Made in Portugal

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Henri em 15/11/2010, 17:33

Isso já eu sei há muito... a culpa é de todos nós, o problema é que a maioria dos portugueses não tem noção disso... em qualquer discussão que se houve em qualquer café, é sempre a deitar as culpas...eh... a "ELES"... são eles os culpados de tudo, esquecem-se que "ELES" somos nós todos...

Quando queremos alguma coisa bem feita, temos que ser nós a fazê-lo, i.e., começa por nós mesmos a mudança, pois a ligeireza com que nos deparamos todos os dias é: ... "se eles fizereram...eh... também o podemos fazer, é isso mesmo... é a "chique espertice" sempre a trabalhar, ou seja, somos portugueses e infelizmente é esta a nossa cultura!!!...

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Carta aberta a Mário Soares e a todos os políticos...

Mensagem  Blink em 24/11/2010, 16:58

Sr. Dr. Mário Soares,

Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.
Há dias, ouvi o Sr., doutamente nas TV's, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior.

Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, aqui estou eu para lhe dar a alternativa. Aqui lhe deixo 10 medidas que me vieram à mente assim, de repente:

1. Acabar com as pensões vitalícias e restantes mordomias de todos os ex-presidentes da República (os senhores foram PR's, receberam os seus salários pelo serviço prestado à Pátria, não têm de ter benesses por esse facto);

2. Acabar com as pensões vitalícias e / ou pensões em vigor dos primeiros-ministros, ministros, deputados e outros quadros (os Srs deputados receberam o seu ordenado aquando da sua actividade como deputado, não têm nada que ter pensões vitalícias nem serem reformados ao fim de 12 anos; quando muito recebem uma percentagem na reforma, mas aos 65 anos de idade como os restantes portugueses - veja-se o caso do Sr. António Seguro que na casa dos 40 anos de idade já tem direito a reforma da Assembleia da República);

3. Reduzir o nº de deputados para 100;

4. Reduzir o nº de ministérios e secretarias de estado, institutos e outras entidades criadas artificialmente, algumas desnecessárias e muitas vezes até redundantes, apenas para dar emprego aos "boys";

5. Acabar com as mordomias na Assembleia da República e no Governo, e ao invés de andarem em carros de luxo, andarem em viaturas mais baratas, ou de transportes públicos, como nos países ricos do Norte da Europa (no dia em que se anunciou o aumento dos impostos por falta de dinheiro, o Estado adquiriu uma viatura na ordem dos 140 mil € para os VIP's que nos visitarão);

6. Acabar com os subsídios de reintegração social atribuídos aos vereadores, aos presidentes de Câmara, e outras entidades (multiplique-se o número de vereadores existentes pelo número de municípios e veja-se a enormidade e imoralidade que por aí grassa);

7. Acabar com as reformas múltiplas, sendo que um cidadão só poderá ter uma única reforma (ao invés de duas e três, como muitos têm);

8. Criar um tecto para as reformas, sendo que nenhuma poderá ser maior que a do PR;

9. Acabar com o sigilo bancário;

10. Criar um quadro da administração do Estado, de modo a que quando um governo mude, não mudem centenas de lugares na administração do Estado;

Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas e em obras de fachada sumptuosas obras sumptuosas.

Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer.

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Guilherme em 24/11/2010, 18:08

Boa tarde a todos,

O Dr. Mário Soares é um estadista, talvez o maior que Portugal teve após o 25 de Abril, temos que respeitar isso, foi nosso Presidente, que se goste quer não. Esteve exilado, foi anti-fascista. Sim é verdade cometeu muitos erros políticos, julgou ter sido a melhor solução, mas talvez não a tivesse sido.

Erros graves políticos todos os cometem, a começar na legislação e na elaboração dos que fazem , e aprovam ou não as leis no Parlamento.

Somos um povo pobre, e muito inculto, o meu Pai é economista ele sabe, ele recorda que antes do 25 de Abril o indíce de analfabetismo em Portugal era de 85%. É muito para um país tão pequeno como o nosso.

Não é fácil quando se tem um povo pouco culto, mas é fácil de o manipular, por muitos motivos que não valerá a pena descrevê-los.

Fiquei contente com o dia de hoje, GREVE a quase 100%, é um direito pleno numa qualquer sociedade livre, concordo com ela. O País sendo de minoria socialista não está a ser bem conduzido à muito tempo, o verdadeiro Socialismo não descrimina os mais frágeis e os que menos têem, este não é o Socialismo que o meu Pai conheceu e viveu e que eu vou conhecendo mais ou menos. A greve é uma das armas que os trabalhadores têem, só assim faz sentido, todos unidos.

Milhões são desviados para offshores, gestores públicos auferem salários gigantescos sem os merecerem, protegidos de governos e de amigos que por lá estão.

O povo é quem mais ordena, mas infelizmente tem sido ordenado e mandado. Brincam com ele, retiram-se apoios sociais que para muitas famílias este é o único meio de subsistência, isto não é Socialismo. Que fazer para travar isto? Lutar, Gritar, Reivindicar.

O Dr. Mário Soares diz, ter medo de possíveis convulsôes sociais de rua, manifestações mais formas de luta poderão surgir, mas o povo tem a última a palavra a dizer: É VOTAR, mas quando faz sol, vai-se para a praia, quando chove fica-se a ver futebol em casa e passear para o Colombo ou para o Dolce Vita, e os deveres cívicos ficam em casa, assim é dificil ser governado, e sermos um povo feliz num País mais justo.

Não foi só Dr. Mário Soares o culpado, o nosso actual Presidente tem mais culpa, e se este povo não detiver a vontade do Prof. Cavaco ganhar novamente as eleições, ficaremos ainda com um reforço de pobreza ainda mais acentuado.

Salazar, e o actual Presidente com alguns governos pelo meio são os principais responsáveis da tragédia social que vivemos e que vamos viver. Há que ir para a luta.

Cumprimentos a todos
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Re: Made in Portugal

Mensagem  Orion em 24/11/2010, 18:12

Blink escreveu:...Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas e em obras de fachada sumptuosas obras sumptuosas.

Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer.



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Re: Made in Portugal

Mensagem  zaratustra em 24/11/2010, 22:05

Subscrevo a missiva de Blink!
Onde posso assinar? Wink

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Blink em 25/11/2010, 18:30

zaratustra escreveu:Subscrevo a missiva de Blink!
Onde posso assinar? Wink


Eu recebi isto por mail, a melhor forma de assinar é divulgar...

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Re: Made in Portugal

Mensagem  onga-ku em 25/11/2010, 20:58

Petição DECO



A proposta de aumento médio de 3,8% na factura da energia eléctrica resulta de custos impostos ao sector que ganham uma dimensão insustentável. Exigimos cortes em várias áreas.

Em 2011, o custo da electricidade vai pesar mais no orçamento dos consumidores. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos propôs, em Outubro, uma média de 3,8% de aumento na tarifa da electricidade.

Opções políticas e medidas legislativas condicionam a fixação das tarifas e levam a que a parcela dos “Custos de Interesse Geral” continue com um crescimento imparável. Em 2011, prevê-se um total de 2,5 mil milhões de euros de custos, um aumento superior a 30%, face a 2010. Por exemplo, na factura, por cada € 100 pagos, € 42 referem-se a “Custos de Interesse Geral”, que podem e devem ser reduzidos. Alguns não têm relação directa com a produção e distribuição de energia eléctrica.

É indispensável e urgente repensar a política de taxas e sobrecustos que recai nas nossas facturas. Para 2011, a diminuição de 10% nestes custos levaria a uma redução de 5% na factura.

Há muito que a DECO alerta para a situação no sector e exige uma redução dos custos de interesse geral, para que o preço a pagar pelos consumidores seja mais justo.

http://www.deco.proteste.pt/electricidade-sem-extras-p201187.htm

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Blink em 25/11/2010, 21:52

A Factura de electricidade é dividida em 3 parcelas:

- 31% é relativa aos custos de produção
- 27% é relativa ao uso das redes de distribuição

Total de 58% referente ao consumo e todas as estruturas para a energia chegar aos lares.

Depois temos o roubo, mais 42% de custos de Interesse Geral (nome pomposo), isto até dá vontade de rir.

Estes 42% estão relacionados com os custos do Fomento das Energias Renováveis (os moinhos de vento e as células solares montadas em meia-duzia de casas com rendimentos baixos Exclamation , coitados não podem pagar a energia), com as rendas pagas aos municípios, Contribuição Audiovisual de 3.42 Euros, que não se sabe para onde vai este dinheiro e são vários milhões, dizem que é para a RTP pagar aos mamões que lá andam e á Catrina Furtado???

Mas o pior disto tudo, é que são só os Consumidores Domésticos que pagam o Fomento ás Energias Renováveis, as Empresas estão isentas.


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Re: Made in Portugal

Mensagem  onga-ku em 26/11/2010, 09:16

No outro dia vinha um artigo no expresso sobre a micro-produção de energia.

A conclusão é esta: como a rede se compremete a pagar a energia resultante da micro-produção mas tem energia em excesso, o custo dessas facturas é pago pelos consumidores.
No mínimo curioso... Rolling Eyes

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Guilherme em 26/11/2010, 10:07

Bom dia a todos,
Eu já assinei a petição. Aproveito ainda a oportunidade para dizer que hoje se discute a aprovação e votações finais em sede de especialidade final e global do OE2011, o que nos vai fazer ditar as nossas vidas daqui a um mês. É um mau orçamento, eu sou contra, agora e só para acabar, eu no dia da greve e sobre pena de ser alvo a sevícias patronais, fiz greve com uma particularidade, vim para a rua, sou solidário com os pouco que vieram protestar. Em minha opinião foi isso que faltou para que a greve fosse um sucesso único.

Jornalistas estrangeiros vieram cá fazer a reportagem, e acharem bem estranho ninguém ter saído para rua. É pena num país qualquer civilizado, onde o povo luta com as armas que tem e pode, e não é preciso ir mais longe: Grécia, Inglaterra mais recentemente com uma pequena revolta estudantil, que provocou e bem em meu entender quase o caos na cidade mais bela do mundo.

Tenho pena que os nossos estudantes não protestem, tenho pena que não saiam para a rua, estão e mais preocupados com os iPOD's 4 novas tecnologias e botas Timberland. Eu podia ter isso tudo, mas isso não me faz feliz, tornava-me mais um ínútil e mais um imbecil a juntar a tantos outros.

A luta continua, não sei quando vai acabar, ou se alguma vez terá começado. Eu fiz greve, poderei ter prejudicado a empresa, mas não posso esquecer quando esta também me prejudica obrigando-me a trabalhar mais de 8 horas, sem pagar as respectivas horas extras, sem que a minha força de trabalho fosse reconhecida, para que os gerentes da minha empresa cheguem ás 11:00 ao volnate de audis's A8 sem que não lhes seja pedida justificação para tal, e eu e os meus colegas se chegamos 5 minutos atrasados somos confrontados com intolerância.

Para acabar, digo só, os fóruns são muito bons, todos reclamam, todos falam, todos batem palmas, mas não se passa disso, e enquanto não se passar disso, vamos continuar no mesmo atraso social e sempre a ser sacrificados.

Cumprimentos a todos
Guilherme

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Orion em 26/11/2010, 13:53

Guilherme escreveu:...os fóruns são muito bons, todos reclamam, todos falam, todos batem palmas, mas não se passa disso, e enquanto não se passar disso, vamos continuar no mesmo atraso social e sempre a ser sacrificados.


Mas aos "fóruns", como refere, não se exige mais, caro Guilherme. À parte de pessoalmente concordar com a maioria do que refere, no que concerne a essa parte, não vejo como possa querer que um fórum (de temática específica) faça mais do que a simples troca de opiniões e pequenas manifestações comuns de consternação pelo estado em que o país se rege. Não pode ambicionar que seja nos "fóruns" que surja a ambicionada "mudança" que todos (ou a maior parte) pretendemos para tempos melhores.

Mas solidarizo-me com a sua situação como a de muitos mais. Pois como muitos, vivencio igualmente (noutras circunstâncias, obviamente) os mesmos problemas. E partilho há muito a convicção que os portugueses não são de se mobilizar como deveriam (em comparação com outros povos e outras nações). As razões para tal, poderemos especular e adentrar um pouco na componente sociológica da questão em relembrar que, talvez por termos tido um regime ditatorial fascista durante várias décadas, do qual só de lá saimos com uma revolução de flores Rolling Eyes e que, dados os tempos que se lhe seguiram, igualmente nefastos e conturbados de grande instabilidade politicó-social, formou-se a ideia que, "aquele que é contestatário, ou é de ideologia comunista, ou amotinado, ou um insurrecto" No , o que é retrogado e demodé tal estupidez... mas desde há muito tempo que somos um pais taciturno, submisso e negativista, do qual muitos confundem com sermos "conservadores" scratch

Concluindo, penso portanto igualmente que deveriamos ser mais activos na defesa dos nossos direitos, interesses e cidadania, enquanto povo. E tendo assinado igualmente esta e outras petições desde há muito (não só de agora por me estar a afectar), mesmo antes da proclamada crise. E, no meio da inércia geral supracitada, há muito me manifesto de muitas formas e maneiras, seja só ou com alguns colegas apenas, que no entanto, nem fazer greve podemos, dado o cariz legal que impera sobre as nossas profissões (não obstante o continuum lutar para que tal venha a suceder), mas decerto não preciso de o vir declarar num espaço destes, nem o devo fazer. Aliás, certamente muitos dos que aqui estão a dar a sua opinião, têm igualmente os seus problemas e certamente se manifestarão e opinarão à sua maneira. Aqui ou em espaços análogos, apenas podemos ambicionar a troca de opiniões de forma generalista e ao debate dos problemas de forma moderada e equilibrada, tendo em conta que estamos num espaço de Áudio de especificidade própria, não obstante ser de "Of Topic". Os fóruns são para tal um pequeno cantinho de opinião que tem a sua importância relativa numa conjuntura muito mais abrangente e generalista e que não passa por ter obrigações maiores nesse campo.

Não obstante o referido, opino com a mesma convicção que, qualquer tipo de manifestação de violência, não é nem nunca será solução, mas sim um escalar do problema. Por isso, todo o tipo de fundamentalismo, não entra na minha maneira de ser nem naquilo que veementemente acredito Wink .

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Blink em 26/11/2010, 15:49

Plenamente de acordo com o amigo Orion, e referindo-me ao tema em questão este directório "Off-Topic" não passa de um pequeno espaço onde possamos escrever as nossas lamúrias e desabafos, e escrevermos o que nos vai na alma nesta difícil situação que atravessamos e não passa pela cabeça de ninguém que as soluções para os problemas do País saissem daqui. cheers

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Guilherme em 26/11/2010, 16:05

Boa tarde a todos,

Completamente de acordo quando se diz aqui que não passa pela cabeça que as soluções do país estariam por aqui, isso é evidente e factual, isto é um fórum, onde se fala sobre um tema principal, e também como foi o caso do tópico, ou já off-tópic, fala-se sobre alguns aspectos da vida politica e social e todos sabemos que as soluções passam por todos nós e por todos os que estão de assento parlamentar e que aprovaram hoje OE 2011, por isso é que eu fui protestar para a rua, não fiquei em casa no quentinho do ar condicionado. Iisto já será um tema demais para mim estar a discutir online, falemos então de música e de aparelhos de som.

Cumprimentos
Guilherme

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Re: Made in Portugal

Mensagem  Orion em 28/11/2010, 01:30

Guilherme escreveu:
Orion escreveu:
Guilherme escreveu:...por isso é que eu fui protestar para a rua, não fiquei em casa no quentinho do ar condicionado. Iisto já será um tema demais para mim estar a discutir online, falemos então de música e de aparelhos de som.


E como o meu amigo foi, foram milhões de portugueses, nesta e em muitas outras vezes. E, outros porém, como já referi, por inerência de estarem sob proibição de o fazer (sim, existem imensos), vão lutando por virem a ter esse direito - que não têm... Rolling Eyes Wink


Boa tarde a todos,

Foram milhões? Aonde? scratch Para a rua não foram com toda a certeza, pelo menos em Lisboa e em Portugal. Em Inglaterra sim, e na Irlanda também, agora cá?
Eu trabalho no privado e como disse atrás noutros posts, eu fiz Greve sobre pena de me mandarem embora, ou ser alvo de retaliações, como é hábito nos locais de trabalho devido ao atrofio das pessoas, coragem é isto, lutar pelos nossos direitos. Se me mandarem embora, existem meios judiciais ao nosso dispôr.

Mudando um pouco o tema, aproveitei e fui comprar música, muita música, e já nem sei se vou ter tempo de vir aqui.

Cumprimentos a todos
Guilherme


Como já o avisei, este é um espaço de temática específica e não algo a que parece querer teimar em confundir. Para finalizarmos esse seu mal entendido, que parece estar um pouco desajustado daquilo que é a realidade, vamos lá a ver se nos entendemos... sim, foram muitos para a rua e foram imensos os que fizeram greve em Portugal. Ou pensa que foi sozinho? E ao contrário do que diz (fala muito, fazendo juizos de valor fáceis, mas depreende-se que sabe pouco), há profissões que, pela sua especificidade não têm juridicamente direito à greve. Isso é do conhecimento básico. O caríssimo não é o único afectado pelo estado actual do país, certo? Provavelmente serão a maioria dos que cá estamos a viver nele. Então pare lá de fazer essa ode à sua "grande coragem" como se todos os outros estivéssemos aqui a precisar de algum paladino da moral, porque para isso já chegam os políticos que nos enchem de discursos etéreos e de auto elogios absurdos. "Coragem", pela sua subjectividade, é algo que se calhar o meu caro ainda não se deparou a sério, como tal não tente passar um atestado de estupidez a todos os que amenamente aqui estão a debater este (e outros) temas, insultando a nossa inteligência.

Por acaso, quando afere com essa leveza - referindo-se a si próprio Shocked , do que é que é coragem, é conhecedor da dos outros? Daqueles que perderam o emprego? Ou dos que nem comer para os filhos já têm? Pelo que diz, ainda possui um emprego, portanto, não me parece. Então não volte a fazer juizos de valor aos demais que aqui estão, pois esse não é o propósito nem a finalidade de tópicos como este, nem tal o permitimos!

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Não resisti a este texto do Miguel Sousa Tavares...

Mensagem  Blink em 30/11/2010, 16:19

Não resisti em meter a transcrição deste texto do Miguel Sousa Tavares.
----------------------------------------------------------------------

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa.

Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma.
Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis.

Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três.
Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio.
Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos... Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km. Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim. Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor. Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez. Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

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