! A sagrada rigidez braço/prato nao é optimal (é mesmo muito mà) neste GD, o motor « polui » magneticamente as celulas com resultados estranhos (é o unico ponto em que o G401 é superior), e vibra muito devido a potencia e a equilibragem que nao é muito precisa, a polia de pequeno diametro que roda a 1500 vpm, derrapa (micro-derrapagem) sobre a roldana e faz variar a velocidade do prato, a ausencia de suspensao e as vibraçoes do motor conferem-lhe um rumble importante. A simplicidade de fabricaçao e as toleranças largas do eixo principal fazem com que a precisao de leitura dos micro-sulcos nao seja ideal. Ultimo ponto, o barulho de ferro-velho dos cardans de comando, dao uma sensaçao de rafeiro ao GD, mas os aficionados (como eu) adoram, pois faz parte do objeto.
Escuta : O G301 é um aparelho magico. A soma dos seus defeitos daria em todo outro GD um lamentavel fiasco. No G301 esses defeitos se tornam em qualidades hipnoticas. A dinamica do 301 é fantastica, quase selvagem. A musica tem vida, ritmo e abertura. As vozes teem uma materia e uma espessura unica, devido ao braço separado do suporte do prato. A ausencia de rigor fina (devido entre outras, às tolerancias largas de fabricaçao) produz um som aveludado nas vozes, e nos saxophones que nao existem em nenhum outro GD. O 301 transforma a ausencia de justeza e rigor, num som humano que enfeitiça o auditor. E um dos raros giras que marca o som da mesma maneira, qualquer que seja o braço, célula, ou phono associados. Em resumo o G301 brilha pela dinamica e pela vida que confere à musica, a subtilidade, a elegancia e a justesa ele deixa aos outros colegas que fazem melhor. Um gira de raça, um pouco rock, que quando se ama nao hà equivalente. Um mito justo ...
Até+

td124- Membro Audiopt

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Breve historia dos GD... :: Comentários
Só espero que o próximo texto venha depressa.
Muito obrigado pelo trabalho que tivestes. Se tiveres fotos do evento, também seria bom. Tudo o que possas escrever sobre o 301/401 e é claro, sobre o meu muito amado 124, é favor de o fazer
Parabéns pela tua excelente reportagem.
Obrigado
Abraço
Parabéns pela tua excelente reportagem.
Obrigado
Abraço
Esqueci-me de dizer, que a ideia de ires resumindo aqui a história dos DG, é soberba.
Abraço
Abraço
António José da Silva escreveu:Só espero que o próximo texto venha depressa.Muito obrigado pelo trabalho que tivestes. Se tiveres fotos do evento, também seria bom. Tudo o que possas escrever sobre o 301/401 e é claro, sobre o meu muito amado 124, é favor de o fazer
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Parabéns pela tua excelente reportagem.
Obrigado
Abraço
Olà Antonio,
obrigado pela mensagem, o TD124 é o proximo capitulo mas atençao, é um trabalho de fundo e de educaçao e vou ser objectivo
A ideia é de transmitir aos mais novos uma verdadeira base cultural sobre os GD, e que depois eles aprofundam. Se tiveres perguntas sobre o G301 é o momento ou nunca ...
Abraço e até+
O 124 até pode não ser perfeito, mas para mim, é único e tem um som fabuloso. Também sei que o 301 é bastante amado entre os seus aficionados e o mesmo se passa com o 401, apesar de este ultimo ter tido grandes oscilações em qualidade segundo as diversas séries. (pelo menos é o que dizem os entendidos)
Fico a aguardar com expectativa esse trabalho de fundo sobre o 124. Nesse aspecto, o livro do Joachim Bung é um grande prazer de se ler e também fala de todos os grandes clássicos.
Não sei se já tens o DVD que mencionei neste tópico http://www.audiopt.net/analogico-f17/it-s-a-vinyl-world-after-all-t6056.htm
também é um espectáculo de se ver e ajuda a uma maior compreensão sobre esta nossa grande paixão que é o vinil.
Abraço
Fico a aguardar com expectativa esse trabalho de fundo sobre o 124. Nesse aspecto, o livro do Joachim Bung é um grande prazer de se ler e também fala de todos os grandes clássicos.
Não sei se já tens o DVD que mencionei neste tópico http://www.audiopt.net/analogico-f17/it-s-a-vinyl-world-after-all-t6056.htm
também é um espectáculo de se ver e ajuda a uma maior compreensão sobre esta nossa grande paixão que é o vinil.
Abraço
Parabéns pelo tópico e por enriquecer o fórum.
Tópico e futuros tópicos no Portal em destaque
Obrigado
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Obrigado
bluemonday escreveu:Parabéns pelo tópico e por enriquecer o fórum.
Tópico e futuros tópicos no Portal em destaque
Obrigado
A moderação acabou de deixar este apreciador muito feliz pela decisão tomada. Sem duvida que o esforço e dedicação do nosso colega td124 o justificam. Este membro veio sem duvida enriquecer este fórum.
Mr.Bluemonday, muito obrigado
António José da Silva escreveu:... Também sei que o 301 é bastante amado entre os seus aficionados e o mesmo se passa com o 401, apesar de este ultimo ter tido grandes oscilações em qualidade segundo as diversas séries. (pelo menos é o que dizem os entendidos) ...
Abraço
Olà,
o G301 é um mito como eu disse, um engenheiro da Loricraft resumiu bem as diferenças de escuta em favor do 301 assim:" o G401 é melhor concebido que o 301 mas este é melhor construido, e é por isso que soa melhor". A realidade é um pouco diferente, a lei das causas e efeitos serviu o G301 muito bem e a sorte fez dele um aparelho ao som extraordinario. Ele perde em fidelidade o que ganha em humanidade. O TD124 alimenta o espirito, mas o G301 alimenta a alma. E se um dia tiveres a oportunidade de ouvir o G301 Shindo + braço e célula, vais compreender toda a vertigem emocional que este gira pode procurar. O 124 é uma ode à inteligência, o G301 é um poema de amor. Nao é a mesma coisa, e a cada um de escolher o que prefére ... eu quero os dois
até+
[quote="td124"]
Sortudo.
e o 301 não deve de tardar a ser teu também.... 
António José da Silva escreveu:... Também sei que o 301 é bastante amado entre os seus aficionados e o mesmo se passa com o 401, apesar de este ultimo ter tido grandes oscilações em qualidade segundo as diversas séries. (pelo menos é o que dizem os entendidos) ...
... eu quero os doise um jà o tenho
.
até+
Sortudo.
bluemonday escreveu:Parabéns pelo tópico e por enriquecer o fórum.
Tópico e futuros tópicos no Portal em destaque
Obrigado
Olà,
obrigado pela honra, mesmo se este trabalho é por puro prazer e para perpétuar o conhecimento ...
PS: Bravo pela escolha do seu integrado da Creek. E simplesmente um dos melhores integrados a transistores do mercado, e o unico que conheça melhor (nos timbres da musica barroca com instrumentos antigos) é o i7 da Moon a 4 vezes o preço. Experimente un dia de comutà-lo em bloco de potencia com um pré a valvulas atràs, é simplesmente magico... Parabens pela escolha.
até+
[quote="António José da Silva"]
Vou fazer o necessario
...
E agora vou dormir porque aqui é uma hora a mais e amanha vou à Suiça, buscar informaçoes para o proximo capitulo. Isto é que é ter consciencia profissional
Todas as perguntas sobre o G301 sao benvindas antes do proximo capitulo
até+
PS: em negrito é para brincar
td124 escreveu:António José da Silva escreveu:... Também sei que o 301 é bastante amado entre os seus aficionados e o mesmo se passa com o 401, apesar de este ultimo ter tido grandes oscilações em qualidade segundo as diversas séries. (pelo menos é o que dizem os entendidos) ...
... eu quero os doise um jà o tenho
.
até+
Sortudo.e o 301 não deve de tardar a ser teu também....
Vou fazer o necessario
E agora vou dormir porque aqui é uma hora a mais e amanha vou à Suiça, buscar informaçoes para o proximo capitulo. Isto é que é ter consciencia profissional
Todas as perguntas sobre o G301 sao benvindas antes do proximo capitulo
até+
PS: em negrito é para brincar
Bem postado, sim senhor! Parabéns!
Isto lembra-me que seria optimo se se conseguisse um espaço físico para um clube áudio, onde todo o tipo de abordagens fosse possível, nomeadamente experiências do gênero.
Isto lembra-me que seria optimo se se conseguisse um espaço físico para um clube áudio, onde todo o tipo de abordagens fosse possível, nomeadamente experiências do gênero.
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Olà,
Estamos nos anos cinquenta. Na comuna suiça de St Croix, perto da fronteira françesa, um homem vai conceber um gira-discos que vai influençar a fabricaçao destas maquinas até aos dias de hoje. Chamava-se Louis Thevenaz, era o director do laboratorio de pesquisa da Thorens, e é o pai do TD124, que é puramente e simplesmente « ao nivel technico » o mais fabuloso gira-discos jamais concebido (jà vejo o sorriso do Antonio…
). Esta afirmaçao faz a unanimidade no seio dos especialistas. Vamos compreender juntos porquê ! Afim de nao repetir o livro (magnifico) do Joachim Bung, vamos nos concentrar sobre os detalhes tecnicos (e sao muitos !!!) que fazem a grandeza desta maquina. Nem o meu nickname, nem nada, fai fazer com que perda a minha objectividade ao escrever estas linhas, estejam descansados !!!
Ultimo detalho necessario para compreender esta maquina. O TD124 tem um segredo : é um caso unico de uniao do rigor alemao, com a originalidade conceptual françesa e o génio mecanico italiano. Isto tudo junto dà o que se chama a precisao suiça “la précision Suisse”.
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O THORENS TD124
Apresentaçao : Como podem ver pela imagem, o 124 é radicalmente diferente do G301. Mesmo se os ingleses o consideram como o Rolls Royce dos « transcription motors », nao é o caso. O Thorens é um verdadeiro GD com um braço incorporado e uma base de apoio. Tem 4 velocidades 16, 33, 45 e 78, um verdadeiro stroboscope interno e uma regulaçao de velocidade de +/- 3%. Possede un sistema de arranque rapido e um adaptador de 45 (singles) escamotàvel. Tém um sistéma de equilibrio do nivel com uma bolha incorporada no corpo (muito importante com os “idler” pesados). E um gira semi-professional que ataca pela frente as Garrard e EMT, e isto explica o armamento excepcional embarcado. Existem dois modelos que sao o TD124 e o TD124 MKII que tem uma estetica mais moderna e um prato em liga de aluminio (ZAMAC). Cerca de 5000 TD124 foram produzidos mais 3000 MKII, entre 1957 e 1968. O MKII é o mais procurado, mas o 124 é para os especialistas melhor fabricado, soa melhor, e para os fanaticos é o unico e verdadeiro TD124.
Avantagens : A primeira é o sistema unico (mixto de correia e roldana) de motricidade. E um GD a roldana (idler drive), mas o motor que possui uma polia unica, move através uma correia um volante que possede quatro polias que comandam a roldana. Este sistema permete de filtrar as vibraçoes do motor, de aumentar o diametro das polias e assim evitar as micro-derrapagem de fricçao, e permete ao motor de esforçar menos e ter menos potência, o que produz menos de vibraçoes. Três coelhos de uma cacetada, é isto que se chama a originalidade conceptual françesa. O sistema de arranque rapido é muito astucioso também. Para evitar a variaçao da velocidade ao acender o GD (e evitar o gasto da roldana e do motor), o prato principal é coberto por um segundo prato em aluminio que se levanta (é um botao à esquerda do prato) enquanto o outro continua a rodar. A fabricaçao tém toleranças de uma precisao rara. O eixo principal, forjado a frio, torneado e depois endurecido por cinco vezes e ao final polido como um espelho (polido superior ao da Rolex na época) atinge a dureza de 75 HRC !!!, (é a mesma coisa para o eixo do volante e da roldana). Està encastrado numa chumaçeira massiva com duas camisas de bronze esponja « sintered bronze » que guarda o oleo e o restitui pouco a pouco. A tolerancia eixo chumaçeira é de <7 microns à saida da fabrica, isto é o rigor alemao. O prato de 5 Kg é feito de aço ao carbono sem bolhas (cromolybden), como os guizos das vacas dos alpes, forte, duro, pesado e sobretudo inalteravel (a tolerançia de <7 microns foi escolhida, pois corresponde ao grao do aço cromolybden, e permete de atenuar a resonançia prato/eixo/roldana). Todas as peças em movimento sao equilibradas dinamicamente, e trabalham sem jogo nem barulho. O supporte de braço pode ser mudado a qualquer momento, basta desaparafusar os três parafusos. O 124 é suspendido por quatro cogumelos em borracha « mushrooms » que sao uma espécie de suspensao e que diminui o rumble. Os cogumelos entram en quatro botoes que movidos estabilizam o nivel do GD, que se pode controlar pelo nivel a bolha incorporado. Para acabar o corpo do GD é feito de liga de aluminio nervurado (Zamac). A estetica do gira é mais trabalhada que na Garrard ou EMT, com o prato coberto pelo corpo. Isto é o que as pessoas pensam, na realidade a forma do corpo é para aumentar a resistençia à torsao. O G301 tém uma resisténcia de 98 Kg, o EMT 930 de 154 Kg, e o TD124 de quase 480 KG !!! A forma é ditada pela funçao, e isto é o génio mecanico italiano. Esta ultima avantagem permete ao 124 de ter a sagrada rigidez braço/prato ao nivel dos melhores do mundo actuais. Esta maquina sem electronica e completamente mecanica, bem lubrificada e em bom estado tem uma velocidade estabilizada a 33 vpm, de 0,01%, podendo ser variada em funcionamento de +/- 3%, e um rumble ponderado de -60 dB (com os cogumelos em bom estado e a nivel) !!! E tudo isto em 1957, estao a compreeder porquê o 124 é o pai e o rei de todos os gira-discos modernos de topo de gama, e um caso unico na historia destas maquinas ?
Inconvenientes : O mais conhecido é o motor, melhor construido, mais silênçioso, mas menos potente que o das G301/401, ele pode serrar (e se destruir) se o eixo / volante / roldana nao estiverem correctamente lubrificados. O prato em aço é magnético e atrai os imanes poderosos (samarium/cobalto ou néodymium) das células MC, é preciso escolher a célula com atençao. Enfim (para mim) o maior defeito é a precisao da fabricaçao. O motor do tipo 4 pôlos de technologia buraco de esquilo (squirrel hole ou cage d’écuereil), tem de aquecer a 40°C +/- 1,5° para estabilisar a sua rotaçao, e é de mesmo para as peças em movimento. Mesmo se é inaudivel, é necessario entre 10 e 15 minutos para que o prato esteja completamente estabilizado em rotaçao. O ultimo defeito (que explica que os « geeks / fanaticos » japoneses se tenham menos interessado ao 124 que ao G301, é o facto que o nao pode ser amelhorado objectivamente. E uma forma de perfeiçao tecnica, e cada amelhoramento estraga outras coisas, como se o L. Thevenaz o tivesse bloqueado para a eternidade, e talvez seja melhor assim.
Escuta : A principal qualidade do TD124 é o equilibrio. A banda é muito larga e o grave poderoso e profundo (um dos melhores) fila nos agudos até au céu. Mas a qualidade que todos reconhecem é o seu nivel de subtilidade no médium (com o motor quente). Tudo o que està no sulco se ouve, e a um nivel de precisao que nunca foi ultrapassado (mesmo pela EMT). Ao contrario do G301 ele nao marca muito o som, o que o obriga a ser equipado com braço e célula de grande qualidade. Para mim o que é mais espatacular na escuta deste aparelho é a modernidade, o aspect conteporanio do som. Impossivel com o gira escondido de acreditar que ele tém mais de 50 anos de concepçao. Isto é o sinal de um verdadeiro mito e o Tourne Disque 124 é o autografo do Louis Thévenaz para a eternidade, e uma prenda de amor à musica e à humanidade.
PS : Este artigo foi feito a sério. Agradeço as pessoas (muitas) que nao querem ser nomeadas e que na Suiça e na França me ajudaram a fazê-lo. Agradeço o meu amigo J.L. que é o maior colecionador de 124 suiço e que me ofereceu o meu (novo) à cinco anos, pela ajuda hospitalidade (boa comida e bons vinhos) e disponibilidade.
• A primeira fotografia é o TD124 MKII do sr Sebastian Schiele com o braço Ortofon de 9 polegadas RMG212 e a célula Ortofon SPU.
• A segunda foto vém do livro « swiss precision » do Joachim Bung, obrigatorio a ter...
• A terceira é o sistema de motriçao da minha, para melhor compreender.
Até+
[/img]Olà,
Estamos nos anos cinquenta. Na comuna suiça de St Croix, perto da fronteira françesa, um homem vai conceber um gira-discos que vai influençar a fabricaçao destas maquinas até aos dias de hoje. Chamava-se Louis Thevenaz, era o director do laboratorio de pesquisa da Thorens, e é o pai do TD124, que é puramente e simplesmente « ao nivel technico » o mais fabuloso gira-discos jamais concebido (jà vejo o sorriso do Antonio…
Ultimo detalho necessario para compreender esta maquina. O TD124 tem um segredo : é um caso unico de uniao do rigor alemao, com a originalidade conceptual françesa e o génio mecanico italiano. Isto tudo junto dà o que se chama a precisao suiça “la précision Suisse”.
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[/img]O THORENS TD124
Apresentaçao : Como podem ver pela imagem, o 124 é radicalmente diferente do G301. Mesmo se os ingleses o consideram como o Rolls Royce dos « transcription motors », nao é o caso. O Thorens é um verdadeiro GD com um braço incorporado e uma base de apoio. Tem 4 velocidades 16, 33, 45 e 78, um verdadeiro stroboscope interno e uma regulaçao de velocidade de +/- 3%. Possede un sistema de arranque rapido e um adaptador de 45 (singles) escamotàvel. Tém um sistéma de equilibrio do nivel com uma bolha incorporada no corpo (muito importante com os “idler” pesados). E um gira semi-professional que ataca pela frente as Garrard e EMT, e isto explica o armamento excepcional embarcado. Existem dois modelos que sao o TD124 e o TD124 MKII que tem uma estetica mais moderna e um prato em liga de aluminio (ZAMAC). Cerca de 5000 TD124 foram produzidos mais 3000 MKII, entre 1957 e 1968. O MKII é o mais procurado, mas o 124 é para os especialistas melhor fabricado, soa melhor, e para os fanaticos é o unico e verdadeiro TD124.
Avantagens : A primeira é o sistema unico (mixto de correia e roldana) de motricidade. E um GD a roldana (idler drive), mas o motor que possui uma polia unica, move através uma correia um volante que possede quatro polias que comandam a roldana. Este sistema permete de filtrar as vibraçoes do motor, de aumentar o diametro das polias e assim evitar as micro-derrapagem de fricçao, e permete ao motor de esforçar menos e ter menos potência, o que produz menos de vibraçoes. Três coelhos de uma cacetada, é isto que se chama a originalidade conceptual françesa. O sistema de arranque rapido é muito astucioso também. Para evitar a variaçao da velocidade ao acender o GD (e evitar o gasto da roldana e do motor), o prato principal é coberto por um segundo prato em aluminio que se levanta (é um botao à esquerda do prato) enquanto o outro continua a rodar. A fabricaçao tém toleranças de uma precisao rara. O eixo principal, forjado a frio, torneado e depois endurecido por cinco vezes e ao final polido como um espelho (polido superior ao da Rolex na época) atinge a dureza de 75 HRC !!!, (é a mesma coisa para o eixo do volante e da roldana). Està encastrado numa chumaçeira massiva com duas camisas de bronze esponja « sintered bronze » que guarda o oleo e o restitui pouco a pouco. A tolerancia eixo chumaçeira é de <7 microns à saida da fabrica, isto é o rigor alemao. O prato de 5 Kg é feito de aço ao carbono sem bolhas (cromolybden), como os guizos das vacas dos alpes, forte, duro, pesado e sobretudo inalteravel (a tolerançia de <7 microns foi escolhida, pois corresponde ao grao do aço cromolybden, e permete de atenuar a resonançia prato/eixo/roldana). Todas as peças em movimento sao equilibradas dinamicamente, e trabalham sem jogo nem barulho. O supporte de braço pode ser mudado a qualquer momento, basta desaparafusar os três parafusos. O 124 é suspendido por quatro cogumelos em borracha « mushrooms » que sao uma espécie de suspensao e que diminui o rumble. Os cogumelos entram en quatro botoes que movidos estabilizam o nivel do GD, que se pode controlar pelo nivel a bolha incorporado. Para acabar o corpo do GD é feito de liga de aluminio nervurado (Zamac). A estetica do gira é mais trabalhada que na Garrard ou EMT, com o prato coberto pelo corpo. Isto é o que as pessoas pensam, na realidade a forma do corpo é para aumentar a resistençia à torsao. O G301 tém uma resisténcia de 98 Kg, o EMT 930 de 154 Kg, e o TD124 de quase 480 KG !!! A forma é ditada pela funçao, e isto é o génio mecanico italiano. Esta ultima avantagem permete ao 124 de ter a sagrada rigidez braço/prato ao nivel dos melhores do mundo actuais. Esta maquina sem electronica e completamente mecanica, bem lubrificada e em bom estado tem uma velocidade estabilizada a 33 vpm, de 0,01%, podendo ser variada em funcionamento de +/- 3%, e um rumble ponderado de -60 dB (com os cogumelos em bom estado e a nivel) !!! E tudo isto em 1957, estao a compreeder porquê o 124 é o pai e o rei de todos os gira-discos modernos de topo de gama, e um caso unico na historia destas maquinas ?
Inconvenientes : O mais conhecido é o motor, melhor construido, mais silênçioso, mas menos potente que o das G301/401, ele pode serrar (e se destruir) se o eixo / volante / roldana nao estiverem correctamente lubrificados. O prato em aço é magnético e atrai os imanes poderosos (samarium/cobalto ou néodymium) das células MC, é preciso escolher a célula com atençao. Enfim (para mim) o maior defeito é a precisao da fabricaçao. O motor do tipo 4 pôlos de technologia buraco de esquilo (squirrel hole ou cage d’écuereil), tem de aquecer a 40°C +/- 1,5° para estabilisar a sua rotaçao, e é de mesmo para as peças em movimento. Mesmo se é inaudivel, é necessario entre 10 e 15 minutos para que o prato esteja completamente estabilizado em rotaçao. O ultimo defeito (que explica que os « geeks / fanaticos » japoneses se tenham menos interessado ao 124 que ao G301, é o facto que o nao pode ser amelhorado objectivamente. E uma forma de perfeiçao tecnica, e cada amelhoramento estraga outras coisas, como se o L. Thevenaz o tivesse bloqueado para a eternidade, e talvez seja melhor assim.
Escuta : A principal qualidade do TD124 é o equilibrio. A banda é muito larga e o grave poderoso e profundo (um dos melhores) fila nos agudos até au céu. Mas a qualidade que todos reconhecem é o seu nivel de subtilidade no médium (com o motor quente). Tudo o que està no sulco se ouve, e a um nivel de precisao que nunca foi ultrapassado (mesmo pela EMT). Ao contrario do G301 ele nao marca muito o som, o que o obriga a ser equipado com braço e célula de grande qualidade. Para mim o que é mais espatacular na escuta deste aparelho é a modernidade, o aspect conteporanio do som. Impossivel com o gira escondido de acreditar que ele tém mais de 50 anos de concepçao. Isto é o sinal de um verdadeiro mito e o Tourne Disque 124 é o autografo do Louis Thévenaz para a eternidade, e uma prenda de amor à musica e à humanidade.
PS : Este artigo foi feito a sério. Agradeço as pessoas (muitas) que nao querem ser nomeadas e que na Suiça e na França me ajudaram a fazê-lo. Agradeço o meu amigo J.L. que é o maior colecionador de 124 suiço e que me ofereceu o meu (novo) à cinco anos, pela ajuda hospitalidade (boa comida e bons vinhos) e disponibilidade.
• A primeira fotografia é o TD124 MKII do sr Sebastian Schiele com o braço Ortofon de 9 polegadas RMG212 e a célula Ortofon SPU.
• A segunda foto vém do livro « swiss precision » do Joachim Bung, obrigatorio a ter...
• A terceira é o sistema de motriçao da minha, para melhor compreender.
Até+
uma pessoa tambem se conhece pelos amigos que faz,e se tens um que te ofereceu um 124,só podes ser boa pessoa!
fico feliz por partilhares neste espaço a tua amizade e conhecimentos.
abraço
Milton
fico feliz por partilhares neste espaço a tua amizade e conhecimentos.
abraço
Milton
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