O Audiófilo e a Distorção de Fase
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O Audiófilo e a Distorção de Fase
Tenho estado a traduzir uma apresentação interessante que irei publicar em duas partes e que aborda novamente a questão da gravação e da reprodução de música, neste caso com especial relevo para a problemática da imagem estereofónica e da forma como percebemos a representação espacial e localizamos as fontes sonoras no som reproduzido.
Trata-se de um conjunto de slides de uma apresentação oral da autoria de Jean-Michel Le Cléac’h, o que torna a leitura menos maçuda; não é tão agradável de ler como um texto corrido mas serve o seu papel informativo.
O original em Francês pode ser encontrado aqui.

Trata-se de um conjunto de slides de uma apresentação oral da autoria de Jean-Michel Le Cléac’h, o que torna a leitura menos maçuda; não é tão agradável de ler como um texto corrido mas serve o seu papel informativo.
O original em Francês pode ser encontrado aqui.
Última edição por onga-ku em 5/9/2010, 22:32, editado 2 vez(es)
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NB: o autor desta mensagem não escreve segundo o "novo acordo ortográfico"

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Re: O Audiófilo e a Distorção de Fase
O Audiófilo e a Distorção de Fase
Por Jean-Michel Le Cléac’h
Por Jean-Michel Le Cléac’h
O que é Estereofonia
Processo de registo e reprodução do som que utiliza dois canais por forma a difundir uma sonoridade possuidora de um certo relevo, a Estereofonia permite uma localização espacial dos sons que acrescenta uma dimensão de profundidade e dá ao som (reproduzido) uma qualidade natural.
Quais são os objectivos da Estereofonia
- Reproduzir o evento musical ou sonoro
- Recrear a ambiência sonora da sessão de gravação
- Restituir sem deformações a perspectiva ou relevo sonora (direcção, distância dos instrumentos...)
- Respeitar as dimensões e a forma dos instrumentos tal como foram vistas pelo engenheiro de som
Os instrumentos de música são fontes sonoras complexas
- Não são fontes pontuais
- A emissão sonora dá-se a partir de diferentes zonas do instrumento com direcções distintas de acordo com as frequências
A radiação dos instrumentos

O oboé

A flauta

O violoncelo
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Re: O Audiófilo e a Distorção de Fase
Percepção estereofónica
Em primeiro lugar importa distinguir “ palco sonoro” de “imagem sonora”.
O “palco sonoro” pode ser definido como a zona de onde nos parecem vir as ondas sonoras durante uma escuta.
Normalmente caracteriza-se pela sua extensão em largura e em profundidade.
A maioria dos audiófilos toma como característica positiva um “palco sonoro” que se estende para fora do espaço compreendido entre as duas colunas de som.
Reverberação e “palco sonoro”
Existem estudos que demonstram que uma grande maioria de audiófilos prefere uma maior relação entre a energia sonora reverberante e a energia sonora directa.
A utilização de colunas de som de baixa directividade numa sala de escuta bastante reverberante conduz a uma forte reverberação de que resulta o alargamento e aprofundamento do “palco sonoro”.

Formação de fontes sonoras virtuais através da reflexão provocada pelas paredes

Alargamento e aprofundamento do “palco sonoro” pela utilização de colunas de som
de baixa directividade numa sala de escuta bastante reverberante
Mesmo se o alargamento e aprofundamento do “palco sonoro” provocados pela reverberação é geralmente percebido como agradável, pois permite criar uma ilusão da ambiência do concerto ao vivo, somos obrigados a admitir que se trata de um desvio à fidelidade da gravação.
A escuta dessa mesma gravação com headphones é muito reveladora deste facto.
A imagem sonora tridimensional
De acordo com J. Gordon Holt, a capacidade de um dado sistema está directamente relacionada com a aptidão deste em criar fontes sonoras virtuais distintas das colunas de som.

A ”imagem sonora” caracteriza-se por:
- azimute dos instrumentos
- distância entre os instrumentos
Em primeiro lugar importa distinguir “ palco sonoro” de “imagem sonora”.
O “palco sonoro” pode ser definido como a zona de onde nos parecem vir as ondas sonoras durante uma escuta.
Normalmente caracteriza-se pela sua extensão em largura e em profundidade.
A maioria dos audiófilos toma como característica positiva um “palco sonoro” que se estende para fora do espaço compreendido entre as duas colunas de som.
Reverberação e “palco sonoro”
Existem estudos que demonstram que uma grande maioria de audiófilos prefere uma maior relação entre a energia sonora reverberante e a energia sonora directa.
A utilização de colunas de som de baixa directividade numa sala de escuta bastante reverberante conduz a uma forte reverberação de que resulta o alargamento e aprofundamento do “palco sonoro”.

Formação de fontes sonoras virtuais através da reflexão provocada pelas paredes

Alargamento e aprofundamento do “palco sonoro” pela utilização de colunas de som
de baixa directividade numa sala de escuta bastante reverberante
Mesmo se o alargamento e aprofundamento do “palco sonoro” provocados pela reverberação é geralmente percebido como agradável, pois permite criar uma ilusão da ambiência do concerto ao vivo, somos obrigados a admitir que se trata de um desvio à fidelidade da gravação.
A escuta dessa mesma gravação com headphones é muito reveladora deste facto.
A imagem sonora tridimensional
De acordo com J. Gordon Holt, a capacidade de um dado sistema está directamente relacionada com a aptidão deste em criar fontes sonoras virtuais distintas das colunas de som.

A ”imagem sonora” caracteriza-se por:
- azimute dos instrumentos
- distância entre os instrumentos
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Re: O Audiófilo e a Distorção de Fase
Localização de fontes sonoras em audição binaural
Localizar uma fonte sonora é identificar o seu azimute (plano horizontal) e a sua altura (plano vertical) i.e. a sua direcção, e em seguida a distância que a separa do receptor.
Quando os ouvidos recebem as vibrações de um campo acústico, as diferenças podem apresentar-se a três níveis: intensidade, fase e tempo.
Outros, mais minuciosos, adicionariam ainda: a "sombra" provocada pela cabeça, as diferenças de geometria dos pavilhões auriculares e os reflexos provocados pelos ombros.
Citando Sandrine Lopez em “Para uma tipologia dos espaços...”:
”Espaço: lugar relativamente bem delimitado onde podemos situar qualquer coisa.”
(...)A nossa escuta é tridimensional: permite-nos localizar os sons num determinado espaço e reconhecer a verticalidade,
a horizontalidade e a profundidade.
A escuta estereofónica permite a quem escuta a percepção de um relevo sonoro, de uma perspectiva sonora, da separação
dos planos sonoros, de diferentes espaços, de “imagens mentais” nítidas.
A noção de relevo sonoro é interessante porque só por si revela uma percepção global: nós conseguimos determinar fontes
sonoras oriundas de direcções distintas.
É importante sublinhar que o relevo sonoro e a localização se devem à fase, ou melhor, ao desfasamento.
As ondas em fase são ondas que não se encontram diferenciadas ou em atraso de fase uma da outro no tempo.
Se o atraso existe, então temos desfasamento e é este que origina o relevo.
Nós somos capazes de identificar no espaço.(...)
Podemos concluir que é importante respeitar a repartição das fases no interior de um sinal para garantir uma boa reprodução do relevo sonoro.
Para um som que nos chega da esquerda ou da direita:
- FASE = 0,63ms de diferença inter-auricular, de uma orelha à outra
- INTENSIDADE = 0,5dB de diferença inter-auricular
(Mills, 1958)
Para um som que nos chega de frente ou detrás:
- FASE = nenhum desfasamento ou atraso de fase
- INTENSIDADE = nenhuma diferença
O desfasamento entre as ondas sonoras que chegam a cada uma das nossas orelhas é um dos mecanismos que permite a localização binaural de uma fonte sonora.

Localizar uma fonte sonora é identificar o seu azimute (plano horizontal) e a sua altura (plano vertical) i.e. a sua direcção, e em seguida a distância que a separa do receptor.
Quando os ouvidos recebem as vibrações de um campo acústico, as diferenças podem apresentar-se a três níveis: intensidade, fase e tempo.
Outros, mais minuciosos, adicionariam ainda: a "sombra" provocada pela cabeça, as diferenças de geometria dos pavilhões auriculares e os reflexos provocados pelos ombros.
Citando Sandrine Lopez em “Para uma tipologia dos espaços...”:
”Espaço: lugar relativamente bem delimitado onde podemos situar qualquer coisa.”
(...)A nossa escuta é tridimensional: permite-nos localizar os sons num determinado espaço e reconhecer a verticalidade,
a horizontalidade e a profundidade.
A escuta estereofónica permite a quem escuta a percepção de um relevo sonoro, de uma perspectiva sonora, da separação
dos planos sonoros, de diferentes espaços, de “imagens mentais” nítidas.
A noção de relevo sonoro é interessante porque só por si revela uma percepção global: nós conseguimos determinar fontes
sonoras oriundas de direcções distintas.
É importante sublinhar que o relevo sonoro e a localização se devem à fase, ou melhor, ao desfasamento.
As ondas em fase são ondas que não se encontram diferenciadas ou em atraso de fase uma da outro no tempo.
Se o atraso existe, então temos desfasamento e é este que origina o relevo.
Nós somos capazes de identificar no espaço.(...)
Podemos concluir que é importante respeitar a repartição das fases no interior de um sinal para garantir uma boa reprodução do relevo sonoro.
Para um som que nos chega da esquerda ou da direita:
- FASE = 0,63ms de diferença inter-auricular, de uma orelha à outra
- INTENSIDADE = 0,5dB de diferença inter-auricular
(Mills, 1958)
Para um som que nos chega de frente ou detrás:
- FASE = nenhum desfasamento ou atraso de fase
- INTENSIDADE = nenhuma diferença
O desfasamento entre as ondas sonoras que chegam a cada uma das nossas orelhas é um dos mecanismos que permite a localização binaural de uma fonte sonora.

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Re: O Audiófilo e a Distorção de Fase
Localização em azimute
No plano horizontal, a localização por diferença de fase está limitada aos 1.500Hz; acima desta frequência dois azimutes diferentes podem dar o mesmo desfasamento, e à medida que nos aproximamos dos 3.000Hz nem a intensidade, nem o desfasamento são suficientemente informativos de modo a permitir a localização de uma fonte sonora de forma precisa (Stevens et Newman).
O pavilhão auricular intervém de forma progressiva na localização acima dos 2.000Hz.
A sua configuração constitui um filtro em pente e impõe máximos de intensidade e fendas espectrais ao sinal incidente, dependendo da localização da fonte sonora e do receptor.
Percepção da distância
A sensação de distância tem essencialmente como referências as variações de intensidade, a relação entre o som directo e o som reflectido e as modificações espectrais.
Quando afastamos a fonte sonora a intensidade diminui, mas é possível recrear artificialmente o mesmo efeito através da variação de intensidade de uma fonte sonora fixa.
A maior parte dos registos é efectuada em estereofonia de amplitude ou de intensidade, um método desenvolvido por Alan Blumlein para a EMI nos anos 30.
A posição de um dado instrumento é definida pelo engenheiro de som através do recurso a um “potenciometro panorâmico”.
Teoricamente, a posição aparente na reprodução de um instrumento não se pode afastar demasiado da linha que une ambas as colunas de som.
Jogamos com a amplitude, o espectro e seguimento das notas para estabelecer uma certa percepção da distância.

Distorção espacial das fontes sonoras na reprodução estereofónica convencional
Psicoacústica da localização dos sons
É um facto do conhecimento geral que a localização a localização no plano horizontal se deve principalmente às diferenças de intensidade e de tempo entre os sinais sonoros que nos chegam aos ouvidos.
Mas já não é tão comum saber-se que esses dois parâmetros não são suficientes para anular as ambiguidades ao nível da profundidade (frente/trás) e para permitir a localização num outro plano que não o horizontal (cima/baixo).
Apesar disso, a capacidade de localização auditiva é extremamente precisa.

Grau de precisão da localização de uma fonte sonora pelo sistema auditivo humano
Como se pode ver, a precisão da localização binaural de uma fonte sonora em azimute no plano horizontal é enorme.
No plano horizontal, a localização por diferença de fase está limitada aos 1.500Hz; acima desta frequência dois azimutes diferentes podem dar o mesmo desfasamento, e à medida que nos aproximamos dos 3.000Hz nem a intensidade, nem o desfasamento são suficientemente informativos de modo a permitir a localização de uma fonte sonora de forma precisa (Stevens et Newman).
O pavilhão auricular intervém de forma progressiva na localização acima dos 2.000Hz.
A sua configuração constitui um filtro em pente e impõe máximos de intensidade e fendas espectrais ao sinal incidente, dependendo da localização da fonte sonora e do receptor.
registo de frequência | mecanismo de localização |
agudo | diferença de intensidade |
médio | diferença de intensidade e de fase |
grave | diferença de fase |
Percepção da distância
A sensação de distância tem essencialmente como referências as variações de intensidade, a relação entre o som directo e o som reflectido e as modificações espectrais.
Quando afastamos a fonte sonora a intensidade diminui, mas é possível recrear artificialmente o mesmo efeito através da variação de intensidade de uma fonte sonora fixa.
A maior parte dos registos é efectuada em estereofonia de amplitude ou de intensidade, um método desenvolvido por Alan Blumlein para a EMI nos anos 30.
A posição de um dado instrumento é definida pelo engenheiro de som através do recurso a um “potenciometro panorâmico”.
Teoricamente, a posição aparente na reprodução de um instrumento não se pode afastar demasiado da linha que une ambas as colunas de som.
Jogamos com a amplitude, o espectro e seguimento das notas para estabelecer uma certa percepção da distância.

Distorção espacial das fontes sonoras na reprodução estereofónica convencional
Psicoacústica da localização dos sons
É um facto do conhecimento geral que a localização a localização no plano horizontal se deve principalmente às diferenças de intensidade e de tempo entre os sinais sonoros que nos chegam aos ouvidos.
Mas já não é tão comum saber-se que esses dois parâmetros não são suficientes para anular as ambiguidades ao nível da profundidade (frente/trás) e para permitir a localização num outro plano que não o horizontal (cima/baixo).
Apesar disso, a capacidade de localização auditiva é extremamente precisa.

Grau de precisão da localização de uma fonte sonora pelo sistema auditivo humano
Como se pode ver, a precisão da localização binaural de uma fonte sonora em azimute no plano horizontal é enorme.
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Re: O Audiófilo e a Distorção de Fase
Registos efectuados em estereofonia de fase
Em 1940 de Boer introduz a gravação por cabeça artificial que vem melhorar a percepção da localização graças à diferença de intensidade e do tempo de chegada dos sinais.

Em finais dos anos 50, as estações de rádio europeias utilizavam um par de microfones espaçado de 15 a 30 cm e com ângulos variáveis entre os micros para a difusão de concertos.

Gravação de uma orquestra com recurso a um par de microfones

Distorção espacial das fontes sonoras na reprodução de gravações em estereofonia de fase
Para contrabalançar o efeito de distorção de perspectiva sonora das gravações em estereofonia de fase André Charlin coloca os instrumentos em camadas curvilíneas concêntricas.

Método de gravação Charlin utilizando uma cabeça artificial

Cabeça artificial
Audição binaural: o efeito negativo da diafonia (ou crosstalk) interaural
Na escuta estereofónica através de duas colunas de som, a onda emitida por uma delas chega aos dois ouvidos com um certo desfasamento.
Essa diafonia interaural perturba a localização das fontes sonoras virtuais, efeito que se torna evidente quando escutamos com auscultadores.

Alguns audiófilos procuram reduzir a diafonia colocando uma divisória amovível
na bissectriz no ângulo criado entre o ponto de escuta e as duas colunas de som
Em 1940 de Boer introduz a gravação por cabeça artificial que vem melhorar a percepção da localização graças à diferença de intensidade e do tempo de chegada dos sinais.

Em finais dos anos 50, as estações de rádio europeias utilizavam um par de microfones espaçado de 15 a 30 cm e com ângulos variáveis entre os micros para a difusão de concertos.

Gravação de uma orquestra com recurso a um par de microfones

Distorção espacial das fontes sonoras na reprodução de gravações em estereofonia de fase
Para contrabalançar o efeito de distorção de perspectiva sonora das gravações em estereofonia de fase André Charlin coloca os instrumentos em camadas curvilíneas concêntricas.

Método de gravação Charlin utilizando uma cabeça artificial

Cabeça artificial
Audição binaural: o efeito negativo da diafonia (ou crosstalk) interaural
Na escuta estereofónica através de duas colunas de som, a onda emitida por uma delas chega aos dois ouvidos com um certo desfasamento.
Essa diafonia interaural perturba a localização das fontes sonoras virtuais, efeito que se torna evidente quando escutamos com auscultadores.

Alguns audiófilos procuram reduzir a diafonia colocando uma divisória amovível
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Re: O Audiófilo e a Distorção de Fase
Muito interessante este tema, estamos sempre a aprender.

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Re: O Audiófilo e a Distorção de Fase
Penso que para além de interessante é também de grande relevância para esta nossa prática do Audio, em particular da estereofonia (dois canais).
As primeiras ilustrações demostram na perfeição que o recurso à técnica de close-micing (colocação de microfones a grande proximidade) é um erro, pois os instrumentos produzem as várias frequências ou notas com diferentes partes do corpo e padrões de radiação distintos, o que para além de eliminar a acústica da sala vai também provocar alterações no timbre dos instrumentos.
Em seguida podemos acompanhar a evolução das técnicas de posicionamento dos microfones no sentido de melhor captar e reproduzir o "palco" sonoro.
São-nos também dadas a conhecer as razões pelas quais certos sistemas e posicionamentos de colunas produzem um "palco" aparente de maiores dimensões e é-nos demonstrado que esse "palco" não é uma qualidade mas um defeito já que o "palco" sonoro é uma propriedade da gravação e não da reprodução.
Parece-me óbvia a conclusão de que a colocação de colunas próximo das paredes laterais sem qualquer toe-in (convergência em direcção ao ponto de escuta) é contraproducente já que produz uma enorme quantidade de reflexos; infelizmente o "palco" tornou-se (graças aos reviewers?) numas das prioridades tanto de audiófilos como de fabricantes de colunas.
Por outro lado a obsessão pelo "detalhe", pelo "recorte" e pelo "arejamento" tem levado a que muitos engenheiros recorram à técnica de close-micing, de onde resultam gravações excelentes para demostrar (leia-se vender) equipamentos mas que pouco têm de realista.
As primeiras ilustrações demostram na perfeição que o recurso à técnica de close-micing (colocação de microfones a grande proximidade) é um erro, pois os instrumentos produzem as várias frequências ou notas com diferentes partes do corpo e padrões de radiação distintos, o que para além de eliminar a acústica da sala vai também provocar alterações no timbre dos instrumentos.
Em seguida podemos acompanhar a evolução das técnicas de posicionamento dos microfones no sentido de melhor captar e reproduzir o "palco" sonoro.
São-nos também dadas a conhecer as razões pelas quais certos sistemas e posicionamentos de colunas produzem um "palco" aparente de maiores dimensões e é-nos demonstrado que esse "palco" não é uma qualidade mas um defeito já que o "palco" sonoro é uma propriedade da gravação e não da reprodução.
Parece-me óbvia a conclusão de que a colocação de colunas próximo das paredes laterais sem qualquer toe-in (convergência em direcção ao ponto de escuta) é contraproducente já que produz uma enorme quantidade de reflexos; infelizmente o "palco" tornou-se (graças aos reviewers?) numas das prioridades tanto de audiófilos como de fabricantes de colunas.
Por outro lado a obsessão pelo "detalhe", pelo "recorte" e pelo "arejamento" tem levado a que muitos engenheiros recorram à técnica de close-micing, de onde resultam gravações excelentes para demostrar (leia-se vender) equipamentos mas que pouco têm de realista.
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